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PERIFÉRICOS |
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Busca por produtividade
atrai investimentos
nos negócios de automação
Texto de Maria Aparecida de Sino Reto
Fotos de Cuca Jorge
Embora
uma fração relevante da indústria de transformação de plástico ainda
não usufrua os benefícios gerados pela instalação de equipamentos
auxiliares de processo em suas fábricas, a imposição por maior
produtividade e redução de custos obriga essas empresas a reconhecer a
necessidade de injetar recursos em automação, motivo de alento e do
bom desempenho registrado pelos fornecedores desses
periféricos neste ano. |
Se, até bem pouco tempo atrás, os interesses dos moldadores não iam
além dos moinhos, imprescindíveis para reaproveitar as aparas da sua
produção, hoje, vários novos projetos de investimentos contemplam também
alimentadores e dosadores, sinônimos de processos mais homogêneos,
precisos, estáveis (maior repetibilidade) e produtos finais de melhor
qualidade. Além disso, as perdas de matérias-primas decorrentes da
alimentação e dosagem manual deixam de existir e os operadores das
máquinas correm menos riscos de acidentes. Em suma, a automação melhora o
controle de processo e o fluxo de matéria-prima. Traduzida para a
linguagem financeira, significa aumento de produtividade e corte nos
custos.
Por tais ganhos, os equipamentos auxiliares de processo são acolhidos cada
vez mais como uma importante ferramenta de trabalho nas indústrias do
plástico. Os aportes dos fabricantes de periféricos no aprimoramento
tecnológico e na diversidade de modelos comprovam a tendência.
Primeiro passo – O alimentador individual, acoplado à injetora,
extrusora, sopradora ou outra máquina de transformação, constitui a
primeira etapa na transição da fábrica de manual para sua
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automação. Ao aposentar a famosa “canequinha” e
substituí-la por um equipamento, o fabricante de peças plásticas já
implementa uma série de vantagens ao seu processo – e isso vale para
todos: injeção, extrusão, sopro etc. –, tais como evitar erros de
abastecimento; desperdiçar insumos, usualmente derramados pelo chão da
fábrica; parar máquinas por falta de material; e ainda reduzir riscos
de acidentes com operários encarregados de alimentar os equipamentos.
Daniel Ebel, diretor da Plast-Equip/Rax, recorre a números
estatísticos para ilustrar os ganhos da transformação. Segundo suas
informações, estudos de especialistas estimam em torno de 7% para a
perda de insumos durante o manuseio e a alimentação manual. |

Ebel: desperdício atinge 7% na alimentação manual |
São inúmeros os benefícios da alimentação automatizada. Importante no
resultado qualitativo da peça, a garantia de uma matéria-prima livre de
contaminações é uma das vantagens ressaltadas por Ricardo Prado Santos,
vice-presidente da Piovan. O transformador também consegue obter o
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máximo aproveitamento da máquina processadora porque o
alimentador garante abastecimento constante. Ele observa, porém, que o
rendimento esperado para qualquer periférico requer aplicação bem
orientada. “O expertise da venda do equipamento está na aplicação”,
opina.
O efeito colateral da automação acomete os operários: a dispensa de
mão-de-obra ou seu remanejamento, este último até favorável muitas
vezes. Mas Carol Oliveira, executiva de vendas técnicas da Ineal,
tradicional fabricante brasileira |
Divulgação

Prado: dosador de rosca garante maior precisão |
em sistemas de alimentação, descortina um outro aspecto positivo da
automação, com um olhar favorável ao colaborador. Para ela, a automação
alivia a carga de trabalho dos operadores. “Abre espaço e disponibilidade
de tempo para outras atividades, como cuidar da manutenção preventiva, das
fichas de processo e da qualidade do produto”, apregoa.
A alimentação centralizada constitui uma segunda fase da automação. Além
da limpeza total do chão de fábrica, o abastecimento das máquinas focado
em um ponto permite um maior controle da matéria-prima. “Controla o que
sai e para onde segue, de qual silo e para qual máquina”, informa Ebel.
O seu projeto, porém, deve ser analisado caso a caso. “É preciso entender
a precisão real do cliente, os benefícios que ele gostaria de ter e
avaliar as limitações da fábrica”, pondera Santos. Carol compartilha
pensamento idêntico: “Trata-se de um atendimento técnico, é preciso
verificar as necessidades do cliente e a estrutura da sua empresa para
efetuar um projeto dentro desses requisitos”, alega.
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As opções para alimentação individual da Plast-Equip
abrangem três famílias de equipamentos, desde 10 quilos/hora até 3 mil
quilos/hora, e uma subfamília (série Mega) específica para flakes de
PET, lançada na última Brasilplast, realizada em maio deste ano.
Projetada para comportar o transporte de flakes de PET, material de
densidade mais baixa, formato irregular e contaminado de pó, a máquina
periférica conta com acumulador de ar comprimido e efetua operação de
limpeza a cada ciclo. O alimento e a descarga são pneumáticos.
O menor alimentador da marca também resulta de um projeto recente,
desenhado para instalação em injetoras de pequeno porte e produção de
peças de engenharia. Esse equipamento é trifásico e carrega poucos
gramas por ciclo com o propósito de evitar a reabsorção de umidade
pela resina. Dotado com painel de comando microprocessado, admite até
dez quilos por hora. |

Equipamento alimenta processo com flakes de
PET |
De acordo com Ebel, o sistema centralizado atende qualquer tamanho de
fábrica. O limite é a barreira imposta pela bomba de vácuo. “O número
máximo sugerido é de 20 equipamentos por sistema, o que reduz o risco de
parar a fábrica inteira por conta de uma pane na bomba de vácuo”, adverte.
Ele lembra, ainda, o conceito de automação por células de produção, comum
em fábricas de linha branca e de CD’s, por exemplo. O diretor ressalta que
os sistemas são expansíveis, permitindo remanejamento e ampliação.
A indústria do plástico também dispõe de vasta linha de produtos da Piovan,
uma das mais completas, com fabricação própria de alimentação individual
ou centralizada, segundo preconiza seu vice-presidente. As instalações,
flexíveis e modulares, abrem espaço para ampliações.
Um diferencial destacado por Santos fica por conta do sistema de controle
não sequencial. “Isso é sinônimo de otimização da produção, a primeira
máquina que pede material é a primeira a receber; e de utilização das
bombas, o que reduz o consumo energético”, esclarece. Todas as informações
constam do sistema, com controle total do processo, em tempo real. “Pode
controlar até mesmo o nível dos silos.”
A flexibilidade, em sentido mais amplo, também consta do pacote ofertado
pela Ineal. A empresa concede aos clientes a opção de automatizar a
fábrica por partes. Em outras palavras, os projetos podem ser planejados
de acordo com a capacidade do transformador de arcar com os investimentos.
Assim, a automação da fábrica pode ser efetuada aos poucos: primeiro um ou
alguns equipamentos, expandindo até abranger toda a produção.
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A Ineal produz sistemas de transporte de matéria-prima
individual e central, todos com alimentação trifásica. A executiva
atribui como pontos fortes da empresa o fato de ela ser totalmente
nacional, o que lhe confere abertura para as linhas de crédito
disponíveis, como Finame e Projer. “Todas as linhas de financiamento
do país são liberadas.” Para Carol, também pesa a favor da empresa a
rapidez no atendimento. “Oferecemos soluções rápidas e agilidade no
suporte e assistência técnica.” A estratégia comercial abarca o
mercado brasileiro e países da América do Sul. |

Carol assegura rapidez na oferta de soluções |
Na dose certa – Depois da alimentação, a automatização avança
para a dosagem. Seu implante acaba com erros na composição, desperdício de
matéria-prima, instabilidade no processo e outros problemas. Na avaliação
de Ebel, graças à precisão e à repetibilidade conferidas pelos dosadores,
a porcentagem de erro cai para 0,1% nos equipamentos automatizados contra
o mínimo de 0,5% nos processos manuais, já que estes, para garantir a
porcentagem mínima recomendada incorporam dosagem extra de masterbatch e
aditivos – sinônimo de desperdício e custos adicionais. “Com a dosagem
automatizada, não há variação de cor nem peças rejeitadas por esse fator”,
acrescenta Ebel.
Decidida a instalação de sistemas de dosagem, que também podem ser locais
(direto na máquina processadora) ou centralizados, cabe decidir pela
tecnologia: volumétrica ou gravimétrica? Diferencial dos gravimétricos, a
autocalibração após cada ciclo de operação imputa a esses dosadores a
garantia de repetibilidade e precisão nas quantidades de matérias-primas
adicionadas ao processo. Então a tecnologia gravimétrica assegura maior
precisão em comparação à volumétrica? Há controvérsias.
Para Carol, a resposta é sim, o gravimétrico conduz a uma mistura mais
precisa, opera com porcentagens menores e ainda permite incorporar maior
número de componentes. “A grande diferença do gravimétrico é a precisão e
a quantidade de materiais que podem ser dosados”, compara.
A propósito, o lançamento de dosadores gravimétricos com tecnologia
própria foi um dos marcos da Ineal neste ano. Apresentados em maio último,
na Brasilplast, os equipamentos atendem justamente a uma exigência do
mercado, mais solícito por precisão apurada, segundo Carol.
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