EXTRUSÃO

A ADL pertence a esse mesmo universo da BGM: atende os recicladores propriamente ditos, os transformadores que reciclam seu próprio material, e também os fabricantes de compostos e masterbatches. No momento, no entanto, a maior parte do faturamento é proveniente dos transformadores, no caso, os fabricantes de embalagens e de utensílios domésticos. A ADL destaca entre seus produtos o sistema de granulação corte direto na cabeça. “Fomos um dos

pioneiros na fabricação desse tipo de periférico no Brasil, com o qual somos bem competitivos”, afirma o diretor Danilo Correia. O equipamento substitui o tradicional sistema de banheira e granulador e, com isso, diminui a perda com borras, durante o processo e depois da troca de tela. Outros benefícios ficam por conta da obtenção de grãos uniformes, redução do espaço ocupado pela linha e baixo consumo de água.

Correia aposta na qualificação da produção local. Para ele, a maior parte dos periféricos vistos nas principais feiras do mundo tem similares fabricados por empresas nacionais. Sua fala tem eco. Para Buffone, o Brasil possui bons fabricantes de equipamentos, porém ressalta que nos últimos anos a indústria local perdeu a credibilidade perante o produto importado, por causa do seu custo bem menor, desestimulando assim a produção por aqui.

Cuca Jorge

Correia: fabricação nacional tem qualidade similar à importada

Apesar das questões macroeconômicas, os fabricantes têm, cada um à sua maneira, abastecido o mercado. O portfólio da Miotto é vasto: há calibradores a vácuo/resfriadores, puxadores, serras, bobinadores e equipamentos diversos, como enfaixatriz e cortador rotativo. No entanto, o diretor

destaca o puxador IMB-1. O equipamento opera com velocidade variável de até 80 m/min, tem fechamento automático ou pneumático, e se destina a tubos e perfis, com abertura máxima de 70 mm. Na Miotto, os puxadores de lagartas têm se configurado como um dos produtos mais vendidos nos últimos anos, entre os periféricos. No entanto, o principal negócio da companhia são realmente as máquinas. “O maior aumento de vendas foi referente às extrusoras”, ressalta Enrico Miotto.

Os equipamentos, no geral, têm evoluído. A linha de misturadores, da Mecanoplast, possui sistema de partida por meio de inversor de frequência, item que anteriormente era oferecido apenas como opcional e acrescia significativamente o custo do equipamento. Para Buffone, além do equipamento possuir mais

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Na Miotto, puxador é um dos produtos mais vendidos

recursos, maior durabilidade e aumento da economia de energia, também ficou mais barato. A Mecanoplast, que planeja construir um novo espaço fabril, em parceria com uma empresa nacional, também produz sistemas de transporte e dosagem para sólidos.

Com a pretensão de ser reconhecida como uma empresa de soluções, a Brastec Technologies aposta nos periféricos como equipamentos capazes de, muitas vezes, ser responsáveis pela melhoria do desempenho da sua linha. No segmento de extrusão, a companhia conta com a parceria da suíça Maillefer.

Na Brastec Technologies, a maior aceitação também recai sobre as linhas completas para o segmento de fios e cabos, tubos e perfis. O carro-chefe da companhia são as extrusoras monorrosca, dotadas de controle automático de temperatura, conforme o perfil térmico do material processado. O sucesso desse tipo de máquina, Helena Pedrosa, do marketing de relacionamento com o mercado da Brastec, atribui ao baixo consumo de energia, hoje uma das principais exigências dos transformadores.

Potencial no balão – Na extrusão de filme balão, os equipamentos diferem dos da extrusão de perfis, tubos e chapas. Em geral, fala-se de: alimentador; dosador gravimétrico; tratador do tipo corona; sistema de resfriamento (chillers e trocadores de calor); anel de ar automático, localizado logo depois do cabeçote; controle automático de espessura por resistência na matriz; e medidor de espessura e de largura. Entre esses equipamentos, o mais comum é o tratador do tipo corona. No caso desse último, aliás, praticamente todas as máquinas o adotam. “Esse é o número um entre os periféricos para balão, pois está em 99% das linhas”, comenta Carnevalli Filho. Não há discussão quanto à importância desses periféricos numa linha. Não faz sentido, por exemplo, processar um

filme em uma coextrusora sem o dosador gravimétrico. “Você perde todo o controle da máquina”, explica Carnevalli Filho. A coex, por ter alto valor agregado, é o tipo de máquina que mais tem adotado esses equipamentos.

O dosador gravimétrico garante o controle para a linha e o peso por metro linear, além do fato de, se for utilizado mais de um material, possibilitar uma mistura homogênea. Os sistemas de refrigeração podem elevar em até 20% a produção em uma extrusora do tipo balão. Outro benefício se refere ao brilho, pois o trocador de calor e o chiller injetam qualidade óptica ao filme. O medidor e o controlador de espessura asseguram variação entre 2,5% e 3,5%, além de maior produção, porque estabilizam mais o balão, melhorando a planicidade do filme consideravelmente, o que eleva sua velocidade de processamento.

Cuca Jorge

Equipamento controla o peso por metro de material extrudado

O Multipoint é a marca comercial do sistema de medição e controle automático de espessura da Carnevalli. Formado por um scanner de medição capacitivo que gira ao redor do balão, tomando medições contínuas das espessuras, e por um PC industrial para análise dos sinais enviados pelo scanner e cálculo das mensagens de correção que atuam diretamente na matriz ativa, o sistema é considerado um dos grandes expoentes do que existe de moderno entre os periféricos para a extrusão do tipo balão. O duplo anel de ar com o controle automático de espessura aumenta a produção em até 50%. No entanto, de origem alemã, tem um preço alto. Numa linha média, chega a representar até 35% do valor total, em uma linha grande, 20%. Na Europa, o sistema é adotado em praticamente todas as linhas de extrusão. No Brasil, apesar do custo, as taxas de financiamento têm ajudado a Carnevalli a estimular o consumo de periféricos desse tipo e a emplacar a venda de todo o conjunto. O cliente pode comprar o equipamento com o próprio fabricante da máquina, em um único financiamento.

Os produtos mais sofisticados estão em alta. Muitas novidades apresentadas neste ano na maior vitrine do setor na América do Sul, a Brasilplast, voltaram-se para esse tipo de periférico para a extrusão. A proposta de injetar produtividade e reduzir os custos de produção foi levada a sério. Esse foi o caso da HGR, fabricante que adotou em sua tradicional linha Nitrus um anel de resfriamento que prometia melhoria da estabilidade do balão e mínima variação de espessura do filme. Com um único mecanismo de ajuste do ar, mantém-se o fluxo constante suplementar focado na estabilidade do balão, o que aumenta a refrigeração e, segundo seu diretor-comercial, Ricardo Rodrigues, possibilita elevar a produção entre 15% e 30%. A Rulli Standard, uma das mais tradicionais do setor, também apostou nos periféricos, como diferencial, com o sistema Fast Gap, de ajuste rápido de abertura do lábio do flat die. O equipamento auxilia o operador na troca de espessura de bobina de forma bastante ágil, com economia de tempo de cerca de 40 minutos.

Abrindo mercado – Apesar das boas intenções dos fabricantes de máquinas, o mercado de periféricos contém lacunas. Atentas a essa brecha e com a ânsia de prover soluções completas, algumas companhias especializadas na fabricação desses equipamentos têm diversificado seu negócio, e um dos caminhos mais atraentes aponta, justamente, para o segmento de extrusão. Esse é o caso da Piovan do Brasil. Em 2008, essa fabricante contratou pessoal para a área comercial, com experiência neste processo, e destinou profissionais especialmente para a aplicação. Os resultados começaram a aparecer neste ano. “Em diversos outros mercados já temos participação bastante expressiva, naqueles nos quais ainda não temos, lutamos para adquiri-la. Extrusão é um destes mercados que está em crescimento para nós”, explica o vice-presidente da Piovan, Ricardo Prado.

Prova dessa postura se viu na Brasilplast deste ano. Na ocasião, a empresa lançou um dosador gravimétrico, específico para o processo. Destinado para a transformação de monomateriais até multicamadas, o equipamento controla o peso por metro de material extrudado e, segundo o fabricante, assegura economia de matéria-prima de até 30%, se comparado a acessórios similares. “A aceitação está sendo excelente”, orgulha-se Prado. Na opinião dele, a repercussão positiva, em parte, se deu em virtude de o mercado de extrusão carecer de produtos diferenciados e por ser abastecido por poucos fornecedores.

Um outro destaque da companhia são os trocadores de calor para extrusão de filme tubular. Trata-se de equipamentos de alto rendimento, que podem ser fornecidos com ou sem uma unidade de água gelada agregada, e proporcionam, de acordo com a estimativa de Prado, aumento de produtividade de até 15%. A aposta é no diferencial e na diversidade. “Não ficamos limitados a alimentar ou dosar somente”, diz Prado. O portfólio da empresa conta ainda com soluções de refrigeração para filmes, tubos e perfis; sistemas para refrigerar “banheiras”; controle de temperatura de mínima variação para processos delicados, como extrusão de cabos elétricos, e mais recentemente equipamentos específicos para secagem do polímero biodegradável PLA. Além de sistemas de cristalização e secagem para recuperação de PET e para extrusão de chapas de termoformagem.

“Periférico não é moeda” – Como se vê, o mercado de periféricos está em formação: muitos entrando com mais força, e outros tantos diversificando seu negócio. Mas se engana quem pensa que há espaço para qualquer tipo de tecnologia. A LGMT atua no ramo de extrusão desde 1963, quando fazia reformas e consertos de peças em geral. Desde então, seu diretor Luciano Miotto acompanha o desenvolvimento do setor. Para ele, nesse momento, em particular, os fabricantes nacionais sofrem com a forte penetração da produção chinesa no país. Sua principal reclamação hoje se dá em relação a esse tipo de concorrência, considerada desleal, por causa dos baixos preços praticados. Mas não ousa baratear sua linha de extrusão com a adoção de periféricos chineses. “Não confio em periférico chinês”, diz Luciano Miotto. O motivo é simples: ao se entregar uma linha de extrusão ao cliente, é o nome do fabricante da máquina que é posto à prova. Ou seja, se algo não funciona, como um alimentador, por exemplo, não se pensa na peça isoladamente, o transformador tende a atribuir a falha à linha. Luciano Miotto enfatiza que esse tipo de equipamento não tem qualidade e comprometeria o seu nome. “O periférico não é moeda”, comenta. O ideal é buscar outros caminhos para ser mais competitivo, e não subestimar a importância desse tipo de equipamento.

Para ser mais competitivo, uma solução encontrada por Luciano Miotto passa pela proposta de racionalizar sua estrutura. No início do próximo ano, a empresa atenderá em novo endereço, em um galpão de 3 mil m² (hoje ocupa 1,8 mil m²), em Piracicaba-SP. Mas esse não é o ponto, a fabricante irá se dedicar a projetos de formas construtivas menos custosas. Um exemplo fica por conta do periférico para banho de resfriamento e calibração a vácuo para tubos, do qual foram reduzidas as dobras de sua estrutura física. Fabricante de linhas de extrusão, a LGMT comercializa máquinas para tubos rígidos, flexíveis e corrugados, para granulação e perfis. No entanto, também abastece o mercado com a venda avulsa de periféricos. Em geral, o cliente compra a linha completa, a não ser no caso de trocas e peças de reposição.

Para Carnevalli, a Ásia também não pode ser considerada fornecedora. “Alguns periféricos para sopro e injeção, a região até fabrica com qualidade, mas para extrusão não há ninguém ainda que os faça bem”, diz o diretor. A By Engenharia tem uma visão um pouco diferente. Para Gianesi,

neste momento, a grande maioria dos equipamentos asiáticos é descartável e muito barata, porém há uma parcela de produtos de qualidade, que possui preços similares aos praticados por fabricantes norte-americanos e europeus. Por representar companhias estrangeiras no Brasil, a By Engenharia aposta na oferta de serviço diferenciado, assistência técnica local e rápida reposição de peças desde já, pois, em um futuro próximo, segundo o diretor, os preços e os produtos de todos os fabricantes serão muito equivalentes. Por isso, e não por acaso, a companhia reitera mais uma vez seu objetivo de ter uma fábrica em São Paulo, em Vinhedo. A ideia é iniciar a construção ao longo de 2010. “Estamos trabalhando em várias frentes com projetos tanto de periféricos (bombas, matrizes, roscas, camisas bimetálicas, fornos de limpeza, filtros, sistemas de granulação imersa em água) como também em linhas de extrusão completa”, resume Gianesi.

Cuca Jorge

Gianesi ratifica intenção de construir fábrica no Brasil

Processos mais rápidos – Com o tempo, a origem dos produtos pouco importará, se a tecnologia empregada for de qualidade. Um fenômeno ocorrido nos últimos anos tende a impulsionar a indústria de periféricos a evoluir cada vez mais: os processos estão mais rápidos, e precisam de equipamentos compatíveis com essa evolução. No passado, uma extrusora produzia cerca de 150 quilos/hora; hoje, a produção alcança em média mais de 200 quilos/hora. Há dez anos, para limpar uma linha com granulador e soltar a tela da peneira – não havia ensacadeira – levava-se cerca de duas horas. Com a adoção da ensacadeira, esse período caiu para até 50 minutos.

Outro ponto salutar diz respeito à contribuição dos periféricos na redução dos custos de produção. “A economia de matéria-prima em tempos difíceis acaba sendo o maior apelo para a venda de periféricos”, destaca Gianesi. Os equipamentos de qualidade proporcionam melhorias no desempenho da linha como partidas mais rápidas, evitando assim desperdício de tempo e matéria-prima, menor energia despendida por quilo de produto produzido, entre outros benefícios. “Temos vários estudos de retorno de investimento para quase todos os nossos produtos que nos ajudam bastante a realizar uma venda”, afirma Gianesi.

 

 

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