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Normas que qualificam
a biodegradabilidade de polímeros |
Vários são os institutos de normalização no campo de materiais
biodegradáveis, alguns desses são: American Society for Testing and
Materials – ASTM, Comité Européen de Normalisation (European Committee for
Standardization) – CEN, Deutsches Institut für Normung eV – DIN,
International Organization for Standardization – ISO, Japanese Institute
for Standardization – JIS e Organisation for Economic Cooperation and
Development – OECD. Todos eles têm proposto vários métodos de análise e
acompanhamento da biodegradação dos polímeros, basicamente os ensaios de
biodegradabilidade fazem com que as amostras dos polímeros em questão
sejam expostas a micro-organismos por meio do uso de compostos em
ambientes aeróbicos e anaeróbicos. Estes compostos, essencialmente,
possuem uma série de fungos e bactérias, que produzem enzimas como
lípases, invertases, lactases, entre outras que utilizam os polímeros como
nutrientes.
Dentre os métodos usados, diferentes parâmetros de medição podem ser
utilizados para quantificar a biodegradabilidade das amostras, entre eles
encontra-se o crescimento de colônia de fungos e bactérias (baseado na
norma ASTM G-21 e G-22), consumo de O2 (ISO 14851:1999), produção de CO2
(ISO 14852:1999 e ISO 14855:1999) e perda de massa (ASTM G 160–03). Outra
variável para definir o método de avaliação de biodegradabilidade que deve
ser usada é o meio em que o material será avaliado. Normalmente, existe
uma tendência a avaliar a biodegradabilidade dos polímeros em meio sólido,
mas também existem diversas normas que fazem essa avaliação em meio
líquido, como água (ISO 14851-1999, ISO 14852-1999, ISSO/DIS 14953-1999 e
JIS K6951-2000), água do mar (ASTM D6691-01, D 6692-01), resíduo de
sistema de tratamento de água – lodo ativado (ASTM D5271-02, JIS
K6950-2000) e diretamente em lodos (ASTM D5210-92).
Diferentemente dos plásticos convencionais, os polímeros biodegradáveis
quando em contato com o solo ou um composto (processo de compostagem) são
mineralizados por meio da ação de micro-organismos. Algumas das normas
descritas anteriormente apenas avaliam a biodegradabilidade dos polímeros,
contudo, não avaliam o efeito ecotoxicológico gerado pelos produtos dessa
mineralização. Os procedimentos usados para avaliar esse efeito podem ser
conduzidos durante todo o processo de avaliação da biodegradabilidade, ou
apenas no final do teste. Esses testes normalmente avaliam não só a
qualidade final do composto gerado após o processo de compostagem (DIN
54900-1997) como também a germinação e o crescimento de plantas no solo ou
no composto (ASTM D6002-1996, EN 13432-2001, OECD 208, ISO 11269-1 e
11269-2).
Vários outros tipos de testes podem ser encontrados na literatura
especializada [55-63], porém, apesar da diversidade dos testes, muitas
dúvidas ainda permanecem. Dependendo da aplicabilidade final do produto,
um determinado teste deve ser escolhido, ou seja, a simulação da
biodegradabilidade do produto deve ser feita em condições reais de uso e
descarte.
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Mercado mundial dos
plásticos biodegradáveis |
O fenômeno da evolução do mercado mundial de polímeros biodegradáveis
quando comparado com os polímeros convencionais é relativamente recente. O
consumo mundial de polímeros biodegradáveis tem aumentado de 14 milhões de
kg em 1996 para cerca de 68 milhões de kg em 2000 [64], e vem crescendo
numa taxa anual de cerca de 20%, porém ainda representa apenas 0,1% da
produção mundial de plástico [65]. No início dos anos 70, a indústria
iniciou o desenvolvimento dos plásticos biodegradáveis, contudo, sérios
problemas de eficácia, legislação e restrição de aplicações acarretaram
numa desaceleração na produção destes tipos de polímeros. Esses problemas
se estenderam nos anos 80 até que as indústrias nos EUA e Europa
iniciassem a produção de polímeros completamente biodegradáveis e que
também apresentassem boas propriedades. Um exemplo é a ICI do Reino Unido,
que em 1981 iniciou a comercialização dos polímeros BIOPOLTM (PHB e PHBV),
sendo que hoje a produção desses produtos é feita pela Monsanto [65]. Um
dos fatos mais importantes para o crescimento do mercado de plásticos
biodegradáveis foi a criação da Cargill Dow Polymers pela Dow Chemical e
Cargill nos anos 90. A Cargill iniciou sua produção com o PLA em escala
semicomercial, produzindo 4.500 toneladas por planta em Minnesota nos EUA
em 1994, e no final de 1997 esta produção já havia aumentado para 140 mil
toneladas em Nebraska nos EUA [65].
Uma empresa de consultoria da China acredita que a produção de polímeros
biodegradáveis obtidos de fontes renováveis acarretará numa redução do
consumo de petróleo entre 15% e 20% em 2025, em virtude das melhorias em
suas propriedades e da abertura de novos campos de aplicação, como nas
áreas automotiva, medicinal e eletrônica [66].
Diferentemente do PHB, amido e PLA, os quais são derivados primariamente
de matérias-primas agrícolas renováveis, no final dos anos 90 um grande
número de companhias introduziu polímeros biodegradáveis derivados de
matéria-prima petroquímica. Participam desta lista a DuPont’s BiomaxÒ,
Eastman’s Eastar Bio copolyester e BASF’s EcoflexÒ. Estes polímeros
oferecem uma melhora em propriedades e ao mesmo tempo apresentam-se com
baixo custo, já que são produzidos por matéria-prima de commodity, como
ácido adípico e dimetil tereftálico [65]. Porém, alguns ambientalistas não
estão de acordo com essa tecnologia, porque, apesar de se produzir
polímeros biodegradáveis, utiliza-se matéria-prima não-renovável.
Os Estados Unidos da América acreditam que haverá um crescimento de 10% no
uso de derivados de plantas de fontes renováveis como base química para
diversas utilidades até 2020, e este número aumentará para 50% em 2050
[67].
O mecanismo de biodegradação, exemplos de polímeros biodegradáveis, normas
que estabelecem procedimento de avaliação da biodegradabilidade e uma
visão sucinta do mercado mundial de plásticos biodegradáveis foram
apresentados nesse artigo. A todo o momento a comunidade mundial é vista
diante de discussões sobre o uso de PBs, a fim de esclarecer se esses são
a solução para a poluição ambiental e escassez de fonte de matéria-prima
não-renovável. Do ponto de vista sobre a escassez de matéria-prima
não-renovável, como o petróleo, sabe-se que a produção de plásticos no
mundo consome apenas cerca de 4% do petróleo. Desta forma, a contínua
produção de polímeros obtidos do petróleo não será a principal vilã do
esgotamento dessa matéria-prima, como normalmente as pessoas acreditam.
Contudo, este fato não justifica que esses polímeros sejam subaproveitados
com apenas uma única utilização, desperdiçando a energia contida em todo o
seu processo de obtenção (síntese) e processamento. A melhor saída para
esses casos é que esses materiais sejam reciclados, retornando a
comunidade na forma de produtos ou de energia.
No caso dos polímeros biodegradáveis, incluindo os obtidos de fontes
renováveis ou não, primeiramente há a necessidade de avaliar o tipo de
aplicação que se pretende atender. Sacolas plásticas, materiais para
sutura médica, filmes para recobrimento de plantações, materiais
descartáveis no geral, são casos em que se prevê um único uso, situações
concretas para utilização de PBs, principalmente aqueles obtidos de fontes
renováveis. Porém, sabe-se que o processo de biodegradação depende de
vários fatores, e que este só ocorrerá em situações bem específicas. Ou
seja, o crescimento da produção de PBs terá que ser acompanhado pelo
aumento da infraestrutura de coleta e descarte de resíduos sólidos, senão
muitos dos PBs descartados nunca irão se decompor nem voltar ao ciclo de
“carbono”, tornando-se vilões idênticos aos polímeros convencionais no que
diz respeito à poluição ambiental e volume em aterros sanitários. Este é
um fato bastante preocupante, porque a grande maioria das cidades
brasileiras não possui um sistema efetivo de gerenciamento de resíduos
sólidos, nem se tem à disposição um grande número de usinas de compostagem.
No início deste artigo, comentou-se sobre a Era dos Polímeros. Num momento
não muito distante, poderá ser mencionado que o mundo no final do século
20 começou a ser invadido pela Era dos Polímeros Biodegradáveis,
inicialmente graças ao apelo ambiental e posteriormente pelo
desenvolvimento tecnológico na área de síntese e processamento desses
tipos de polímeros. A população em geral, a comunidade acadêmica e as
indústrias terão que se adaptar e conviver com os plásticos
biodegradáveis, além de rever os conceitos relativos a eles, porque num
futuro muito próximo a presença destes poderá ser não só uma saída para a
diminuição do acúmulo de material plástico em lixões, mas também uma
alternativa de substituição dos plásticos não-biodegradáveis obtidos por
fontes não-renováveis.
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O autor é graduado em Engenharia de Materiais pela
Universidade Federal da Paraíba (1996), mestre em Engenharia Química
pela mesma universidade Federal da Paraíba (1998) e doutor em Química
pela Universidade Federal de Pernambuco (2001). Soma, ainda, dois
estágios de pós-doutoramento realizados na USP: um no Instituto de
Química (2002 a 2005) e o outro na Escola Politécnica (2005 a 2007).
Fez um curso de curta duração na área de degradação de polímeros na
University of Newcastle Upon Tyne – Inglaterra (2007) e é
professor/pesquisador da Escola de Engenharia da Universidade
Presbiteriana Mackenzie. Atua principalmente nos seguintestemas:
caracterização de polímeros, fotodegradação e fotoestabilização de
polímeros, biodegradação de polímeros e hidrogéis poliméricos.
guilherminojmf@mackenzie.com.br |
Cuca Jorge
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