E X T R U S O R A S

Casa nova II – Outra empresa que anuncia ampliação de sua capacidade produtiva é a nacional LGMT, que aproveita os bons momentos vividos nos últimos anos para abrir uma nova unidade fabril, três vezes maior em relação à atual. A inauguração está prevista para as próximas semanas. As duas plantas industriais da fabricante estão localizadas em Piracicaba-SP.

Em paralelo aos investimentos em estrutura, a LGMT garante buscar aperfeiçoar as máquinas oferecidas. “Estamos em constante aprimoramento para melhorar a qualidade e diminuir ao máximo o tempo de usinagem dos nossos equipamentos”, diz o diretor Luciano Miotto. Para ele, esse investimento é imprescindível para a empresa manter-se competitiva. O mercado começou a entender a necessidade de equipamentos com elevado desempenho e menor custo possível. A receita é a mesma dos concorrentes: procurar fabricar máquinas com maior produtividade, elevada automação e menor consumo de energia.

Para este ano, a expectativa é crescer entre 5% e 10%. Essa previsão se pauta em toda a linha de


Miotto apura usinagem para agilizar a produção da fábrica

 fabricação da empresa: extrusoras para tubos, perfis, granulação e cilindros e roscas. Os dois grandes eventos previstos para ocorrer no Brasil nos próximos anos, a Copa do Mundo e a Olimpíada, injetam ânimo para o futuro. De acordo com o diretor, eles devem ajudar o mercado de tubos e perfis a despontar com maior força. O diretor também destaca a retomada do desenvolvimento da construção civil e os investimentos previstos em obras de saneamento básico como fatores promissores para o segmento.

Miotto admite que para produtos de alta tecnologia em seu processamento os equipamentos de origem europeia são superiores aos de tecnologia nacional. Porém faz questão de ressaltar que grande parte da produção daqui atende à demanda interna. Em relação à ameaça chinesa, ele ressalta que as máquinas asiáticas são fabricadas visando preço, não têm o mesmo acabamento, robustez e componentes de qualidade das similares nacionais. “O chato é a cobrança feita pelos clientes nacionais. Eles solicitam equipamentos com tecnologia europeia e preços chineses, isso é impossível”, justifica.

Um dos recentes lançamentos da empresa, apresentado na Brasilplast, é a extrusora Dia 30 mm, com capacidade de produção de 80 kg/h, projetada para transformar polipropileno enriquecido com talco e compostos de polietileno ou polipropileno com pó de madeira, usados para a produção da chamada madeira plástica.

Resultados satisfatórios – Para a alemã KraussMaffei Berstorff, com escritório de representação próprio no Brasil, os resultados de 2009 por aqui não alcançaram as metas traçadas no final de seu ano fiscal de 2008 (o ano fiscal da empresa é de outubro a setembro). Diante da gravidade da crise internacional, no entanto, os resultados obtidos foram satisfatórios.

De acordo com Bruno Sommer, gerente da divisão extrusão da empresa, as vendas de extrusoras na América do Sul este ano foram de 3,5 milhões de euros. Cerca de 90% dessa quantia corresponde aos negócios gerados pelas vendas de máquinas de tubos. Hoje, a empresa conta com aproximadamente 80 linhas instaladas no Brasil. “Por uma questão de mercado, nossas principais vendas são de linhas para tubos de PVC. Porém estamos observando um aumento de demanda de tubos de PEAD”, informa. Também cresce a procura por máquinas voltadas para compostos.


Sommer observa crescimento na demanda de tubos de polietileno

O gerente destaca o lançamento de nova série de extrusoras dupla-rosca contrarrotantes, dotadas com L/D 36 e apenas uma degasagem a vácuo. A linha anterior apresenta duas degasagens, uma atmosférica e outra a vácuo. “A nova série, além das formulações normais de PVC, permite flexibilidade muito maior para processar diferentes tipos de materiais, como MPVC, PVC expandido, formulações com alta concentração de carga de CaCO3 e PVC bio-orientado”, explica. Para ele, a nova série permite rendimento 10% superior, em média, em todos os tamanhos de máquinas, com o mesmo preço da série anterior.

Sommer também destaca a superioridade das blindagens oferecidas pelas máquinas importadas. “Todas as nossas máquinas são produzidas para transformar materiais onde existem problemas de abrasão ou corrosão”, diz. Ele informa que as máquinas de tubos e perfis de PVC têm roscas com molibdênio. Essa característica, em paralelo ao uso dos cilindros com profunda nitretagem oferecidos, permite vida útil muito maior do componente em relação aos modelos nacionais. Outro diferencial, na opinião do profissional, encontra-se na utilização de motores com elevado desempenho, fator responsável pela economia de energia proporcionada pelos equipamentos da KraussMaffei.

Aquisição – A recente aquisição mundial da Kiefel, empresa que fazia parte do grupo Bruckner, pela Reifenhauser, gerou a Reifenhauser Kiefel Extrusion GmbH. A nova empresa é representada no mercado nacional pela Coras do Brasil, responsável por aqui pela venda de máquinas para filmes, tanto tubulares como planos. A linha de produção vai de máquinas monocamadas até coextrusoras de nove camadas, para aplicações em embalagens de uso geral, filmes técnicos complexos ou para embalagens de alimentos com elevada barreira. O nicho atingido é o de modelos mais sofisticados.

“O mercado latino-americano é muito importante para nós. Nos últimos anos foram vendidas mais de 40 máquinas na região, desde monocamadas até sete camadas”, revela Gustavo Virginillo, representante da Coras. No caso de máquinas para filmes de alta barreira, com cinco e sete camadas, foram comercializadas sete instalações. O mercado nacional é difícil para a empresa, por causa da concorrência dos fabricantes locais. O perfil de consumo também é diferente do de outros mercados. “Por isso, pretendemos mudar um pouco nossa linha de equipamentos para nos adaptar melhor à realidade latino-americana, em especial a brasileira”, diz.

De acordo com Virginillo, o mercado europeu é mais competitivo e exige processar filmes com tecnologia de


Virginillo acha difícil concorrer com os fabricantes locais

ponta, que permite melhor rentabilidade. Alguns tópicos na Europa, oferecidos em modelos standard, por aqui são pouco usados. Por exemplo, o controle gravimétrico dos extrusores, voltados para controle e medição da espessura dos filmes.

Por aqui, os filmes de sete e nove camadas também são bem menos aproveitados. A procura recai de forma concentrada nos modelos voltados para três e cinco camadas. O representante aponta uma tendência. “Hoje estão produzindo filmes de três camadas em cinco camadas, o que permite redução considerável no custo de produção”, diz. A explicação é a seguinte: as camadas externas ou funcionais produzidas com matérias-primas caras se dividem em duas. Dessa forma, por exemplo, reduz-se a espessura de uma camada de metaloceno e complementa-se o filme com camada adicional de PELBD, material mais barato. A economia pode ser maior, se o transformador usar máquinas de cinco camadas com capacidade ociosa para realizar a operação.

Otimismo moderado – Outras representantes de marcas multinacionais mostram relativo otimismo com o atual momento do mercado nacional. Uma delas é a By Engenharia, representante da norte-americana Davis-Standard e da italiana Maris. A Davis-Standard, com fábricas nos Estados Unidos, Alemanha e Grã-Bretanha, é uma das maiores companhias mundiais de soluções de extrusão e apresenta linhas completas para filmes, chapas, perfis e tubos. A Maris, por sua vez,

com fábrica na cidade italiana de Rosta, tem como ponto forte as extrusoras de roscas duplas.

“O ano está razoável. Nos primeiros quatro ou cinco meses, as vendas ficaram aquém das expectativas, mas a partir de junho elas começaram a reagir drasticamente”, informa Marco Antonio Gianese, diretor da By. Ele se mostra especialmente feliz com as muitas consultas recebidas nos últimos meses e acredita em um bom 2010. A demanda mais forte vem da indústria de embalagens, interessada em máquinas de filmes da Davis-Standard. As linhas de máquinas da Maris para compostos e masterbatches também estão recebendo consultas em número satisfatório.


Gianese: maior consumo vem de filmes, compostos e master

Para a alemã Coperion, empresa com escritório de representação próprio no Brasil, os negócios não andam tão aquecidos. As expectativas, no entanto, são otimistas. A multinacional, presente nas áreas de compostos, plásticos de engenharia e masterbatches, aposta no interesse do mercado nas atualizações tecnológicas.

De acordo com o gerente de vendas da Coperion, Marcelo Albernaz, as vendas do ano começaram fracas e se recuperaram nos últimos meses. Em média, a companhia comercializa por aqui dezesseis máquinas por ano. Em 2009, até o momento, foram vendidas doze – onze no Brasil e uma para o mercado argentino. Existe a possibilidade de encerrar o ano com catorze, número um pouco aquém das expectativas convencionais.

A queda está ligada à crise global. Grande parte dos clientes da Coperion é multinacional e em virtude do crash econômico, essas empresas frearam os investimentos previstos para o Brasil para ganhar fôlego financeiro no exterior. Em compensação, as indústrias nacionais reforçaram as encomendas. “O consumo interno aumentou muito. Há interesse não só em quantidade, vejo investimento em melhoria de processo”, comenta Albernaz. Para ele, o mercado nacional apresenta novo paradigma: a demanda está mais sofisticada. “Os preços das máquinas Coperion não são os mais baixos do mercado, mas em contrapartida elas oferecem maior produtividade e menor consumo energético, além de reduzida degradação das resinas”, afirma.

 

 

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