M  i  c  r  o  i  n  j  e  ç  ã  o

Na equipe de ferramentaria da empresa existem técnicos habituados a pensar nesses tipos de matrizes. “Na prática, alguns profissionais acabam se especializando”, diz. Eles enfrentam questões muito específicas. Uma delas é a definição do número de cavidades dos moldes. Não é fácil combinar o volume necessário de produção de peças com as características das injetoras. “Para nós, esse é um quebra-cabeça”, revela.

Os sistemas de refrigeração em ciclos muito rápidos exigem projetos engenhosos. Por se tratar de peças técnicas, em muitos casos, torna-se imprescindível a presença de gavetas, insertos e outros recursos. O uso de câmaras quentes não é adotado pela empresa. Os problemas não param por aí. A Tyco precisou investir em equipamentos de usinagem de aço bastante sofisticados. Também foi necessária a montagem de uma estrutura específica, formada, entre outros recursos, por aparelho microscópio.

Precisão – A Digimold, no mercado desde 1996, tem como estratégia atender o nicho de mercado de matrizes de alta precisão. Dentro dessa perspectiva, encaixa-se a fabricação de moldes para micropeças. Entre os clientes da ferramentaria, destaque para os transformadores de embalagens para cosméticos. “Um dos moldes mais complexos feitos aqui foi o de uma pequena peça montada dentro do conjunto de spray, por onde se espirra o produto cosmético”, exemplifica Barneze.

Para cumprir esse objetivo, a empresa conta com equipamentos sofisticados, entre os quais um centro de usinagem, uma máquina de eletroerosão a fio e outra de penetração, capaz de fazer de forma rápida furos com diâmetros ínfimos, de 0,3 a 1 milímetro, em placas de aço. “Nossos equipamentos são apropriados para produzir cavidades de peças pequenas”, diz. A empresa planeja fazer novos investimentos. “Estamos comprando um centro de usinagem de cinco eixos.”

A Digimold conta com profissionais especializados e experientes. Para projetar as ferramentas de micropeças, no entanto, apela para a ajuda de um profissional terceirizado. “É difícil manter um projetista especializado. É um profissional caro, voltado para pensar em soluções diferenciadas, ter em mente a necessidade de precisão na casa de centésimos de milímetros”, revela. Os operadores dos equipamentos de usinagem para esses trabalhos também são raros. “Quando contratamos alguém, não o colocamos diretamente na produção. Antes ele passa por uma fase de treinamento”, conta.

Cuca Jorge



Peça fabricada com molde da Digimold equipa interior de sistemas de spray de produtos cosméticos

A Digimold procura se concentrar apenas na produção das cavidades e utilizar o máximo possível de componentes de moldes padronizados. “Eles são mais econômicos”, justifica. No caso dos porta-moldes, a vantagem persiste mesmo quando as medidas estão fora dos padrões oferecidos pelos fornecedores. “Em determinados casos, as empresas os constroem sob encomenda.” Outras peças, como lâminas extratoras, por exemplo, nem sempre são encontradas. “Quando determinado item não existe no mercado, fabricamos internamente.”

Ateliê – Há trinta anos no mercado, a Jawar tem elevado grau de especialização em ferramentas de menor porte. “Trabalhamos com moldes de uma tonelada para baixo, em média de 600 kg. O peso das peças dificilmente passa dos cinco gramas”, revela Tirolla. A empresa tem como principais clientes representantes da indústria automobilística e fornecedores de produtos usados pela medicina.

O know-how do pequeno “ateliê” envolve praticamente todas as etapas do projeto. “O nosso serviço é focalizado para as micropeças, levamos em conta todos os detalhes, como o desenho da peça, o número de cavidades mais adequado, as tolerâncias exigidas, a matéria-prima utilizada”, diz. A atenção atinge até a injetora onde a peça será produzida. “Dependendo da máquina, eu recuso o projeto. Trabalho só para transformadores que possuem equipamentos de ponta, como os da austríaca Engel ou os da alemã Arburg”, esclarece.

A empresa possui apenas três funcionários. Tirolla, no entanto, garante possuir boa estrutura em termos de equipamentos de usinagem. “Temos máquina de eletroerosão a fio e eletroerosão orbital”, exemplifica. Muitos componentes utilizados são padronizados. A empresa importa alguns componentes da Europa, caso dos pinos extratores suíços.

Outros serviços são terceirizados. É o que ocorre com os tratamentos térmicos sofisticados. “Existem moldes com superfícies espelhadas, que requerem superfícies com acabamento de níquel ou teflon”, diz. O prazo para a construção de um molde fica na casa dos 45 dias, em média. Ele pode ser maior ou menor, de acordo com as operações terceirizadas. “Alguns tratamentos térmicos levam dias para ser feitos”, justifica.

As dificuldades de execução dos projetos que envolvem as micropeças são descritas pelo proprietário da Jawar de forma similar às dos demais envolvidos no ramo. A cada encomenda, os clientes parecem desafiar a quem cabe a tarefa. Desafiar, segundo o Aurélio, instigar, estimular, provocar.

Injetoras de capacidade pequena são importadas

São poucos os fornecedores de injetoras muito pequenas, com força de fechamento de até 25 toneladas. Entre os fabricantes nacionais de equipamentos, nenhum trabalha nesse nicho de mercado. Resta aos interessados na compra importar as máquinas ou, se for o caso, usar aquelas com forças de fechamento entre 35 e 50 toneladas, quase sempre superdimensionadas para a injeção de micropeças. Nesses casos, muitas vezes são necessárias algumas adaptações, como a adoção de unidades de plastificação adequadas à linha de produção desejada.

Por aqui, uma das empresas a trabalhar nesse mercado é a Sunnyvale, representante no Brasil da marca alemã Dr. Boy. A linha é formada por modelos com força de fechamento de 12 a 90 toneladas, com estruturas horizontais, verticais ou, ainda, nas versões horizontais/verticais, com dupla unidade de injeção.

Totalmente hidráulicas, as máquinas têm atributos bastante adequados a esse mercado, como alta velocidade, ciclos rápidos e unidades de plastificação reduzidas, adequadas para a transformação de pequenos volumes. Nos modelos menores, as roscas têm 12 milímetros de diâmetro. Além de plástico, elas transformam cerâmicas, materiais metálicos e silicones.

“A Dr. Boy acaba de lançar uma nova versão de suas injetoras na Fukuma”, revela Theogil Dias, diretor de vendas da Sunnyvale, referindo-se à feira realizada na Alemanha no final do anopassado. O executivo

Divulgação

Marca alemã Dr. Boy é representada
pela Sunnyvale

destaca a excelência do sistema hidráulico das máquinas, capaz de transformar o equipamento “tão econômico quanto os elétricos”. Ele também ressalta a sofisticação dos comandos eletrônicos, dotados com tecnologia touch screen. “Nossos principais clientes são as empresas fornecedoras das áreas médica, ortodôntica e eletrônica”, informa.

 

 

<<< Anterior

Próxima >>>