Sob medida – Considerada uma das empresas especializadas em softwares de CAD mais conhecidas do mundo, a Autodesk há quatro anos vem se preparando para investir com força na indústria de injeção de plástico.

 “O mundo cada dia está usando mais plásticos, esse mercado para nós representa uma grande oportunidade de negócios”, justifica Jéferson Stutz, executivo de manufatura industrial da empresa para a América Latina. Para citar um exemplo, ele recorre às montadoras. “Na busca por veículos mais leves, elas têm usado o plástico para substituir muitas peças antes feitas em outros materiais”, lembra.
Inventor atende os emergentes, diz Stutz

Para atingir esse mercado com sucesso, a empresa resolveu investir em projeto ambicioso. A Autodesk começou com a aquisição de duas grandes empresas multinacionais: a Alias, reconhecida em todo o mundo como grande especialista em soluções para design, e a Moldflow, líder mundial em softwares de CAE, voltados para simular em computadores as operações de preenchimento de moldes de injeção.

Faltava desenvolver um CAD com características específicas para atender às demandas da indústria do plástico, em especial para as ferramentarias especializadas em moldes de injeção. Além de propriedades tecnológicas adequadas, o produto precisava apresentar custo acessível. “Queríamos democratizar o uso de soluções avançadas de CAD”, explica o executivo.

Depois de dois anos de estudos e testes, o projeto ficou pronto. O software, batizado de Autodesk Inventor Tooling, foi lançado em caráter mundial no último mês de maio. “É o primeiro que atende a todas as necessidades das economias emergentes, em especial o mercado brasileiro”, garante Stutz. Ele justifica sua afirmação: “O projeto foi desenvolvido com base nas características de duas economias promissoras e em expansão, a do Brasil e a da China.”

De acordo com Stutz, as empresas concorrentes oferecem programas de CAD genéricos, usados nas mais diversas atividades, e módulos opcionais, com funções voltadas para a indústria do plástico. “O nosso é completo, específico para moldes. Traz soluções para as três funções que se espera dos softwares de CAD, as de design, projeto da ferramenta e avaliação do processo de injeção”, garante.

Baseado no desenho da peça, o aplicativo executa todas as operações necessárias para o desenvolvimento do projeto do molde. Uma primeira análise é voltada para encontrar o melhor ângulo de extração da peça. Em seguida, o usuário pesquisa qual matéria-prima se mostra mais adequada para ser utilizada. “No software há um banco de dados importado do Moldflow com análises e simulações do desempenho de inúmeros materiais. O objetivo é trazer essa análise já para a etapa de desenvolvimento da peça”, revela o executivo. São calculadas, por exemplo, a energia a ser gasta com o uso de determinada resina e a possibilidade de a peça vir a ser reciclada.

Em seguida, os usuários avaliam o melhor ponto de injeção. “Até pouco tempo, essa análise era feita de acordo com a experiência do projetista ou por meio da realização de testes”, observa. Feito isso, também com dados retirados do Moldflow, pode-se fazer a avaliação preliminar do preenchimento do molde, onde são calculadas informações como tempo do ciclo e fluxo do plástico, entre outras.

As próximas etapas são as de selecionar o projeto do macho e da cavidade, levando em conta a contração da peça, a definição dos postiços, a geração da superfície de fechamento e os projetos de gavetas, pinos extratores e outros componentes. Um acordo permitiu a inclusão no software das informações sobre os milhares de porta-moldes oferecidos ao mercado pela Polimold, empresa líder no ramo no mercado nacional. Dessa forma, se quiser, o usuário pode selecionar o modelo de porta-molde mais adequado para realizar seu projeto. Em tempo: as medidas usadas pela Polimold são seguidas por outras empresas nacionais e internacionais. Dessa forma, é possível para os projetistas selecionar porta-moldes de outros fabricantes.

“Com todos esses recursos, o tempo de desenvolvimento de um projeto de molde, em média de quatro a cinco dias, é reduzido para algumas horas”, garante Stutz. A empresa agora luta para aproveitar o promissor potencial de mercado do produto. Várias iniciativas estão sendo realizadas para divulgar o Inventor Tooling aos potenciais compradores. Entre os públicos-alvo se encontram as grandes corporações, como as automobilísticas e as de eletrodomésticos, grupos com poder multiplicador das vendas por exigir de seus fornecedores a aquisição de recursos sofisticados.

Uma das iniciativas de marketing é a organização de eventos direcionados aos públicos de interesse, nos quais são mostrados os recursos do produto. A Autodesk também tem fechado parcerias estratégicas com várias instituições, universidades e cursos técnicos. De quebra, foi criada uma comunidade na internet de usuários e estudantes. “Qualquer estudante pode se cadastrar e ter acesso gratuito ao software”, ressalta Stutz.

“Pechincha” – US$ 20 mil. Por esse módico preço, os interessados podem adquirir o CAD Pro/Engineer (Pro/E) e os dois módulos específicos para o desenvolvimento de projetos de moldes de injeção oferecidos pela PTC. Para quem acha o preço “salgado”, Hélio Samora, diretor para a América Latina da multinacional, lembra: “O software torna a empresa muito competitiva e exige investimentos muito menores do que as máquinas presentes nas ferramentarias. Um centro de usinagem CNC chega a custar perto de R$ 500 mil.”

De acordo com Samora, uma das vantagens de se usar os produtos oferecidos pela PTC se encontra na possibilidade de se fazer avaliações da estrutura da peça, como análises sobre deformações provocadas pelo efeito da fadiga, entre outras. Dessa forma, calcula-se quando a peça pode prescindir de uma nervura ou se ela pode ter a parede mais fina em determinado local, o que proporciona economia de matéria-prima quando o molde estiver em produção. Caso ocorra alguma alteração no design da peça com a operação em curso, é feita a correção, de forma instantânea, de todos os desenhos relativos ao projeto do molde. “Quem trabalha com ferramentarias sabe como é comum ocorrerem alterações ou correções nos projetos e quanto tempo é necessário para corrigi-las”, ressalta.

Eduardo Falcari, engenheiro de aplicações da PTC, destaca os constantes aperfeiçoamentos feitos no software, a maior parte voltada para atender às solicitações feitas pelos clientes. “Sempre ouvimos nossos usuários para realizar os desenvolvimentos”, assegura. Falcari garante que o Pro/E, cuja versão WildFire 5.0 foi lançada em agosto, é bastante simples de operar e dotado de recursos valiosos.

Quando opera em conjunto com os módulos opcionais oferecidos, o programa permite executar de forma rápida todas as etapas do projeto de um molde obtido de um desenho em três dimensões da peça. Entre outros parâmetros, calcula o número ideal das cavidades e o melhor posicionamento do ponto ou dos pontos de injeção. Também ajuda a se chegar ao design ideal das cavidades – macho e fêmea – e dos componentes móveis, como postiços e gavetas. Avalia o melhor formato dos canais de injeção ou, se for o caso, o melhor posicionamento das câmaras quentes, além de ajudar o projetista a desenhar as linhas de refrigeração.

A padronização também é contemplada. O software contém informações detalhadas sobre modelos de porta-moldes oferecidos por quinze diferentes fabricantes mundiais. Também conta com biblioteca na qual se encontram componentes diversos, como parafusos, buchas, guias e pinos extratores, entre outros. Além disso, fornece desenhos para componentes auxiliares da usinagem, caso dos eletrodos empregados em máquinas de eletroerosão usados para produzir cavidades. Para quem se interessar, a PTC conta com acordo com a Moldflow e oferece programas de análise virtual de preenchimento do molde. Em tempo: os produtos Moldflow não estão incluídos no pacote de US$ 20 mil.

Outra propriedade valorizada pelo engenheiro de aplicativos da PTC se encontra no recurso batizado em português de “doutor dos dados importados”, voltado para a leitura de informações vindas de softwares diversos. O técnico também destaca as soluções de CAM oferecidas, totalmente integradas com as características do CAD.

Samora informa que a PTC conta com quase 90 usuários dos softwares Pro/E em todo o Brasil no universo de plástico. Para ele, trata-se de um número significativo, mediante o atual estágio tecnológico da transformação brasileira. Falcari fala sobre o poder de pressão dos grandes grupos industriais sobre seus fornecedores. Para ele, se uma indústria adquire programas CAD de determinado fornecedor, exige da indústria de autopeças que esta se equipe com produtos similares. “A Motorola só aceita quem trabalha com PTC”, exemplifica.

Para divulgar suas soluções, a PTC organiza vários seminários Brasil afora. A empresa também promove treinamentos básicos para os clientes aprenderem a lidar de forma produtiva com seus produtos. É fácil aprender, em onze dias as pessoas estão familiarizadas com todos os recursos, segundo Samora.


 

 
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