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M i c
r o i n j e ç ã o |
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Cuca Jorge
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Exigência de precisão
desafia os projetistas de ferramentas e os transformadores
José Paulo Sant’Anna
Precisão. O
dicionário do Aurélio Buarque de Holanda define essa palavra com
alguns significados. Entre eles, exatidão de cálculo, funcionamento
sem falhas, perfeição. Na indústria do plástico, a precisão é cobrada
em várias aplicações. Difícil, no entanto, encontrar um momento |
no qual é mais necessária do que na hora de se injetar micropeças.
Estamos falando de itens com poucos gramas de peso ou, nos casos mais
extremos, com alguns centésimos ou até milésimos de grama. A tolerância
dimensional quase sempre fica na casa dos milésimos de milímetros.
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Essas peças são usadas com frequência por indústrias
de vários segmentos econômicos. Uma delas é a automobilística. Os
veículos contam com vários conjuntos de componentes montados
paradiversas finalidades, nos quais se encontram itens quase
imperceptíveis. O mesmo ocorre com componentes elétricos, aparelhos
eletrodomésticos e eletroeletrônicos, artefatos médicos ou em
aparelhos ortodônticos e na indústria de relógios. Não raro, também
são encontradas em embalagens de cosméticos. Entre outras aplicações.
Do design da peça à operação de extração na injetora, os responsáveis
pelos projetos precisam estar preparados para se deparar com
dificuldades muito particulares. Só para lembrar uma: a presença de
rebarbas é impensável, em muitos casos não pode haver marcas relativas
à extração das peças. E por aí vai. |
Cuca Jorge

Silva: Emicol verticaliza o projeto e a fabricação do
molde |
São raros os transformadores capacitados para atender esse nicho de
mercado. Pela particularidade das características desses moldes, alguns
deles apostam na verticalização, preferem resolver a questão em
ferramentarias próprias. Uma empresa com essas características é a
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brasileira Emicol. Localizada em Itu-SP, ela fabrica
centenas de produtos voltados para as indústrias de eletrodomésticos
da linha branca e de componentes elétricos. Nesse universo, muitas
peças de dimensões mínimas. Batizada de “tramela”, a menor delas
equipa geladeiras e tem peso de 0,01 g. “Criamos os projetos e
construímos os moldes internamente”, revela Tadeu Leite Silva, gerente
de projetos da ferramentaria.
Em situação semelhante se encontra a gigante Tyco Electronics. No
Brasil, a multinacional tem fábrica em Bragança Paulista-SP. Ela
fornece vários produtos, entre os quais alguns dotados com peças muito
pequenas. “A microinjeção é uma operação bastante específica, é
difícil achar fornecedores capacitados. Por isso, verticalizamos nossa
produção”, justifica Eduardo Vinícius Berti, técnico de melhoria
contínua da empresa.
O número de fabricantes de matrizes aptos a desenvolver e construir
moldes do gênero é reduzido. Contar com profissionais especializados
para criar projetos ou para operar máquinas de usinagem muito
sensíveis é uma das barreiras a ser superada. Os fabricantes de
ferramentas também precisam investir altas somas na compra de
sofisticados equipamentos de usinagem de aço, usados na fabricação dos
componentes das cavidades.
Esses moldes são caros. O preço elevado, no entanto, não atrapalha os
negócios de quem os projeta e fabrica. Como em terra de cego quem tem
um olho é rei, a especialização ajuda essas empresas a enfrentar as
alterações de humor do cenário econômico. “Esse é um bom mercado para
trabalhar. Nunca fizemos propaganda de nossos serviços e sempre somos
bastante procurados”, atesta Orlando Tirolla, proprietário da Oficina
Jawar Indústria e Comércio, localizada em São José do Rio Preto-SP,
com excelência nesse tipo de trabalho. “Somos um ‘ateliê’ com apenas
três funcionários”, informa. |
Cuca Jorge




Etapas de manutenção do molde da tramela, peça
fabricada pela Emicol, que equipa geladeiras e pesa
0,01 grama |
Outra ferramentaria, a Digimold, tem maior porte e é voltada para o
projeto e construção de moldes complexos, entre os quais alguns voltados
para micropeças. A empresa está instalada em Bragança Paulista-SP.
“Recebemos várias encomendas de interessados nesses tipos de ferramentas”,
informa Celso Luiz Camargo Barneze, sócio da empresa.
Passo a passo – Cada etapa da produção de uma micropeça plástica
conta com algum diferencial em relação aos moldes de peças maiores. O
primeiro cuidado ocorre já no projeto da peça. Seu design deve evitar
ângulos negativos, furos ou outras características que exijam a instalação
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gavetas ou insertos nas ferramentas. “Sempre que
possível, conversamos com os especialistas em design para não termos
problemas desse tipo”, conta Barneze. O uso da expressão “sempre que
possível” não foi usada pelo dirigente à toa. “Às vezes, a
funcionalidade da peça exige formatos complexos, e nesse caso
precisamos adaptar o projeto à necessidade do cliente”, explica.
As matérias-primas utilizadas são sempre de elevada qualidade. “Os
ciclos são muito rápidos, precisamos de materiais de excelente
desempenho. Usamos apenas plásticos de engenharia em nossa linha de
produção”, |
Cuca Jorge

Barneze: algumas peças exigem moldes
com gavetas |
diz Berti, repetindo o discurso de todos os profissionais envolvidos
com esse tipo de trabalho. Uma das características desses materiais é o
reduzido índice de contração, característica indispensável para esses
projetos. Os preços “salgados” dessas matérias-primas não pesam tanto. “O
volume utilizado é muito pequeno”, ressalta o executivo.
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Definir o número de cavidades é outra questão a ser
muito bem estudada. A tarefa envolve alguns quesitos. Primeiro,
escolher em qual injetora a matriz vai ser instalada. Não é sempre que
o transformador conta com máquinas muito pequenas, com capacidades
inferiores a 20 toneladas de força de fechamento. Nas de maior porte,
a produção de peças por ciclo não pode ser muito baixa, pois a unidade
de plastificação do equipamento é grande para a tarefa e pode
comprometer as propriedades da matéria-prima.
É difícil instalar câmaras quentes em ferramentas de peças tão
pequenas. “Em geral, não tem espaço nos moldes. Quando se usa a
câmara, é muito complicado definir onde colocar o ponto de injeção”,
explica Barneze. A ausência das câmaras resulta na necessidade de
injeção de “galhos” no conjunto injetado. “Na maioria das vezes, os
galhos chegam a pesar algumas vezes mais do que as peças”, diz Berti.
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Cuca Jorge


Tamanho diminuto e forma complexa são problemas para
projetistas |
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