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Polo Sul
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Transformação gaúcha discute o
fortalecimento da indústria do plástico e a união dos elos da cadeia
Texto e fotos de
Fernando Cibelli de Castro |
Os transformadores de termoplásticos do
Rio Grande do Sul, com processamento estimado em 480 mil toneladas de
resinas virgens e outras 400 mil de recicladas em 2008, e R$ 4 bilhões de
valor de produção, têm uma agenda movimentada neste período de superação
da crise econômica. Nos últimos meses, a atividade dos presidentes dos
três sindicatos empresariais do segmento foi intensa em solo gaúcho.
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Diante da perspectiva anunciada e ainda não
confirmada, de compra da Quattor pela Braskem, o presidente do braço
petroquímico do grupo Odebrecht, Bernardo Gradin, esteve em Porto
Alegre no começo de setembro a convite do Sindicato das Indústrias de
Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS) e
proferiu palestra em reunião-almoço. Na ocasião, Gradin destacou a
importância da união do setor para a consolidação de uma cadeia
produtiva do plástico, propondo uma agenda comum de crescimento.
“Nossa estratégia está focada em clientes fortes e na cadeia de valor
sólida”, ressaltou. Na opinião de Gradin, o Rio Grande do Sul oferece
condições privilegiadas em favor do desenvolvimento da indústria do
plástico, apesar de prever um ciclo de forte baixa no setor
petroquímico-plástico entre |

Gradin propõe uma agenda comum de crescimento para toda a indústria |
2010 e 2011. Sobre a fusão com a Quattor, Gradin silenciou qualquer
detalhe: “Sei que é um tema que gera polêmica natural, mas, por causa de
questões de governança, de sermos uma S.A. com ações na Bolsa, não posso
comentar.”
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O presidente do Sinplast-RS, Alfredo Schmitt,
esclareceu que o almoço não tinha nenhum sentido de apoiar esta ou
aquela empresa, pois já estava programado há mais de dois meses.
Segundo o líder empresarial, foi a primeira vez que o presidente de
uma empresa como a Braskem teve o contato direto com os seus clientes,
pois para Schmitt o momento é de somar forças entre a primeira, a
segunda e a terceira geração.
Schmitt lembrou que as informações dos noticiários de economia apontam
para a irreversibilidade do negócio, por conta do endividamento de US$
4,5 bilhões da Quattor. Como a Petroquisa, leia-se o governo federal,
é |

Schmitt aposta no diálogo entre a segunda e a terceira geração |
detentora de 30% do controle acionário, portanto, sócia dos ativos e da
dívida na mesma proporção, opina Schmitt, não haverá obstáculos se a
Braskem resolver de fato consolidar o negócio.
Afinal de contas, quem não quer resolver um endividamento calculado em
bilhões em moeda forte. “O que se lê na imprensa especializada em economia
deixa claro: um encaminhamento de solução para a Quattor certamente
irá ocorrer”, assinala o presidente do Sinplast-RS gaúcho. Entretanto,
Schmitt não projeta maiores problemas para os transformadores diante da
possibilidade de surgimento de um monopólio na primeira e na segunda
geração petroquímica do país.
Em sua opinião, ter dois fornecedores com participação importante de um
mesmo acionista e que é ainda o fornecedor da principal
matéria-prima vis-à-vis ter um único fornecedor tendo por trás este mesmo
acionista é praticamente a mesma coisa. Por necessidade de compensação, já
existe uma forte corrida por resinas importadas e os executivos da Braskem
conhecem essa realidade.
Otimista, o presidente do Sinplast gaúcho acredita que sempre haverá um
canal de diálogo como forma de melhorar as relações de compra e venda
entre a segunda e a terceira geração. Para ele, o sucesso do complexo
petroquímico brasileiro depende do sucesso e do progresso dos
transformadores. Schmitt assinala que a petroquímica nacional irá se
consolidar entendendo esse aspecto.
Assim, é necessário manter um parque transformador forte no mercado
interno porque, do contrário, no longo prazo o país irá se transformar em
importador de produtos acabados. Em sua opinião, outros setores da
economia contemplados com a concentração de empresas, notadamente aviação,
celulose e siderurgia, encontraram seu ponto de equilíbrio em termos de
competitividade.
Na petroquímica, 80% da comercialização de resinas está nas mãos de duas
empresas. Os 20% restantes correspondem às importações, as quais podem até
aumentar. “O processo de calibração do setor não contempla uma explosão de
preços e abre espaço para a criação de uma agenda positiva”, avalia
Schmitt.
Outra preocupação são as campanhas orquestradas contra as sacolas
plásticas, as quais passaram a receber a resposta por parte da cadeia
produtiva. Como Schmitt também preside a Associação Brasileira da
Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief), ele quer promover sinergia
entre as ações da entidade nacional com as demais entidades ligadas ao
plástico no Brasil, sejam regionais ou nacionais.
Embora a Abief tenha tomado iniciativas desde o começo do ano passado,
quando as campanhas de mídia contra as embalagens de polietileno tomaram
conta do horário nobre da televisão aberta do país, Schmitt acredita que
neste momento toda a imagem negativa que tentaram produzir contra o
plástico começa a ser revertida. Ele informa que o site na internet criado
para defender os interesses da indústria de sacolas plásticas registrou
quatro mil acessos nas primeiras vinte e quatro horas de veiculação.
Trata-se de uma campanha perene, pois a indústria aprendeu que tem
inimigos institucionais e políticos e precisa se defender ao longo do
tempo dentro de uma construção positiva, sem ofender ninguém, mas
colocando as questões práticas que envolvem o tema. “Sacola plástica é o
único meio de transporte capaz de transportar mil e quinhentas vezes o seu
próprio peso, pois tem massa de quatro gramas e suporta seis quilogramas,
ou seis mil gramas, desde que processada dentro da norma ABNT específica”,
pondera Schmitt.
Eleito para um mandato completo à frente do Sinplast-RS em 15 de setembro
último, Alfredo Schmitt quer promover a competitividade do setor e
aprofundar o debate sobre como melhorar a situação dos impostos. Promete
criar um comitê de energia elétrica porque se avizinha um aumento de 50%
real nas tarifas. A majoração nessa proporção simplesmente inviabilizará a
indústria de transformação como um todo no Brasil.
“Queremos rediscutir isso, porque será um momento preocupante para toda
a indústria de transformação no Brasil”, adverte. Recentemente, a convite
do Sinplast-RS, esteve em Porto Alegre um diretor da Associação
Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia para informar o atual
panorama, o qual aponta para uma posição majoritária dentro da Agência
Nacional de Energia Elétrica, favorável a mudar os patamares do preço da
energia.
Schmitt pontua: é preciso entender o problema da energia, pois toda vez
que se reivindica algo de modo inadequado o insucesso é previsível.
“Desafios importantes já aparecem no nosso horizonte: clusters de
transformação no Oriente Médio, preços de energia, alterações maléficas na
legislação trabalhista, fatos que levarão a um novo mundo de negócios logo
ali adiante. Precisamos nos preparar, ter consciência de que para
sobreviver e perpetuar nossos negócios, termos dentro de nós o conceito
da cadeia produtiva do plástico será fundamental.”
O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste
Gaúcho (Simplás), com sede em Caxias do Sul, Orlando Marin, harmoniza o
discurso com Alfredo Schmitt quanto ao tema da possibilidade de formação
de monopólio petroquímico no país. “Se confirmada a compra da Quattor, não
muda nada no mercado porque de uma situação de duopólio para monopólio o
quadro é o mesmo.”
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Marin reforça a tese de Schmitt. Se o governo tem
condições de amortizar a dívida pública por ser sócio do passivo da
Quattor, não haverá obstáculo do Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (Cade). “O fato é que tem de arrumar a casa. Se o país
comporta apenas uma petroquímica forte que assim o seja”, propõe
Marin. Entretanto, o presidente do Simplás adverte: a importação irá
regular o setor. “Se ficar apenas uma petroquímica com bandeira
nacional, o jeito é trazer concorrência de fora para equilibrar o
mercado”, pondera Marin.
Da mesma forma que o Sinplast, o Simplás se preocupa com a imagem do
plástico. Marin reforça que a questão ambiental é muito importante
para a entidade. “Eu sempre digo que hoje a gente enterra material.
Amanhã vamos desenterrar para produzir energia. Há um desafio de
conduta da |

Marin enfatiza a necessidade de resguardar a imagem do plástico |
sociedade que é parar de jogar fora e encontrar novas utilidades para
os materiais advindos de fontes naturais. O cara passa na gôndola do
supermercado e tudo é plástico e depois joga tudo numa sacola de pano para
agradar um ecologista”, condena Marin.
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