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CÂMARAS
QUENTES |
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Cuca
Jorge
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Demanda aquecida assegura maior
escala de produção
e provoca queda
nos preços
José Paulo Sant'Anna Na
gíria, a expressão “quebrar um galho” significa ajudar, resolver um
problema. As câmaras quentes para moldes de injeção “quebram o galho”
dos transformadores. Ou, em português literal, elas eliminam os galhos
das peças injetadas. Com isso, diminuem o tempo dos ciclos e o volume
de refugos. De quebra, apresentam uma série de outras vantagens.
Segundo os fornecedores do componente, apresentam retorno bastante
rápido do investimento. |
Essas vantagens fizeram as câmaras quentes caírem no gosto dos
usuários. Desde o início dos anos 90, quando os primeiros modelos do
componente passaram a ser utilizados no Brasil, até hoje, o mercado se
multiplicou de maneira impressionante. Há vinte anos, elas eram pouco
conhecidas e custavam muito caro. O crescimento da procura permitiu maior
escala de produção e a redução dos preços praticados pelos fornecedores. A
queda do dólar verificada nos últimos anos também favoreceu, pois a
presença de peças importadas nas câmaras é significativa. Hoje não há
molde novo, projetado para produzir lotes de peças numerosos ou com design
técnico, em que a câmara não esteja presente. E elas também estão entrando
nos moldes mais simples.
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Existem várias empresas atuando como fornecedoras. São
poucas as participantes com produtos quase 100% nacionais. Nesse time,
a Polimold, marca bastante conhecida no mundo dos porta-moldes, e a
Fator atuam com destaque. Vale ressaltar: quando as condições da
economia ajudam, a Polimold exporta com sucesso suas câmaras para os
Estados Unidos e países da Europa e Ásia. Outras empresas contam com
índice de nacionalização menor, entre elas, poderosas multinacionais,
como Husky e Incoe, que mantêm escritórios no Brasil. Ainda podem ser
citadas Tecnoserv e Delkron, empresas nacionais presentes no ramo. |
Divulgação

Câmaras da Polimold têm alto índice de nacionalização |
Também merece atenção o crescimento da procura de câmaras quentes
dotadas com sistemas valvulados, nos quais o fluxo de preenchimento do
material no molde é controlado por sistemas hidráulicos ou pneumáticos. Os
sistemas valvulados são sofisticados e indicados para a fabricação de
peças em moldes com mais de um ponto de injeção. Eles permitem a fluência
“inteligente” do material dentro do molde e têm como finalidade evitar o
surgimento de linhas de emenda, ou de pontos com menor resistência
mecânica.
O desenvolvimento deste mercado nas duas últimas décadas não apaga os
problemas proporcionados pela economia em cenário mais recente. A crise
passou por momentos piores, hoje a indústria está em recuperação. Desde o
último mês de outubro, no entanto, lançamentos de produtos dos mais
diversos segmentos foram adiados. Moldes deixaram de ser fabricados,
prejudicando a venda das câmaras, negócio diretamente ligado ao desempenho
das ferramentarias.
Nacionais e importados – Para os fornecedores nacionais, um
agravante: “Vivemos um momento singular. Com a crise forte vivida na
Europa e nos Estados Unidos, e o Brasil se recuperando de forma mais
rápida, empresas internacionais têm buscado novas oportunidades no mercado
local. Elas estão agressivas e praticam preços mais baixos aqui do que em
seus países de origem”, acusa Cleber Silva, gerente de desenvolvimento e
marketing da Polimold. O argumento, lógico, não é reconhecido pelos
representantes das multinacionais.
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Maurício Brunelli, gerente de vendas da Polimold,
projeta o pensamento para o segmento de moldes prontos. Ele lamenta a
importação expressiva de ferramentas vindas da Ásia. “Dados oficiais
revelam forte crescimento na importação nos últimos cinco anos. É um
cenário lamentável para toda a cadeia produtiva de moldes e sua
periferia, o qual ocasiona a perda de mão-de-obra qualificada, de
receitas e proporciona o fechamento de ferramentarias, em especial as
de pequeno e médio porte”, define. Os dois profissionais defendem a
criação de regras de importação mais justas, nas quais os nacionais
possam competir em condições de igualdade. |
Cuca Jorge

Brunelli: concorrência com importados é desleal |
O índice de nacionalização das câmaras quentes oferecidas ao mercado
varia caso a caso, de acordo com as características dos fabricantes. “Nós
importamos apenas as resistências, todos os demais componentes das câmaras
fazemos em casa”, informa Silva. Por outros componentes, o executivo quer
dizer bicos quentes, ponteiras de bicos, placas nas quais as câmaras
quentes são acondicionadas e outros itens.
O manifold, nome dado à placa central das câmaras quentes, apontado como o
“coração” do conjunto, na maioria dos casos é usinado por aqui. Tanto
aqueles com medidas padronizadas, fornecidos por algumas empresas, quanto
os feitos por encomenda, para atender às necessidades especiais requeridas
por determinadas peças. Um exemplo pode ser encontrado na Husky, empresa
de origem canadense presente em mais de 40 países. Desde 2006 ela
nacionaliza a produção de todos os manifolds vendidos no mercado nacional.
Situação semelhante ocorre com a Tecnoserv. “Faço o manifold. Outros
componentes eu trago de fora, é a maneira de me manter competitivo”,
revela o diretor técnico Wilson Teixeira. Ele justifica a atitude. “Antes
eu fabricava os bicos quentes usados nas câmaras quentes, em torno de
trezentas unidades por mês. Hoje eu compro os bicos de uma empresa da Nova
Zelândia que produz 400 bicos por turno. É impossível competir em preços
com eles”, informa.
Matemática – As vantagens oferecidas pelas câmaras quentes são
bem conhecidas. Mas, quanto elas valem em termos de custo e benefício?
Cada caso é um caso. Tudo depende do formato e da quantidade das peças a
ser produzidas. Para os especialistas, em média, elas reduzem os tempos
dos ciclos em torno de 30% a 60%. A inexistência dos galhos economiza
matéria-prima e elimina as operações de reciclagem dos refugos. Cria
condições ideais de fluidez da resina durante a operação de injeção,
qualquer que seja o plástico utilizado.
Cases são apontados como exemplos desse retorno. Teixeira, da Tecnoserv,
apresenta o exemplo fictício de um molde com 32 cavidades, voltado para a
fabricação de tampinhas de garrafas PET e utilizado em regime full time. A
peça tem peso de 2,1 g. Na ferramenta com câmara quente, o ciclo fica na
casa dos 6,2 segundos. Na sem câmara, em 14 segundos. “O ganho por dia
pelo aumento do volume de produção, levando-se em conta os preços
praticados pelo mercado, fica na casa dos R$ 3.470,00”, calcula. O ganho
mensal fica próximo dos R$ 69 mil. “A câmara custa em torno de R$ 70 mil.
Nesse exemplo, em um mês ela se paga”, calcula.
Os lucros podem ser maiores. “Estamos desprezando o valor da matéria-prima
economizada pela ausência de galhos e a redução do custo de operação de
reciclagem desses galhos”, diz. Ele acrescenta outro fator importante:
“Com a câmara, é possível trabalhar em injetoras com força de fechamento
menor ou, se usarmos a mesma injetora, aplicamos pressões de fechamento de
20% a
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30% menores, o que proporciona uma série de outras
vantagens.” E ressalta: “Se a aplicação da peça permitir, nós podemos
reduzir a largura da parede da tampinha, injetando peças com peso de
1,9 g, algo difícil de se obter em moldes comuns.”
Um outro exemplo, este real, é apontado por Ney Kaiser, diretor de
engenharia da Delkron, pequena empresa nacional que se autointitula
pioneira na fabricação de câmaras quentes no Brasil. Ele lembra o caso
de um molde dedicado à fabricação de talheres com espessura fina,
dotado com 24 cavidades. Sem a câmara, a massa do canal correspondia a
33% da massa total da injeção. O ciclo era de 19,5 segundos e a
máquina utilizada tinha 300 toneladas de força de fechamento. “Após a
implantação do conjunto de câmara |
Cuca Jorge

Kaiser: custo da peça cai 30%, com câmara quente |
quente, os ciclos caíram para 5,4 segundos. O mesmo molde obteve
redução de 72% no tempo da operação. O mesmo conjunto molde + máquina
passou a produzir cerca de três vezes mais peças”, diz Kaiser. Cálculos
feitos pelo diretor apontam redução de 30% do custo da peça moldada. “O
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custo da hora máquina/peça foi reduzido em 72%. A
energia despendida caiu 20%. Os custos de moagem e recuperação do
material do canal deixaram de existir. A movimentação e o
armazenamento de canais dentro da fábrica desapareceram, o que
permitiu a liberação de áreas e pessoas para outras atividades”,
ressalta.
O projeto contou com nova etapa. Em novos moldes, voltados para a
fabricação de talheres, foi aumentada a quantidade de cavidades,
medida facilitada com a utilização das câmaras quentes. “Com as
câmaras, a resina chega às cavidades sem a perda de temperatura
ocorrida nas ferramentas tradicionais. Fizemos moldes com 48 cavidades
com uma superfície de fechamento e de 96 cavidades com duas
superfícies, os chamados stack-molds”, explica. O ciclo de produção
para moldes com 48 cavidades ficou na casa dos 5,5 segundos e para os
de 96 cavidades, 6,7 segundos. “Houve incremento total da capacidade
de produção da ordem de 11,6 vezes e redução de custos por peça
moldada de 45%”, afirma.
Kaiser faz outra afirmação surpreendente. De acordo com seus cálculos,
em alguns casos, as ferramentas desprovidas de |
Divulgação


Câmaras da Delkron garantem economia |
câmaras quentes saem mais caras do que as equipadas com o componente.
“O custo de um molde com câmara quente só é maior quando comparado ao com
canal frio previsto na linha de fechamento das cavidades (injeção lateral
ao produto). O custo é normalmente menor do que os convencionais, em torno
de 15% a 20%, quando estes têm placas flutuantes de canais (injeção no
topo do produto)”, afirma.
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Novidades – A Polimold nasceu como fabricante
de porta-moldes, mercado em que é líder no país, e fabrica câmaras há
dezessete anos, em suas plantas industriais localizadas em São
Bernardo do Campo-SP e na cidade do México. A empresa oferece ao
mercado uma família bastante ampla e diversificada, com várias opções
de manifolds padronizados. “Trabalhamos com custos reduzidos e
processos otimizados”, diz Silva.
Ao todo, a empresa oferece quatro famílias de buchas quentes para as
mais diversificadas aplicações. A linha Polifast é formada por
produtos para injeção de materiais commodities e pequenos volumes de
plástico. “Promovem excelente vestígio e são indicadas |
Cuca Jorge

Silva aposta na adoção de processos otimizados |
principalmente para moldes com alta produtividade, nos quais
acabamento, repetibilidade e alta velocidade dos ciclos são fatores
imprescindíveis”, explica Agenor Gualberto, gerente de produtos.
A série Policosmetic conta com buchas para operações de maiores volumes de
injeção e materiais commodities. “Ela possibilita baixa transferência de
calor, excelente estabilidade térmica e baixa dissipação de calor para as
placas do molde e do produto”, diz Gualberto. A Polimax é voltada para
projetos nos quais se usam poliolefinas e plásticos de engenharia. A linha
Polivalve é formada por sistemas valvulados para diversas aplicações e por
conjuntos dotados de cilindros, dispositivos de acionamento e elementos de
travamento, entre outros itens.
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