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D I S T R I B
U I Ç Ã O
de R E S I N A S |
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Cuca Jorge
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Agora é a
vez do varejo afunilar e concentrar o atendimento nos pequenos
transformadores
Maria A. de Sino Reto |
A exigência de um mercado
distribuidor de resinas mais profissional e com empresas fortalecidas,
dentro de um cenário em linha com o movimento global, chegou ao seu ápice.
Anunciada no final de janeiro, a incorporação da Quattor pela Braskem
encerrou o processo de consolidação da indústria petroquímica brasileira
ao concentrar nas mãos do novo conglomerado a produção nacional das
principais commodities (5,5 milhões de toneladas anuais de PEs, PP e PVC).
Esse novo cenário impõe mais mudanças e adaptação ao mercado varejista e
acelera o seu próprio processo de rearranjo e concentração.
Nessa dança da distribuição, a Unipar Comercial, um braço da Quattor,
também entrou na fusão e agora pertence à Braskem, que já possui a Varient,
nascida no segundo semestre do ano passado, fruto da cisão da unidade de
negócios de polímeros da quantiQ (ex-Ipiranga). O mercado cogita a
hipótese de a Unipar ser absorvida pela Varient, mas nenhuma das duas
empresas quis comentar o assunto.
A Mais Polímeros tem na Quattor sua bandeira exclusiva e vinha injetando
recursos na ampliação de suas atividades para outras regiões do país, em
projetos traçados em conjunto com a sua parceira. A petroquímica também
figura entre as bandeiras da Activas. Mas as discussões envolvendo a
compra da Quattor passaram ao largo de suas parceiras.
Mesmo após o anúncio oficial da venda da empresa, as distribuidoras
continuaram como telespectadoras, sem informações sobre o desenrolar de
seus negócios. A expectativa dos diretores de ambas é de que demore ainda
alguns meses para alguma manifestação a esse respeito. Até lá, nada muda
nas operações das duas, que prosseguem com a bandeira da Quattor.
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O ano de 2010 promete terminar com um cenário muito
diferente. A suposição geral tem por certa uma quantidade mais enxuta
de empresas distribuidoras, porém, dotadas de maior escala e
profissionalismo, melhores gestões e relacionamento com os clientes.
Para Fernando Caribé Filho, diretor-comercial da Sasil, sediada em
Salvador-BA e uma das distribuidoras da Braskem, as mudanças serão
mais evidentes no segundo semestre do ano, quando deverão se destacar
três ou quatro empresas, com escala acima de 6 mil toneladas mensais.
As alternativas para quem não tiver tanto fôlego serão os clientes
menores, com particularidades comerciais. |
Cuca Jorge

Caribé: mudanças serão mais visíveis no segundo semestre |
Igual entendimento tem o diretor da Activas, Laércio Gonçalves. “O
grosso dos negócios das commodities ficará nas mãos de distribuidores
grandes e estruturados; então, as de menor porte terão de procurar nichos
mais específicos”, pondera. Ele julga que cinco ou seis grandes
distribuidores bastem para atender o mercado, estimado entre 500 mil e 600
mil toneladas. “O restante deve procurar nicho para se estruturar”,
adverte.
Responsável pela gestão da Varient, Fernando Butze acha prematuro comentar
as prováveis configurações para o setor. “O mercado brasileiro não se
restringe aos competidores locais, sofremos impactos e consequências dos
movimentos que ocorrem em qualquer parte do mundo. A logística é
importante, mas não é o único diferencial”, opina. Mas, alinhado ao
pensamento da concorrência, ele considera alguns aspectos fundamentais
para a sobrevivência dos negócios, como comprometimento, profissionalismo
e estrutura adequada.
Um novo paradigma – “O modelo de negócio da petroquímica mudou, tem
uma cara nova, muito forte, poderosa, o que exige uma distribuição capaz
de interagir com uma empresa desse porte”, declara o presidente da
Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast),
Wilson Donizetti Cataldi. Às distribuidoras de médio porte que se
prepararam nos últimos dois anos para as mudanças, as medidas agora são de
sobrevivência. “Hoje, os negócios exigem muito cuidado e absoluto controle
na gestão”, sugere Cataldi.
No ano passado, a distribuição respondeu por uma demanda aproximada de 575
mil toneladas e faturamento da ordem de 2,5 bilhões de reais. O presidente
da Adirplast estima que o setor cresceu 3,6% em 2010, com maior destaque
para o segundo semestre. Na visão dele, porém, essa pequena alta foi
importante, pois os preços caíram muito e todo o mercado precisou fazer
ajustes
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para superar as dificuldades. “O ano de 2009 foi muito
difícil, um dos piores para o varejo de resinas no Brasil”, desabafa.
Uma conjunção de fatores desenhou um quadro perverso: o aumento
expressivo de produto importado no varejo, muito superior ao que afeta
a petroquímica; a atuação de revendedores abastecidos por
transformadores; e distribuidores que resvalaram para um jogo de
volume, sem cuidar da margem e do atendimento. “Nunca tivemos esses
agentes atuando forte ao mesmo tempo e isso faz com que o setor perca
a racionalidade em alguns momentos, mas as fraquezas aparecem e só
devem sobreviver os bem preparados”, sentencia. |
Cuca Jorge

Cataldi admite um quadro inédito de dificuldades conjuntas no setor |
Ao contrário de 2008, quando a importação de resinas teve como
principal endereço os clientes diretos da petroquímica, no ano passado,
atingiu em cheio o mercado varejista e provocou um estrago e tanto no
setor, pela atuação de revendas independentes, que atraíram os pequenos
transformadores. “O volume importado parou quase 100% nos clientes da
distribuição”, atesta Daniela Dias. J. A. Guerini, diretora da Mais
Polímeros.
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Esse panorama desnorteou algumas distribuidoras
brasileiras e as induziu a erros estratégicos, como encolher as
margens a ponto de entrar no vermelho. A diretora observa que muitas
fizeram isso para não perder volume, mas ignoraram as margens mínimas
de operação. Como consequência, fecharam 2009 com resultados
negativos. “A corrida dos distribuidores por volume, sem
rentabilidade, e por subidas de posição tem sido o ponto mais
destrutivo na operação”, lamenta Daniela.
Ela preferiu adotar uma postura mais conservadora e manter as margens.
“Não entramos no rol que optou por volume para crescer, preferimos
pulverizar clientes menores, capitalizar, nos resguardar com vendas
mais técnicas”, diz. Nesse contexto, focou mais os negócios na família
do polipropileno. Na opinião da diretora, este mercado tem uma
continuidade de negócio mais fiel, ele é menos condicionado por preço,
como é o de |
Cuca Jorge

Daniela critica estratégia de crescimento a qualquer custo |
polietileno. Assim, conseguiu assegurar em 2009 os mesmos resultados do
ano anterior, que Daniela considerou bons. Por motivos óbvios, os projetos
de expansão entraram em compasso de espera.
Movimento arriscado – Outro ponto crítico pelo qual o processo de
reestruturação do varejo de resinas passa é a grande pressão por aumento
de escala, o que desencadeou decisões perigosas no setor. Algumas empresas
apostaram todas as fichas para crescer em volume, preterindo a
rentabilidade. Sob o ponto de vista de Daniela, essa postura desequilibra
a distribuição, obrigada a girar o estoque muito rápido. “Existem momentos
em que o mercado desacelera e temos que respeitar isso, até que volte ao
normal. Colocar material em momentos de baixa é muito destrutivo”,
acredita a diretora da Mais Polímeros.
Com intenso projeto de expansão nos próximos anos, o diretor da Activas
estimou, no início do ano passado, queda de preço mundial nas resinas da
ordem de 25% e para superar o cenário intempestivo traçou planos de
crescer o equivalente em tonelagem, a fim de alcançar o mesmo faturamento
de 2008, da ordem de R$ 250 milhões, em 2009. Animado por ter atingido a
meta, salienta que sua estratégia consistiu em manter a participação com
margem, sem sacrificar preços. “Trabalhamos com menos estoques, focamos em
outras localidades e em valores agregados melhores e capilarizamos”,
declara Gonçalves. Pesa ainda a seu favor o fato de possuir frota e
logística própria, facilitadora de entregas mais fracionadas.
Na Piramidal, uma das mais tradicionais distribuidoras do mercado,
dirigida por Cataldi, a adoção de medidas para aumento de escala,
eficiência e equilíbrio nas operações celebra mais de dez anos, nas contas
dele, que diz seguir buscando maiores níveis de eficiência, a fim de
manter estável a sua fatia no mercado e executar operações que mantenham a
empresa sustentável.
Linha de corte – Nos últimos tempos, os produtores de resinas
ampliaram o atendimento à terceira geração, incorporando empresas de médio
porte, até então clientes da distribuição. O acerto de volumes mais
apropriados para o comércio varejista constitui um dos pontos a ser mais
discutido. “O distribuidor tem que trabalhar de uma maneira mais tranquila,
sem entrar em clientes estratégicos da petroquímica e vice-versa”, comenta
Daniela.
No entender de Cataldi, o melhor perfil para o distribuidor consiste na
sua atuação em clientes de micro e pequeno porte. “O limite para
atendimento no varejo passa por compras abaixo de 24 toneladas, um volume
ideal para a distribuição”, propõe. Mas há quem imagina uma quantidade
maior, casos da Activas e da Sasil. Tanto Gonçalves como Caribé sugerem um
limite máximo de 150 toneladas, considerada uma quantidade equilibrada
para um universo da ordem de 8 a 9 mil transformadores, estimados pelo
diretor da Activas.
O gestor da Varient discorda de seus concorrentes. Para Butze, a linha de
corte depende da estratégia de segmentação de cada produtor: “Por vocação,
a distribuição deve se posicionar e atuar como um braço comercial dos
produtores em clientes que possuem o seu perfil de atendimento e o ponto
de corte deve ser arbitrado entre os produtores e seus respectivos
distribuidores.”
Além das resinas da Braskem, a empresa distribui também poliestireno da
Innova. Sediada em São Paulo, sua operação se apoia em cinco centros de
distribuição (Canoas-RS, Araucária-PR, Guarulhos-SP, Duque de Caxias-RJ e
Recife-PE), e dois escritórios comerciais (São Paulo e Canoas). Os
principais esforços da Varient em 2010 devem se voltar para um aumento de
capilaridade.
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