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No quesito inovações ambientalmente amigáveis, assim como outras empresas
da indústria de polímeros, a Plascar andou investigando as propriedades da
fibra de curauá, conhecida como a fibra natural de maior resistência
mecânica. Tiraboschi vê o sucedâneo obtido de fonte renovável como o
principal candidato a substituir a fibra de vidro – a resistência do
curauá à tração, diz ele, é até maior que a do produto mineral. O
desenvolvimento do curauá na indústria de compósitos, porém, enfrenta
algumas dificuldades. O cultivo da planta só se adapta às condições
climáticas equatoriais da Amazônia. Mudas plantadas no Sudeste padeceram à
primeira queda brusca de temperatura durante a noite. Fora de sua região
de origem, o curauá não se desenvolve com a qualidade de fibra e a
produtividade do ambiente amazônico. E, com a precariedade da malha de
estradas, rodovias e ferrovias do país, o frete se torna impeditivo, maior
até que o custo da própria fibra. Mas, apesar da inviabilidade comercial,
por enquanto, a fibra natural está na lista de prioridades da Plascar,
porém em compasso de espera. Outra iniciativa “verde” da empresa reside em
projetos com parceiros que testam o uso de rebarbas da produção da
companhia, após moagem, em aplicações da construção civil. O SMC moído
poderia ser empregado em alguns elementos tradicionalmente feitos de
concreto, simplesmente como enchimento e até como carga, configurando um
primeiro passo na direção de um menor impacto ambiental causado pelos
resíduos do produto.
A evolução das aplicações para termofixos também passa pelo emprego da
nanotecnologia, uma febre que já atingiu a indústria de termoplásticos e
começa a ser percebida nos materiais termoestáveis. Tiraboschi revela que
a Plascar mantém algumas frentes de trabalho nesse tema, embora a
tecnologia ainda seja cara, pois, em alguns anos, a nanotecnologia será a
solução de muitos dos “problemas” da transformação. Nos termofixos, as
peculiaridades do mundo nanométrico poderiam contribuir para aperfeiçoar o
aspecto superficial dos materiais, melhorando a ancoragem de tintas e
facilitando a pintura com acabamento de alta qualidade. Isso aconteceria
graças ao aprimoramento de propriedades mecânicas da resina e à redução da
necessidade por fibra de vidro, notadamente uma vilã no quesito aspecto
superficial.
Em termos de processo, o gerente de engenharia revela que uma das
evoluções da indústria reside em otimizar o projeto do ferramental, com o
objetivo de obter peças de qualidade nas primeiras fases de teste do
molde. O processamento de termofixos não conta com sua versão de Moldflow,
o programa de simulação de injeção de termoplásticos amplamente utilizado
por projetistas para compreender, antes da usinagem da ferramenta, o
comportamento da resina na cavidade. É uma grande desvantagem para os
termofixos, pois muito tempo e dinheiro são perdidos na etapa de try out.
Com o programa de simulação, peças de boa qualidade moldadas em
termoplástico são obtidas já no primeiro ou no segundo teste, mas, no caso
do termofixo, com sorte, o sucesso chega depois do quinto try out. Os
moldes para SMC usam aços cromados especiais, e são bastante caros, por
isso não é desejável uma quantidade excessiva de testes. Nesse ponto,
Tiraboschi destaca o que acredita ser uma das vantagens da Plascar.
Verticalizada, a empresa conta com a agilidade para mudar as formulações
do compósito a cada tentativa sem sucesso, e pode até fabricar os moldes
para seus testes, quando não passam de 25 t.
Mercado em crescimento – A demanda por compósitos termofixos no
Brasil, considerando todo o universo de aplicações, e outras resinas além
do poliéster insaturado, como resinas epóxi e éster-vinílicas, foi de
cerca de 165 mil t/ano em 2008, um crescimento de 13,3% em relação a 2007.
O volume, até setembro do ano passado, crescia em médias anuais próximas a
15%, mas como todo o mercado, o segmento de resinas termofixas se viu
prejudicado pela crise financeira global instalada no último semestre de
2008. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Materiais
Compósitos (Abmaco), Gilmar Lima, a queda da demanda local começou em
outubro do ano passado, intensificou-se em novembro e se agravou muito em
dezembro, tradicionalmente um mês fraco para a indústria. O primeiro
trimestre de 2009 manteve a mesma toada, e o segundo ainda não
proporcionou a recuperação esperada. Mesmo assim, Lima espera que o setor
feche o ano com crescimento de 2% a 3%, se daqui para o fim do ano os
negócios demonstrarem bom vigor. “É fundamental que o segundo semestre
seja melhor para chegar a esses números, pois eles ainda não são uma
realidade e a projeção ainda está sob risco”, avisa.
A Abmaco, em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT),
também está interessada no desenvolvimento de um processo de reciclagem
para os compósitos termofixos. Lima revela que a tendência viável é a
moagem do material para reutilização como reforço, e não mera carga, na
produção do próprio termofixo. Ele confirma que o ponto de dificuldade
central reside na presença de radicais livres no compósito moído. Por
isso, o objetivo da associação consiste em buscar uma forma de transformar
o reciclado para adequá-lo ao retorno à fabricação do compósito. A
reciclagem química dos polímeros, revertendo-os aos seus monômeros, hoje,
está descartada, segundo o presidente da Abmaco. Lima também cobra os
fornecedores de matérias-
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primas, que precisam sair de sua “zona de conforto”
para criar resinas recicláveis, ou que possuam fontes renováveis, pois
“as empresas petroquímicas não estão mais concorrendo entre elas. A
competição é global e envolve produtores de outros materiais. As
empresas químicas precisarão criar espaço no mercado com novos
produtos, pois a tendência é de que as participações diminuam”. Como
exemplo desse esforço, Lima cita o desenvolvimento de resinas de
poliéster renováveis, com base em óleo de mamona. |

Lima: Abmaco também corre atrás da reciclabilidade |
Mas ainda é pouco. Mesmo nos veículos pesados, seu nicho preferencial,
os termofixos perdem espaço para termoplásticos por conta da inexistência
de uma solução para a reciclagem. O consumo dos compósitos termoestáveis,
desse modo, acaba crescendo por obra dos outros segmentos consumidores,
como a aviação e a geração de energia eólica. “O emprego de compósitos
termofixos na indústria automobilística vem diminuindo, e continuará a
diminuir se nada for feito em relação à reciclagem”, crê Lima. Na MVC,
empresa que comanda como diretor-geral, ele presenciou os negócios se
deslocarem de um volume de 100% de aplicações em termofixos para 50 a 50
com termoplásticos, chegando em 60 a 40 nos tempos atuais. Até existe uma
perspectiva de reversão da predominância dos termoplásticos na empresa,
mas puxada por aplicações fora da área automotiva. A tendência da MVC, se
a foto do cenário de mercado não sofrer grandes alterações, é
concentrar-se nos termoplásticos reforçados, no caso dos veículos leves e
peças internas, e trabalhar os termofixos em peças externas de grandes
dimensões para veículos pesados, como caminhões e implementos rodoviários.
Baixas produções com muitas mudanças de design, mesmo em veículos leves,
também permaneceriam voltadas para os termofixos. Aliás, a MVC desenvolve,
sem revelar maiores detalhes, uma caçamba toda confeccionada em compósito
termoestável, que desbancará o aço na futura aplicação.
Mercado de reforço também cresce – Puxado por segmentos como
construção civil, infraestrutura, saneamento e automobilística, o consumo
de fibras de vidro no Brasil vem crescendo, ao longo dos anos, em taxas
mínimas de até duas vezes o crescimento do PIB, apesar do ataque dos
termoplásticos aos termofixos. “Não há uma perda de vendas altamente
significativa, porém a tendência de substituição dos termofixos está cada
vez mais forte”, diz Sérgio N. M. Falcão, líder de vendas, na América do
Sul, da OCV Reinforcements. No Brasil, a OCV fornece reforço de fibra de
vidro para aplicações em SMC, BMC, RTM, laminação manual, spray-up e
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infusão, incluindo peças como capôs de caminhões e
tratores, carrocerias e tetos de ônibus, tetos internos de automóveis,
headliners e tampas traseiras de peruas. Assim como as resinas, as
fibras também têm passado por evoluções tecnológicas, como a criação
de novos tratamentos superficiais, normalmente feitos com silanos,
para melhorar a compatibilidade entre a matriz e a fase descontínua.
Outro ponto que já foi atacado para melhorar os produtos foi a
composição do próprio vidro, com a criação de versões isentas de boro
e flúor, considerados prejudiciais ao meio ambiente.
Sendo um vendedor de fibra de vidro, Falcão não se sente ameaçado
pelos concorrentes “verdes”. Pelo contrário: vê o interesse pelas
fibras naturais com bons olhos, pois acredita que a fibra natural
completa a fibra |

Fibra natural completa a de vidro,
crê Falcão |
de vidro. “A resistência mecânica do vidro é maior e os materiais
poderiam ser utilizados em combinação”, diz o líder de vendas. “A fibra
natural não substitui completamente a fibra de vidro, mas seu uso deve
crescer”, prevê.
A OCV conta com fábricas no Brasil e na América Latina, e fabrica
localmente a maioria dos produtos que vende ao mercado nacional.
Importação, “só de alguma coisa ou outra”, nas palavras de Falcão, o que
inclui materiais mais recentes, como as fibras de alto desempenho com
tratamentos superficiais diferenciados e uma formulação de vidro
diferente, que oferece melhor módulo de elasticidade, para aplicações em
energia eólica e industriais e no segmento de blindagem de veículos. Esta
última aplicação, por sinal, é atendida também nos Estados Unidos, mas no
nicho de veículos militares. No Brasil, graças à oportunidade de mercado
criada pela explosiva violência urbana, as novas fibras da OCV deverão
acabar nos carros de passeio dos civis.
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