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Feira confirma força do nordeste
A indústria de
embalagens vem ampliando seu espaço no Nordeste no rastro de diversos
segmentos industriais que chegam à região atraídos pelo seu crescimento
econômico, superior ao do Brasil desde 2003. Pelos últimos dados oficiais do
IBGE, em 2006, o PIB nordestino atingiu R$ 311,1 bilhões e cresceu 4,8% em
comparação com o de 2005, quase um ponto acima dos 4% do PIB nacional de
três anos atrás.
É neste cenário que a IV Embala Nordeste, feira realizada de 24 a 27 de
agosto passado, em Olinda, Pernambuco, e que reuniu 310 expositores, a
maioria do Sul e do Sudeste, apresentou
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um crescimento de 15% nos negócios em relação a 2008,
levando a uma estimativa de faturamento de R$ 800 milhões em torno do
mercado de embalagens – universo no qual os plásticos não perdem a vez.
“Nós não sentimos a crise econômica. Ela pegou o Nordeste num bom
momento de crescimento com a compra de máquinas industriais para atender
à entrada de 20 milhões de novos consumidores no mercado”, afirmou André
Mozetic, diretor da promotora do evento, a Greenfield Business Promotion. |
Divulgação

Maior parte dos 310 expositores era do
Sul e do Sudeste |
Desde a primeira edição, a Embala Nordeste agrega a NordestePlast, um
espaço para o Sindicato da Indústria do Material Plástico de Pernambuco (Simpepe)
reunir parte das 485 empresas do Estado. Para o tesoureiro do Simpepe,
Anísio Coelho, a vinda de empresas de outras regiões para vender
equipamentos e suprimentos na feira mostra que a indústria de transformação
de plásticos em Pernambuco vem recuperando o dinamismo perdido na década de
90 para os incentivos fiscais e a disponibilidade de matéria-prima do Polo
de Camaçari, na Bahia.
Bons Motivos – Por trás da recuperação estão a oferta de incentivos
fiscais do governo pernambucano e a perspectiva da formação de uma cadeia
petroquímica atrelada à instalação da Refinaria Abreu e Lima, no Complexo
Industrial e Portuário de Suape, um investimento da Petrobras em parceria
com a estatal venezuelana de petróleo, a PDVSA, que irá produzir 200 mil
barris de petróleo por dia entre 2011 e 2012.
Segundo Mozetic, embora ainda em terraplenagem, a refinaria impulsiona
investimentos das empresas do setor plástico que olham Pernambuco daqui a
duas décadas. “Isso justifica os recursos na aquisição de novas máquinas e
tecnologias para concorrer com empresas de outras regiões que estão
aportando no Nordeste”, declarou. Os maiores fabricantes de máquinas
extrusoras e de reciclagem de plásticos do país não perderam a aposta.
Trouxeram e venderam máquinas que chegam a R$ 5 milhões a fim de atender à
demanda da região, que compra praticamente todo o maquinário que precisa
fora do Nordeste – 80% no mercado nacional e o restante no exterior, de
acordo com o diretor da Greenfield.
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Sindicato apoia sustentabilidade |
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Para quem pensa que “no Ceará não tem disso não”, uma
surpresa: o Sindicato das Empresas de Reciclagem de Resíduos Sólidos
Domésticos e Industriais do Ceará (Sindiverde) vem dando uma lição de
sustentabilidade econômica e ambiental. Com 80 empresas associadas, 70%
delas do setor plástico e o restante de reciclagem de vidro, alumínio,
ferro, papelão, solventes e até de óleo automotivo, o Sindiverde lançou
um projeto de coleta seletiva empresarial de compra e venda de resíduos
industriais entre os associados que revertem o dinheiro obtido em um
projeto socioambiental na própria empresa.
Um ano depois, o empresário adota uma escola pública municipal que
atenda crianças até seis anos, criando um projeto socioambiental escolar
que será mantido com a venda dos resíduos. “O projeto atinge o
funcionário da indústria, os filhos deles, professores, pais e alunos”,
diz José Carrero, assessor comercial do Sindiverde. As indústrias
participantes também deverão receber um Selo Verde municipal como o que
está em processo de aprovação na cidade de Maracanaúba, na Grande
Fortaleza. |
Outros investimentos em Suape, como a Petroquímica Suape, que irá
produzir ácido tereftálico purificado (PTA), resina PET e fios de poliéster
(polyester oriented yarn-POY), e a italiana Mossi & Ghisolfi (M&G), que
elevou sua produção de PET para 650 mil toneladas anuais, também incentivam
o desenvolvimento da indústria plástica pernambucana que, segundo Coelho,
hoje transforma uma média de 25 mil toneladas por mês de resinas
termoplásticas. “Isso justifica o crescimento da NordestePlast e da presença
de novos equipamentos com processos inovadores que agregam valor à produção
estadual”, diz o tesoureiro, prevendo um faturamento de pelo menos R$ 5
milhões apenas na feira de plásticos, sem contar os negócios engatilhados.
Paralelos à NordestePlast, foram realizados o Graphium Show – Salão de
Fornecedores de Equipamentos, Produtos e Serviços da Indústria Gráfica; a
Alimentécnica Expo – Feira Internacional de Equipamentos para Processamentos
de Alimentos e Bebidas, e a Alquimia Expo – Feira de Tecnologia, Produtos,
Ingredientes e Serviços para as Indústrias Farmacêutica, Química e
Cosmética. A Alimentécnica abrigou a cadeia do setor de Alimentos que
responde por mais de 40% do PIB nordestino e a Alquimia reuniu os principais
fornecedores para os segmentos farmacêutico, químico e cosmético, que vieram
ao encontro dos seus clientes na região.
Englobando essas quatro feiras-satélites, a Embala Nordeste poderá ser
desdobrada em feiras isoladas, como já ocorreu em São Paulo, segundo André
Mozetic. “Se continuarmos no ritmo de consumo que estamos tendo no Nordeste,
e parece ser irreversível, pois cresceu mesmo com crise, em quatro ou cinco
anos as feiras terão que ser separadas ou teremos que contar com mais espaço
físico, como o Anhembi – cinco vezes maior que o Centro de Convenções de
Pernambuco (Cecon)”, prevê o diretor. Este ano, mesmo com vinte mil metros
quadrados de área, cem empresas ficaram de fora do Cecon por falta de espaço
para estandes. Mas não se cogita a saída da feira de Pernambuco porque o
Estado é a primeira opção dos expositores graças à sua logística regional e
ao processo de interiorização industrial que vem vivendo.
Etiene Ramos
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