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Programas se sofisticam, preços caem,
mas uso amplo esbarra na pulverização
José Paulo Sant’Anna - Fotos: Cuca Jorge
O
impressionante avanço da informática nos últimos anos tem uma característica
marcante. Ao mesmo tempo em que os produtos se sofisticam, tornam-se
populares. A teoria vale para computadores, games, outros itens do gênero e
ainda para os softwares de CAD. Quando surgiram, há quase três décadas, eles
tinham recursos limitados, algo comparável à versão eletrônica da combinação
prancheta, lápis e borracha. Custavam quantias proibitivas.
Hoje contam com versões complexas, com imagens em três dimensões e recursos
outrora inimagináveis. Com esses aplicativos, projetos de moldes
intrincados, desenvolvidos após dias de trabalho, podem ser realizados em
poucas horas. E as empresas de informática garantem preços hoje bem mais
acessíveis quando comparados com os do passado.
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Softwares sofisticados como o Autodesk, ajudam
a projetar o molde desde a captura do design da peça |
Quando somamos ao cenário o incrível desenvolvimento da indústria do
plástico nas últimas décadas, percebemos uma convergência de interesses. Por
um lado, os fornecedores de softwares procuram disseminar na indústria de
injeção de plásticos o uso de soluções modernas, específicas para esse
mercado, lançadas depois de exaustivos trabalhos de pesquisa e
desenvolvimento. São os casos, por exemplo, das multinacionais Autodesk, PTC
e SolidWorks. Por outro lado, transformadores e ferramenteiros estão ávidos
por recursos voltados para tornar mais rápidos os lançamentos de produtos. O
mercado exige o desenvolvimento do projeto dos moldes em prazos cada vez
mais apertados.
Nos países avançados, a aproximação entre fornecedores e usuários já é
realidade. No Brasil, as características do mercado são distintas. O setor
de ferramentarias é muito pulverizado, estima-se existirem mais de duas mil
empresas do ramo. Dessas, muitas ainda estão na época dos softwares de CAD
de duas dimensões e não demonstram tanta disposição para investir em
soluções atualizadas. Mesmo estando o setor de plásticos mais avançado nessa
evolução do que os usuários de outros segmentos da economia.
Os maiores e/ou mais sofisticados fabricantes de matrizes brasileiros já
perceberam as vantagens proporcionadas pela tecnologia. Estão atentos à
realidade do mercado e investem em aplicativos para garantir a
sobrevivência, em um ramo no qual o futuro se avizinha cada vez mais
competitivo. Mas o potencial das vendas ainda é enorme. Para os fornecedores
de programas, persiste o desafio de disseminar o uso dos recursos de ponta
da informática nesse mercado.
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