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I N J
E T O R A S |
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Cresce procura por máquinas para
fabricar peças multicores
Texto de José Paulo Sant’Anna e fotos de Cuca Jorge
Nos países avançados, a injeção de peças com
duas ou mais cores é usada há mais de trinta anos, tornou-se corriqueira.
Lá fora, em algumas aplicações, chega-se a utilizar até oito cores por
peça. No Brasil, alguns transformadores adotam a tecnologia há mais de dez
anos. Seu uso por aqui, no entanto, pode ser considerado bastante tímido.
Poucas são as fábricas capacitadas para essa operação. Entre elas, a
maioria absoluta se utiliza de duas cores.
Apesar de ser ainda pífio, o interesse por trabalhos do gênero vem
crescendo de forma moderada, em especial nos últimos dois anos. Alguns
fornecedores de injetoras atestam que são procurados com maior intensidade
por interessados em equipamentos com mais de uma unidade de injeção. O
mesmo sentimento está presente entre os poucos transformadores e
fabricantes de moldes prestadores de serviços para esse nicho de mercado.
O crescimento da demanda tem ocorrido com maior intensidade por parte de
representantes de alguns segmentos econômicos. Um exemplo: os setores de
cosméticos e de produtos de higiene pessoal. A aparência dos produtos nas
prateleiras dos pontos de venda, para essas indústrias, faz parte da
estratégia de marketing. O uso de peças coloridas nas embalagens incentiva
as vendas, ajuda a cativar os consumidores em lojas, supermercados e
demais representantes do varejo. O mesmo apelo pode ser mencionado em
outros itens cuja questão estética favorece os negócios. São os casos dos
aparelhos eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
O aumento da procura não se dá apenas por questão estética, ocorre também
por funcionalidade. As lanternas traseiras dos automóveis são compostas
por plástico transparente e vermelho. Injetar as lanternas com duas cores
em apenas um ciclo se mostra operação econômica e vantajosa, quando
comparada com a produção independente dos componentes de cada cor. Outros
exemplos se encontram na fabricação de produtos como aparelhos de barbear
ou de escovas de dente. Recobrir os cabos desses produtos, normalmente
injetados em EVA, com uma camada de TPE, um tipo de borracha, permite
melhor manuseio por parte dos usuários, além de torná-los com aparência
mais sofisticada.
Aplicações como essas proporcionam bom potencial de crescimento do uso da
tecnologia nos próximos anos. Alguns fatores, porém, não ajudam. Para
investir na aquisição de equipamento do gênero, o uso dedicado das
máquinas é quesito quase obrigatório. E o preço das injetoras é “salgado”.
O maior obstáculo, no entanto, se encontra no valor dos moldes. Muito
complexos, eles custam, em média, mais de meio milhão de dólares. Mesmo
levando-se em conta a relação custo/benefício, muitas vezes vantajosa, o
investimento assusta os industriais.
Encontrar no Brasil ferramentarias preparadas para esse tipo de encomenda
é outro desafio. Os dedos de uma mão talvez sejam suficientes para contar
as empresas do ramo capacitadas. A importação é a forma de contornar o
problema. Não por acaso, fornecedores internacionais de injetoras costumam
oferecer aos clientes projetos completos, que incluem, além das máquinas,
moldes fabricados por parceiros internacionais e até periféricos e
acessórios de automação.
Os “segredos” das injetoras – A injeção bicolor exige uma série de
cuidados, adotados de acordo com as características das peças a serem
produzidas. Um dos dilemas se encontra na escolha da injetora. Existem
vários fornecedores de máquinas com duas ou mais unidades de injeção.
Essas unidades podem ser montadas em paralelo, na vertical ou na
horizontal, na lateral dos equipamentos. A seleção é feita caso a caso. “A
escolha da melhor combinação depende das características dos moldes”,
explica Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo Demag, multinacional
com participação marcante no mercado mundial de equipamentos
multicomponentes.
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Um dos diferenciais dessas máquinas se encontra em seu
controle, dotado com softwares mais sofisticados do que os presentes
em modelos convencionais. Esses controles precisam garantir com grande
precisão a execução de todas as operações, permitindo as temperaturas
e pressões corretas de etapas como plastificação das resinas em cada
unidade de injeção durante o preenchimento do molde.
Franco Magno, gerente técnico da Plastek, multinacional especializada
em transformação e ferramentaria e uma das pioneiras na fabricação de
peças bicolores no Brasil, revela ser possível adaptar injetoras
comuns para a operação. “Quando for vantajoso, podemos montar uma
segunda unidade de injeção com controle independente”, conta. No
parque gráfico da empresa no Brasil, a opção já foi adotada. “Usamos
tanto máquinas especializadas quanto adaptadas e todas funcionam bem”,
garante. |

Magno: injetoras comuns podem ser adaptadas para realizar operação |
Os “segredos” dos moldes – Não são poucos os atributos dos moldes
necessários para o bom funcionamento dos ciclos de injeção de peças
plásticas bicolores. Eles exigem enorme precisão, muitos de seus
componentes contam com dimensões projetadas na casa dos milésimos de
milímetros. “Um mínimo desajuste provoca problemas durante o preenchimento
das cavidades e aparição de rebarbas”, lembra Magno, da Plastek.
Essas matrizes podem ser divididas em dois grandes grupos. No primeiro,
encontram-se as projetadas para sofrer uma rotação dentro das máquinas
após a conclusão de cada ciclo. A rotação, comandada por sistemas de
engrenagem, pode ocorrer no sentido vertical ou horizontal, conforme as
características das peças a serem fabricadas e das máquinas a serem
utilizadas. Nesse caso, os moldes têm o dobro de cavidades em relação ao
número de peças a serem produzidas.
A operação de preenchimento do molde, para as ferramentas desse tipo,
ocorre da seguinte forma: enquanto uma unidade de injeção injeta o
plástico da primeira cor, a segunda unidade, de forma simultânea,
complementa o preenchimento com a outra matéria-prima. Findo o ciclo, a
ferramenta abre e as peças prontas são ejetadas. O molde, então, faz o
movimento de rotação, com a finalidade de localizar as cavidades vazias
junto ao canhão onde será injetada a primeira cor e as cavidades
preenchidas com o plástico da primeira cor junto ao canhão de onde sairá o
segundo material.
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Molde dotado com lâminas produz
tampas bicolores |
O outro grupo é formado por moldes dotados em cada cavidade com uma
espécie de lâmina. Nos ciclos, antes da etapa em que é injetado o primeiro
material, essas lâminas são acionadas de modo que impeçam o preenchimento
completo das cavidades. Em seguida, a unidade de injeção da primeira cor
introduz a quantidade prevista de plástico. As lâminas, então, são
recolhidas e a segunda unidade de injeção preenche o espaço vazio restante
com a outra matéria-prima. Nesse caso, o número de cavidades do molde
coincide com o número de peças produzidas por ciclo.
Para Magno, a escolha do tipo de molde, entre os que atuam com base na
rotação (vertical ou horizontal) e os dotados com lâminas, deve ser feita
caso a caso. Tudo depende de parâmetros como os materiais utilizados, a
quantidade de cada material presente nas peças, o design das peças e as
medidas entre colunas das injetoras, entre outros. “Os moldes dotados com
lâminas são menos caros, pois contam com número de cavidades menor. Nem
por isso, são sempre os mais indicados”, ressalta.
Nos dois grupos, a sincronia dos movimentos tem de ser perfeita. Uma das
maiores dificuldades se encontra na realização do processo de
resfriamento, o qual tem de funcionar com extrema precisão. No caso dos
moldes do segundo grupo, a dificuldade é maior. Durante o ciclo, antes da
lâmina se recolher, o material da primeira cor precisa atingir temperatura
adequada, nem fria para dificultar a adesão do segundo material, e nem
quente para que essa adesão se transforme em indesejável fusão. Cada
cavidade, nos moldes dos dois grupos, precisa contar com seu canal quente.
Nos que atuam com base no movimento de rotação, portanto, o número de
canais quentes é o dobro do número de peças fabricadas por ciclo.
Uma exigência, qualquer que seja o tipo da ferramenta, é a robustez. Por
isso, os projetistas precisam estar atentos à exigência mecânica das
ferramentas durante a seleção dos aços. Em geral, são usadas
matérias-primas sofisticadas, com desempenho acima da média das
aproveitadas em matrizes convencionais. Além disso, elas precisam passar
por tratamentos térmicos feitos sob rigorosos parâmetros de qualidade.
“Por se tratarem de moldes de elevado valor, o preço do aço não é tão
relevante, não vale a pena economizar nessa hora”, avalia o gerente da
Plastek.
Palavra de transformador – Os transformadores interessados em
investir na injeção bicolor precisam de capital significativo para montar
a estrutura necessária para a operação. Caso consigam contornar essa
“indigesta” dificuldade, a chance de obter bom retorno é expressiva. Um
exemplo se encontra na Plastek. A empresa foi criada nos Estados Unidos em
meados do século passado. Nasceu como fabricante de moldes e, nas últimas
décadas, agregou a transformação aos seus serviços. No Brasil, tem fábrica
localizada no município de Indaiatuba-SP. No exterior, mantém três
fábricas no território norte-americano, além de unidades de produção na
Inglaterra e Venezuela.
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Por aqui, a Plastek está completando dez anos de
atuação e se especializou na produção de embalagens de cosméticos,
alimentos, produtos farmacêuticos e de limpeza. Conta com clientes de
porte, nomes como Unilever, Pepsico e L’Oréal, entre outros gigantes
fabricantes de bens de consumo. Em Indaiatuba, opera com 51 injetoras,
das quais quatro são dedicadas à injeção bicolor. Nestas máquinas
produz tampas de embalagens de cosméticos e corpos de aparelhos de
barbear.
Prova dos bons resultados obtidos com o nicho se encontra nos
investimentos em curso realizados pela empresa. Até meados do ano, ela
deve ampliar sua capacidade produtiva com a inauguração de espaço em
seu galpão industrial onde serão instaladas dez injetoras
recém-adquiridas. Entre as novas máquinas, duas serão |

Molde com rotação produz aparelhos
de barbear |
totalmente dedicadas à injeção de peças bicolores. “Tem havido aumento de
demanda por esse tipo de serviço”, justifica o gerente técnico Franco
Magno.
Em paralelo às linhas de produção, a empresa mantém por aqui ferramentaria
equipada com equipamentos de usinagem de aço de última geração. Lá são
fabricados os complexos moldes de bi-injeção usados pela empresa e também
para terceiros. “Os projetos dos moldes são desenvolvidos nos Estados
Unidos. No Brasil, usinamos todos os componentes das ferramentas”, diz o
gerente.
Palavra de ferramenteiro – Não é fácil encontrar ferramentarias
nacionais capazes de projetar e construir moldes para injeção bicolor. Uma
delas é a Btomec, localizada em Joinville-SC. Com 65 funcionários e há 25
anos no mercado, a empresa tem como foco principal de atuação a produção
de matrizes de múltiplas cavidades. “Fazemos moldes de 16, 24 e até 96
cavidades”, informa o diretor Wiland Tiergarten.
De acordo com o dirigente, a iniciativa de investir na injeção bicolor se
deveu ao fato de a tecnologia estar começando a ganhar força no Brasil.
“Empresas do setor automotivo, de linha branca e de embalagens e, em
especial, de cosméticos estão intensificando os pedidos”, revela. Até
pouco tempo, esses moldes eram todos feitos no exterior. “Sempre
procuramos nos inovar, buscamos um diferencial perante os concorrentes.
Por isso, há três anos resolvemos investir em estudos e pesquisas para nos
capacitarmos para esse mercado”, conta.
Para por em prática a estratégia, a Btomec contratou a assessoria de uma
ferramentaria alemã. O acordo foi necessário para capacitar os
profissionais da empresa, fazer com que eles começassem a ter contato com
diferenciais da construção dessas ferramentas. “Esses projetos apresentam
dificuldades singulares, exigem engenharia especial. A necessidade de
ajustes muito bem sintonizados nos sistemas de fechamento é um exemplo”,
revela o diretor. Em tempo: a ferramentaria já fabricou um molde do
gênero. “Ele está instalado no cliente e em pleno funcionamento”,
orgulha-se.
Para Tiergarten, o fato de ser uma das poucas empresas do mercado a
dominar a técnica é muito positivo. Por isso, os investimentos na
capacitação devem prosseguir. Um novo e importante passo nesse sentido foi
dado recentemente. “Nós adquirimos uma injetora com três unidades de
injeção, capacitada para a adoção de uma quarta, para aprofundar nossas
pesquisas”, revela. A máquina será instalada no parque industrial da
empresa em algumas semanas e ajudará os técnicos da Btomec a adquirir
experiência com trabalhos do gênero. “Espero que as empresas brasileiras
continuem a acreditar em situações novas, procurem embelezar suas
embalagens e tornem seus produtos mais eficazes”, analisa.
Máquinas nacionais – A Romi, fabricante nacional líder na venda de
injetoras, participa desse mercado. E a perspectiva do nicho, para a
direção da empresa, é positiva. “A injeção de bicolores ou
multicomponentes é um caminho que está se abrindo cada vez mais no
processo de injeção”, avalia Hermes Lago, diretor de comercialização de
máquinas. Os segmentos automotivo, eletroeletrônico e de utilidades
domésticas são os destaques, de acordo com o executivo.
Para Lago, exemplos de aplicação vêm da indústria automotiva. A indústria
de autopeças aproveita o processo muitas vezes para unir material plástico
mais rígido com elastômero. O diretor também se lembra da utilização da
técnica em conjuntos ópticos, caso das lanternas traseiras. As lanternas
talvez sejam os únicos exemplos de aplicação onde são utilizadas três
cores no Brasil.
A fabricante de injetoras tem uma linha completa de máquinas
multicomponentes. A linha de equipamentos Primax R, dotada com dez modelos
com forças de fechamento de 150 a 1.500 toneladas, permite a inserção de
uma ou duas unidades secundárias. Nos modelos da série Primax DP, com
1.300 e 1.500 toneladas de força de fechamento, é possível acoplar uma ou
mais unidades secundárias. Estas podem ser posicionadas em paralelo, de
forma transversal ou vertical em relação ao cilindro de injeção. “As
máquinas Primax DP atendem às necessidades dos transformadores deste
segmento”, ressalta o diretor.
Máquinas importadas – Para os importadores de injetoras, o mercado
de máquinas multicomponentes vem apresentando aquecimento moderado nos
últimos anos. Nada muito expressivo. Entre os mais otimistas se encontram
os representantes brasileiros do grupo Milacron. Hercules Piazzo,
gerente-comercial do escritório local da multinacional, acredita no bom
potencial
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desse nicho pela necessidade dos clientes de alguns
segmentos econômicos de usar artifícios diferenciados para atrair os
consumidores. “De dois anos para cá, temos sido mais procurados por
fornecedores de peças, em especial por fabricantes de tampas para
embalagens de cosméticos e produtos de higiene pessoal”, revela.
Para os interessados, a empresa fornece as máquinas da série K-TEC,
composta por modelos de 40 a 450 toneladas de força de fechamento.
Elas podem ser compradas com unidades de injeção que permitem o uso
simultâneo de duas até seis cores. “No Brasil, as consultas são sempre
sobre equipamentos de duas cores”, ressalta o gerente. As injetoras
levam a marca Ferromatik-Milacron. “Em 1993, a Milacron adquiriu a
fábrica alemã Ferromatic”, justifica. |

Piazzo: procura está em alta nos últimos dois anos |
Os modelos da empresa para operações multicores são oferecidos com
tecnologia hidráulica ou híbrida. “O comando é diferenciado, conta com
softwares capazes de realizar as regulagens necessárias nas diferentes
unidades de injeção”, explica. Para facilitar a vida dos clientes, a
Milacron prepara pacotes nos quais podem ser incluídos os moldes
necessários para a fabricação das peças. “Eles são produzidos pela
ferramentaria alemã Foboha”, diz. Se for o caso, também projeta e fornece,
com a ajuda de parceiros, os equipamentos necessários para a automação.
Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da fabricante de injetoras alemã
Battenfeld, mostra otimismo moderado em relação a esse mercado. Para ele,
as consultas não têm crescido de forma significativa. “Nos dois últimos
anos antes da crise, eu diria que a procura por esses equipamentos estava
crescendo 15% ao ano. O ano passado não foi bom”, revela. A empresa vendeu
algumas unidades para aplicações altamente técnicas. “Nossos clientes são
fornecedores de peças para a indústria automotiva e de eletroeletrônicos”,
relata.
As injetoras multicomponentes da Battenfeld são desenhadas para injetar
até quatro materiais. “No Brasil, a procura se concentra nas máquinas de
duas cores”, informa o engenheiro. De linha, a empresa oferece modelos de
até 600 toneladas de força de fechamento. Sob encomenda, pode fabricar
unidades com até 1.800 toneladas de força de fechamento. “A máquina conta
com softwares diferenciados no comando e outros detalhes, como maior
robustez do chassi”, diz.
“Não vejo grande crescimento na procura por esses equipamentos no Brasil”,
informa Rieker, da Sumitomo Demag. Para ele, o problema se encontra no
investimento necessário para a instalação de linhas de produção. “Os
preços dos moldes são muito elevados”, acredita. De acordo com o
executivo, a marca Demag conta com participação importante nesse segmento
de mercado internacional. “Em sua história, na área bicolor, a empresa
conta com de 15% a 20% do mercado da Europa e mantém participação
semelhante em todo o mundo”, revela.
Por aqui, entre os clientes, destaque para a Gillette, empresa que utiliza
a tecnologia na fabricação de modelos de aparelhos descartáveis para
barbear na unidade industrial localizada na Zona Franca de Manaus.
Produtores de tampas para embalagens de cosméticos e produtos de higiene
pessoal e de peças automotivas também se encontram entre os compradores.
Para esse segmento, a empresa oferece máquinas com a marca Demag, nos
tamanhos de 100 a 650 toneladas de força de fechamento. Como quem adquire
injetoras multicores utiliza as máquinas de forma dedicada para
determinada aplicação, a Demag conta com estratégia de marketing também
adotada por concorrentes para esse tipo de equipamento. Ela oferece
projetos “chave na mão”. “Podemos incluir no pedido os moldes e todos os
periféricos, nos responsabilizamos pelo funcionamento do conjunto como um
todo”, informa. Todos os componentes desses projetos são desenvolvidos e
fabricados na Europa.
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Fornecedores querem
retomar ritmo de negócios pré-crise |
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De volta para o futuro. A frase, título de
uma trilogia de sucesso no cinema, combina com as expectativas dos
fornecedores de injetoras. Em 2008, até setembro, as vendas estavam em
patamar excelente. Com o estouro da crise mundial, elas despencaram nos
meses seguintes. Começaram a se recuperar no segundo semestre do ano
passado e no final de 2009 os resultados superaram as expectativas. O ano
de 2010 começou aquecido. A torcida, para os próximos meses, é de retornar
ao patamar pré-crise. Ou talvez, levando-se em conta as estimativas mais
otimistas, ultrapassar o momento vivido antes das dificuldades
proporcionadas pela economia.
A velha pendenga entre nacionais e importadas continua na pauta. No
mercado de injetoras básicas, os fabricantes nacionais disputam as vendas
palmo a palmo com os asiáticos. No segmento das sofisticadas, a disputa é
com as marcas europeias. Um trunfo dos representantes locais tem sido o
pacote de crédito criado pelo Finame em meados do ano passado. Pelo
projeto, as empresas interessadas em adquirir equipamentos brasileiros
contam com juros de 4,5% ao ano, bastante inferiores aos cobrados
normalmente pelo mercado.
Criado na hora crítica da crise como forma de combater a recessão, o
projeto de financiamento tinha término previsto para o final de 2009.
Graças aos bons resultados obtidos e ao apelo da indústria de base, ele
foi prorrogado até o final de junho. Para os empresários brasileiros, o
ideal seria que os juros “amigáveis” se prorrogassem até o final do ano.
Eles defendem essa estratégia como ideal para competir em igualdade de
condições com os equipamentos de “olhinhos puxados”. A prorrogação
ajudaria a enfrentar a valorização da moeda nacional, uma das dificuldades
para combater as importações.
Sofisticadas – Importadores de injetoras atuantes no segmento de
máquinas sofisticadas acreditam no sucesso das vendas em 2010. “O primeiro
trimestre foi bom, nossa perspectiva é melhor do que a do ano passado”,
conta Hercules Piazzo, gerente-comercial da Milacron. A expectativa do
executivo para 2010 é de crescer em torno de 5%. Pode parecer pouco, mas
não é. Em 2009, depois de um primeiro semestre fraco, a empresa apresentou
ótimo desempenho. “O ano passado foi o segundo melhor de nossa história no
Brasil”, diz.
A Milacron importa máquinas de pequeno porte, com forças de fechamento de
15 até 6.000 toneladas. No Brasil, 95% dos equipamentos vendidos são
elétricos. “Nossa empresa é pioneira em injetoras elétricas, fabricamos
essas máquinas desde 1984”, informa. Para Piazzo, o uso dessa tecnologia
está se expandindo no Brasil. “Os clientes se mostram interessados na
série de vantagens que elas proporcionam”, revela. A procura se espalha
por clientes representantes de diferentes segmentos econômicos. “As
consultas são equilibradas, vêm de todos os segmentos”, explica. Os
setores atendidos pela empresa com maior frequência são os de embalagens e
automotivo.
Para Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo Demag, o ano de 2009 não
foi dos melhores. Até setembro, por problemas de falta de crédito, as
vendas não entusiasmaram. Mas os negócios fechados no último bimestre
melhoraram de forma significativa. “O mercado deu uma bela recuperada”,
resume. Melhor ainda tem sido o desempenho nos primeiros meses do ano. “O
ano começou bem e acredito muito em resultados positivos nos próximos
meses. Acho que será possível voltarmos ao índice de vendas anterior ao da
crise de 2008, que foi um ano muito bom”, avalia.
O gerente-geral também não aponta um segmento econômico como destaque do
ano. “O crescimento tem sido bastante homogêneo, engloba em especial os
segmentos automobilístico, eletroeletrônico, de embalagens e de
cosméticos”, revela. Para exemplificar, dá um panorama dos clientes
ligados ao setor de autopeças. “Em 2009, a queda das vendas para os
fornecedores da indústria automobilística foi de 18% a 20%. Esse ano, a
recuperação está na casa dos 12%.”
Um outro aspecto do mercado ressaltado pelo executivo se mostra bem
interessante para a empresa. “No mercado interno, mesmo as empresas de
menor porte estão procurando por máquinas de primeira linha. A qualidade
do equipamento, a repetição dos ciclos que ele proporciona e a
confiabilidade são fatores que proporcionam melhor custo/benefício, em
longo prazo proporcionam economia. Os compradores estão descobrindo isso”,
resume.
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Situação muito parecida vive a Wittmann/Battenfeld. “O
ano de 2009 foi ruim, mas a partir de outubro se iniciou uma
recuperação. Esse ano está muito bom, existe ótima perspectiva para os
nichos de injeção técnica e de ciclo rápido”, explica o engenheiro de
vendas Marcos Cardenal. A perspectiva de crescimento para 2010 é das
melhores. “Queremos voltar aos patamares de 2008, antes da crise,
quando as vendas estavam muito boas”, diz.
Desde que a austríaca Wittmann, especializada em robôs e periféricos,
adquiriu a Battenfeld, |

Cardenal: bom momento para nichos
técnicos e de ciclo rápido |
tradicional fabricante alemã de injetoras, uma das táticas da
multinacional tem sido a de oferecer aos clientes equipamentos com
soluções integradas. Nos pacotes, são oferecidos, além das injetoras,
robôs, secadores, alimentadores e todos os demais periféricos necessários
para variadas linhas de produção. Outra atração das máquinas oferecidas é
o sistema Break Energy Power Supply, dotado com gerador capaz de armazenar
energia durante a frenagem dos componentes. “Essa energia é liberada na
retomada dos movimentos, proporcionando economia de até 10%”, revela
Cardenal.
Pé no acelerador – O setor de calçados ganha destaque entre os
clientes da fabricante de injetoras gaúcha Jasot, que em sua carteira de
produtos conta com linha de injetoras projetadas especialmente para essa
aplicação. Um dos pontos altos da empresa em 2009 foi o fechamento de
acordo para a entrega de mais de sessenta máquinas para a fabricante de
calçados Grendene. A empresa também tem conseguido fechar bons negócios em
municípios onde a fabricação de sapatos tem forte relevância econômica.
São os casos, por exemplo, das cidades de Franca-SP e Nova Serrana-MG.
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O bom momento, no entanto, não se resume ao segmento
calçadista. “O mercado como um todo deu uma acelerada excelente desde
agosto, quando foi promulgado o pacote do Finame”, comemora Cléber
Scherer, gerente-comercial da fabricante de injetoras. Não por acaso,
o executivo defende a prorrogação da medida até o final do ano.
De acordo com o executivo, o número de encomendas também cresce nos
setores automobilístico, de duas rodas, de cosméticos, utilidades
domésticas e construção civil. Ele ressalta: para nós, em 2009, as
vendas não decepcionaram mesmo na época mais aguda da crise. “Nos
primeiros meses do ano, o dólar disparou e as máquinas asiáticas
ficaram menos convidativas”, justifica. |

Scherer: pacote lançado pelo Finame deve ser prorrogado |
A Jasot oferece injetoras com forças de fechamento entre 85 e 450
toneladas. Para esse ano, a empresa não pretende fazer lançamentos. “Mas
sempre nos preocupamos em aperfeiçoar nossa linha, as máquinas ganham
modificações constantes para melhorar o desempenho”, ressalta o gerente.
Os modelos mais recentes foram apresentados na Brasilplast. Entre os
diferenciais lançados, as máquinas permitem três alternativas de rosca
cada, opção que se ajusta à necessidade de muitos transformadores.
“Ao oferecer três diferentes unidades de injeção, o cliente pode obter
maiores volumes de injeção com máquinas de menor força de fechamento ou
vice-versa”, explica. A versatilidade das máquinas tem se mostrado outra
arma poderosa para incentivar os negócios. “Focar na necessidade do
cliente é boa maneira de brigar com os asiáticos”, ressalta.
Linha ecológica – Revendedores brasileiros de máquinas asiáticas
também estão otimistas com o atual cenário do mercado. A Deb’Maq, fundada
em 1997, nasceu focada na venda de máquinas para o setor metal-mecânico.
Há cinco anos passou a se dedicar também à comercialização de injetoras,
passando a oferecer no mercado brasileiro os equipamentos fabricados na
China pelo grupo Cosmos.
“Vendemos máquinas de 90 a 4.000 toneladas de força de fechamento. Nossos
equipamentos equipam transformadores de todos os tipos de peças, das
pequenas às de grande porte, como para-choques ou painéis de TV de 47
polegadas”, informa Venceslau Salmeron, diretor-comercial da divisão de
plásticos. No Brasil, as máquinas são vendidas com a marca Diplomat Spazio
Platinum Plus, de propriedade da Deb’Maq. O lançamento mais recente é o da
série de injetoras “ecológicas” dotadas com servomotores, batizadas de
Platinum Plus SE. “Elas consomem menos energia”, explica o diretor.
Salmeron acredita que o ano de 2010 será muito positivo. “O ano de 2009
começou atípico, a crise atrapalhou e nos primeiros meses tivemos um
volume baixo de negócios. A partir do meio do ano o cenário melhorou, nos
últimos meses do ano passado e no início desse ano chegamos a um bom
patamar”, conta. Sua expectativa, em relação ao ano passado, é de
crescimento entre 30% e 40%.
A Deb’Maq se apóia na qualidade das injetoras que traz para o Brasil para
evitar entrar na “guerra de preços” verificada em determinados segmentos
do mercado de injetoras. “Nossas máquinas têm qualidade, não são baratas
como algumas chinesas comercializadas por aqui”, garante. Ele assegura a
competitividade da marca perante modelos nacionais com características
técnicas similares. O projeto de financiamento lançado pelo Finame para
beneficiar os equipamentos nacionais não chega a atrapalhar. “Temos
condições bem atrativas para os nossos clientes”, diz.
Outra estratégia da importadora: ela mantém estoque generoso de injetoras.
“Sempre temos à disposição de trinta a cinquenta máquinas, queremos
atender o mercado no regime de pronta entrega”, revela. Outro segredo está
na manutenção de um time de assistência técnica preparado para socorrer os
clientes. “Na Grande São Paulo temos uma equipe de cinco técnicos e
contamos com técnicos terceirizados em outras regiões do país”, informa.
Nacionalização – A Pavan Zanetti, bastante conhecida por sua
participação no mercado nacional de sopradoras, desde 1970 fabrica
injetoras. A empresa oferece dois modelos com marca própria, o NFN 150 P e
o Unijet 250 V. Mas o número de unidades caseiras fabricadas está bastante
reduzido. Nos últimos cinco anos, o “negócio da China”, para a empresa, no
campo de injetoras, passou a ser a comercialização das chinesas fabricadas
pela Tederic Machinery.
Com preço mais competitivo, as asiáticas estão ganhando espaço nos
negócios da empresa. “Nossas vendas cresceram de sessenta para cem
máquinas por ano desde que adotamos a estratégia. Voltamos ao patamar
alcançado nos nossos melhores momentos”, informa Gilson Pavan, gerente de
vendas de injetoras.
Os resultados poderiam ser melhores caso o pacote de financiamento do
Finame não ajudasse os fabricantes nacionais. A empresa já tem estratégia
definida para contornar o problema. Ela pretende introduzir, de forma
gradativa, componentes nacionais nas máquinas importadas. “Queremos chegar
aos 60% de nacionalização para podermos nos beneficiar dos projetos de
apoio à produção nacional”, diz.
A inauguração de um novo galpão industrial previsto pela empresa para
breve vai ajudar a realizar o projeto. Enquanto isso, uma iniciativa nesse
sentido já foi tomada. A empresa está introduzindo em todas as unidades
fabricadas motores de alto rendimento produzidos no Brasil. A medida
atende a uma portaria do Ministério de Minas e Energia, voltada para
economizar energia no âmbito industrial.
As máquinas oferecidas têm força de fechamento entre 80 e 500 toneladas.
Entre os modelos, a Pavan Zanetti destaca a linha TRX, para a injeção de
pré-formas de PET, além das máquinas convencionais voltadas para a
produção de peças de polietileno e polipropileno. A assistência técnica é
outro diferencial. A empresa usa o nome Pavan Zanetti como aval para os
clientes desconfiados com a qualidade das máquinas asiáticas.
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Aquisições de
empresas geram lançamentos |
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Há dois anos, aquisições de empresas com marcas muito
fortes agitaram o mercado de injetoras. Vale recordar. A brasileira
Romi adquiriu a italiana Sandretto, negócio que gerou a criação da
Romi Itália. Em tempo: a marca Sandretto continua a ser usada no
exterior. A Sandretto do Brasil, ainda em atividade, não tem nada a
ver com a aquisição. A japonesa Sumitomo, especialista em injetoras
elétricas, comprou a alemã Demag, cujo forte eram as hidráulicas e
híbridas. A austríaca Wittmann, especializada na fabricação de robôs e
outros periféricos para injeção, adquiriu a fabricante de injetoras
alemã Battenfeld.
Essas uniões começam a gerar o lançamento de modelos onde se nota a
união de esforços dos departamentos de engenharia das empresas
envolvidas. No caso da Romi, resultou na nova série de máquinas Primax
230 RI, fabricadas pela Romi Itália. Para Hermes Lago, diretor de
comercialização de máquinas, o lançamento resulta do trabalho da
unificação de produtos, de acordo com planos divulgados após o
fechamento do negócio na Itália. “Estamos desenvolvendo uma série
global de injetoras com máquinas de primeira linha fabricadas na
Itália”, explica.
A série Primax 230 RI é indicada para a produção de peças de precisão,
como componentes de aparelhos celulares, peças médicas e
eletroeletrônicas. De acordo com Lago, os modelos da linha apresentam
excelente relação custo/benefício, ao permitir melhor desempenho com
menor consumo de água e óleo. “As máquinas são equipadas com bomba
hidráulica variável e eletrônica incorporada. Elas apresentam reduzido
consumo energético, circuitos hidráulicos mais simples e usam menor
volume de óleo hidráulico”, diz. As novas injetoras contam com painel
de comando e-One, totalmente interativo e com controle absoluto do
processo de injeção. Elas têm fechamento mecânico – cinco pontos.
A compra da Demag pela Sumitomo também começa a gerar modelos
diferenciados. A empresa prepara para a próxima K, uma das maiores
feiras do mundo do setor, realizada na Alemanha, o lançamento da série
Interlec – Smart. Trata-se de uma linha de máquinas totalmente
elétricas, montadas com componentes fabricados no Japão e na Alemanha.
“Os motores serão fabricados pela Sumitomo, os comandos e as bases das
máquinas pela Demag”, informa Christoph Rieker, gerente-geral da
Sumitomo/Demag Brasil. Para Rieker, a união das especialidades das
duas empresas melhora a qualidade das máquinas e reduz o custo de
produção. Fabricada na Alemanha, a série terá inicialmente modelos de
50 a 350 toneladas de força de fechamento. “No futuro serão fabricados
modelos maiores”, revela.
Outra novidade a ser apresentada na K pela Demag é a série Elexis. O
lançamento tem como objetivo atingir o mercado de ciclo rápido. “As
máquinas estão entre as mais velozes do mercado, são voltadas para a
fabricação de tampas, potes e embalagens”, conta Rieker.
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A K também é alvo de novidades da marca Battenfeld.
Desde a aquisição da marca pela Wittmann, por motivo estratégico,
a produção de modelos grandes havia sido interrompida. Agora, a
empresa anuncia a chegada da linha MacroPower, composta por
unidades com de 800 a 1.300 toneladas de força de fechamento. As
máquinas são indicadas para a produção de peças |

Wittmann/Battenfeld anuncia novidades
para próxima K |
técnicas. “Nosso forte é o setor automotivo”, ressalta
Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Wittmann/Battenfeld do
Brasil.
De acordo com o técnico, os equipamentos MacroPower apresentam algumas
características diferenciadas. Uma delas agrada qualquer cliente. “Ela
apresenta excelente custo/benefício, seu preço é muito convidativo”,
garante. Outra vantagem se encontra no espaço requerido para sua
instalação. “É uma máquina curta em relação aos modelos com essa
capacidade”, diz. Um sistema eletrônico que permite o controle do
gasto de energia é outro aspecto apontado.
Também da Battenfeld é destacada a linha EcoPower, formada por
máquinas elétricas dotadas com servomotores. Os modelos da série serão
comercializados em versões com forças de fechamento entre 55 e 300
toneladas e são indicados para peças técnicas ou de ciclo rápido.
“Elas proporcionam economia de energia superior às concorrentes
durante as várias etapas de produção das peças”, diz Cardenal. Outras
novidades serão apresentadas na linha MicroPower, com força de
fechamento de 5 a 15 toneladas. A série é indicada para injetar peças
abaixo de 1 grama. “As máquinas podem trabalhar em salas limpas e ser
equipadas com robôs para o manuseio das peças”, informa. |
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