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Em Caxias do Sul, a estratégia do Simplás consiste em responder aos
ataques em diversas frentes, principalmente por meio da participação em
debates e palestras em emissoras de rádio local e promovidas por
instituições da sociedade. Além disso, o Simplás organizou palestras sobre
o tema das sacolas plásticas e convidou os ambientalistas da região com o
objetivo de mostrar que uma sacola de polietileno é ao contrário do que se
pensa uma solução ambientalmente amigável. Conforme Marin, depois do
supermercado a sacola é empregada como saco de lixo e poderia ir para a
usina de reciclagem. Então o problema é o descarte e não o material.
Compromissado com o tema do emprego responsável, o Simplás assumiu ainda a
dianteira de um programa local de capacitação dos catadores para que esses
se transformem em separadores tecnicamente qualificados e num segundo
momento possam gerir usinas de reciclagem. O esforço para melhorar a
reciclagem faz sentido. Caxias do Sul tem escassez de resinas há muitos
anos. Na reciclagem, a cidade encontrou uma forma de suprir a oferta
insuficiente e hoje transforma mais de 400 mil toneladas por ano entre
matéria-prima virgem e recuperada.
Atualmente, a serra gaúcha é importadora de material reutilizado. Seus
transformadores compram de recicladoras paulistas, mineiras, de Santa
Catarina e do Paraná. O emprego de resina reciclada é estimulado até para
peças técnicas fornecidas à indústria automotiva. De acordo com Marin, um
polipropileno com cargas e reforços tem a mesma propriedade encontrada
naquele produzido na segunda geração petroquímica.
Por outro lado, Marin é contrário às tentativas recentes de implantar o
plástico biodegradável. “Esse negócio já nasceu morto. Qual fabricante de
arroz vai querer colocar os alimentos que vende num filme com aditivos com
metais pesados reativos”, questiona o presidente do Simplás.
Ao mudar o rumo da conversa, Marin elogia o atual estágio de fornecimento
de máquinas e equipamentos empregados na transformação de termoplásticos.
No seu entendimento, os importados da Ásia são um grande atrativo, pois os
chineses qualificaram seus produtos ao adotar os padrões de construção
europeus e norte-americanos. Por isso, as máquinas brasileiras, que
estavam muito abaixo em competitividade, com a chegada das importadas
tiveram de readequar preços.
Na sua opinião, é uma competição saudável estimulada ainda por
financiamentos com taxas de juros de 4,5% ao ano, oferecidas na rede
bancária pública e particular. O presidente do Simplás aponta a
possibilidade de honrar o Finame em oito anos com dois de carência e mais
5% de juros pagos na última parcela como um verdadeiro convite à entrada
de novas empresas no ramo de transformação, assim como estimular a
modernização do atual parque industrial.
Para Marin, por conta de tais facilidades, os empresários estão sendo
desafiados a adquirir máquinas mais produtivas. Caxias do Sul detém a
maior concentração de bens de capital de terceira geração petroquímica do
país por quilômetro quadrado. São mais de quatro mil e quinhentas num raio
de 45 quilômetros. O polo de usinagem de moldes, matrizes e ferramentas é
um dos mais expressivos do país.
Percebe-se a ocorrência de sintonia fina entre os três principais líderes
da transformação de termoplásticos gaúcha. O presidente do Sindicato da
Indústria de Material Plástico do Vale dos Vinhedos, de Bento Gonçalves, (Simplavi),
Emílio Ristow, da mesma forma afirma que o
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monopólio petroquímico no país é inevitável, mas não é
o único revés. Ele diz ter ouvido de lideranças políticas em Brasília
que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais é fato
consumado e chega num momento difícil de retomada porque não existe
margem para repassar os novos custos aos preços.
De maneira geral, os transformadores do Vale dos Vinhedos já começaram
a importar resinas por acreditar que a petroquímica nacional não
apresentou justificativa razoável para as últimas altas dos preços.
“Eles estão recuperando margem porque não havia razão para aumento com
o dólar voltando a cair e o petróleo estabilizado”, se queixa Ristow.
O foco do Simplavi é sedimentar com outros sindicatos a |

Ristow critica alta injustificada nos preços das resinas nacionais |
força política da terceira geração para melhorar as condições de
negociação com as petroquímicas e ampliar a participação dos empresários
nas instâncias de decisão da Federação das Indústrias do Estado do Rio
Grande do Sul (Fiergs).
Em 2009, os gaúchos atingiram 800 empresas na base do Sinplast, 600 na
base do Simplás, em Caxias do Sul, e aproximadamente 60 na base do
Simplavi, de Bento Gonçalves. O segmento emprega 26 mil trabalhadores. Por
processos, a extrusão responde por 60%. A injeção fica em 30%. Os demais
processos, como sopro, termoformagem e rotomoldagem atingem os 10% em todo
o estado. Entretanto, se a contagem é feita a partir da base de Caxias do
Sul, a segmentação é diferente. Predomina a transformação de peças
técnicas e a injeção corresponde a 58%.
A extrusão em Caxias consome 27% das resinas; a termoformagem, outros 11%.
Os quatro por cento restantes se dividem entre outros processos, sendo que
20% das empresas que atuam na transformação do plástico promovem mais de
um tipo de processo.
Recentemente, uma pesquisa apontou as consequências da queda na atividade
econômica proporcionada pela crise financeira, em fase de superação, para
os transformadores de plásticos gaúchos. Na opinião de 64,8% dos
executivos, houve redução dos investimentos previstos na expansão de novos
negócios. Para 71,6% dos entrevistados, ocorrerá reposição de preços ao
longo da cadeia na ordem de 5% a 10%. As perdas financeiras também irão
ocorrer por conta da pressão da carga tributária — quesito com maior poder
de desestímulo à atividade produtiva para 66,7% dos entrevistados.
Como obstáculos ao desenvolvimento do setor aparecem ainda os custos
financeiros (33,3%) e a competitividade desleal (29,6%). A saída, na visão
de executivos e empresários, é a busca por novos mercados (59,3%) e
segmentos de produtos específicos (42,6%).
A sondagem ouviu executivos de empresas com faturamento anual acima de R$
100 milhões (90,7%) e com mais de mil funcionários (66,7%). Ainda assim, o
Rio Grande do Sul lidera o ranking dos investimentos previstos para este
ano (37%). Outro ponto forte da economia gaúcha é a qualidade da
mão-de-obra.
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Engenharia de Superfícies e
Simplás firmam convênio
O Sindicato das Indústrias de Material Plástico do
Nordeste Gaúcho (Simplás) e as demais entidades lotadas na Câmara da
Indústria e Comércio de Caxias do Sul irão injetar aproximadamente R$
500 mil de um total de R$ 6 milhões, para ajudar na decolagem das
pesquisas do recém-criado Instituto Nacional de Engenharia de
Superfícies (Ines), uma iniciativa do Ministério da Ciência e
Tecnologia e de diversas universidades públicas, privadas e entidades
empresariais, supervisionado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPQ).
O instituto articula recursos humanos e infraestrutura em todo o país
na área de produção científica em engenharia de superfícies,
interligando uma rede de laboratórios de pesquisa das principais
universidades do país, entre as quais a Universidade Federal
Fluminense, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Santa Catarina,
Universidade Estadual de Campinas, Universidade do Estado de Santa
Catarina, Universidade de São Paulo (USP), Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais, Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro e a Universidade de Caxias do Sul (UCS).
No caso dos plásticos, a mudança de superfícies diz respeito à
obtenção de novas propriedades físicas como transparência, produção de
plásticos quimicamente ativos com propriedades antibióticas, ou
inativos para algumas substâncias que possam reduzir problemas
ambientais e contaminantes. Com relação ainda a polímeros, a
engenharia de superfícies pode estudar tratamentos para fins de
proteção, decoração, aumento da dureza superficial, resistência ao
desgaste e controle da adesão com metais, por exemplo.
Segundo o coordenador nacional do Ines, Israel Baumvol, existem
inúmeras funções possíveis na área de polímeros, tais como a
metalização de filmes de ligas com função protetora da superfície. Ele
argumenta que a Universidade de Caxias do Sul já reúne há mais tempo
uma área de processamento de polímeros, desde a injeção até a
reciclagem reconhecida internacionalmente. O coordenador ressaltou o
esforço em diversas áreas como tintas, materiais para impressão e
outras tecnologias gráficas. Entre as empresas do segmento plástico já
beneficiadas por pesquisas constam a Fras-le, Tramontina, Marcopolo,
Randon, Autotravi, o Sindicato Calçadista de Três Coroas, a Grendene,
a Borrachas Vipal e a Braskem.
Por conta dessas pesquisas, a Plásticos Soprano, empresa de Caxias,
obteve recentemente uma patente que contempla pesquisa em
nanotecnologia e por meio da qual foi possível desenvolver um plástico
endurecido para a injeção de estrutura de cadeados. O endurecimento de
plásticos beneficia também o setor de transporte de cargas, que está
sofrendo grandes modificações. Atualmente, na parte de carrocerias, a
madeira e o metal são materiais dominantes, mas futuramente a
substituição de partes grandes e pesadas por estruturas poliméricas
mais leves será uma realidade.
Baumvol diz ainda que a indústria de matrizes e moldes para plásticos
também deve se beneficiar. Ele explicou que o desgaste dos moldes de
injeção, decorrentes do forte atrito, poderá ser reduzido
significativamente com a colocação de revestimentos de polímeros sobre
a camada de aço. Ele explica que futuramente o Instituto de Engenharia
de Superfícies terá pesquisas específicas para atender diversos
segmentos como as indústrias de álcool e biodiesel.
Outro benefício concedido aos sindicatos participantes do consórcio se
relaciona com o acesso aos laboratórios da seção caxiense do instituto
com 30% de desconto. Localizados na UCS, esses laboratórios contam com
equipamentos de alta tecnologia que, operados pelos pesquisadores do
Instituto, podem ser de grande utilidade para resolver problemas da
indústria regional, tais como questões tecnológicas, redução de custos
e aumento na competitividade.
Baumvol explica que o Ines nasceu sob inspiração de um edital da pasta
da Ciência e Tecnologia e capta recursos de outros setores de fomento
da pesquisa científica, tais como o BNDES e a Financiadora de Estudos
e Projetos (Finep), do governo federal. As entidades de Caxias do Sul
aportam recursos por meio de um documento assinado e chancelado pela
UCS, por meio do qual esses segmentos industriais irão usufruir os
benefícios práticos das pesquisas; isto é: descobertas tecnológicas
que venham a ser aplicadas nas indústrias de transformação. |
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