|
|
|
S O P R A D O R
A S |
 |
Pacote do governo aquece
os negócios no segundo
semestre e anima o setor
Texto de Simone Ferro
Fotos de Cuca Jorge |
Os fabricantes de máquinas para a
transformação de plásticos tiveram dois importantes aliados em 2009: a 12ª
edição da Brasilplast, realizada de 4 a 8 de maio, no Pavilhão de
Exposições do Anhembi, em São Paulo; e o Programa de Sustentação do
Investimento (PSI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES).
Mesmo assim, não foi um ano fácil. Longe disso. A crise econômica mundial,
desencadeada em outubro de 2008, trouxe fortes reflexos para as indústrias
de bens de capital mecânico. E os fabricantes de sopradoras nacionais e
estrangeiros sentiram esse impacto, assim como os demais representantes do
setor.
Provavelmente, tais aliados não sejam capazes de imprimir o crescimento
esperado, mas ajudam na retomada dos investimentos. “O primeiro semestre
foi fraco até a feira Brasilplast e, a partir daí, veio melhorando. O
grande diferencial para o segundo semestre foi o lançamento do Finame PSI,
incentivo criado pelo governo para auxiliar nos investimentos em
máquinas”, afirma o diretor-comercial da Pavan Zanetti, de Americana-SP,
Newton Zanetti.
O objetivo do PSI é o de estimular a produção, aquisição e exportação de
bens de capital, além da inovação tecnológica. Lançado em julho, o
programa tem data marcada para acabar: 31 de dezembro de 2009. Além das
máquinas e equipamentos, financia a compra de ônibus, chassis e
carrocerias para ônibus, caminhões, reboques, plataformas, guindastes e
betoneiras, entre outros, com taxas de 7,5% ao ano fixas, ou seja, sem
indexação pela TJLP.
No caso das máquinas e equipamentos, cujos prazos de pagamento chegam a
120 meses, com carência de três a 24 meses, os juros caíram para 4,5% ao
ano, condições consideradas extremamente atrativas. De acordo com Zanetti,
a linha de máquinas da empresa destinada ao sopro convencional,
credenciada pelo Finame, teve grande procura.
Informações divulgadas pelo BNDES endossam a afirmação. De acordo com a
instituição, as consultas de financiamento ao banco dispararam nos últimos
meses. Entre julho e setembro, foram recebidas 18.171 consultas, alta de
58% em relação ao trimestre anterior, demonstrando forte intenção das
indústrias em realizar investimentos. Os setores que mais consultaram o
BNDES foram: o têxtil, o de alimentos e bebidas e a indústria mecânica,
que abrange bens de capital e autopeças, entre outros.
Micro, pequenas e médias empresas podem financiar até 100% dos bens,
enquanto as grandes companhias contam com crédito de até 80% do valor dos
itens financiáveis. Valor que pode atingir 100% em alguns casos. O
financiamento ocorre por intermédio de instituições financeiras
credenciadas. “Os juros propostos são baixos em comparação aos que vinham
sendo executados. Com isso, vendemos uma grande quantidade de máquinas. É
claro que esses negócios estão dependendo da aprovação do financiamento,
mas o perfil de 90% dos compradores se encaixa perfeitamente nas regras do
PSI, e cremos que as vendas serão concretizadas”, comemora Zanetti.
Ainda na avaliação do BNDES, o setor de bens de capital está entre os
primeiros a sentir os efeitos da paralisação dos investimentos do setor
produtivo, mas passou a vislumbrar o aumento da carteira de pedidos graças
ao PSI. O banco desembolsou R$ 7,7 bilhões entre agosto e setembro.
Apesar do auxílio do PSI e do tradicional impulso da Brasilplast, o volume
de vendas deverá se equiparar ao de 2008, segundo Zanetti. “Não teremos
crescimento em número de máquinas, pois o início de ano fraco não pode ser
compensado. Quando muito vamos manter o faturamento e o volume de unidades
vendidas nos mesmos patamares do período anterior.”
Opinião compartilhada pelo diretor de comercialização de máquinas da Romi,
de Santa Bárbara D’Oeste-SP, Hermes Lago Filho. “O mercado no primeiro
semestre, assim como o total da economia, mostrou-se bastante retraído.
Ainda que o segmento não tenha sido severamente atingido, por voltar-se
para o mercado de consumo, menos afetado no momento mais agudo da crise. O
segundo semestre, auxiliado pelas condições especiais do Finame, deverá
ter um bom desempenho”, avalia Lago.
A Romi encerrou o terceiro trimestre com receita operacional líquida
consolidada de R$ 122 milhões, com elevação de 17,2% em comparação com o
segundo trimestre deste ano. Na avaliação da empresa, os números
demonstram a recuperação das vendas, motivadas pela elevação da entrada de
pedidos de julho a setembro, em relação aos dois trimestres anteriores.
“Na comparação com o mesmo período do ano anterior, nota-se a forte
demanda para máquinas para plásticos, com alta de 44,3% na entrada de
pedidos, reflexo da estratégia da companhia em diversificação de portfólio
de produtos.”
Em 2008, a empresa exportou 16% de sua produção para os principais centros
industriais do mundo, com destaque para a Europa (43,3%) e os Estados
Unidos (41,9%). Presente no mercado externo desde 1944, a Romi mantém
parceria com distribuidores sediados em todos os continentes para a
comercialização de seus equipamentos. “A empresa também possui duas
unidades fabris na região de Turim, Itália, e subsidiárias localizadas nos
Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Espanha e França, com o
objetivo de fortalecer ainda mais sua posição no mercado internacional.”
A Pavan Zanetti exporta cerca de 7,5% da produção, quando a média estimada
seria em torno de 15%. “A defasagem ocorre em função do câmbio,
desfavorável à exportação e favorável à importação.” As vendas externas
atendem a Argentina, Peru, Equador, Colômbia e Chile.
O mercado nacional de sopradoras passa por um período de reestruturação
que inclui a fusão de empresas e a consequente redução no número de
competidores. As vendas também não avançam como o esperado. Estima-se que
o Brasil demande em torno de 200 sopradoras convencionais por ano.
Novos no PET – A Brasilplast 2009 refletiu as mudanças do mercado
local, e evidenciou a evolução das linhas destinadas ao sopro de PET. Um
dos destaques da Pavan Zanetti na exposição foi a sopradora para
pré-formas de PET, modelo PZX. A série é composta por máquinas automáticas
e semiautomáticas. Os modelos AL 2000, Al 3000S, AL 3000, Al 2000 SW e AL
10000 têm capacidades para soprar frascos de dois, três e dez litros.
Zanetti destaca ainda as sopradoras modelos JS 600B, JS 600C, JS 2000 e JS
4000.
|
As duas primeiras para cinco e dez litros e as demais
até dois litros. “O que varia nesses modelos é a produção por hora nos
frascos menores que dois litros, sendo as mais vendidas a AL 3000, com |
 |

Zanetti importa da China máquinas para soprar
pré-formas de PET de 2 até 10 litros |
produção de até 3 mil
frascos de 1.000 ml por hora, e a JS 4000, com produção até 4 mil
frascos/hora para o mesmo volume”, explica Zanetti.
Os modelos são importados da China. “Temos planos de produzi-los no
Brasil, assim que concluirmos o plano de expansão.” A Pavan está
construindo nova fábrica com 12 mil m². “O espaço atual não comporta novas
linhas.” A inauguração está prevista para o final de 2010.
Com dois anos de atuação no segmento de sopro de PET, e crescimento anual
entre 10% e 15% nessa área, a Pavan pretende fortalecer sua atuação com a
nacionalização das linhas de PET. “Não temos ainda grande participação
nesse mercado, mas vamos crescer muito a partir da fabricação dos modelos
nacionais.”
O PET atraiu outro concorrente de peso. A Romi, tradicional fabricante de
injetoras, ingressou no segmento de sopradoras com a aquisição da JAC, em
janeiro de 2008. Mais recentemente, comprou a DigMotor, de São Carlos-SP,
e marcou sua entrada no segmento de sopro de PET.
Consagrada no envase de refrigerantes e águas minerais, a resina avançou a
passos largos em cosméticos, higiene e limpeza e produtos alimentícios.
Tal avanço criou novas oportunidades de negócios para os médios e pequenos
transformadores, que buscam alta produtividade em pequenas e médias
escalas de produção, nichos em que se enquadram as máquinas da Pavan e as
da Romi.
Além de ampliar sua participação no Brasil, com a entrada em novos nichos,
a Romi também prepara o seu processo de internacionalização, marcado pela
aquisição da italiana Sandretto.
|
Segundo a empresa divulgou na Brasilplast 2009, a linha Romi PET é
composta por cinco modelos para uma, duas e quatro cavidades de sopro e
produção de frascos e garrafas com volume útil de até seis litros e
capacidade produtiva de 1.500 a 4.500 garrafas/hora. “Possuem comando
eletrônico e software de última geração”, garante Lago.
A investida da Romi no sopro de PET contempla a fabricação seriada e em
escala |

Sopro da PET da Romi atinge até 4.500 frascos/horas |
industrial; e o controle de todo o processo de manufatura da sopradora, desde o fundido até o produto final. Dentre as demais
características, a Romi cita o baixo nível de ruído, a alimentação
automática e o aquecimento por meio de lâmpadas com irradiação de luz
infravermelha, além da construção mecânica robusta e da alta
produtividade. “Comportam moldes de uma, duas e quatro cavidades, são
totalmente automáticas, precisas e compactas.” A empresa já trabalha no
projeto de um novo modelo para quatro cavidades de até dois litros, com
produtividade acima de 5 mil garrafas/hora, além do aprimoramento dos
modelos que já se encontram em fabricação.
|
|