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Fabricante apresenta tecnologia para polímero com
propriedade de barreira
O Gruppo Mossi &
Ghisolfi, fabricante de resinas de PET e fibras de poliéster, tem um novo
rebento em sua família de plásticos com barreira. Trata-se do Polyprotect,
material apresentado na 5ª Conferência Internacional de PET da Husky do
Brasil.
O grupo M&G já havia entrado no segmento de polímeros com propriedades de
barreira a gases em 2003, com o lançamento da resina ACTiTUF, direcionada à
substituição de estruturas com multicamadas. A empresa continuou a
desenvolver o conceito e em 2009 chegou à resina Polyprotect, que encerra
uma tecnologia “revolucionária”, nas palavras de Cecile Bourland, diretora
de desenvolvimento de Mercados e Produtos da M&G da Itália. A tecnologia,
denominada BicoPET, permite a produção de um polímero que integra as
barreiras ativa e passiva em cada um de seus pellets. A primeira está
presente em uma camada exterior de PET aditivado com absorvedor de oxigênio,
enquanto a segunda se origina em um núcleo de poliamida existente no
interior de cada pellet. Essa constituição original permite que as duas
barreiras coexistam em todas as porções da resina, acarretando uma série de
vantagens, como a eliminação de etapas posteriores de processamento, como a
laminação, necessária no caso de plásticos metalizados ou estruturas
multicamadas. Embora seja utilizado um PET modificado, para facilitar a
compatibilização com o náilon, a resina Polyprotect é processada exatamente
como qualquer PET convencional, é reciclável e suas propriedades mecânicas
praticamente não se alteram, em comparação ao poliéster comum.
O material está sendo produzido na Itália e nos Estados Unidos, por
enquanto. Segundo Bourland, ele pode ser utilizado em aplicações do tipo hot
fill, até temperaturas de 85ºC a 90ºC, desde que com o design apropriado. A
diretora destaca que as propriedades de barreira são mantidas mesmo após a
reciclagem, sob a condição de uma fração de até 20% de Polyprotect
reciclado, na mistura com material virgem, pois acima desse patamar pode
haver problemas com a cor. A pigmentação, aliás, parece ser um dos únicos
itens que requer algum cuidado especial com a nova resina, pois alguns
pigmentos podem ter como efeito a desativação da barreira ativa, o que torna
necessária a realização de testes quanto à cor. Mesmo assim, Bourland
ressaltou que o aspecto visual da resina também é muito próximo ao do PET
convencional, com uma transparência muito semelhante.
Crescimento – A 5ª Conferência também abrigou, entre outras, a
exposição de Graham Wallis, diretor da Datamark Brasil, uma empresa de
consultoria dedicada aos estudos da indústria brasileira de bens de consumo
e embalagens. Wallis apresentou um panorama do mercado de PET do Brasil, em
que ficou evidente o avanço da resina nos últimos dez anos.
O mercado de embalagens segue rigorosamente o PIB, e seu volume dobrou nos
últimos dez anos, em tonelagem, mas cresceu quase cinco vezes em valor, uma
situação privilegiada de crescimento, para o diretor da Datamark Brasil.
Dentre os materiais utilizados em embalagens, o papelão aparece com a maior
fatia, mas os plásticos continuam invadindo o espaço de outros materiais.
O PET, por sua vez, tem importante contribuição no mercado de embalagens
rígidas, no qual fica atrás apenas das latas de alumínio, porém com
potencial para continuar crescendo, particularmente na substituição de
outros materiais plásticos.
Wallis apresentou uma pesquisa que ele denomina share of stomach, na qual
são determinadas as participações de todos os líquidos consumidos no país.
Esse estudo revelou que, no Brasil, de todos os líquidos consumidos, a água
de torneira contribui com uma fatia de 45%, em comparação a apenas 9%, nos
Estados Unidos. Na visão de Wallis, essa é uma boa notícia, pois denota que
há espaço para o crescimento do mercado de água mineral. “É uma missão da
indústria fazer essa substituição acontecer. Outra boa notícia é que a fatia
do leite no Brasil já é de 15%, enquanto no país norte-americano o leite
contribui com apenas 10%. Nos refrigerantes, no entanto, é pouco provável
que os brasileiros cheguem a consumir o mesmo que os estadunidenses, que
dedicam 26% de seu consumo a esse tipo de bebida. Mesmo assim, de
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1998 a 2008, a consumo de refrigerantes passou de 11
bilhões de litros para 15 bilhões de litros. O PET, curiosamente, perdeu
um pouco de participação nessa ampliação, pois o vidro conseguiu retomar
um pouco do seu espaço.
O diretor da Datamark relembrou a “guerra fria” entre Coca-Cola, Ambev,
Schincariol e as Tubaínas. Estas, graças ao pouco rigor em termos de
impostos e outros tributos, trouxeram uma |
Cuca Jorge

Wallis: Coca-Cola conseguiu superar as tubaínas |
concorrência desleal ao mercado, mas ainda assim a Coca-Cola conseguiu
reverter a situação; a Ambev perdeu um pouco de sua fatia, e a Schincariol
vai crescendo aos poucos. Nesse panorama, o volume de refrigerantes
embalados em PET teve um crescimento de 31% em dez anos – um enorme sucesso,
que reflete o trabalho da indústria da resina no país.
Em geral, a quantidade de garrafas de PET dobrou no Brasil de 1998 a 2008, o
que acaba tendo impacto também nos números da reciclagem do poliéster.
Embora o alumínio ainda seja o campeão em reutilização no país, o PET se
mantém firme no segundo lugar. Os refrigerantes continuam sendo o principal
mercado da resina, com 51% do total. A segunda posição está ocupada pelo
óleo comestível, outro caso de grande sucesso, uma vez que, para a
infelicidade dos produtores de folha de flandres, as latas feitas com esse
material foram praticamente substituídas em 100% pelo plástico. Movimento
parecido também ocorreu no segmento de água mineral, apontado como mais um
exemplo de sucesso para o PET. Wallis chamou a atenção da audiência para o
mercado de água de coco. Trata-se de um segmento que começa a ser explorado
por empresas multinacionais, após manter-se por um bom tempo nas mãos de
produtores locais. Embora esse nicho responda por volumes menores, se
comparado a refrigerantes e água mineral, ele possui volumes potencialmente
interessantes.
Considerando-se todos os segmentos em que o PET participa, de 1998 a 2008,
houve um crescimento de 80%. Mas a dúvida que ainda paira no Brasil é a
chance de a cerveja ser envasada com o poliéster, uma antiga aposta da
indústria que ainda não se concretizou. Wallis decidiu exercer seus poderes
de previsão e opinou que mesmo no caso de não vir a acontecer uma
substituição maciça do vidro e das latas, a parte do consumo ligada a
atividades exteriores apresenta bom potencial para a penetração da resina.
Márcio Azevedo
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