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Evento reuniu mais de 200
expositores no Wittich Freitag |
2010
Desenvolvimentos de alto desempenho
dão o tom à
feira do Sul
Texto e fotos de Rose de Moraes
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A usinagem de moldes e matrizes em parâmetros
de mais alto desempenho foi o alvo principal dos novos desenvolvimentos
apresentados na 5ª Feira de Ferramentaria, Modelação e Usinagem, a FMU.
Realizado de 2 a 5 de março, no megacentro Wittich Freitag – Expoville, em
Joinville-SC, sob a organização da Euro Feiras, o evento reuniu mais de
200 expositores, que propiciaram a milhares de visitantes entrar em
sintonia com as novas tecnologias para o setor, aproveitando os sinais de
aquecimento do mercado industrial.
Detentora de ampla linha de tornos universais, tornos CNC automatizados,
centros de torneamento, entre outras máquinas projetadas para
ferramentarias, a Romi foi presença de destaque na exposição, ao promover
o lançamento de centro de usinagem vertical (D1250 AP), de alto
desempenho, e com CNC Siemens (Sinumerik 828D). Projetado para produções
elevadas e também para a fabricação de moldes e matrizes para injeção de
termoplásticos, o novo centro pode produzir moldes com até 1.400 kg.
A flexibilidade para múltiplas aplicações é uma das fortes características
dessa linha de centros, composta por vários modelos – D600, D800, D1000,
D1250, D1400, D1600 e D2000. De acordo com informações do fabricante, as
estruturas robustas dessas máquinas foram projetadas para suportar até
três toneladas sobre as mesas, e propiciar alta qualidade no acabamento
superficial dos moldes, em tarefas que demandam menores tempos de usinagem
e contam com altas taxas de aceleração dos dispositivos. Outros atributos
associados a essas máquinas são promover usinagens de desbaste e
acabamento sob altas velocidades, até mesmo em materiais endurecidos,
efetuando as trocas de ferramentas em 3,9 segundos. Os trocadores dessa
linha vêm com braços automáticos para 30 ferramentas e os cabeçotes podem
operar com faixas de velocidade de 12 mil r.p.m.
Entre outros diferenciais, o novo centro oferece um pacote de
características técnicas especiais, como maiores velocidades de avanço (40
metros por minuto), maiores faixas de rotação (12 mil r.p.m.) e inovações
no comando.
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Segundo Guilherme Corrêa Guedes, gerente de
comercialização da filial de Joinville da Romi, o novo centro permite
o nanocontrole das superfícies dos moldes, o que significa maior
precisão da máquina, mesmo operando sob altas velocidades de rotação e
avanço.
“Com esse novo centro é possível realizar usinagens de desbaste mais
agressivas e acabamentos feitos de aços endurecidos, ferros fundidos,
ligas de alumínio, entre outros materiais, em menor tempo, e com alta
qualidade no acabamento superficial”, comentou o especialista. |

Guedes: novo centro possibilitou usinagem de desbaste mais agressiva |
As altas taxas de remoção de cavacos desses novos centros se enquadram nos
conceitos de usinagem HSC (High Speed Cutting) e estão associadas à alta
qualidade de acabamento superficial dos perfis, os quais podem ser os mais
complexos e destinar-se às mais diversas e exigentes aplicações
industriais.
Outros benefícios desse novo centro foram observados nas funções para a
utilização de programas gerados por CAD/CAM, incluindo funções gráficas
que permitem a simulação das usinagens e a sua visualização
tridimensional.
“O novo centro também conta com interface para transmissão de programas
como compact flash, USB, RS232 e rede ethernet”, complementou Guedes,
satisfeito com o grande interesse do público pela nova máquina.
Outro centro de usinagem CNC apresentado na exposição foi o Baron-Max, da
Panmachine. Trata-se de exemplar da série VMC (Vertical Machine Center),
concebida para usinagens de alto desempenho, e integrada por máquinas VMC-645
e VMC-845, com spindle para alcançar velocidades de 10.000 r.p.m.; e
também por máquinas VMC-1066, projetadas para produções com alto poder de
remoção de materiais, e que ocupam reduzidos espaços físicos. As máquinas
VMC-1276 e VMC-1476, para altas produções, completam a família.
As tecnologias Travis, de Taiwan, em centros de usinagem, também foram
destacadas pela Cimhsa, de São José dos Pinhais-PR. O centro de usinagem
Travis, modelo M450, nas dimensões de 450 mm (curso longitudinal) por 350
mm (curso transversal) e 400 mm (curso vertical), em exposição na feira,
segundo Vinicius S. Cordeiro, gerente de vendas da empresa brasileira, tem
como diferencial o avanço rápido, de 30 metros/minuto, apresentando
velocidades de rotação na faixa de 12 mil r.p.m. Outro equipamento exibido
pela Cimhsa foi o torno CNC TR25, também da marca Travis. “Trata-se de
máquina com diâmetro admissível sobre o barramento de 400 mm e com motor
de 20 HP”, informou Cordeiro.
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Cordeiro destacou metaleira hidráulica da Clever, empresa de Taiwan |
Entre os destaques da Clever, empresa também procedente de Taiwan, a
Cimhsa levou à feira a metaleira hidráulica MT75-20 e o torno mecânico
L2680. Projetada com multifuncionalidades, a metaleira opera como
puncionadeira, corta perfis quadrados, redondos e cantoneiras, e executa
também as funções de prensas e de guilhotinas, com força de acionamento de
75 toneladas. Já o torno mecânico L2680 foi dimensionado com 660 mm de
diâmetro e motor com potência de 15 HP.
A Haas Factory Outlet, de Curitiba-PR, importadora de equipamentos da Haas
Automation, considerada a maior fabricante de centros de usinagem e de
mesas rotativas dos Estados Unidos, destacou ao público centros de
usinagem horizontais e verticais, produzidos em vários modelos e
configurados para moldes com até 2 toneladas.
Robustez nacionalizada – Com fábrica em São Bernardo do Campo, na
grande São Paulo, a Grob expôs um centro de usinagem de grande porte e com
concepção high speed, totalmente aberto, para que os visitantes tivessem a
chance de avaliar a sua robustez estrutural, característica desse tipo de
máquina fabricada com tecnologia alemã.
“Os componentes eletrônicos, comandos, guias lineares e servomotores são
importados da Alemanha, mas toda a parte estrutural dos centros de
usinagem e as montagens são executadas no
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Brasil, com a finalidade de oferecer alternativa mais
competitiva ao mercado local”, afirmou Rogério Secchiero, gerente de
vendas da Grob do Brasil.
Entre os últimos desenvolvimentos da empresa estão os centros de
usinagem horizontais High Speed (BZ500T), com quatro eixos e duas
mesas/paletes, lançados em 2007 no mercado brasileiro. Segundo
Secchiero, uma das suas principais características é a modularidade.
“Os centros BZ500T se caracterizam pela flexibilidade na realização
das usinagens, oferecendo maiores possibilidades para as indústrias de
máquinas-ferramenta”, comentou Secchiero. Como parâmetros de máquina,
o BZ500T pode promover usinagens de alumínio à velocidade de 18 mil r.p.m.
e/ou de ferro fundido e de aço à velocidade de 10 mil r.p.m. |

Para Secchiero, centros BZ500T são flexíveis na realização das
usinagens |
Outro equipamento destacado pela empresa foi o centro de usinagem G350.
Trata-se de máquina com cinco eixos, que opera com a interpolação de
eixos, e também se aplica às usinagens de moldes e matrizes, e que conta
com perspectivas de comercialização muito promissoras no mercado
brasileiro, graças às oportunidades de financiamento e à expansão
observada principalmente nas vendas do setor automotivo.
Único fabricante nacional de centros de usinagem por eletroerosão/penetração
para a fabricação de moldes para injeção e sopro, a Resitron, de Caxias do
Sul-RS, também marcou presença na feira, com máquina da linha Basic ZNC.
Fabricada em dois modelos, BF 350 e BF 500, essa série executa furos
quadrados, bem como usina metais duros e temperados com facilidade e
precisão.
A fresadora CNC, modelo Petrus, levada à feira pela Deb’Maq, também atraiu
grande interesse do público. Com comando alemão Heidenhain em sua
composição standard, a Petrus 50100R conta com lubrificação automática,
iluminação halógena, bandeja para cavacos, proteção telescópica de aço
para os eixos X/Y, proteção de borracha para o eixo Z, sendo fabricada com
estrutura reforçada e fundida em meehanite e com capacidade para usinar
moldes até 1.100 kg.
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Segundo destacou Venceslau B. Salmeron,
gerente-comercial da Deb’Maq, a Petrus executa fresamentos e furações,
propiciando alta qualidade no acabamento superficial, e possui sistema
apalpador para medições. Com guias quadradas, temperadas e
retificadas, essa máquina também oferece grande área de apoio para as
guias deslizantes, contraguias fabricadas com material antifricção,
mesa com superfície temperada e retificada, cabeçote rígido fundido em
bloco único, árvore apoiada em rolamentos triplex, eixo vertical com
contrapeso embutido e freio elétrico, além de sistema pneumático para
sujeição de peças (draw-bar) e sistema de refrigeração de corte. |

Salmeron: fresadora tem sistema
apalpador para medições |
Novidades em injeção – Estreante na FMU 2010, a Stellmach, empresa
do grupo Alltech, de Caxias do Sul-RS, levou para a exposição injetora com
força de fechamento de 228 toneladas, modelo HHF, fabricada pela Rhino
Plast, da China. Segundo a expositora, a máquina pertence à categoria de
equipamentos de baixo custo e possui sistema de fechamento por juntas
articuladas, integrando linha bem ampla, composta por máquinas com forças
de fechamento desde 68 toneladas até 2.800 toneladas.
A grande novidade no estande da Stellmach, porém, ficou por conta do
pré-lançamento de injetoras com tecnologia LG, a famosa marca coreana,
fabricadas por uma das empresas do grupo, a LS Mtron. Pertencentes às
séries LGH-D e LGH-M, essas máquinas, que já se encontram em processo de
importação, comportam vários modelos com forças de fechamento que vão
desde 50 toneladas até 350 toneladas, e desde 450 toneladas até quatro mil
toneladas,
respectivamente.
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“As injetoras fabricadas com tecnologia LG apresentam
alta precisão e os modelos com sistema hidráulico de fechamento das
placas oferecem grande estabilidade para o processo”, comentou
Fernando André Zorzi, diretor da Stellmach.
Segundo também observou Zorzi, o comando das injetoras da série LGH-D
(Hicom-700) é rápido e preciso, e conta com microprocessador de 32
bits, em base Windows, executando autodiagnósticos e monitoramento das
funções. Já o sistema hidráulico dessas máquinas também é considerado
dos mais |

De acordo com Zorzi, tecnologia LG garante alta precisão às injetoras |
avançados e conta com circuitos simplificados e com pacote para a redução
de consumo de energia, composto por servomotor e bomba variável, como
opcionais.
Por seu turno, as injetoras da série LGH-M (desde 450 toneladas até quatro
mil toneladas) possuem sistema de fechamento hidráulico de placas duplas,
apresentam cursos de abertura e extração maiores, e oferecem maior
estabilidade e precisão no fechamento dos moldes e no transcorrer de todo
o processo de injeção.
As injetoras LGH-M promovem o fechamento rápido do molde por meio de dois
cilindros hidráulicos dispostos na diagonal das placas. O fechamento em
alta pressão, por sua vez, ocorre por meio de quatro cilindros instalados
nas colunas da placa fixa. Após o resfriamento e alívio da alta pressão, o
molde é aberto e a peça é ejetada, observando-se no final do ciclo o recuo
do cilindro extrator e a disponibilidade do molde para dar início ao ciclo
subsequente.
Além dos sistemas hidráulicos, a LS Mtron também divulgou injetoras
elétricas. “As máquinas elétricas da série LGE-II têm custo/benefício
bastante interessante e competitivo com as tecnologias alemãs e japonesas,
apresentando significativas reduções no consumo de energia e de água na
refrigeração, que alcançam até 70%”, comentou Zorzi.
Com capacidades desde 30 toneladas até 550 toneladas, as velocidades de
injeção dessa série de máquinas podem alcançar até 800 mm por segundo, de
acordo com as operações do modelo super HSM – High Speed Machine. Segundo
Zorzi, as reduções no tempo de ciclo são da ordem de 20% e os acionamentos
são realizados via servomotor AC, com resposta rápida, obtendo-se aumentos
de produtividade graças aos movimentos simultâneos.
Tecnologias avançadas – A FMU também foi alvo para divulgar
sistemas de injeção já consolidados, como a injetora Diplomat Spazio
Platinum Plus – DW 90, da Deb’Maq. Com força de fechamento de 90
toneladas, essa máquina apresenta tecnologia moderna e conta com
componentes de primeira linha assinados pelas marcas Vickers/Bosch, Gefran/Telemecanique,
além de comandos Techmotion, de Taiwan, e B&R, da Áustria.
“As muitas unidades já comercializadas dessa série nas indústrias mais
exigentes quanto ao desempenho, como automotivas, eletroeletrônicas e de
embalagens, comprovam a qualidade avançada do equipamento”, garantiu
Salmeron.
O grupo Megga também se fez representar por duas das suas empresas na FMU
deste ano: a Meggaplástico, de Cabreúva-SP, e a Meggaton, de São Paulo. A
primeira se preocupou em levar à FMU sistema de injeção. O modelo
apresentado, uma injetora da marca Sinitron, é fabricado pela Borchê, da
China, e opera com força de fechamento de 60 toneladas. Já a Meggaton
destacou dois centros de usinagem. Um deles, um sistema CNC High Speed
Machine, fabricado em Taiwan, pela Chmer, pertence à série HE, para
usinagens de eletrodos de grafite, mas também pode ser aplicado na
fabricação de moldes. Entre as principais características, possui spindle
(cabeçote rotativo) para operar com velocidades de 30.000 r.p.m. O outro
centro de usinagem exposto pertence à série FVP (Feeler Vertical Power).
Trata-se de modelo vertical fabricado pela Feeler, de Taiwan, que conta
com alguns aprimoramentos para executar as tarefas com maior desempenho, e
que opera com avanço de 15 metros/minuto, sob velocidade de 12 mil r.p.m.
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A 5ª FMU ainda mobilizou a participação de grandes
conglomerados industriais, como do grupo Kyocera, trazendo à feira um
de seus principais executivos, Eiji Tanaka. Há três meses ocupando a
presidência da Kyocera do Brasil Componentes Industriais, o senhor
Tanaka ocupou durante os últimos trinta anos a vice-presidência e a
diretoria industrial da Kyocera América, instalada nos Estados Unidos.
Sediado em Kioto, no Japão, o grupo, que possui atualmente 219
empresas espalhadas por 29 |

Tanaka (à esq.) e Sawamura representavam
a Kyocera |
países, destacou na FMU sua ampla linha de ferramentas de corte para
operações de fresamento nas indústrias de moldes. Constituídas de fresas
de topo, fresas de face, insertos positivos, insertos redondos, bem como
de perfis para moldes, essas ferramentas são fabricadas em unidades
industriais do Japão, Coreia e China, sendo importadas e distribuídas por
intermédio da unidade brasileira do grupo, de Sorocaba-SP.
Desde que descontinuou a produção de componentes para máquinas
fotográficas Yashica, em 2007, a Kyocera do Brasil, segundo o seu gerente
de marketing e de tecnologia da informação da Kyocera do Brasil, Marcelino
Hiroshi Kawamura, passou a dedicar-se também à atividade de transformação,
especialmente no campo da injeção de polímeros para as indústrias
automotiva, médica, farmacêutica e cosmética, atuando como prestadora de
serviços para sistemistas e outros setores industriais, e contando com a
operação de 20 sistemas de injeção elétricos e dois sistemas hidráulicos,
com capacidade avaliada em torno de 15 mil horas/máquina por mês.
Veterana em participações na feira, a multinacional coreana Taegutec
destacou na exposição linha de fresas de facear com pastilhas
intercambiáveis, para a mais alta remoção de materiais (cavacos) durante
as operações de desbaste, com capacidade para remover até 2 mm por faca e
com reduções de tempo de desbaste dos moldes de injeção que chegam a 30%
e/ou 40%.
Além das fresas de facear, a empresa também destacou a linha de fresas de
topo, integralmente confeccionadas em metais duros, para utilização em
high speed machines, em altas velocidades de corte, nas operações de
acabamento.
Também no segmento de ferramentas, a NGT Top Tools apresentou novas fresas
e brocas pertencentes à família nanogrãos de metais duros (44HRC) para
operações envolvendo menores tempos de usinagem, com altíssimos ganhos de
produtividade. Ou seja, com as novas ferramentas, as furações que antes
demandavam em torno de 15 horas para serem finalizadas agora podem ser
realizadas em apenas meia hora de usinagem.
A Almathi, distribuidora autorizada da Alfa Laval em Santa Catarina,
destacou diversificada linha de trocadores de calor com vários tipos de
placas, mas foram as centrífugas, também fabricadas com tecnologia sueca,
os equipamentos que mais chamaram a atenção do público.
Com capacidade para promover a reutilização dos óleos hidráulicos
utilizados em injetoras por intermédio de sistema purificador, que retira
os particulados e elimina a água e a umidade, essa linha está disponível
em vários modelos, podendo purificar desde 200 litros/hora até sete mil
litros/hora, evitando descartes desnecessários e compras sucessivas de
óleo.
Moldes eficientes e duráveis – Aumentar a vida útil de moldes foi
outra máxima dessa edição da FMU. Várias empresas participantes da feira
apresentaram tecnologias de tratamento térmico, revelando alta capacidade
técnica para solucionar problemas de desgaste e corrosão desses
ferramentais, bem como melhorar o escoamento interno dos materiais e
facilitar as desmoldagens das peças, contribuindo para maximizar as
propriedades mecânicas dos metais e, consequentemente, a durabilidade dos
moldes.
Além de projetos bem elaborados e rotas de usinagem corretas, essas
empresas destacaram os tratamentos térmicos de moldes como uma das etapas
mais importantes dos processos de transformação, principalmente perante a
busca de maior produtividade e maior desempenho dos ferramentais, conforme
visto nas apresentações de empresas como a Tecno Têmpera, a Isoflama e a
Techniques Surfaces Brasil.
Nesse rol de expositores, a Tecno Têmpera, de Guaramirim-SC, destacou ao
público as melhores propriedades mecânicas conferidas aos moldes acabados
construídos com aços, como o P20 e o H13, pelas têmperas e revenimentos à
base de banhos de sais químicos. Tais tratamentos conseguem elevar a
resistência mecânica (dureza) do aço em até 64 HRC, o que pode
representar, segundo Vilmar Nervis, supervisor de manutenção e produção da
Tecno Têmpera, 150% de aumento da resistência mecânica desses materiais.
“Os tratamentos de revenimento em associação com a têmpera, considerados
obrigatórios para moldes de injeção de termoplásticos, e realizados sob
temperaturas em torno de 300ºC até 450ºC, servem para acomodar as
microestruturas dos metais e organizar seus planos cristalinos, eliminando
toda a estrutura martensítica, ou seja, a estrutura a um só tempo dura e
frágil”, explicou Nervis.
Nos últimos anos, porém, as têmperas realizadas em fornos a vácuo vêm
conquistando a preferência das indústrias de transformação em virtude da
obtenção de algumas vantagens em relação à têmpera convencional. Uma delas
é a maior preservação do acabamento superficial dos moldes. Outros
benefícios relacionam-se com a diminuição dos empenamentos e distorções
dimensionais e com a isenção de oxidações intergranulares, culminando com
a maior homogeneidade na dureza em toda a superfície da peça.
As grandes vantagens oferecidas pela têmpera a vácuo são impedir a
oxidação na superfície das matrizes e melhorar a uniformidade da
microestrutura dos aços-ferramenta tanto para os aços destinados às
conformações a quente, tais como H13, H11 e H12, como para os aços
concebidos
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para trabalhos a frio, como os D2, D6, D3 e AISI 420
(inoxidável), excetuando-se nesse caso o aço P20, que não pode ser
submetido à têmpera por vácuo, segundo observou o engenheiro
metalurgista João Carmo Vendramim, diretor da Isoflama. Também
expositora na FMU 2010, a empresa de tratamentos térmicos, instalada
em Indaiatuba-SP, compartilhou o estande com a Tecno Têmpera, sua
parceira técnica.
“Por ser uma tecnologia limpa, a têmpera a vácuo tem mobilizado o
interesse principalmente dos projetos realizados para o setor
automotivo”, informou o |

Vendramim: têmpera a vácuo despertou o interesse do mercado automotivo |
engenheiro Vendramim. No âmbito da têmpera a vácuo, as temperaturas de
aquecimento alcançam até 1.200ºC e o resfriamento é realizado sob pressão
de gás nitrogênio até 12 bar.
Outro processo de tratamento de ligas metálicas que vem atraindo maior
número de seguidores é o de nitretação iônica por plasma. “Essa tecnologia
permite controlar o potencial de nitrogênio para a produção de camadas
nitretadas com morfologias ajustadas às aplicações, produzindo-se camadas
nitretadas com ou sem a denominada camada branca, intermetálica e frágil,
evitando a formação de redes de carbonetos e/ou carbonitretos em se
tratando de aços de média e alta liga”, informou Vendramim.
Segundo ele, para cada tipo de aplicação industrial existe uma
correspondente profundidade e morfologia de camada nitretada que irá
produzir impacto no desempenho da superfície. “A camada a ser determinada
com ou sem camada branca e respectivas espessuras ou profundidades é
resultante de prévia análise das tensões que agem no molde afetando a
superfície, provocando desgaste por abrasão/adesão, fadiga ou corrosão.”
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Segundo considerou o gerente-comercial Eros A. Neto,
da Techniques Surfaces Brasil, é também cada vez maior o emprego em
moldes de camadas duras por meio da deposição química de carbono nas
formas de grafite e diamante em fase vapor assistida por plasma,
conhecida pela sigla PACVD – Plasma Assisted Chemical Vapor Deposition.
A grande vantagem de revestir moldes de injeção e de sopro de
termoplásticos com o uso dessa tecnologia é propiciar um revestimento
duro com baixo coeficiente de atrito, o que significa não desgastar os
moldes e facilitar todo o processo de extração, por exemplo, de |

Neto discorreu sobre os processos
PACVD e PVD |
embalagens, principalmente em se tratando de frascos e garrafas
confeccionadas com materiais acrílicos, polipropilenos e polietilenos
cristalizados.
As tecnologias de deposição pelos processos PACVD e PVD (Physical Vapor
Deposition – Deposição Física em Fase Vapor) oferecem as seguintes
vantagens: propiciam microdurezas bastante altas, acima de 2.000 HV, são
quimicamente inertes, e não modificam o estado inicial da superfície dos
moldes, segundo destacou Neto. Graças à natureza inerte, os revestimentos
aplicados por PVD e PACVD são utilizados com grande frequência em moldes
para a fabricação de embalagens e peças para aplicações alimentícias,
farmacêuticas, médicas e cosméticas.
Os revestimentos por PVD são realizados pelo processo PEMS (Plasma
Enhanced Magnetron Sputtering), desenvolvido pelo grupo HEF, e que permite
obter camadas mais compactas, uniformes e homogêneas, com maior adesão e
menor rugosidade em comparação com aquelas obtidas por processos
convencionais.
Aços especiais para moldes – A FMU também levou ao público as
últimas novidades em metais para a fabricação de moldes. A GGD Metals, de
São Paulo, com sua ampla oferta de aços para construções mecânicas,
aços-ferramenta, aços inoxidáveis, incluindo alumínio, cobres, bronzes,
latões e metais, destacou seu alumínio de alta dureza. Produzido por
processo metalúrgico especial, e desenvolvido para moldes para sopro, o
alumínio Alumimold representa alternativa aos alumínios convencionais, que
apresentam faixa de dureza em torno de 60 HB, e aos alumínios utilizados
no setor aeronáutico, que possuem dureza na faixa de 180 HB, sendo
produzidos na faixa entre 100 HB e 110 HB, para a maior durabilidade dos
moldes para sopro.
A Aço Especial, representante exclusivo no Brasil do grupo francês
Industeel, destacou os aços da família Superplast, como os da linha
Açoecológico, integrados pelos Superplast 300 (SP300) e Superplast 400
(SP400). O SP300, de acordo com a empresa, substitui com vantagens o aço
P20, facilitando as trocas térmicas para o resfriamento mais rápido dos
moldes e a extração mais eficiente das peças, possibilitando menores
ciclos de injeção. Já o SP400 possui dureza média de 40 HRC e oferece
ganhos de usinagem, principalmente nas operações de furação, superando
também, segundo a empresa, o aço W.Nr.1.27ll, conhecido como 2711.
Com unidades em Caxias do Sul-RS, Porto Alegre-RS e Joinville-SC, a
Diferro promoveu aços lançados há alguns anos, mas só recentemente
disponibilizados para os estoques dos distribuidores, como os aços Tenax
300IM e o aço VP420IM. O Tenax 300IM é um aço-ferramenta com
características superiores para trabalhos a quente, fundido e refundido
(230 HB), e que possui energia de impacto a 300J, e destinado à confecção
de moldes de injeção de termoplásticos não-clorados, que, após tratamento
térmico, alcança dureza na faixa de 40HRC/50HRC. Já o aço inoxidável
martensítico VP420IM pode ser aplicado em moldes de injeção e extrusão de
polímeros clorados, como o PVC, e apresenta faixa de dureza de
48HRC/54HRC, alcançada após tratamento térmico.
Outros integrantes da oferta da empresa são os aços fabricados pela
Villares, como o VP20ISO e o N27IIM. Com possibilidade de já saírem de
fábrica tratados com têmpera/revenimento e nitretação, esses dois aços se
destinam a produções mais elevadas e apresentam as seguintes
características: o VP20ISO se aplica à produção de moldes para injeção e
sopro de polímeros não-clorados, envolvendo principalmente peças
texturizadas, e o N27IIM oferece maior resistência à compressão em
comparação com os aços da série VP20, apresentando faixa de dureza entre
38HRC/42 HRC.
Outro aço para moldes plásticos destacado na feira foi o SF-2000.
Apresentado pela Schmolz+Bickenbach, foi desenvolvido para atender à
demanda de moldes mais complexos, reunindo vantagens quando comparado com
o P20 convencional. Graças à uniformidade na dureza em toda a seção do
molde, o SF-2000 vem sendo bastante requisitado, podendo ser fornecido em
duas faixas de dureza que vão de 280 HB até 325 HB e/ou de 310 HB a 355 HB,
apresentando em sua estrutura carbono (0,34%), manganês (0,80%), cromo
(1,70%), níquel (0,50%) e molibdênio (0,40%).
Também presente à feira a Favorit destacou os aços P20 e 420C. O P20 já é
fornecido temperado, destinando-se à construção de moldes de injeção de
grandes dimensões. Já o 420C apresenta resistência ao desgaste em
temperaturas até 500ºC, destinando-se à confecção de moldes para injeção
de polímeros corrosivos e abrasivos, como PVC e acrílicos.
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Seminário discute uso correto das
ferramentas
A utilização de ferramentas apropriadas para a
usinagem de moldes foi outro aspecto bastante explorado na FMU 2010,
especialmente durante a realização do 5º Seminário de Soluções e
Tecnologia, coordenado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial – Senai, de Joinville-SC.
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A palestra inaugural do seminário, proferida por
Aldeci dos Santos, especialista da Sandvik, levou ao conhecimento
do público como é possível evitar uma série de prejuízos causados
por usinagens malfeitas que, inevitavelmente, irão ocasionar
prejuízos aos moldes, sujeitando-os a vibrações, irregularidades
no acabamento superficial, entre outras ocorrências, que
interferem na sua construção e podem causar variações dimensionais
nos manufaturados plásticos.
Conectadas às máquinas operatrizes, como centros de usinagem CNC
ou tornos CNC, as ferramentas para |

Santos mostrou como evitar prejuízos causados por usinagens
malfeitas |
torneamento, fresagem e furação de metais cumprem,
portanto, funções primordiais no processo de construção de moldes,
garantindo sua eficiência e durabilidade. Entre as tecnologias mais
recentes, destacadas por Santos, estão as ferramentas com função
antivibratória, desenvolvidas por meio de parceria entre a Sandvik e a
Teeness, da Noruega.
Outra tecnologia recente é a de pastilhas alisadoras, conhecida como
wiper. Constituídas de pastilhas com pontas fabricadas com metais
duros (carbonetos cementados), essas ferramentas de corte avançadas
deixam as superfícies trabalhadas completamente planas, e operam sob
velocidades bem mais altas quando comparadas com as ferramentas
construídas com pastilhas convencionais.
Outra inovação comentada por Santos foi a nova geração de coberturas
para pastilhas utilizadas em ferramentas de corte, destacando a
realização de processos químicos de jateamento das superfícies,
visando eliminar a última camada de nitreto de titânio e,
consequentemente, as tensões residuais dos moldes.
“Das três camadas que recobrem as pastilhas, formadas por carbonitreto
de titânio, óxido de alumínio e nitreto de titânio, a última é
retirada parcialmente, sendo conservada apenas nas laterais, para
produzir efeito positivo de resistência ao desgaste, favorecendo o
maior rendimento da pastilha e melhorando o fluxo do cavaco”, explicou
Santos.
As pastilhas de nitreto cúbico de bório (CBN), com novas modificações
geométricas, para o aumento de sua vida útil, também foram
apresentadas como alternativas para a usinagem de metais duros,
tratados termicamente, como aços-ferramenta e aços para engrenagens,
matrizes e punções.
As operações de acabamento de moldes também podem ser mais precisas
com o emprego de sistemas de fixação de pastilhas pelo método de
intertravamento.
“Nos últimos anos, nosso foco de pesquisas também se voltou para os
sistemas high pressure (alta pressão), tecnologias desenvolvidas para
tornos e fresas projetados para trabalhar sob altas pressões de
fluidos de corte para refrigeração, e que promovem o direcionamento
dos jatos de fluidos para pontos estratégicos, como área da formação
do cavaco e interface entre o cavaco e a peça”, acrescentou o
especialista.
O maior benefício da tecnologia high pressure é propiciar maior
rendimento e qualidade às operações de usinagem de materiais
construídos com ligas de titânio, duplex, entre outros, considerados
de mais difícil execução.
Ao elenco de novidades, Santos ainda acrescentou as máquinas
multitarefas para corte, fresagem e furação, que operam com
ferramentas de corte conjugadas, de duas até quatro, utilizando a
mesma fixação.
Outra palestra de destaque no seminário, proferida por Cristiane
Brasil Lima Ulbrich, diretora da BCS Tecnologia, de Campinas-SP,
abordou os recursos de engenharia reversa, processo de reconstrução de
um objeto que parte de modelo físico para chegar a um modelo virtual.
“O modelo físico pode ser um protótipo de um novo produto, construído
pelo modelador, de forma artesanal, com suas formas e funcionalidades,
que será entregue à engenharia para a construção de um modelo virtual
do desenho tridimensional em CAD”, resumiu Cristiane.
Segundo lembrou a especialista, um produto novo também pode ser criado
com a junção de vários protótipos, como uma embalagem do tipo galão
com alça. “A engenharia pode propor vários modelos e optar por um
modelo de alça, encaixado em outro modelo de corpo do galão, e também
a um terceiro modelo de fundo, resultando em três protótipos físicos
que serão integrados para se criar o modelo virtual final.”
Outro exemplo citado por ela também pode ser verificado no chão de
fábrica de uma empresa que operava com um ferramental de estampo para
a confecção da lateral de um automóvel.
“Com o passar dos anos, vários ajustes foram realizados nesse
ferramental, como alívio em um canto, solda em outro, ou um novo furo
de processo, e a demanda pelo modelo acabou sendo tão alta que um novo
ferramental precisou ser criado para dobrar a produção, constatando-se
que, embora todos os desenhos do produto tenham sido atualizados, a
forma do ferramental não passou por modificações, havendo nesse, como
nos demais casos citados, a necessidade de um novo modelo físico para
gerar a documentação visual em desenhos 2D ou modelos
tridimensionais”, explicou Cristiane. |
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