Braskem leva Quattor e põe fim à consolidação
da petroquímica


A consolidação da indústria petroquímica brasileira, iniciada com o leilão da antiga Copene, a central de matérias-primas petroquímicas de Camaçari-BA, em 2001, chegou a seu ato final. Por cerca de R$ 700 milhões, a Braskem concluiu a negociação para a aquisição da rival Quattor, tornando-se a única produtora nacional de commodities petroquímicas, com ativos avaliados em R$ 33,5 bilhões e uma capacidade de processamento de 5,5 milhões de toneladas anuais de resinas termoplásticas.

O movimento, reputado como importante na consolidação da indústria petroquímica no Brasil por Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, reafirma a estratégia da estatal de reunir suas participações no setor em uma única empresa. Esse negócio, segundo o presidente, buscou a criação de uma empresa global, com porte adequado a tal, e com escala suficiente para brigar no mercado internacional com maior capacidade de investimento. Ao final da operação, a Petrobras deterá cerca de 40% do capital votante da Braskem.

O temor inevitável com a concentração e um possível monopólio, no entanto, foi rechaçado pelo presidente da Braskem, Bernardo Gradin, pois ele crê que o mercado petroquímico é globalizado, e os consumidores de resinas locais teriam a opção de importar suas matérias-primas caso desejassem. Gradin lembrou que uma das grandes produtoras mundiais, a Dow, produz resinas em Bahía Blanca, Argentina, que entram no mercado brasileiro sem impostos adicionais, por conta do Mercosul, e mesmo no caso de importações de outras áreas, a alíquota efetiva de importação seria menor que a nominal (uma diferença de cerca de 14% para 6,5%). Gradin também afirmou que a nova empresa criada pela aquisição, apesar da dívida alta, terá elevada liquidez.

O negócio ainda engloba a aquisição da Polibutenos e da Unipar Comercial. As obrigações da Unipar com o BNDESPar também serão assumidas pela Braskem. O acordo prevê o direito preferencial da nova empresa de participar como sócia nos projetos do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) e do Complexo Petroquímico de Suape, em Pernambuco. A negociação deve ser sacramentada em 120 dias. Apesar do esforço intenso para concluí-la, o presidente da Braskem confirmou que a empresa não encerrou seu ciclo de aquisições, e ainda mantém interesse em adquirir ativos no exterior, em particular nos EUA, que teriam se tornado um país interessante em virtude da crise financeira no último ano. O preço da nafta petroquímica fornecida pela Petrobras, um ponto bastante sensível na relação entre as empresas, porém, não foi discutido no acordo de compra da Quattor.

Márcio Azevedo

 

 

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