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Degradáveis ou não – Quando começaram a pipocar os anúncios de
investimentos em produções baseadas em fontes renováveis, o termo
biopolímero provocou muita celeuma. Isso porque o prefixo bio evoca os já
conhecidos biodegradáveis. Porém, o eteno derivado do etanol não tem o
condão de conferir às resinas propriedades de biodegradação. O benefício de
tratar-se de uma fonte renovável é indiscutível, mas o resultado final é um
polímero com características idênticas ao de origem fóssil (como declarou
Leonora). O plástico continua reciclável – não biodegradável.
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Hoje há maior clareza sobre o tema, mas não custa nada reforçar. Definir os
biodegradáveis é uma tarefa bem mais simples, na concepção de Letícia Rocha
Mendonça, gerente de especialidades plásticas regional da Basf, eles
constituem-se de materiais que, descartados da forma adequada (em ambiente
com micro-organismos, oxigênio e temperatura da ordem de 40ºC) e digeridos
por micro-organismos, se transformam em CO2, água e húmus – um adubo. Esse
húmus passa por uma bateria de testes (de crescimento de plantas, ausência
de resíduos tóxicos e outros) e, aprovado, é classificado como compostável,
com qualidade para crescimento de plantas. Essas resinas também podem se degradar na agricultura, que reúne os quesitos
essenciais para a decomposição do plástico: os micro-organismos da terra, o
sol e o oxigênio do campo. “Mas o meio ideal é uma central de compostagem”,
elucida Letícia. |
| A biodegradação do plástico exige um meio adequado,
ensina Letícia |
Bioplástico compreende um conceito mais abrangente e abarca várias famílias
de produtos. “Debaixo do guarda-chuva biopolímeros, existe uma gama muito
grande de tipos de produtos, alguns de fonte renovável, mas não
biodegradáveis; outros que reúnem as duas coisas; e outros, ainda, de origem
fóssil, mas biodegradáveis”, resume Letícia.
Todos os polímeros fabricados com insumos obtidos de fontes renováveis são
chamados biopolímeros, por causa de sua origem vegetal. Carregam duas
vantagens relevantes: economizam recurso fóssil e contribuem no tão
propalado sequestro de carbono.
Gerente técnico de plásticos da Basf, Júlio Harada propõe uma reflexão sobre
o assunto. “Quando se fala de balanço de carbono, para se confirmar que é
verdadeiro esse conceito, é preciso pesar diversos aspectos, como de onde
está vindo a cana, para onde é transportada, se o meio de transporte emite
CO2, como é feita a produção do plástico, quanto irá emitir e, ainda,
depois, no consumo final, como será descartado o produto”, ressalta.No entender dele, os biodegradáveis e os biopolímeros por sua origem
renovável se prestam a soluções distintas. Os que se transformam em adubo
servem muito bem a aplicações tais como sacos para acomodar lixo orgânico –
coerentes com um gerenciamento adequado do resíduo sólido urbano e
encaminhamento para uma central de compostagem. |
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| Harada conduziu desenvolvimento nacional de blenda
biodegradável |
“Essa estrutura ainda não
está organizada no país, mas esse material é único para essa aplicação,
nenhum outro irá tão bem”, complementa Letícia.
Por conta dessa falta de estrutura, a empresa tem norteado mais os seus
produtos para a agricultura, visto que o material encontrará aí também
ambiente ideal para biodegradar. A natureza agradece e o agricultor também:
ele consegue eliminar uma etapa de coleta no campo, com ganho de tempo e
produtividade. Outra área prospectada é a de embalagens para exportação,
favorecidas, no mercado internacional, pela estrutura já organizada de
coleta de resíduos com posterior encaminhamento à compostagem.
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| Um tipo de poliéster, o Ecoflex atende exclusivamente
o mercado de flexíveis |
A empresa disponibiliza para o mercado uma ampla família de polímeros
biodegradáveis. Há quase dez anos nascia na Alemanha a primeira série,
batizada Ecoflex. Totalmente biodegradável, a resina consiste em um
poliéster alifático aromático de origem petroquímica. Pouco tempo depois,
surgia a linha Ecovio, uma mistura de fontes petroquímicas e renováveis.
Esses polímeros consistem em uma blenda de Ecoflex (derivado do petróleo)
com ácido poliláctico (PLA), uma molécula extraída do milho. Por fim, há
dois anos, Harada encabeçou o desenvolvimento em terras brasileiras da
família Ecobras. Em parceria com a Corn Products International, criou outra
mistura de Ecoflex com um amido de milho modificado (o poliéster vem da
Alemanha e a composição é feita no Brasil).
| “Não é PLA, que exige um
processo de fermentação, o Ecobras emprega direto o amido modificado, sem
fermentação”, explicita Harada. Ele ainda ressalta que o trabalho com a Corn
abrange até mesmo a adaptação da mistura às necessidades do cliente. Todas as famílias mencionadas são compostáveis e certificadas com o selo
Compostable Logo, conferido aos produtos que atendem aos requisitos da norma
norte-americana ASTM D6400 e do Instituto de Produtos Biodegradáveis dos
Estados Unidos (BPI). O Ecoflex ainda atende aos requisitos das normas EM
13432 e é certificado como totalmente compostável pelo GreenPla (do Japão) e
European BioPlastics.
À exceção do poliéster alifático aromático, direcionado exclusivamente ao
mercado de flexíveis, os outros produtos se prestam muito bem a todos os
tipos de processos empregados pela indústria de transformação: injeção,
sopro, extrusão, termoformagem. “Estamos desbravando o mercado”, diz
Letícia. |
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| Tubete feito de material biodegradável evita perdas
de mudas na agricultura |
Na área de agricultura, a Basf empreende projetos de tubetes para
reflorestamento, com o propósito de diminuir a perda de muda dos clientes,
melhorar a produtividade da estufa e também eliminar possíveis contaminações
do solo. Os tubetes atuais, de plástico convencional, frequentemente ficam
pelo meio do caminho. “Além de desenvolvermos um novo negócio, impulsionamos
o conceito de sustentabilidade”, comemora.
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Derivações diversas – Além do compromisso com a redução de emissões,
a DuPont também produz polímeros baseados em fontes renováveis. Há dois anos
a empresa iniciou a comercialização de uma família de produtos derivados do
glicol de milho, sob a marca Sorona. Produzidos nos Estados Unidos,
destinam-se a aplicações como fibras têxteis, carpetes e entram na
composição de blendas de plásticos de engenharia. “Não se trata de uma
resina, mas de um produto que complementa outras linhas, como a de PBT”,
esclarece John Julio Jansen, vice-presidente da área de performance polymers
- DuPont América Latina e também vice-presidente de P&D para a mesma região.
O grade Sorona EP oferece vantagens de desempenho em comparação com o
polibutileno tereftalato (PBT), entre as quais maior estabilidade
dimensional e melhor aparência de superfície. |
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| Kantt: as montadoras brasileiras apreciaram os
polímeros verdes |
O diretor do negócio de polímeros de engenharia da DuPont América do Sul,
Horacio Néstor Kantt, ainda destaca uma família de poliamidas de cadeia
longa, comercializadas sob a marca Zytel, com matéria-prima baseada em óleo
de mamona, casos das PA 10.10 e 6.10; e de palma de coco, a variedade 6.12.
“Na 10.10, a origem renovável constitui 100% do produto; na 6.10, 62%; e na
6.12, 66%”, pormenoriza. Ressalta, porém, que essa porcentagem se refere à
resina pura.
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Flexíveis, essas poliamidas se destinam a aplicações de alto desempenho, com
requisitos de resistência à temperatura, baixa permeabilidade ou
propriedades mecânicas. A PA 6.10 estreou, neste ano, em um novo tanque de
radiador automotivo da Denso Corp, no Japão. A peça marca a primeira
aplicação do plástico da DuPont feita com fontes renováveis em componentes
mecânicos expostos a condições de calor e agressividade química. |
| Tanque de radiador estreou nova PA 6.10 de fonte
renovável |
O componente automotivo compreende, em termos de peso, 40% de insumo
derivado da mamona (possui fibra de vidro como reforço, o que reduz a
porcentagem de fonte renovável) e cumpre as especificações de alta
durabilidade, resistência ao calor e ao sal, atributos que a Denso teve
dificuldades de encontrar em outras resinas com alta porcentagem de
ingredientes derivados de plantas. “O produto substitui a mesma resina de
origem fóssil e garante desempenho idêntico e funcionalidade”, revela Kantt.
Os tempos ainda são de plantar no mercado brasileiro, mas o setor automotivo
já demonstrou especial interesse no produto.
Uma outra família de politereftalatos de trimetileno (PTT) com base em amido
de milho, comercializada sob a marca Biomax, contempla a indústria de
embalagens com variedades de resinas e semiacabados, como filmes. “Nos
Estados Unidos, o produto é especialmente usado em embalagens de bombons,
que se degradam com água e são reabsorvidas pela natureza”, afirma Jansen.
Empregar tecnologias menos agressivas ao meio ambiente e desenvolver
produtos inseridos nesse mesmo conceito constituem diretrizes em expansão no
país, em linha com a maior parte do comportamento global. Desta vez sem
subsídios, o etanol tem tudo a seu favor e a indústria brasileira do
plástico, uma vantagem a mais.
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