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ROSCAS E
CILINDROS |
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Peças superam funções com
projetos
especiais e manutenção adequada
Texto de Simone Ferro e fotos de Cuca Jorge
Transportar, plastificar, misturar e homogeneizar o plástico são
funções básicas de roscas e cilindros na moldagem de peças por injeção,
extrusão e sopro. No entanto, na teoria ou na prática, o mercado sabe que
tais componentes podem fazer muito mais que isso. E fazem, quando
requisitos importantes são respeitados, tanto no projeto e confecção
quanto na manutenção ou recuperação dos mesmos.
Para começar, roscas e cilindros devem operar sem comprometer as
características químicas e físicas dos materiais processados, a fim de
garantir a moldagem de produtos de alta qualidade. Bem projetados,
executados e utilizados, melhoram o desempenho das máquinas, aumentam a
produtividade e agilizam o set up, entre outros benefícios.
Segundo especialistas do setor, a primeira regra para se obter bons ou,
porque não dizer, excelentes resultados é operar com roscas bem
dimensionadas e confeccionadas com os materiais apropriados para as
resinas em uso. Não há como evitar a conhecida frase: “Cada caso é um
caso.” Porém existem conceitos básicos para os quais os transformadores
devem ficar atentos.
O primeiro é encontrar um bom parceiro para desenvolver os projetos de
roscas e cilindros ou executar os serviços de recuperação, quando este for
o caso. O mercado brasileiro é disputado por empresas de grande tradição e
experiência no setor, tanto nacionais quanto estrangeiras. Dentre as mais
antigas, destacam-se a Indústria de Máquinas Miotto, de São Bernardo do
Campo-SP, fundada em 1961; e a Wortex, inaugurada em 1976, sediada em
Campinas-SP.
A LGMT, de Piracicaba-SP, começou a operar em São Paulo na década de 60
com reformas e consertos de peças em geral. Gradativamente migrou as
atividades para o mercado de roscas e cilindros, especializando-se ainda
no segmento de máquinas para extrusão.
A Matrix, de Curitiba-PR, recém-adquirida pela AWS, ganhou novo nome e
investimentos para crescer e ampliar sua participação no mercado. A
aquisição marcou a entrada da AWS em um novo nicho de mercado e deu origem
a uma nova empresa, a Matriz (isso mesmo, com z no lugar do x). A antiga
marca deixou de existir.
Entre as nacionais, destacam-se ainda a Multi-União, de Nova Odessa-SP; a
Illur Import, de Arujá-SP; e a Roscaplas, Perfilmak e Parra, de São Paulo,
entre outras. O mercado local também é disputado por marcas estrangeiras,
como a Xaloy Incorporated, dos Estados Unidos, representada pela By
Engenharia, de São Paulo, ou a Spirex, outra companhia americana que chega
ao país por intermédio da Uniflon, de São Paulo, além da Reiloy,
Davis-Standard, Wexco entre outras.
Universal x dedicada – O uso de perfis dedicados ou de rosca
universal é outra questão que deve ser exaustivamente analisada pelo
transformador. Embora uma mesma rosca trabalhe com mais de um material, os
projetos universais não atendem com a máxima eficiência às condições
necessárias para o processamento de todas as resinas.
Existem recursos capazes de melhorar esse desempenho, como alterar a
velocidade da rosca, colocar várias telas no filtro e mudar o perfil da
temperatura, entre outros. São recursos paliativos, na avaliação dos
fabricantes. Nem sempre os transformadores são rigorosos nessas avaliações
e visam, muitas vezes, a uma aparente redução de custos.
Os perfis standard ou universal, dupla-barreira e especial se destinam
basicamente às máquinas monorrosca. O universal tem filetes simples,
dispostos em perfil que trabalha com diversos materiais. Os filetes
duplos, da rosca dupla-barreira, permitem a separação da resina fundida
daquela que permanece sólida. Os projetos especiais combinam filetes
duplos com misturador, sendo indicado para resinas com elevadas
porcentagens de cargas e aditivos.
As máquinas dupla-roscas podem ser equipadas com roscas contrarrotantes,
que giram em sentido contrário; ou corrotantes, cuja rotação ocorre no
mesmo sentido. As primeiras se destinam principalmente ao mercado de PVC.
Já as corrotantes se adaptam ao processamento de plásticos de engenharia.
De acordo com especialistas do setor, ao tentar reduzir o investimento,
evitando o uso de rosca especial, o transformador pode aumentar seus
gastos com energia elétrica e com o consumo de termoplásticos. Mais uma
vez a máxima do “cada caso é um caso” entra em questão. “Normalmente,
indicamos as roscas especiais para clientes que operam a maior parte do
tempo com um determinado produto. Quando o transformador trabalha com duas
resinas diferentes, é melhor que ele tenha duas roscas especiais do que
uma universal”, avalia o diretor da By Engenharia, Antonio Azevedo Alves.
A rosca sempre terá um desempenho melhor em uma resina específica. Mas
recomenda-se o modelo universal para os moldadores que utilizam muitas
resinas diferentes. “Nesses casos, deixamos o cliente ciente de que haverá
perdas de uma família para outra de resinas”, diz Alves.
Roscas universais possuem passo constante e filete simples. Parâmetros que
muitas vezes não são suficientes para suprir as necessidades do processo.
O constante avanço tecnológico das resinas e dos processos torna inviável
o uso de roscas com desenhos convencionais.
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O diretor da LGMT, Luciano Miotto, se manifesta
totalmente contrário ao uso de rosca universal. “Cada material tem
suas particularidades e propriedades. Temos de pensar em melhorar a
produtividade”, argumenta. A empresa fabrica e recupera conjuntos de
cilindros e roscas mono (filete simples e duplo filete) e dupla rosca
(contrarrotante e corrotante) para os segmentos de termoplásticos,
termofixos, borracha e alimentos.
Na Brasilplast 2009, a LGMT apresentou modelo corrotante com roscas
específicas para a produção de compostos. “Novas geometrias podem ser
desenvolvidas de acordo com as necessidades do mercado. Este
equipamento se encontra à disposição dos clientes para testes.” |

Miotto é favorável a geometrias específicas para cada material |
Segundo Miotto, 40% do faturamento provém da recuperação e 60% da
fabricação de novos conjuntos. “O ano passado foi excelente até outubro,
quando a crise mundial se instalou. Podemos dizer que já estamos vivendo
um período pós-crise, com o mercado aquecido, mas nada comparável ao
período anterior.”
Múltiplas tecnologias – Manter-se atualizado é ponto fundamental
para alcançar resultados satisfatórios num mercado cada vez mais acirrado
e de margens reduzidas. Geometrias de roscas eficientes anos atrás podem
ter se tornado extremamente obsoletas e pouco produtivas em virtude das
evoluções registradas nos insumos e nos processos de produção.
A tecnologia de múltiplas camadas, por exemplo, requer desenhos de roscas
diferenciados para cada resina para que todas as camadas se distribuam de
modo uniforme no cabeçote, com pressão equilibrada, bem como plastificação
e dispersão de pigmento adequadas.
Dentro desse contexto, o design dos perfis é extremamente importante para
o projeto. Os perfis possuem filetes responsáveis pelo desempenho das
etapas de fusão, homogeneização e transporte das resinas. Existem modelos
adequados a cada tipo de resina, aditivo e carga. Na aquisição de máquinas
novas, o transformador paga a diferença entre a rosca convencional e o
modelo especial.
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