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Gaúchos criam programa de incentivo à reciclagem

O Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS) anuncia as bases do projeto Sustenplást-RS - Plástico com Inteligência, criado pela entidade. Trata-se de um programa com o objetivo de contribuir para promover uma campanha em favor da reciclagem e do descarte correto de embalagens plásticas. Como forma de apoiar a campanha em prol da sustentabilidade, empresas associadas ao Sinplast-RS passarão a emitir notas fiscais com um selo de alerta onde estará escrito: “Plástico gaúcho: 100% reciclável”.

Por meio do Sustenplást, todos os filiados ao Sinplast irão emitir suas notas fiscais com um selo impresso solicitando a reciclagem do material comprado. Com isso, o Sindicato pretende ressaltar a importância de repassar ao restante da sociedade a informação de que o plástico, depois do primeiro uso, tem propriedades de reutilização.

“Contamos com o apoio e a parceria de todas as empresas associadas na disseminação de informações corretas sobre o plástico. O vilão não é o plástico, mas o comportamento humano”, destaca o coordenador do Sustenplást e vice-presidente administrativo do Sinplast-RS, Júlio Cezar Roedel. “Temos mais soluções do que problemas a oferecer à sociedade”, emenda o presidente do Sinplast, Alfredo Schmitt.

Para Roedel, o Rio Grande do Sul não pode abrir mão de sua cadeia petroquímica, pois detém em seus domínios toda a rede produtiva para processar plásticos, tais como refinaria de petróleo para fabricar nafta, crackers petroquímicos de primeira e segunda geração, além de aproximadamente mil duzentas e cinquenta empresas transformadoras. Além disso, gera 24 mil empregos, transforma 440 mil toneladas por ano de resinas olefínicas, mais 100 mil toneladas de plásticos de engenharia e de alto desempenho e aproximadamente 500 mil toneladas de materiais reciclados.

O Sustenplást também visa a aumentar a renda da população de catadores, incentivo a novas tecnologias e melhoria dos equipamentos de reciclagem. “É preciso defender a reputação do transformador que quer contribuir para a melhoria das condições de vida em toda a sociedade. Um empresário do jogo do bicho, um empresário de artistas ou de jogador de futebol não recebe os ataques que vêm recebendo os empreendedores do plástico”, compara Roedel.

Ele defende a utilidade do material, sua total reciclabilidade e descarte correto, assim como prestou esclarecimentos sobre o plástico, buscando conscientizar os industriais da necessidade de defender o setor, ressaltando que o vilão não é o plástico, mas o comportamento humano. O plástico virou vilão. Portanto, o Sustenplást se sustenta em três pilares: utilidades dos artefatos, descarte adequado e a reciclabilidade do plástico.

Roedel ressalta que o consumo anual per capita do plástico em nível mundial cresce mais do que o PIB dos países. Na Bélgica, o consumo por habitante chega a 160 quilos. Em Taiwan, são 120 quilos; nos EUA, 112 quilos. No Brasil, o consumo é pífio se comparado com esses países, apenas 23 quilogramas por habitante. A média mundial é de 33 quilos per capita. O aumento do consumo deixa o plástico mais visível e esta é a causa das campanhas contrárias.

Com isso, cabe à sociedade fazer valer esse recurso tecnológico do material. O presidente do Simplás de Caxias do Sul, Orlando Marin, entende que futuramente a reciclagem energética poderá ser adotada no Brasil, a exemplo do que já ocorre principalmente no Japão e na Europa, em especial na Alemanha, onde por força da construção de usinas termelétricas, as quais empregam lixo como matéria-prima, o cenário desagradável dos aterros sanitários a céu aberto praticamente deixou de existir.

O Sustenplást conta com a assessoria técnica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul), de Sapucaia do Sul, uma das principais escolas para a formação de técnicos de nível médio e superior empregados na indústria de transformação de polímeros. Professor da instituição, Assis Francisco de Castilhos esteve presente na última feira NPE 2009, em Chicago, e assegura que é perceptível o avanço dos equipamentos no sentido de aumentar as possibilidades de melhoria da qualidade das resinas recuperadas.

Foto: Fernando C. de Castro

Marin: recuperação energética segue uma tendência europeia

Segundo ele, o instituto poderá receber consultas de empresários interessados em montar usinas de reciclagem ou de melhorar as linhas de produção já existentes, ou ainda ajudar cooperativas de catadores, incentivadas por prefeituras e ONGs, a agregar valor à separação, com a reciclagem completa dos materiais.

O objetivo final do instituto é o de ajudar na escolha dos equipamentos de reciclagem, aprimoramento de processos, treinamento de mão-de-obra e difusão de projetos educativos sobre descarte correto, como forma de colocar novas usinas de recuperação em pleno funcionamento. “Procurei pesquisar como tecnologicamente as empresas resolvem seus problemas de forma e conteúdo. Além disso, conheci projetos educacionais desenvolvidos nos Estados Unidos, como a PlastiVan”, comenta Castilhos.

O PlastiVan é um programa do The National Plastics Center (NPC) e conta com o apoio da Associação dos Engenheiros de Plásticos dos EUA, dirigido a alunos e educadores da rede de ensino daquele país. Envolve aulas itinerantes sobre Química, história da transformação dos plásticos, conscientização ambiental e reciclagem. Consiste em seis programas diferentes para jovens, adultos leigos e adultos educadores, sendo bancado pelas empresas transformadoras de plásticos. Por meio do PlastiVan, a bordo de uma caminhonete, que funciona como laboratório de ensino, técnicos visitam as escolas e associações de moradores para promover a aprendizagem dos conteúdos.

Novas diretorias – Depois de cumprir um mandato-tampão de um ano como presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), em substituição a Jorge Cardoso, que deixou o cargo por motivos particulares, o empresário Alfredo Schmitt assumiu para uma gestão completa. A cerimônia de posse ocorreu em duas etapas. Por conta de questões jurídicas e estatutárias, o líder empresarial assinou o termo de posse em 13 de novembro, mas a cerimônia para os associados foi realizada seis dias após o ato formal. Também no Paraná foi mês de mudanças na diretoria com a posse da empresária Denise Dybas Dias na presidência do Simpep.

Foto: Fernando C. de Castro
Na posse em Porto Alegre, em 19 de novembro, nas dependências da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Schmitt reafirmou seu compromisso com base em diversas demandas de classe, mas o principal recado criou certo burburinho na plateia formada por aproximadamente 200 associados. Os três sindicatos representantes da terceira geração petroquímica gaúcha planejam se unir em uma só entidade.

Como explicou Schmitt, não se trata de extinguir os três sindicatos existentes e criar confusão no segmento, mas sim montar alguma estrutura em que as instituições estejam representadas. É uma forma de promover mais sinergia e unir forças em favor de interesses comuns. “Não sei como vai se chamar, se frente, movimento, ou outra coisa qualquer. Só sei que vamos nos unir sem prejudicar os interesses regionais de cada entidade”, adiantou Schmitt.
Schmitt revela planos de unificação entre os três sindicatos do estado

Atualmente, existem três sindicatos de transformadores de termoplásticos no Rio Grande do Sul: além do Sinplast-RS, em Caxias do Sul, encontra-se um Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás) e que representa empresas de oito municípios num raio de 50 quilômetros ao redor da principal cidade da serra gaúcha. Em Bento Gonçalves, foi criado o mais novo, o Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Vale dos Vinhedos. O segmento de transformação de plásticos no Rio Grande do Sul é formado por aproximadamente mil empresas, responsáveis por cerca de 25 mil empregos diretos.

Da ordem de 6% da produção estadual é exportada, sendo que perto de 65% das vendas ocorrem dentro do Rio Grande do Sul e os restantes 29% são vendidos em outros estados do país. A produção do setor é bastante diversificada, abrangendo segmentos como o de calçados, embalagens rígidas e flexíveis, utilidades domésticas, brinquedos, componentes técnicos (peças e partes para a indústria automotiva, informática, telecomunicações, máquinas e implementos agrícolas, eletroeletrônica, eletrodomésticos, moveleira), construção civil, agricultura e móveis.

Outros produtos acabados e semiacabados como cordas, descartáveis, artigos de toucador, bobinas e lâminas também compõem o amplo espectro desse segmento industrial, que, em 2008, alcançou faturamento da ordem de R$ 4 bilhões. A existência de um polo petroquímico local é, sem dúvida, um diferencial competitivo. Outro fator importante é o fato de os três sindicatos patronais trabalharem unidos para a viabilização de políticas públicas que orientem o desenvolvimento do setor.

O Rio Grande do Sul conta com algumas das melhores escolas para formação de mão-de-obra técnica, além do primeiro curso de nível superior do Brasil (Engenharia de Plásticos na Ulbra). Com a informação antecipada por Alfredo Schmitt, confirma-se o que os líderes empresariais gaúchos já afirmavam. As diferenças políticas do passado, ocasionadas até por questões pessoais, estão superadas. As ações dos últimos anos em busca de soluções conjuntas para melhorar a competitividade do plástico produzido no Rio Grande do Sul ajudaram a derrubar muros. Mas ainda há muito a fazer. O estado produz 25% de todos os produtos da primeira e da segunda geração petroquímica do país. Contudo, a terceira geração regional consome 8% das resinas oferecidas pelo Polo Petroquímico de Triunfo, localizado a 50 quilômetros de Porto Alegre.

No seu discurso de posse, Alfredo Schmitt enumerou os compromissos de sua gestão, com término em 2012. Ele quer encontrar mecanismos de melhora da competitividade do setor e finalizar as negociações com o governo estadual no sentido de sacramentar uma política tributária mais justa do que aquela que promoveu a debandada de empresários gaúchos para outros estados, e que da mesma forma impediu a decisão em favor de novos investimentos.

Outro ponto prioritário do presidente do Sinplast-RS diz respeito à energia elétrica. Schmitt alerta que existe um movimento de bastidores para aumentar o preço da energia no país, e que se essa ideia for efetivada poderá ocorrer um impacto demolidor para a atividade industrial.  Ele ressalta ainda como uma vitória política do Sinplast-RS a aprovação da lei estadual 13.272, por meio da qual todos os fabricantes de sacola plástica no Rio Grande do Sul terão como obrigatoriedade a produção dentro da norma ABNT 14.937. Dessa forma, os grandes varejistas, ao disponibilizarem as novas sacolas, estarão oferecendo aos consumidores um produto mais resistente e de melhor qualidade. “Estima-se por conta disto uma redução de 20% no consumo de sacolas de polietileno em consonância com os princípios de sustentabilidade deste sindicato.”

Empresária comanda o Simpep – A diretoria do Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado do Paraná (Simpep) foi empossada em 26 de novembro. A novidade ficou por conta da presença feminina na presidência. A empresária Denise Dybas Dias é a primeira mulher a comandar o sindicato em 33 anos. Ela recebeu o apoio e a indicação da atual gestão presidida por Dirceu Galléas, que vê como promissora e importante a participação da mulher no cenário empresarial.

“A Denise é muito competente, está no segmento há dezessete anos fazendo um grande trabalho em sua empresa e tenho certeza de que será uma ótima presidente para nossa instituição”, relata Galléas. A nova presidente, além de dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido, também vai encampar várias bandeiras, entre elas aprimorar os serviços oferecidos pelo sindicato, aumentar o número de associados e apostar na capacitação profissional.

Outra proposta da presidente é pleitear ao governo benefícios para as empresas do setor plástico que, segundo ela, vêm sofrendo com a alta carga tributária e a atual guerra fiscal dos estados. “É um novo desafio assumir este cargo, mas conto com uma excelente diretoria, e juntos iremos desenvolver um trabalho sério que leve benefícios para todas as empresas de transformação”, diz Denise. O setor plástico paranaense conta com 600 empresas, que geram 18 mil empregos diretos. O faturamento anual do setor é de US$ 3,2 bilhões.


F. C. C.

 

 
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