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Saneamento voltou a aquecer – Com as vendas aquecidas em 2009 para o setor
de saneamento, os resultados colhidos pela Amitech também foram
significativamente positivos.
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“Nosso faturamento cresceu 23% em 2009 em
relação a 2008, motivado principalmente pelo aumento da demanda de
materiais compósitos do setor de saneamento básico, à frente dos setores
de irrigação e de geração de energia”, informou Flávio Marçal,
gerente-comercial da Amitech. Instalada em Ipeúna-SP, a fábrica da companhia tem capacidade para produzir
300 km/ano de tubulações com diâmetros até 3 mil mm, e já está sendo
preparada para atender às necessidades dos setores de saneamento e de
geração de energia em 2010, prevendo novo período de forte demanda. |
| Marçal: saneamento puxou vendas em 2009 |
“Em 2010, nossa expectativa é faturar 18% a mais do que em 2009, em razão
das vendas para o setor de saneamento e também de fornecimentos de
tubulações para Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), dos quais já
participou como fornecedora de dez empreendimentos, evidenciando a
especialidade da empresa de também fabricar tubos em geral com resinas
ortoftálicas, garantindo bom desempenho para as redes de abastecimento de
água potável.
A combinação de características como leveza – os tubos de compósitos chegam
a pesar menos da metade dos tubos de ferro fundido –, resistência química,
propriedades anticorrosivas e estanqueidade, também propiciadas por
processos de fabricação de alta tecnologia, posiciona as tubulações de
compósitos em patamar técnico altamente competitivo e até superior em
comparação com outros materiais.
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| PCHs também ajudarão a Amitech a crescer |
Além das resinas termofixas especiais e dos reforços de fibras de vidro,
fibras de carbono, fibras aramida, e outras matérias-primas, como sílicas,
os processos de fabricação dos artefatos de compósitos, portanto, têm papel
preponderante e decisivo na determinação da qualidade dos materiais.
Mais usual no segmento de tubulações, o processo de enrolamento filamentar é
responsável por grande parte da produção, mas não é o único sistema em
operação no país. A Amitech, por exemplo, dispõe dos dois sistemas
produtivos, considerados complementares. Ou seja, o enrolamento filamentar
(nesse caso específico, denominado flowtite, um sistema patenteado e
considerado semelhante ao enrolamento filamentar) e a centrifugação.
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De acordo com Marçal, o “processo flowtite representa o estado da arte na
produção de tubos de PRFV e permite o uso de reforços contínuos de fibras de
vidro no sentido circunferencial. Para uma tubulação enterrada ou
pressurizada, a tensão principal é na direção circunferencial e por meio da
utilização de reforços contínuos nessa direção será possível obter um
produto de alto desempenho a um custo mais baixo. Nesse processo, tanto o
roving contínuo de fibras de vidro como o roving picado são incorporados
para se obter maior resistência circunferencial e axial. |
| A centrifugação é um dos processos de última geração
para a produção de tubos |
Além disso, um
núcleo de sílica e resina, colocado próximo à linha neutra da seção, é
utilizado para proporcionar maior resistência, adicionando-se espessura
extra. Com o sistema duplo de aplicação, o equipamento tem a capacidade de
utilizar internamente uma resina especial – isoftálica e/ou éster-vinílica –
para aplicações corrosivas severas, enquanto é utilizada uma resina de tipo
padrão para as partes estruturais e externas do tubo. Outros materiais como
véu de vidro ou véu de poliéster podem ser utilizados para melhorar a
abrasão, a resistência química e o acabamento do tubo e, para assegurar
nível elevado de qualidade na produção, o método de fabricação é controlado
com precisão por meio de processo automatizado.
Já o processo de fabricação de tubos por centrifugação, considerado uma das
tecnologias de última geração, apresenta outras particularidades, segundo o
especialista Marçal. No processo centrífugo, são utilizadas matérias-primas
predeterminadas, conforme a classificação do tubo a ser produzido e mediante
a formulação específica sob controle rigoroso de processo. As
matérias-primas serão aplicadas no interior de um molde que gira e é
aquecido para acelerar a polimerização e a cura da resina. Os materiais –
resinas, fibras de vidro cortadas, sílicas e agregados – alimentam o molde
giratório, que alcança altas rotações, propiciando que a parede do tubo
formada fique totalmente isenta de espaços vazios, em virtude de forças
centrífugas até 80 g (aceleração da gravidade). Assim, a parede do tubo é
polimerizada como um bloco sólido e, durante o processo, a distribuição do
vidro é rigorosamente controlada, adotando-se velocidades variáveis para o
cortador e o molde, sendo a direção das fibras controlada de acordo com a
exigência de resistência circunferencial ou axial. Dessa forma, cada uma das
camadas terá uma função específica na parede da tubulação. No interior,
existe um revestimento flexível sem a presença de vidro. Esse revestimento
tem espessura mínima de 1 mm e assegura propriedades hidráulicas e
resistência à abrasão. Por trás desse revestimento, existem duas camadas de
barreira com teores de vidro gradualmente crescentes, desde zero até 40%. O
revestimento e as camadas de barreira combinadas evitam a penetração de
gases ou quaisquer outros agentes indesejáveis nas camadas estruturais do
tubo. Por trás da barreira, as camadas são do tipo estrutural, e variam de
acordo com o tipo de tubo (pressão ou não) e com a classe de rigidez
necessária. A camada externa final apresenta alta resistência a riscos,
tornando mais fácil o manuseio do tubo durante a instalação. Essa camada
também tem a função de evitar a penetração de radiações ultravioleta (UV) na
parede do tubo.
Retaguarda de equipamentos – As mais de 40 mil peças fabricadas com termofixos já catalogadas no setor também exigem versatilidade na oferta de
máquinas e acessórios, conduta que caracteriza a Fibermaq, fabricante
nacional de máquinas, que aproveitou o ano de 2009 para promover vários
lançamentos para a transformação de compósitos por pultrusão, infusão a
vácuo, aplicação de gelcoats, entre outros.
“Decidimos cumprir nossa agenda de lançamentos programados para 2009 e
expandir o nosso portfólio foi uma das formas que encontramos para
atravessar esse período difícil de 2009”, comentou Christian de Andrade,
diretor da Fibermaq.
Destaca-se entre os lançamentos a máquina para transformar compósitos pelo
processo de pultrusão, batizada por Pulltech, que permite a fabricação de
ampla gama de perfis. Desenvolvida com o apoio técnico do consultor Carlos Viegas, conta com duas versões. Uma delas possibilita fabricar perfis com
larguras até 90 mm e tração máxima de 1.000 kg. Em versão mais robusta, a
máquina está apta a transformar peças com larguras desde 80 mm até 500 mm, e
apresenta tração até dez toneladas, podendo ser dedicada tanto à produção de
perfis maciços como de tubos nos formatos quadrado e esférico, sendo provida
de puxadores hidráulicos ou pneumáticos. De acordo com o fabricante, a
Pulltech é fácil de operar e pode ser fornecida com CLP touch screen e
controlador elétrico ou mecânico de força de pultrusão.
“Em geral, os transformadores que operam por pultrusão no Brasil montam as
suas próprias máquinas ou importam modelos caríssimos, mas com o uso do
nosso equipamento encontrarão uma opção mais econômica em relação aos
importados, só que muito mais completa e sofisticada”, lembrou o diretor.
A empresa também desenvolveu um sistema para auxiliar a infusão, processo
cada vez mais difundido entre os fabricantes de barcos e pás eólicas, e que
visa a oferecer ao transformador maior economia no emprego de
matérias-primas, redução no peso das peças e maior segurança às operações.
Infusão assistida – “Criamos um sistema denominado infusão assistida, que
consiste na dosagem pneumática de resina e de peróxidos, por meio de
equipamento capaz de controlar toda a quantidade de material preparado. Ao
utilizá-lo, o transformador determina exatamente qual será o ritmo da
produção, não sendo obrigado a preparar toda a quantidade de resina a ser
injetada no molde de uma só vez, pois, caso ocorra algum incidente, como
queda de energia, vazamento do vácuo, falha do compressor ou entupimento dos
canais de injeção, as perdas não irão acarretar grandes prejuízos
financeiros”, explicou Andrade. Além da dosadora, esse sistema também é
integrado por tanque especial provido de sensores para monitorar a
temperatura e o nível de material.
Outro lançamento promovido recentemente pela empresa é representado pela
máquina para aplicação de gelcoats multicoloridos, que garante o efeito
granito em peças fabricadas com compósitos, como no caso de artefatos
produzidos em mármore sintético.
Essa máquina aplica por spray até quatro cores e possibilita a regulagem
individual de cada uma delas graças ao posicionamento linear das bombas. A
pistola utilizada nesse novo sistema, do tipo airless, propicia reduzir
consideravelmente a emissão de particulados nos ambientes de produção.
Maior qualidade com RTM – Para propiciar às injetoras de RTM, máquinas com
grande penetração no setor automotivo, fabricadas há mais de trinta anos
pela Fibermaq, maiores benefícios como padronização de processo, facilidade
no desentupimento de canais de injeção e redução dos ciclos de moldagem, a
empresa também desenvolveu neste ano um conjunto de acessórios – conexões,
bicos de injeção, cubas, mangueiras e perfis de vedação –, com o objetivo de
agregar maior desempenho à tecnologia de RTM, além dos convencionais
atributos normalmente oferecidos, como acabamento nos dois lados das peças,
alta produtividade e redução no volume de aparas.
As injetoras para RTM também apresentam versatilidade, propiciando
aplicações simultâneas de resinas de poliéster e de catalisadores em injeção
light, injeção assistida a vácuo e processo de prensagem a vácuo, e foram
providas recentemente de válvula de controle de fluxo para evitar excesso de
pressão nos moldes.
Entre as últimas inovações também se destaca o grampo destinado ao
fechamento das mangueiras de injeção de resinas utilizadas nos processos de
RTM light, em substituição ao alicate de pressão empregado para interromper
o fluxo de resinas injetadas no molde que, além de ser pesado, requer nova
regulagem toda vez que uma peça é fabricada.
Outro equipamento recém-lançado é o Spirit, destinado a medir a espessura
residual da barreira de corrosão dentro dos tanques fabricados com
compósitos. “Ao ser fixado na parede interna do reservatório, o Spirit
efetua a raspagem da superfície interna, e mostra a extensão dos danos
provocados pela agressividade de químicos, bem como indica qual é a
profundidade adequada ao reparo, evitando paradas desnecessárias para a
manutenção dos tanques que acondicionam substâncias corrosivas, como ácido
sulfúrico e dióxido de cloro”, explicou Andrade.
Robô para spray-up – A linha de máquinas da Fibermaq ainda inclui
equipamentos eletrônicos com até quatro eixos programáveis para enrolamento
filamentar (helicoidal e circunferencial), com opcionais para aplicação de
fibras picadas e/ou cargas minerais, destinados à produção de tubos com
diâmetros desde 20 mm até 1.000 mm e comprimentos até 10 metros. Essas
máquinas também contam com sistemas de aplicação de barreira química (liner)
por spray de resina e roving picado e de alta produtividade com o
enrolamento simultâneo de três tubos, podendo ainda ser equipadas com
sistema automático de alimentação de resinas e dispositivos saca-mandril e
de cura, como opcionais.
A empresa também dispõe de equipamentos para a produção de tanques
cilíndricos, com diâmetros desde 1.000 mm até 5.000 mm, e comprimentos até
dez metros. Providos de software para programação e dimensionamentos, essas
máquinas também podem contar, opcionalmente, com robô para executar
spray-ups, e com programação para a produção de calotas e fundos de tanques.
DCPD: um aliado do meio ambiente
que requer atenção à delaminação
As primeiras resinas modificadas com diciclopentadieno (DCPD) surgiram na
Europa, mas seu desenvolvimento foi parcialmente interrompido por problemas
relacionados com a delaminação e a alta rigidez dos materiais. Na década de
80, porém, segundo ensina Antonio Carnizelli, gerente técnico da Cray Valley
do Brasil, as resinas de poliéster modificado com DCPD foram introduzidas
nos Estados Unidos e, progressivamente, foram conquistando o mercado das
resinas ortoftálicas, até então uma das principais referências nas
indústrias de composites. Isso ocorreu principalmente pela redução do teor
de monômero de estireno das resinas, que passou de cerca de 42% para 35%.
“O DCPD constitui matéria-prima obtida do refinamento do petróleo, processo
com o qual também são obtidas a gasolina e o etileno. Seu campo de aplicação
é amplo, encontrando mercados na produção de lentes ópticas, plásticos,
adesivos, hotmelts etc., mas sua principal aplicação é destinada à
fabricação de resinas de poliéster insaturado, que consomem 57% da produção
mundial de DCPD”, ensinou Carnizelli.
O DCPD também pode ser utilizado com a finalidade de substituir parcial ou
totalmente o anidrido ftálico. Entre as principais características das
resinas de poliéster insaturado e modificado com DCPD estão o baixo teor de
monômero de estireno nas resinas, que propicia menores contrações – linear e
volumétrica – durante a cura dos laminados, tornando menos visíveis as
fibras de vidro e, consequentemente, melhorando a qualidade das superfícies.
Outra propriedade muito importante das resinas modificadas com DCPD é a
possibilidade de controlar a cura do laminado, o que resulta em processos de
cura uniformes tanto em laminados de alta espessura quanto em laminados de
baixa espessura.
“Em virtude das resinas de poliéster com DCPD possuírem alta rigidez e
poderem apresentar problemas de delaminação, todas as resinas modificadas
com DCPD são blendas formadas por resinas ortoftálicas, isoftálicas ou PET,
a fim de propiciar o equilíbrio entre a flexibilidade e a adesão”, explicou
Carnizelli.
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