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p e r s p e c t i v a s
2010
PLASTIVIDA |
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Cuca Jorge

Francisco de Assis Esmeraldo é
engenheiro químico, presidente da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental
dos Plásticos, membro do Conselho
Superior de Meio Ambiente da Fiesp, do Conselho Empresarial de Meio
Ambiente da Firjan (RJ) e do Conselho Executivo da Associação
Brasileira de Embalagens (Abre). |
Educação ambiental
promete ganhar novo fôlego neste ano
Francisco de Assis Esmeraldo
As dramáticas
mudanças climáticas pelas quais o Brasil passou em 2009 trouxeram,
junto com as tragédias das sucessivas enchentes, a consciência de que
a preservação ambiental é uma prioridade nacional.
Este fato reforçou as ações da Plastivida, em sua missão de divulgar a
importância dos plásticos na vida moderna e promover sua utilização
ambientalmente correta, ao mesmo tempo em que prioriza iniciativas de
responsabilidade social.
Em uma de suas frentes de atuação, a entidade colheu importantes
frutos do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas
Plásticas, realizado em conjunto com o Instituto Nacional do Plástico
(INP) e a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas
Flexíveis (Abief). |
Como se recorda, este programa visa a, de um lado, reduzir o consumo de
sacolas plásticas, fabricando-as com mais resistência, de acordo com o
disposto na Norma Técnica 14.937 da ABNT. Assim, não há mais necessidade
de colocar uma sacolinha dentro da outra para o transporte de produtos
mais pesados. De outro lado, o programa objetiva conscientizar os
supermercados e consumidores a utilizarem a plena capacidade das
sacolinhas, reutilizando-as sempre que possível e descartando-as
corretamente após o uso sem causar danos à natureza.
Esta ação alcançou resultados impressionantes, ao receber apoio da
Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e de suas filiadas em cinco
estados altamente representativos e importantes do país. E espalhou-se
pelo país, com resultados excelentes e bastante promissores.
Em 2008, primeiro ano de implementação do Programa, houve uma redução de
10,5% no número de sacolas fabricadas. No primeiro semestre de 2009, a
redução subiu para 16,2%, na comparação com o mesmo período do ano
anterior.
Isto significa que, de 17,9 bilhões de sacolinhas fabricadas em 2007, o
Brasil passou para 16,4 bilhões em 2008. Para 2009, a previsão é de 15
bilhões. Nova redução, ainda não estimada, está prevista para 2010.
Em 2009, o Programa compreendeu algumas das maiores cadeias de
supermercados do país, em São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Goiânia e
Brasília. O Pão de Açúcar, por exemplo, anunciou uma redução de 35% no
consumo das sacolas.
Para 2010, está prevista a expansão do programa nestas capitais e também
no Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis.
Junto com a redução das sacolinhas, a Plastivida reforçou a divulgação da
alternativa representada pelo consumo de ecobags de plástico. Elas são
sustentáveis por combinarem leveza, resistência, durabilidade, segurança,
praticidade e versatilidade, além de serem econômicas, pois podem ser
utilizadas várias vezes. E são ecologicamente corretas por serem
retornáveis e 100% recicláveis. O polietileno, o vinil (PVC), a ráfia e o
não-tecido – TNT (polipropileno), bem como o PET reciclado, são plásticos
muito utilizados na confecção dessas sacolas. Por essas razões, as grandes
redes do varejo já as adotaram. Elas apresentam vantagens ambientais,
quando comparadas com as ecobags concorrentes.
Em 2009, o ponto alto do Programa foi o lançamento de uma campanha
nacional de mídia, com inserções nos grandes veículos de comunicação como
a Rede Globo. A campanha estimula o consumo responsável das sacolas por
meio da prática dos três Rs – Reduzir, Reutilizar e
Reciclar – e convida o consumidor a consultar no site as dezenas de
possibilidades de reúso, calcular quantas sacolas pode economizar e obter
outras informações úteis. Tudo isso amparado pelo hotsite
www.sacolinhasplasticas.com.br.
Junto com o site, a Plastivida ingressou nas mídias sociais, criando
perfis, twittando, ganhando milhares de seguidores, postando DVDs que
recomendam o consumo responsável e interagindo com blogs preocupados com a
questão ecológica. Definitivamente, nossa comunicação está no século 21.
Para o período 2010-2011, a previsão de investimento na campanha de mídia,
junto com uma pesquisa sobre a imagem dos plásticos, é de cerca de R$ 14
milhões.
Paralelamente, a entidade prosseguiu em sua tarefa de conscientizar
formadores de opinião e legisladores sobre a importância de não banir nem
restringir e sim consumir responsavelmente as sacolas plásticas, o que
equivale a dizer: reduzir o desperdício, reutilizar e praticar a coleta
seletiva. Nossas posições foram levadas a diversas instâncias, tendo
recebido o apoio do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. E uma grande
vitória foi alcançada com a promulgação, pela governadora Yeda Crusius, da
Lei Estadual que proíbe a disponibilização de sacolas plásticas por
supermercados e outras casas de comércio fora dos padrões estabelecidos
pela Norma 14.937. Isso significa: sacolas plásticas mais resistentes, o
que permite ao consumidor levar mais compras em cada sacolinha e não
usá-la em duplicidade.
Na ponta da coleta seletiva e reciclagem, também obtivemos expressivos
avanços. Aquele que teve mais visibilidade e impacto foi a confecção dos
troféus do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 com plásticos reciclados
obtidos de uma coleta seletiva organizada pela Plastivida no autódromo de
Interlagos.
Mas o que fazer com as sacolinhas de supermercado reutilizadas para
acondicionar lixo e que não se prestam à coleta seletiva e
consequentemente à reciclagem mecânica? Como esse problema está associado
ao esgotamento da capacidade dos aterros sanitários nas grandes capitais,
a saída está na reciclagem energética dos resíduos, transformando-os em
energia. As sacolinhas ajudam no processo de combustão, economizando óleo
diesel, em processos comprovadamente limpos.
Daí que a Plastivida e a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza
Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) assinaram em 2009 um Acordo de
Cooperação, para estudar a viabilidade tecnológica, econômica e política
da instalação de usinas de reciclagem energética no país, integrando a
produção dessa energia à matriz energética brasileira. No mundo já existem
850 usinas. Só no Japão, estão instaladas 249. No Brasil, nenhuma.
Também ampliamos o projeto Repensar, de reciclagem de isopor, com o
aumento do volume recolhido e processado, e a intensificação da divulgação
de que esse é um plástico reciclável.
Ao mesmo tempo, continuamos alertando a população para os riscos das
sacolas feitas com plásticos oxidegradáveis. Eles representam um risco
para o meio ambiente porque, quando começam a se fragmentar, dividem-se em
milhares de pedacinhos. No fim do processo, não vão desaparecer, e sim
virar um pó que facilmente irá parar nos córregos, rios, represas, lagos e
mares etc. Isso significa que nossa geração poderá beber involuntariamente
plástico oxidegradável misturado à água. E mais: os fragmentos poderão ser
ingeridos por animais silvestres, criações nas fazendas, pássaros e
peixes, causando sérios danos econômicos e ambientais, com consequências
imprevisíveis.
As sacolas plásticas aditivadas não se biodegradam nem na superfície de
aterros. Elas fragmentam-se, ou seja, geram uma poluição invisível. Ao se
decomporem, deixam fragmentos do material no solo, liberam substâncias
orgânicas. Depois de fragmentadas, não podem ser coletadas, nem recicladas
mecanicamente nem recuperadas energeticamente.
Divulgamos esses conceitos amplamente, evitando que prosperassem
legislações para obrigar a substituição das sacolinhas plásticas pelas
aditivadas. E oferecemos a argumentação técnica e jurídica ao Sindiplast,
que conseguiu três liminares em Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins)
movidas no Tribunal de Justiça de São Paulo, suspendendo a aplicação de
leis que obrigavam essa troca em diversos municípios.
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