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SISTEMA
DE RECICLAGEM |
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Procura por processos
eficientes
e controlados
muda perfil
do setor
Renata Pachione |
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Seibt desenvolve sistemas completos para recuperação
de termoplásticos |
Os fabricantes de máquinas
e equipamentos para sistemas de reciclagem começam a vislumbrar um novo
perfil para o setor. A evolução tecnológica desponta nesse universo, hoje
ainda marcado pela falta de capacitação da mão-de-obra e por certa
informalidade. Mas o aumento da procura por processos mais eficientes e
controlados tende a mudar esse enredo. No final das contas, as indústrias
querem mesmo é lucrar mais com a venda de produtos de melhor qualidade, e
acabar com o estigma de que o reciclado deve se restringir a nichos de
pouco valor comercial.
“O que o indivíduo criou não deve ser transformado em algo necessariamente
subvalorizado”, afirma Paolo de Filippis, diretor da Wortex Máquinas. O
ponto-chave de sua afirmação está no fato de que o material reciclado
passa a ser visto sob uma ótica mais nobre, o que reflete a proposta do
fabricante de munir o reciclador de tecnologia para produzir com mais
qualidade, ou seja, grãos homogêneos, uniformes, isentos de umidade e com
a mínima degradação.
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As características do transformado têm sido encaradas
como fator primordial nos projetos dos principais fabricantes de
máquinas e equipamentos do país. Esse conceito é relativamente novo e
sugere uma perspectiva positiva, configurando-se assim um mercado com
mais tecnologia. “Os clientes têm constatado que o investimento em
equipamentos de melhor desempenho representa garantia de produtividade
e qualidade do produto final”, afirma Adão Braga Pinto, do
departamento comercial da Seibt. Isso quer dizer que os custos de
produção tornaram-se fortes argumentos de venda. “Agora o reciclador
já não compra mais pelo preço, pensa na economia do tempo de
fabricação e da mão-de-obra”, completa Walner Cavallieri, diretor da
BGM. |
Cuca Jorge

Cavallieri vislumbra demanda para equipamento automáticos |
Evandro Didone, diretor da Kie, concorda em parte. Para ele, apesar
dessa consciência, ainda há uma grande parcela do mercado que opta por
modelos mais baratos. “Há coisas que poderíamos fazer e não fazemos porque
não há demanda”, comenta. Um exemplo poderia ser o moinho; se o cliente
estivesse disposto a pagar mais, este poderia oferecer níveis mais baixos
de ruídos. A matéria-prima empregada também acaba encarecendo o
equipamento, na visão do reciclador. No portfólio da Kie, a procura se dá
por tanques de aço carbono, em vez de aço inox, apesar de este último ter
durabilidade superior comprovada.
Em busca de diferenciação – Esse cenário ainda dúbio, no entanto,
não compromete o desenvolvimento de linhas mais modernas, leia-se de maior
produção e menor custo operacional. Esse é o caso da Carnevalli. A empresa
está em fase de desenvolvimento de máquinas com dupla-rosca, dotadas de
sistemas de degasagem com bomba de vácuo de alta eficiência. “Novas linhas
poderão ser construídas com o sistema de cascata, sendo composta por duas
extrusoras que possibilitam a retirada dos gases de forma mais eficiente”,
explica o diretor-comercial Wilson Carnevalli Filho.
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O carro-chefe da marca trata-se da série CR. A linha traz
como mote a possibilidade de gerar grãos com qualidade e sem a degradação
do material. De acordo com a fabricante, é possível manter as propriedades
das resinas, mesmo em processos de alta produção. “A linha CR 90 é
construída com os melhores componentes do mercado, sendo uma máquina
confiável e duradoura, com produção elevada e sem que o material perca
suas características originais”, afirma o diretor.
Tradicional no ramo de extrusoras para filmes, a
Carnevalli, de Guarulhos-SP, mantém uma linha de máquinas para reciclagem,
que representa 10% do faturamento total da empresa. “Esses modelos são
muito importantes, pois complementam nosso portfólio de extrusoras e
impressoras”, diz Carnevalli. A tendência é ampliar sua penetração na
área, pois a fabricante projeta crescer em torno de 20% entre os
recicladores.
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Cuca Jorge

Carnevalli aposta em máquinas modernas para elevar as vendas |
Mas para emplacar esse tipo de novidade a indústria da reciclagem
precisa se profissionalizar mais. Na opinião de Carnevalli, o setor ainda
absorve extrusoras com o sistema convencional, espaguete e banheira. No
entanto, mudanças virão; basta o reciclador entender que apesar dos preços
convidativos, as linhas mais antigas comprometem a qualidade dos grãos e
têm elevado custo de produção, sobretudo no quesito energia elétrica.
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A Wortex Máquinas, até mesmo por ser forte no segmento
de equipamentos para resíduo pós-industrial, aposta no poder de compra
de seus clientes, e também não economiza em recursos. Nesse sentido, a
fabricante apresenta sua linha Challenger Recycler, uma extrusora
monorrosca, com um sistema de dupla degasagem (bomba de vácuo que
retira todos os gases eliminados no processo de extrusão, inclusive
vapor), que, segundo Filippis, confere total confiabilidade sobre a
remoção dos |
Cuca Jorge

Para Filippis, linha Challenger Recycler se diferencia em razão de seu
desempenho |
gases. “Provamos, na Brasilplast do ano passado, que nosso processo, na
média, é quatro vezes mais eficiente do que outros do mercado”, orgulha-se
o diretor. O consumo energético, de acordo com o fabricante, chega a ser
também até quatro vezes mais baixo, se comparado ao de um sistema
convencional.
Na Challenger Recycler, o processo se inicia com uma esteira
transportadora que alimenta o moinho; ela possui um sistema eletrônico que
controla um detector de metais ferrosos e não-ferrosos, a partir de 10 mm
de diâmetro. Após passar pelo moinho, o material é transportado para o
silo de armazenagem, através de um sistema de ventilador, tubulação,
ciclone e filtragem de pó. O silo, por sua vez, é montado sobre o crammer
(alimentador) abastecendo-o de forma contínua e homogênea, e este,
disposto sobre o cilindro da extrusora, força o material para dentro da
rosca. “A utilização do crammer elimina a necessidade de aglutinar o
material, economizando uma grande quantidade de energia e evitando a sua
degradação antes de ser extrusado”, destaca Rafael Fernandes, da área de
assistência técnica e pós-venda da Wortex Máquinas.
De acordo com Fernandes, o crammer é controlado por um sistema eletrônico
que extruda o material com pressão constante, otimizando o trabalho da
rosca. A extrusora é dotada de sistemas que incluem uma caixa de
alimentação com zonas controladas de temperatura; a rosca e o cilindro
processam uma vasta gama de materiais, e o controle de temperatura agiliza
as respostas aos in-puts do operador e às necessidades durante o processo
de extrusão. “O sistema também faz paradas em horário de ponta, permitindo
que ao reiniciar a operação o faça com sua capacidade total de produção
sem gerar perdas”, explica. Ele também destaca o sistema de granulação com
anel de água (corte na cabeça), de alta precisão, que garante maior
flexibilidade ao processar grande variedade de materiais. Dotado de
controle de temperatura, trava do tipo “engate rápido” e sensor de
segurança, também dispõe de acionamento e controle de velocidade por
inversor de frequência.
A Seibt, do Rio Grande do Sul, também está confiante neste novo perfil de
compra e se propõe a injetar tecnologia de ponta no setor. Todos os
equipamentos da fabricante operam com motores de alto rendimento, capazes
de reduzir em 30% o gasto de energia, se comparado a modelos antigos. O
aquecimento dos reatores, construídos de aço inox e não com aço carbono, é
feito a gás. Os tanques de lavagem a frio são galvanizados a fogo, o que
aumenta sua durabilidade para cerca de 25 anos.
A empresa destaca sua linha para produção de flakes de PET, dotada com um
módulo exclusivo de lavagem a quente, com o qual é possível entregar como
produto final uma matéria-prima de tamanha pureza que pode ser utilizada
no processo bottle-to-bottle. Desde o lançamento, em 2008, o sistema tem
sofrido melhorias; a sua capacidade de produção, no início de 1.000
kg/hora, atinge hoje, dependendo da configuração, 3.000 kg/h. Essa
tecnologia promove uma lavagem macro que, somada à lavagem a frio, oferece
na ponta da máquina um material de qualidade superior. “Em âmbito
nacional, só nós fabricamos essa solução”, comenta Pinto, do departamento
comercial da empresa. Em tempo, o sistema PET representa 25% do negócio da
Seibt.
Como muitas outras fabricantes do setor, a história da Seibt começou no
ramo de periféricos, no caso, os moinhos. Hoje produz linhas completas
para a recuperação de termoplásticos. Desde o momento no qual incorporou
as linhas de reciclagem ao seu negócio, o faturamento cresceu 40%. A ideia
é representar muito mais, porque na avaliação de Pinto a imagem da
companhia ainda está muito atrelada aos moinhos. A atuação mais forte da
empresa se concentra em equipamentos para lavagem, secagem e moagem.
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Processos mais otimizados e produtivos também têm
encabeçado os projetos da Kie, de Louveira-SP, como o da secadora
horizontal de filmes. O modelo SHIK-1700 produz até 800 kg/h, com
níveis de umidade abaixo de 1%. “A secadora elimina a etapa de
aglutinação”, ressalta Didone. A empresa entrou no mercado da
reciclagem na década de 70, quando fabricava moinhos e lavadoras para
consumo próprio. Em 1987, decidiu comercializar os equipamentos e
hoje, segundo seu diretor, é uma das raras indústrias especializadas
em sistemas completos para reciclagem.
A fabricante também ressalta sua linha de sacadores de rótulos e
tampas – por meio de um processo de atrito, é possível descontaminar a
garrafa antes de esta entrar no sistema propriamente dito. O
equipamento vem para facilitar um dos pontos mais críticos da
reciclagem no Brasil: o processo de descontaminação dos materiais. “Os
resíduos, em grande parte, vêm de aterros e, portanto, são muito
contaminados”, comenta Didone. Essa questão traz à tona o grande
gargalo da reciclagem no Brasil: a falta de coleta seletiva. Apenas
cerca de 5% dos municípios brasileiros realizam essa operação de forma
adequada, segundo a Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos
Plásticos. |
Cuca Jorge


Didone mostra secadora horizontal para filmes capaz de produzir até
800 quilos por hora |
Partes do todo – As produções mais controladas também dão o tom
entre os fabricantes de equipamentos e acessórios. A BGM irá mostrar na
feira mexicana Plastimagen, em março, uma ensacadeira totalmente
automática, que produz seu próprio saco para embalar os granulados, sem a
ajuda do operador. “O reciclador começou a perceber que ser organizado e
limpo é questão de sobrevivência”, comenta Cavallieri. A segurança também
está na pauta. Os granuladores de seu portfólio possuem um sensor de
segurança, com o qual só é possível abrir a tampa de proteção se o
equipamento estiver desligado da tomada. Além disso, conta com uma manopla
que precisa ser desparafusada, a fim de garantir que as facas rotativas
não ofereçam risco ao operador.
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