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Na avaliação dele, essas unidades são complexos menores, focados em
clientes e próximos do mercado, onde especialistas elaboram, desenvolvem e
respondem pela produção da fórmula.
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Oferecem uma solução pronta. “O controle de qualidade
é a espinha dorsal da casa de sistema, que é toda automatizada. Isso
também é um diferencial que dá confiabilidade ao sistema de
poliuretano”, declara Fay.
O maior foco da sociedade em cuidados com o meio ambiente leva a Dow a
apostar no crescimento do poliuretano em isolação térmica industrial
(frigoríficos, galpões etc.) e na construção civil. Afinal, o PU é
sinônimo de uso racional de energia, como atesta Fay: “O isolamento
térmico permite melhorar a eficiência energética em 50%. A maior parte
dos edifícios não se beneficia disso.” Os sistemas desenvolvidos para
esses mercados primam pela melhora no coeficiente energético das
espumas (coeficiente de troca térmica) e também na flamabilidade. |

Fay: PU melhora em 50% a eficiência energética |
O diretor da Dow enxerga várias oportunidades de expansão de mercado,
como revestimentos elastoméricos para tubulações. Um bom exemplo fica por
conta das operações em águas profundas, que exigem revestimentos
elastoméricos. “Esses desenvolvimentos vêm bem a calhar no caso do
pré-sal”, destaca.
Outros segmentos ainda se beneficiam de novidades saídas da casa da Dow,
como a indústria de calçados, agraciada com formulação baseada em poliol
de fonte renovável. “Estamos buscando várias alternativas para aplicação
dos poliuretanos derivados de fontes renováveis”, informa Fay. Os
desenvolvimentos ainda contemplam espumas viscoelásticas, que apresentam
desempenho superior em relação ao PU convencional.
Maior exigência técnica – A Bayer possui 30 casas de sistemas ao
redor do mundo e a brasileira se insere no complexo industrial da empresa
em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, onde também produz a matéria-prima
diisocianato de tolueno (MDI). Ainda na América do Sul, a multinacional
possui uma casa de formulações em Maracay, na Venezuela.
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Para Adércio Savignani, gerente da área de sistemas de
poliuretanos para a América Latina, soluções técnicas são sinônimos de
sistemas, e o mercado está cada vez mais exigente e mais técnico, em
particular a área de construção civil. “O segmento de sistemas
concentra as inovações tecnológicas. É nessa área que estão as
oportunidades para inovações”, engrossa o coro dos produtores dessas
formulações.
O gerente comemora a procura crescente da indústria de construção
civil por sistemas formulados à base de poliisocianurato (PIR),
apropriados para a fabricação de painéis do tipo sanduíche. A
principal característica desse produto é a maior resistência à chama.
A formulação, por ora, é importada, mas a empresa cogita projetos de
produção local. “Tem potencial.” |

Savignani: mercado está mais exigente e técnico |
Outro desenvolvimento recente do grupo alemão destacado pelo gerente
tem como endereço as linhas ferroviárias. Sem revelar detalhes, o gerente
menciona parceria com uma empresa japonesa, detentora de patente de
processo de produção de dormentes por pultrusão baseada em sistema de PU
com fibra de vidro – desenvolvido pela Bayer. Segundo Savignani, a fase é
de prospecção no mercado brasileiro.
Na avaliação dele, a indústria automotiva, grande demandante de moldados
flexíveis (tais como espumas para bancos, assentos), exige avanços
constantes. Nesse contexto, os desenvolvimentos atuais visam, em
particular, a atender às solicitações das montadoras por produtos livres
de emissões (odor).
O gerente ainda ressalta um desenvolvimento brasileiro destinado ao
mercado de refrigeração. Trata-se de uma formulação que confere à espuma
grande resistência à compressão, com redução de densidade e ciclo rápido
de produção – sinônimo de alta produtividade.
Na avaliação de Savignani, as solicitações do mercado brasileiro atentam
para maiores cuidados com o meio ambiente, tais como produtos que
contribuam para reduzir os níveis de ruído, as emissões deletérias na
atmosfera, o consumo energético e, preferencialmente, aliar tudo isso com
aumento de produtividade. O desenvolvimento de produtos baseados em fontes
renováveis faz parte desse contexto. As pesquisas da Bayer nessa direção
se concentram em seu Centro Tecnológico dos Estados Unidos, na obtenção de
biopolióis derivados da soja, em particular.
Dedicada às receitas – Inserida na classe de formuladores
independentes, a Purcom, instalada em Barueri-SP, considera-se a maior da
América Latina. A produtora de formulações ostenta evolução de fazer
inveja desde sua criação, em 2002. Apenas dois anos depois já expandia em
200% a sua capacidade instalada para algo entre 600 e 800 toneladas
mensais (entre 7.200 e
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9.600 toneladas anuais). Um crescimento anual de 25%,
nos cálculos do diretor tecno-industrial, Gerson Silva, justificou
fortes investimentos e hoje a produtora de formulações ostenta uma
capacidade anual da ordem de 30 mil toneladas, com espaço de sobra
para alargar seu mercado. Hoje, a produção da Purcom gira em torno de
9 mil toneladas no ano e, nas estimativas do diretor, o mercado
brasileiro de sistemas demanda da ordem de 90 mil toneladas anuais.
A crise econômica estancou o avanço da empresa, mas Silva acredita que
irá, no mínimo, repetir a produção registrada em 2008. Tanta certeza
se baseia em novos projetos conquistados. O diretor da Purcom não
hesita em revelar o segredo de seu sucesso, atribuído em especial à
detenção de profundo conhecimento das matérias-primas e investimentos
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Silva credita seu sucesso a conhecimento tecnológico |
em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Além disso, ele ressalta a
proposta da empresa de oferecer soluções, desde o desenvolvimento da
fórmula até a orientação ao cliente do processo produtivo
Há quem se pergunte como a Purcom consegue o prodígio de crescer tanto; aí
vai a resposta: sua estratégia consiste em converter tecnologia de
composites e outros plásticos em poliuretano. O diretor da Purcom relata
vários desenvolvimentos recentes. Um deles substituiu polipropileno usado
para revestir colchões. Essa indústria costuma aplicar PP espalmado
sobreposto em camadas de pillow top, como um revestimento externo do
colchão. A fibra, porém, fadiga com o tempo e essa camada fica irregular.
Um novo sistema de PU resolve o problema: não deforma. E o convertedor
aproveita o mesmo processo de fabricação do colchão. “Em termos de custo,
acredito que empata”, diz Silva.
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Inúmeras receitas (amostras à
esq.) saem da formuladora independente Purcom |
O poliuretano também avançou com vantagens sobre o látex (sintético ou
natural) no mercado de travesseiros. Nesse caso, os transformadores são
favorecidos com maior processabilidade e ausência de resíduos (gerados na
lavagem obrigatória do látex), além da economia no consumo energético.
No setor calçadista, uma palmilha viscoelástica em densidade 80, moldada
por injeção, garantirá ao seu fabricante custo inferior ao do EVA e até
mesmo ao do PU convencional de densidade 30, comumente usado nessa
aplicação. Fruto de uma parceria com um grande fabricante de chinelos –
que a Purcom prefere manter em sigilo por ora –, o produto não gera perdas
e oferece maior conforto, na comparação com os materiais usuais. De
início, essas palmilhas entram apenas na composição de peças destinadas à
exportação. “Mas já existe projeto para o mercado nacional”, diz Silva.
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A Nasa, a agência espacial norte-americana, criou essa
variedade de espumas com o objetivo de propiciar maior conforto aos
astronautas. Tempos depois, essa tecnologia foi adquirida pela empresa
sueca Tempur. Silva postula para si a primeira incursão do país nas
formulações viscoelásticas. O mercado, porém, não entendeu, na época,
os benefícios do produto. Só depois que a Tempur trouxe seus
travesseiros para o mercado brasileiro é que a Purcom conseguiu a
aceitação para suas formulações. |


Travesseiros elaborados com poliuretano viscoelástico não deformam |
Hoje, contudo, ele se queixa de enfrentar outro problema: a
proliferação de formulações inadequadas, prejudiciais à imagem da
tecnologia. As recomendações de Silva aos transformadores idôneos:
procurar fornecedores confiáveis, estabelecidos no mercado e que ofereçam
garantias por escrito.
Produtos elaborados com base em matéria-prima de fonte renovável também
estão na pauta dos negócios da Purcom. Resulta dessa preocupação um novo
poliuretano para aplicação em teto de ônibus, produzido com poliol obtido
da mamona.
Diferentemente dos polióis tradicionais petroquímicos, os de base vegetal
têm limitações. As restrições são inerentes à sua cadeia química,
diminuindo a janela de aplicação. “A compensação exige o uso de aditivos
para modificar essa estrutura”, explica Silva.
Outro produto de cunho ecologicamente correto entra na composição para
expandir as espumas. Trata-se de agente expansor não ofensivo à camada de
ozônio. O diretor da Purcom assegura dispor, hoje, para o mercado
brasileiro, do único produto 100% inofensivo à atmosfera do planeta.
Desenvolvido e patenteado pela empresa americana Foam Supplies, a
formuladora comprou os direitos de comercialização do aditivo, o Ecomate,
na América Latina. “É zero de ataque à camada de ozônio e zero de
contribuição para o aquecimento geral”, reforça Silva.
Das formulações de PU rígido desenvolvidas na empresa, 40% incorporam o
agente expansor ecológico. “A tendência é atingir toda a nossa produção e
atender apenas os mercados que têm essa consciência ecológica”, diz.
Reação rápida – Assim como o seu processo químico, a reação do
mercado de PU aos efeitos da crise financeira foi rápida. Como em vários
segmentos da economia, o setor sentiu também sua demanda murchar no final
do ano passado, com contração mais acentuada no primeiro trimestre deste.
Abastecido de estoque e com dificuldades, a preocupação maior dos
empresários foi a de administrar os inventários, antes de voltar às
compras.
Passado o susto maior, porém, a indústria retomou os negócios e o
desempenho já se aproxima dos níveis de 2008, na avaliação de Riera, da
Basf. O diretor nutre boas perspectivas para o segundo semestre e acredita
que os segmentos de calçados, refrigeração e automobilístico devam
promover os melhores desempenhos.
Para o gerente da Bayer, as projeções de bons negócios apontam na direção
da construção civil, especialmente aplicações em isolamento térmico. “Está
engatando no país, por questão de redução no consumo de energia”,
justifica Savignani. Ele também aposta no segmento de refrigeração, já
cativo das formulações de PU. Os poliuretanos elastoméricos, dos tipos
cast e spray de base poliureia, constituem outra carta na manga da Bayer.
Os primeiros atendem as aplicações técnicas e o spray, a construção civil.
“Os elastômeros tipo cast têm grande potencial de crescimento,
especialmente no segmento de extração de petróleo e mineração.”
Disposição e investimentos não faltam para expandir o mercado brasileiro
de poliuretano e elevar o consumo per capita a níveis menos distantes dos
patamares internacionais. Agora cabe à indústria avaliar os benefícios e
acelerar o processo.
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