I N J E T O R A S

Elétricas em alta – A japonesa Sumitomo, ao comprar a Demag, teve como principal objetivo ganhar espaço no mercado internacional. “As duas empresas, antes do fechamento do negócio, tinham linhas quase complementares”, conta Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo/Demag no Brasil. A Sumitomo fabrica apenas injetoras elétricas de menor porte. A Demag também fabrica injetoras elétricas, mas tem maior atuação no mercado das hidráulicas e híbridas e oferece máquinas de pequeno a grande porte.

Logo após a aquisição, iniciou-se uma reestruturação da empresa resultante. Algumas decisões tomadas já são conhecidas e outros desdobramentos devem ocorrer em futuro próximo. As marcas Demag e Sumitomo foram mantidas. As máquinas das duas marcas agora têm motores elétricos fabricados pela Sumitomo – os modelos Demag tiveram suas estruturas redesenhadas para receber o componente. A linha de injetoras da Sumitomo vai ser ampliada. Serão lançados modelos de até 600 toneladas de força de fechamento. Foi decidida a construção de uma nova fábrica da Sumitomo na Europa, o que deve ocorrer nos próximos meses.

Em termos de novidades, uma linha de injetoras elétricas da Demag acaba de ser lançada na feira Fukuma, recém-realizada na Alemanha. Trata-se da linha Elexis, de tecnologia híbrida e indicada em especial para a indústria de embalagens. “O foco da linha Elexis é o mercado de máquinas bastante velozes”, revela. O novo modelo está disponível para o mercado brasileiro.

Enquanto a crise começa a se dissipar na Europa, no Brasil o ano da Sumitomo/Demag foi positivo. “Vendemos mais do que estávamos esperando”, informa Rieker. Por conta dos bons resultados, a empresa pretende adotar postura mais agressiva por aqui. “Vamos investir na ampliação de nosso escritório”, revela. Entre os clientes, os segmentos mais ativos estão sendo os de embalagens e montadoras, além dos transformadores especializados em produtos hospitalares e farmacêuticos.

Rieker se mostra feliz com a boa aceitação das máquinas Sumitomo no mercado nacional. A receptividade é uma agradável surpresa. Primeiro, porque a marca ainda é pouco conhecida dos brasileiros. “Começamos as vendas das máquinas Sumitomo praticamente do zero no ano passado, quando houve a união das empresas”, testemunha.

Cuca Jorge

Rieker traça uma estratégia mais agressiva para o país

Outro fator inesperado foi o interesse dos compradores pelos modelos elétricos, a especialidade da empresa japonesa. Para o gerente, isso se deve à conscientização por parte dos compradores da economia de energia proporcionada pelos equipamentos. “Hoje a energia é fator importante na composição de custos da fabricação de peças plásticas”, justifica. Com os modelos elétricos, a redução do uso de energia pode chegar a 40%, de acordo com a aplicação. “A economia é maior nos ciclos de injeção mais longos. Nas máquinas elétricas, quando o molde fecha, o equipamento funciona sem maior esforço. Nas hidráulicas, o óleo precisa ser bombeado para manter a ferramenta fechada”, justifica.

Soluções integradas – Outro negócio realizado no exterior começa a gerar equipamentos de última geração. A austríaca Wittmann, especializada em robôs e periféricos, adquiriu a Battenfeld, tradicional fabricante alemã de injetoras. Com o negócio, a compradora tinha como objetivo oferecer aos clientes equipamentos com soluções integradas para determinadas operações. Nos pacotes, são ofertados, além das injetoras, robôs, secadores, alimentadores e todos os demais periféricos necessários para variadas linhas de produção.

Um dos lançamentos do gênero também chegou ao mercado na recém-realizada Fakuma. “Na feira foi mostrado um modelo de nosso módulo EcoPower”, informa Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Battenfeld do Brasil. O módulo traz, integrado no chassi das injetoras, dois controladores de temperatura do molde no comando da máquina, um sistema de desumidificação e um robô. As injetoras contam com forças de fechamento de 55 a 300 toneladas. “É o mais compacto dos modelos europeus, economiza espaço e é fácil de operar – toda a memorização das operações é guardada em um único controle. Além disso, permite ciclos com economia de tempo de até 20% em relação aos modelos convencionais”, informa.

Cuca Jorge

Cardenal destaca modelo com ciclo de injeção 20% mais rápido

Outra atração da empresa no evento foi uma máquina voltada para produzir embalagens por meio da injeção in mold label, com todos os recursos presentes em um único corpo. A Battenfeld também aproveitou a feira alemã para divulgar sua quarta geração de injetoras com acionamento elétrico. Essas máquinas contam com o sistema Break Energy Power Supply, dotado com gerador capaz de armazenar energia durante a frenagem dos componentes. “Essa energia é liberada na retomada dos movimentos, proporcionando economia de até 10%”, revela.

De acordo com Cardenal, depois de um início de ano difícil, o mercado brasileiro começou a melhorar em agosto. As vendas ainda não estão no mesmo nível das verificadas no ano passado. “No período mais agudo da crise, nossos negócios ficaram em torno dos 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Agora, já chegaram aos 50%”, diz. O mais positivo, para ele, tem sido o forte aquecimento no número de consultas. “Nossas perspectivas para 2010 são melhores do que as que tínhamos no ano passado”, avalia.

Por enquanto, o interesse pelas máquinas elétricas não entusiasma. “Na Europa, a procura por essas máquinas é grande, por aqui precisamos desenvolver melhor o mercado”, diz. Para os fabricantes de peças técnicas, a linha de máquinas hidráulicas HM é a mais vendida. Já para os interessados em ciclos rápidos, ganha destaque a série de injetoras híbridas TM Xpress, com forças de fechamento de 160 a 450 toneladas. A produção dos modelos grandes, por estratégia da Wittmann, foi interrompida por um período. “Teremos novidades em breve nas máquinas de maior porte, de 800 a 1,6 mil toneladas. Para esta faixa de mercado, vamos lançar linhas mais compactas e competitivas”, informa o gerente. Os principais clientes da Battenfeld no Brasil são os transformadores de peças técnicas e os de embalagens.

Alemãs – Outras importadoras alemãs bastante conhecidas pelos transformadores brasileiros tiveram vendas melhores do que as esperadas em 2009. Uma delas é a alemã KraussMaffei, cujos negócios foram similares aos de 2007. “As vendas tiveram redução de 30% em relação ao ano

passado. Foi um bom resultado, dentro das nossas expectativas”, revela o presidente da empresa, Renato Benatti. De acordo com o dirigente, no Brasil, os efeitos da crise foram bem suaves. “Na Europa, ela atingiu a empresa com força muito maior”, informa. A perspectiva para o próximo ano é das melhores. “Acredito que em face do volume de negócios atual o ano de 2010 será muito bom. O Brasil vive situação privilegiada, oferece oportunidade única de negócios”, analisa.

A KraussMaffei oferece injetoras com força de fechamento de 35 a 5,4 mil toneladas, em versões hidráulicas, híbridas e elétricas. Uma das novidades da empresa que serão divulgadas no mercado brasileiro com maior força nos próximos meses é a linha chamada Spin Form, dotada de máquinas com dois canhões de injeção. “Ela já é bem conhecida na Europa, permite a utilização de dois moldes de forma simultânea e ciclos de elevada produção”, explica.

Cuca Jorge

Benatti: a economia nacional favorece os negócios da empresa

Benatti ressalta dois aspectos diferenciais dos equipamentos oferecidos pela KraussMaffei. “Nossa empresa nasceu há 172 anos como fabricante de locomotivas. Por isso, nossas máquinas contam com muita robustez, exigem manutenção mínima. Elas também têm precisão muito grande”, garante. Com essas características, a empresa atua no segmento de tecnologia de ponta, é procurada por transformadores de peças com maior valor agregado. As indústrias de autopeças, embalagens e de componentes para eletroeletrônicos estão entre os clientes mais ativos da marca.

Depois de enfrentar sérias dificuldades nos primeiros quatro meses do ano, a Arburg conseguiu recuperar as perdas. As vendas da empresa no Brasil devem fechar o ano no mesmo patamar dos anos 2006 e 2007. Kai Wender, diretor da Arburg do Brasil, está satisfeito com os resultados obtidos. “O ano de 2008 foi excepcional, com vendas 30% acima dos anos anteriores, e não o estamos utilizando como base”, conta.

Os clientes mais tradicionais da Arburg são os produtores de peças plásticas de alta precisão, em especial os fornecedores para a indústria automobilística e a de eletroeletrônicos. “O maior crescimento da demanda tem ocorrido nos setores de embalagens, utilidades domésticas e de

produtos farmacêuticos e medicinais, nos quais, além da precisão e repetibilidade, busca-se elevada produtividade como forma de reduzir custos”, explica o diretor.

Para tanto, a empresa aposta na combinação inteligente de diferentes formas de acionamento em eixos hidráulicos e elétricos. Essa é a característica principal da linha de injetoras híbridas Hidrive, lançada este ano e formada por modelos de 60 a 320 toneladas de força de fechamento. “A série apresenta um novo conceito”, afirma Wender. Os eixos de fechamento do molde e a dosagem têm acionamento feito por servomotores diretos. Outros eixos são acionados por sistema hidráulico via acumulador. De acordo com o diretor, esses e outros detalhes técnicos proporcionam maior produtividade e economia de energia. “A Hidrive apresenta consumo de energia muito próximo ao das máquinas elétricas e tem toda a flexibilidade e velocidade de injeção das hidráulicas”, afirma.

Cuca Jorge

Wender aposta em equipamento com novo conceito operacional

Solução sino-brasileira – As vendas de injetoras chinesas da Tederic Machinery em 2009 não decepcionaram. “O ano para o mercado de injetoras está sendo bom”, conta Newton Zanetti, diretor-comercial da Pavan Zanetti, empresa representante exclusiva da marca asiática no Brasil. A Pavan Zanetti é bastante conhecida por sua participação no mercado nacional de sopradoras, mas desde 1970 também atua no mercado de injetoras.

Há quatro anos a empresa resolveu ampliar sua presença neste nicho. Como na época era muito difícil competir com o preço das importadas, firmou parceria com a marca chinesa. A Pavan Zanetti continua a oferecer dois modelos fabricados em casa: o NFN 150 P e o Unijet 250 V. “Hoje fabricamos poucas unidades com marca própria, só para alguns clientes que gostam de nossas máquinas. Também abastecemos o mercado de peças de reposição”, revela Zanetti.
De acordo com o executivo, as vendas das chinesas estão evoluindo de forma satisfatória. Há três anos, foram comercializadas cinquenta unidades. No ano passado, esse número subiu para oitenta. Em 2010, a expectativa é de que chegue a cem. “Estamos próximos de nossa participação histórica no nicho de injetoras, que é de 5% a 6% do mercado”, revela. As metas para 2010 ainda não foram definidas. A queda do dólar ajuda. “Temos dificuldades com a falta de espaço na nossa fábrica, estamos tentando resolver esse problema mantendo estoques fora da empresa”, explica. As máquinas oferecidas têm força de fechamento de 80 a 500 toneladas. Essa faixa de capacidade é responsável por 80% das máquinas vendidas no país.

O acordo sino-brasileiro prevê a adaptação dos equipamentos chineses, que ganharam padrões parecidos com os nacionais. Entre os modelos, o dirigente destaca a linha TRX, para a injeção de pré-formas de PET, além das máquinas convencionais voltadas para a produção de peças de polietileno e polipropileno. A assistência técnica é outro diferencial. “O nome da Pavan Zanetti, bastante respeitado pelos nossos clientes, serve como aval”, orgulha-se o dirigente.

 

 

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