T E R M O F O R M A G E M

A termoformagem também pode fazer uso de moldes dos tipos “macho” e “fêmea”. A moldagem com machos, denominada moldagem positiva (drape forming/male forming), oferece a vantagem da uniformidade na espessura final das peças. A moldagem por vácuo negativo, com o uso de moldes do tipo fêmea, também conhecida como vacuum forming ou female forming, em geral requer um contramolde ou plug para pré-estirar o material antes da moldagem, a fim de alcançar o mesmo objetivo, ou seja, uniformizar a espessura da peça.

A termoformagem por pressão (pressure forming), em geral utilizada na produção de embalagens descartáveis, realiza-se com a injeção de ar comprimido no molde, podendo alcançar até 70 ciclos por minuto, oferecendo alta definição das características e detalhes geométricos das peças. Já a termoformagem por sopro, ou com ajuda de sistema pneumático (billow forming), é um método bastante reconhecido e empregado em máquinas americanas, para moldagens positivas de moldes do tipo “macho”.

Embora mais restritas em relação aos segmentos de embalagens descartáveis e de refrigeração, as aplicações da termoformagem de chapas de PEAD ou PP, para a fabricação de componentes automotivos, como para-lamas e para-choques para caminhões, ônibus, tampas para baterias, tampas para sistemas de refrigeração veiculares, caixas de rodas, caixas para bagageiros, revestimentos, entre outros, e também de bobinas para enchimento de torres de resfriamento e para blisters para acondicionar limpadores de para-brisas, são mais rentáveis, e representaram até o ano passado 50% do faturamento da Eletro Forming. “Até setembro, não havíamos comercializado sequer uma unidade para esse tipo de aplicação e, só no final de 2009, os pedidos começaram a ser retomados”, informou Jorge Lakatos.

A concepção correta de termoformadoras para a fabricação de componentes automotivos é primordial para o sucesso da termoformagem nesse segmento. “É quase obrigatória a presença de dois fornos para se termoformar peças de PP ou PEAD, materiais semicristalinos e com faixa de temperatura de termoformagem relativamente curta, e que apresentam comportamento completamente distinto de materiais amorfos como o PET, o PVC, o PS e o ABS, que, aquecidos, amolecem gradativamente, ampliando as faixas de aquecimento para a termoformagem. Por isso, os sistemas fabricados pela Eletro Forming, em se tratando de termoformar PP ou PEAD, propiciam o acondicionamento do molde dentro de uma caixa fechada para pressurização com ar comprimido, com o objetivo de manter maior estabilidade no aquecimento para que os polímeros permaneçam planos e não ocorram deformações.

Dificuldades geram inovações – Vários fabricantes e representantes de máquinas termoformadoras não se importariam de suprimir do calendário, caso fosse possível, o ano de 2009, considerado um ano de dificuldades para a economia mundial, para a produção, para o emprego e o consumo, e que pôs um freio nos investimentos voltados à compra de máquinas. Entretanto, junto ao marasmo comercial e financeiro que atacou o mundo, e talvez até em decorrência disso, várias inovações em termoformagem afloraram e também deverão marcar o ano de 2009.

Uma delas está na tecnologia Swing, desenvolvida pela Gabler Thermoform, na Alemanha, e que consiste em termoformadora com duas estações e força de fechamento de 115 kN, capaz de operar à velocidade de 47 ciclos por minuto, e que possibilita trocas de serviço bem mais rápidas, em apenas 30 minutos.

“A termoformadora Swing fabrica potes, tampas e copos, apresentando área de termoformagem de 450 mm (largura) e 220 mm (comprimento), profundidade de 125 mm, incluindo sistemas de aquecimento superior e inferior providos de elementos cerâmicos”, informou Harold Weil, diretor da Ematec, representante no Brasil da empresa alemã.

Reconhecida na fabricação de linhas automáticas para chapas de materiais diversos (até coextrudadas), providas de sofisticados sistemas de controle e de troca automática de ferramentas, a empresa mais recentemente se dedicou a um novo projeto de máquinas que agregam sistemas mais versáteis de moldes basculantes. “Trata-se de máquinas especiais que permitem fabricar desde copinhos de PS até tampas de PP sob altas velocidades e também utilizar moldes machos e fêmeas, concebidos de acordo com o sistema tilt, que gera pouca movimentação, praticamente descartando a probabilidade de ocorrer algum tipo de problema. Outra vantagem dessa tecnologia é permitir uma significativa redução de aparas”, acrescentou Weil.

Assim, a tecnologia de moldes basculantes já está presente em três modelos da linha M, nas máquinas M92, M93 e M98. De todas, a termoformadora M98, lançada em 2008 na K, em Dusseldorf, na Alemanha, é a que possui maior força de fechamento: 650 kN, e opera à velocidade de 50 ciclos por minuto. A M93 também opera à velocidade de 50 ciclos por minuto e tem força de fechamento de 400 kN, enquanto a M92 tem força de fechamento de 380 kN e opera à velocidade de 48 ciclos por minuto.

Outra tecnologia interessante em primeira geração está presente nas termoformadoras Focus, também desenvolvidas pela Gabler Thermoform. Lançadas dois anos atrás, produzem descartáveis, potes e tampas, e estão aptas a operar à velocidade de 100 ciclos por minuto, permitindo trocas de serviço em 60 minutos, agregando também aquecedores em material cerâmico superiores e inferiores, plug-assist e servoacionamento.

Vácuo e pressão – As termoformadoras automáticas a vácuo de alto desempenho da série KMV da Kiefel já são conhecidas do mercado brasileiro. Com sistema modular, pressões de moldagem até 2,5 bar, permitem ajustes nas configurações de modo que atendam a diferentes requisitos. A principal novidade dessa temporada, entretanto, está na KMV 53 E, batizada Ecoformer, que permite alcançar pressões até 5 bar, assegurando maior qualidade dos produtos, mesmo no caso da produção de pequenos lotes.

“A nova Ecoformer aumenta a rentabilidade e tem o melhor custo/benefício, levando-se em conta a sua produtividade”, considerou Patrick Claassens, diretor da Kiefel do Brasil.

A adaptação flexível das pressões de termoformagem em virtude das dimensões da ferramenta, abrangendo até 530 mm x 366 mm, é um aspecto muito positivo da máquina, que pode contar com pressões de 3 bar, alcançando até 5 bar.


Claassens: nova Ecoformer avança na rentabilidade

“O sistema de aquecimento dos filmes é outro fator decisivo. As bancadas de aquecimento superior e inferior do filme são projetadas para propiciar três níveis de aquecimento, produzindo

efeitos positivos imediatos nos filmes que são aquecidos mais rapidamente e de maneira mais uniforme.”

A linha Ecoformer conta com dois modelos de máquina, com áreas de termoformagem de 500 mm x 350 mm (KMV 53 E) e de 750 mm x 540 mm (KMV 78E).


Formadora da Kiefel conta com aquecimento melhorado

Mercado de reposição – Outra grande usuária de materiais termoformados é a indústria aeronáutica. Revestimentos de painéis internos, mesas para alimentação, laterais de poltronas, porta-revistas, cubas para banheiros, entre outras peças fabricadas com policarbonato, ABS, blendas, entre outros polímeros certificados, com propriedades especiais antichamas e antifumaças, são normalmente utilizados em aeronaves.

“Esse segmento basicamente é movimentado pela fabricação de componentes para reposição, tanto pelas companhias aéreas quanto por empresas terceirizadas, pois os termoformados originais já vêm com as aeronaves”, informou Jorge Lakatos.

Para termoformar peças de uso em aeronaves, a empresa conta com alguns modelos de máquinas automáticas da linha Supravac, fabricados em várias dimensões, desde 1.300 mm (largura) por 1.000 mm (comprimento) até 3.000 mm (largura) e 2.000 mm (comprimento), e que são recomendadas também para termoformar peças mais grossas, até 12 mm. (Na foto, trata-se de modelo Supravac 2, com 1.600 mm (largura) por 1.000 mm (comprimento).

Outros setores que também produzem com máquinas da linha Supravac 2 são os de utilidades para casa e construção, paletes e displays. Banheiras, pisos para chuveiros, gabinetes e gavetas para armários, tanques para lavagem de roupas, telhas, entre outros, constituem alguns dos termoformados que devem apresentar resistência elevada a impactos, devendo contar com duplo forno, controladores precisos de temperatura nos fornos superior e inferior e também com balão e contramolde. A Supravac 2 conta com monoestação e duplo forno, especialmente para o uso de PP, pois o aquecimento e a termoformagem ocorrem numa única estação, o que irá promover maior estabilidade ao processo. Essa máquina também é indicada para processar PE e PS. Já outras máquinas, como a RV 2, rotativa, com duplo forno e duas estações, costumam ser indicadas para produções mais elevadas.

Vendas frequentes também costumam ser efetivadas para o segmento de produção de paletes, principalmente focado em exportações. Termoformados de PEAD, os paletes são bastante utilizados para acondicionamento e transporte de autopeças e apresentam algumas vantagens quando comparados com injetados, segundo Lakatos, relacionadas com espessuras de parede mais finas, menor tensão residual interna, menor peso e custo de ferramental relativamente baixo.

A termoformagem também tem forte penetração na agroindústria. Boa parte das peças para esse setor é moldada a vácuo, elas envolvem componentes de maior resistência, destinados a máquinas agrícolas, tetos de tratores, defletores de ar, para-lamas e tampas para colheitadeiras, entre outras. As máquinas recomendadas para essas produções, segundo a Eletro Forming, são da linha Supravac, máquinas automáticas para vacuum forming, em modelos que podem operar com chapas ou bobinas.

Outros setores marcados por grande demanda de termoformados são os de displays para propagandas em pontos-de-venda e as embalagens do tipo blister. O mercado de displays é grande usuário de PS, mas também utiliza ABS, PETG e acrílico transparente, requerendo máquinas do tipo Supravac. Já o mercado de blisters é formado por diferentes composições e configurações de embalagens. “Bolhas” termoformadas e seladas com cartões, por exemplo, são utilizadas para embalar diferentes tipos de produto, como pilhas e escovas de dente. Embalagens do tipo clamshell (concha), com duas metades termoformadas e seladas entre si, são muito requisitadas no mercado de produtos eletrônicos e também para embalar metais sanitários, podendo-se encontrar para cada tipo de aplicação algumas opções em máquinas termoformadoras, selecionando-se aquela que mais se ajustará à produção do usuário.

 

 

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