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Produtor de resina investe em projeto piloto de
reciclagem
O grupo petroquímico Braskem
ingressou oficialmente no “Projeto Inserção Produtiva de Catadores e
Fortalecimento de Unidades de Reciclagem no Rio Grande do Sul”, uma parceria
pilotada pelo grupo Vonpar – leia-se: franquias industriais e comerciais dos
produtos Coca-Cola para a Região Sul do país, com o apoio de entidades
governamentais. O programa, ainda embrionário, integra uma ideia ambiciosa
denominada “Brasil Recicle”, por meio do qual as instituições envolvidas
pretendem transformar, aos poucos, os galpões de separação de materiais
pós-uso em usinas de reciclagem, em todo o país.
O anúncio oficial ocorreu em 2 de dezembro último, em Porto Alegre, por
ocasião do Simpósio Recicla Brasil Sul. O evento reuniu a troca de
experiências entre integrantes dos pontos de triagem e separação de
materiais pós-uso do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com o
propósito de reforçar o conceito da sustentabilidade na ponta mais frágil da
cadeia da reciclagem: a atividade de coleta e separação.
A adesão da Braskem ao projeto ocorre na segunda etapa e irá promover o
apoio tecnológico aos centros de reciclagem. Até o momento, o projeto contou
com o aporte de R$ 1,2 milhão do governo estadual, além dos recursos
financeiros provenientes dos próprios galpões e dos municípios, e beneficia
38 galpões. O apoio da Braskem, por meio de equipamentos, permitirá agregar
ainda mais valor aos materiais separados e a consequente melhoria de
condições de trabalho e renda dos associados.
A primeira etapa do projeto consistiu na melhoria das instalações dos
galpões, equipamentos de triagem e segurança no trabalho, capacitação em
gestão e processo produtivo. As unidades de reciclagem beneficiadas
apresentaram indicadores econômicos e de produção animadores, atingindo 28%
de incremento na renda média dos associados dos galpões apoiados e a
expansão de 7% no número de vagas de trabalho, além do aumento também de 7%
no volume de materiais processados.
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O grupo petroquímico promete investir R$ 378 mil, em
2010, em três dessas unidades de beneficiamento de plástico
reciclado, para atender sete galpões, contemplados para inaugurar a
segunda fase, localizados nas cidades de Canoas, Esteio, Nova Hartz e
Sapiranga, na região metropolitana de Porto Alegre, onde irão ocorrer as
experiências piloto da transformação dos galpões de coleta em pontos de
reciclagem.
O estudo prevê a montagem de um sistema com máquinas de tecnologia de
ponta para lavar, moer e aglutinar o plástico separado do lixo. Outra
atribuição da Braskem consiste em catalogar os galpões e produzir um
diagnóstico das necessidades tecnológicas e de como introduzir conceitos
inovadores de produção. “Após este processo, a matéria-prima estará em
plenas condições de ser adquirida diretamente pelas transformadoras, sem
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Fernando de Castro

Freire: projeto muda o panorama dos galpões |
necessidade de um atravessador”, afirma João Freire, diretor de relações
institucionais da Braskem para o Rio Grande do Sul.
Conforme Freire, a Braskem irá introduzir sua excelência em processos
petroquímicos em galpões de reciclagem, pois é um sonho da empresa
contribuir para que pessoas das camadas mais simples da população
transformem lixo em resina de valor agregado com possibilidades concretas de
mudarem seus estilos de vida por meio do aumento significativo da renda. A
Braskem conseguiu a parceria do Instituto Federal Rio-grandense, a principal
escola técnica de formação de mão-de-obra desde o chão de fábrica até
tecnólogos de nível superior para a transformação de termoplásticos, da
região metropolitana de Porto Alegre.
Por intermédio dos professores do instituto, ocorrerá a escolha dos
equipamentos e o treinamento dentro das cooperativas. “É um projeto que em
longo prazo irá contribuir decisivamente numa mudança substancial, no
sentido positivo, do perfil econômico do país, tirando centenas de milhares
de famílias pobres da atual situação e colocando-as dentro da chamada classe
média”, acredita Freire.
Antes da entrada da Braskem no projeto, a consultoria Maxiquim,
especializada na aferição do cenário e do ambiente de negócios na indústria
petroquímica, entrou em cena e realizou uma pesquisa. O estudo mostrou que o
beneficiamento de materiais recicláveis somente nas três primeiras etapas de
processo (lavagem, moagem e aglutinação) pode elevar o valor da resina entre
100% e 300%.
Os analistas avaliam que a procura por materiais reciclados atualmente é
puxada por papel branco, polietileno de alta e de baixa densidade, PET e
polipropileno, na ordem de importância. Vidros e metais perdem força no
mercado do reaproveitamento com 14% de participação. Com efeito, os valores
do material reciclado podem subir de R$ 0,60 para R$ 1,80, tendo por base o
preço do polietileno, filme enfardado, comercializado usualmente nos centros
de triagem, e o valor pago pela indústria de transformação de plástico,
lavado, moído e aglutinado.
A Maxiquim indica ainda que o ponto crítico da separação de lixo no país diz
respeito ao entendimento da realidade social dos galpões, nos quais operam
grupos de cooperados com nível muito baixo de escolaridade e sem condições
de, no curto prazo, empregar técnicas de administração, gestão de negócios e
de tecnologia. Por isso, há a necessidade de melhorar a separação por
resinas, pois ainda existe a cultura de separar o plástico por produto,
garrafa, sacola, balde, recipiente de iogurte, de requeijão, enfim, sem uma
segregação capaz de evitar a contaminação entre resinas.
Outra sugestão é criar consórcios de galpões para melhorar a triagem e
permitir a elaboração de sistemas de comercialização e logística. Segundo
sugeriu a Maxiquim, nesta primeira etapa, em que separadores de lixo se
tornarão recicladores, os processos de lavagem, moagem e aglutinação são os
mais interessantes para introduzir a cultura da reciclagem num ambiente até
então desprovido de qualquer tecnologia industrial.
Fernando Cibelli de Castro
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