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Setor de reciclagem debate dificuldades
Entre os dias 8 e 10 de
setembro, aconteceu a quarta edição do Congresso Internacional de Negócios
da Indústria de Reciclagem, em São Paulo, no Centro de Exposições
Imigrantes. No ramo dos plásticos, representantes das indústrias do PET e do
PVC, além do Ministério do Meio Ambiente e do Conselho Regional de Química
lá estiveram para proferir palestras sobre os rumos desse mercado.
Independentemente do tema escolhido, todos ressaltaram o principal empecilho
do processo de reciclagem no país: a coleta seletiva, ou melhor, a falta
dela.
Um dos pontos mais controversos do evento se deu com a participação de
Fernanda Altoé Daltro, coordenadora técnica da campanha “Saco é um Saco”,
lançada em junho deste ano pelo Ministério do Meio Ambiente, com o apoio da
rede de supermercados Wal-Mart. Essa iniciativa tem a proposta de chamar a
atenção do brasileiro para o impacto ambiental dos sacos e sacolas
plásticas. Apesar de se tratar de um evento sobre reciclagem, ela escolheu
abordar o uso consciente da embalagem, sem focar a questão do pós-consumo.
“A reciclagem é importante, claro que é, mas estamos pensando agora na
triagem prévia por parte do consumidor”, comentou.
Para o Ministério, a adoção de sacolas oxibiodegradáveis não resolve por si
só a questão, sobretudo porque este tipo se fragmenta somente sob certas
condições de luz e calor, e ainda não se conhece seu real impacto ambiental.
No caso dos plásticos de fontes renováveis, esses são vistos como uma
possibilidade mais voltada para o futuro, pois, hoje, sem a implantação de
uma política ampla de coleta seletiva, aliada a sistemas de compostagem e
biodigestores, apenas agravariam a situação dos depósitos de lixo.
Sendo assim, por não conhecer alternativas perfeitas para a substituição do
modelo utilizado hoje, Fernanda aposta na adoção dos 4 R´s (reduzir o
consumo da sacola plástica, reutilizá-la para novas compras, reciclá-la e o
ponto mais controverso: recusá-la, substituindo-a por embalagens
retornáveis, carrinhos de feira, caixas de papelão e afins). A campanha
propõe a redução dos índices atuais. No país, segundo os dados do
ministério, o consumo de sacolas plásticas gira em torno de 12 bilhões
anuais, e cada brasileiro consome cerca de 800 delas ao ano.
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Sacola plástica estreia campanha de
R$ 7 mi |
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A cadeia do plástico não está indiferente ao movimento acerca do consumo
consciente de sacolas plásticas e tem feito sua parte. Até o final de
2009, serão investidos R$ 7 milhões em campanha para incentivar o uso e
o descarte adequados das sacolas plásticas. Desenvolvida pela agência
W/Brasil, a campanha tem a proposta de veicular na mídia os benefícios
do plástico e trazer à tona a questão dos resíduos sólidos urbanos. A
ideia aqui, diferentemente da do Ministério do Meio Ambiente, que
estimula a recusa por parte dos consumidores das sacolas oferecidas pelo
comércio, é conscientizar a sociedade quanto ao conceito dos 3’Rs
(reduzir, reutilizar e reciclar as embalagens). A iniciativa é da
Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, em parceria com a
Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief)
e com o Instituto Nacional do Plástico (INP), e conta com o apoio de
toda a cadeia produtiva.
Essa não é a primeira ação do setor nesse sentido. Já se promoveu a
padronização das sacolas plásticas sob a norma ABNT 14.937, a fim de
torná-las mais resistentes e, por consequência, incitar o seu uso mais
racionalizado. No ano passado, a cadeia produtiva do plástico lançou o
Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas e, com
o apoio da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e de suas
correspondentes estaduais, passou a estimular os supermercados a adotar
as sacolas dentro da norma. O Pão de Açúcar registrou queda de 35% no
uso de sacolas em sua rede por todo o Brasil.
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Como representante do Conselho Regional de Química (CRQ 4ª Região), o
professor Laércio Romeiro falou sobre a necessidade de um gerenciamento
empresarial correto. Para ele, o Brasil não precisa de mais legislações,
pois as embalagens plásticas têm seu papel na sociedade e, ao longo dos
anos, melhorou muito no aspecto da sustentabilidade. Exemplos ficam por
conta do seu peso, cada vez mais leve; da unificação dos materiais, o que
facilita a reciclagem, e do surgimento do polímero produzido com
matéria-prima renovável, entre outros. “Não se resolve um problema com uma
lei, uma canetada”, observou.
Sob o tema “Perspectivas de Expansão do Mercado de PET Reciclado no Brasil”,
Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet),
enfatizou a ausência de fórmulas mágicas. De acordo com ele, o que há é o
conhecimento adquirido há quinze anos, desde o nascimento dos primeiros
recicladores de PET. Ele contou que, nos primórdios, as empresas precisavam
convencer os clientes a comprar o PET reciclado e hoje há mais demanda do
que oferta. Como todos os outros palestrantes, Marçon apontou a falta de
coleta seletiva como um dos grandes entraves do processo. “Às vezes, a
educação ambiental é mais importante do que o investimento da indústria na
reciclagem. O lixo não é descartado sozinho”, comentou.
Édison Carlos, diretor do Instituto do PVC, ressaltou o fato de o PVC ser a
resina menos presente no lixo urbano. A causa é simples, 64% de suas
aplicações têm longa vida útil, entre quinze e cem anos; enquanto 24%, de
dois a quinze anos; e somente 12%, de zero a dois anos. Mas, mesmo assim,
ele fez questão de divulgar o resultado de um monitoramento dos índices de
reciclagem mecânica realizado em 2007. (Ver PM 408). Segundo o levantamento,
na amostra pesquisada – 23 recicladoras, de um universo de 136 –, a taxa de
recuperação da resina cresceu de 13,7%, registro de 2005, para 17%.
O instituto, obviamente, tem interesse em elevar o índice, e possui um
projeto para ajudar as empresas a melhor destinar a resina. No entanto,
Carlos observou que o PVC vai se concentrar cada vez mais em produtos de
longa vida útil. No mundo, o consumo dessa resina, em 2008, foi de cerca de
35 milhões de toneladas – mais de 60% deste total se destina à construção
civil. A estimativa para 2009 é de um consumo de 30 milhões e 400 mil
toneladas.
Renata Pachione
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