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Capô de caminhão por RTM |
Termofixo resiste nos
veículos pesados
em busca de reciclabilidade
Texto de Márcio Azevedo e fotos de Cuca
Jorge
Em busca de leveza e
flexibilidade no design de peças, a indústria automotiva se tornou uma
importante cliente da indústria de plásticos. Faróis, parachoques, painéis
internos, fenders, front-ends, capôs, dutos de combustível e diversas
outras peças compõem um leque de aplicações conquistadas há muito pelos
polímeros. A visão do interior de um carro dos anos 80, hoje, revela a
predominância de um frio metálico ao qual o motorista e os passageiros se
desacostumaram, tamanha a quantidade de aplicações tomadas do aço. Na
disputa com o metal, as resinas termoplásticas obtiveram uma penetração
maior que as termofixas, principalmente nos automóveis leves. Os polímeros
termofixos não se fundem sob ação do calor, como os termoplásticos, e isso
impediu, até agora, o êxito no desenvolvimento de um processo adequado de
reciclagem para esses materiais. Na briga pelo mercado, a demanda
crescente da indústria automotiva por matérias-primas recicláveis aperta
de um lado, o desenvolvimento de termoplásticos com maior resistência à
temperatura e melhores propriedades mecânicas pressiona de outro, mas o
termofixo vai se mantendo, focado com maior ênfase nos segmentos de
veículos mais pesados, como caminhões, ônibus, tratores e utilitários,
ciente de que seu principal calcanhar-de-aquiles precisa ser resolvido, e
o relógio corre contra.
Quem são e como são transformadas – As resinas termofixas são
empregadas na indústria automotiva como matrizes de compósitos com fibras.
Na fase descontínua, o mais comum é encontrar fibras de vidro, enquanto a
resina poliéster insaturada figura como matriz na maior parte das
aplicações.
Os poliésteres se formam pela reação de ácidos orgânicos com alcoóis. A
gama de polímeros é obtida reagindo ácidos ou seus anidridos, como o
tereftálico, o fumárico, o maleico e o ftálico com glicóis (o
propilenoglicol, primordialmente, além do etileno e do neopentilglicol). O
produto dessa transformação química é uma resina solúvel, que se converte
em um polímero tridimensional termoestável pela reticulação catalisada com
um monômero reativo, usualmente o estireno e, às vezes, o metacrilato de
metila, durante a moldagem.
A indústria local utiliza vários processos de transformação, tanto os
realizados em moldagem aberta, como o spray-up e hand lay-up (embora eles
sejam mais comuns em peças com exigências técnicas menos severas, como
caixas-d’água e piscinas), como também processos mais modernos de moldagem
fechada, como o SMC (Sheet Molding Compound), o BMC (Bulk Molding Compound)
e o RTM (Resin Transfer Molding).
No processo de hand lay-up, o reforço de fibra de vidro é disposto
manualmente no molde e a resina é aplicada por spray ou ainda com rolos e
pincéis. Pelo processo de spray-up, resina, reforço e iniciador são
aplicados simultaneamente por uma laminadora. Em qualquer das versões, há
o inconveniente da variabilidade introduzida pela laminação manual, pois o
erro humano pode gerar áreas onde há excesso de resinas e outras com fibra
seca, resultando em prejuízo de propriedades. A emissão de voláteis no
ambiente que o processo gera também é indesejada.
SMC e BMC são processos de prensagem a quente, realizados em molde
fechado. No SMC, rovings de fibra de vidro picada são depositados entre
folhas de filme plástico recoberto com a resina termofixa. No SMC, o
composto é depositado em filmes plásticos, que são puxados pela máquina de
SMC, ao mesmo tempo em que o roving picado é introduzido entre as camadas
do composto. Após receber o roving, o composto passa por uma calandra,
formando um “sanduíche”. Após essa etapa, o SMC é armazenado em rolos que,
após cortados, formam chapas que serão conformadas em moldes aquecidos
após o tempo de maturação, em geral, de 72 horas. Já o BMC difere do SMC
pela ausência das etapas de calandragem e maturação. Nesse método, resina,
fibras picadas, cargas, aditivos e outros componentes da formulação do
compósito são reunidos em misturadores do tipo sigma. Finda a mistura, o
material já está pronto para ser prensado. No SMC, o comprimento das
fibras varia entre 0,5 e 2 polegadas, mantendo-se, em média, em 1
polegada, ao passo que, no processo de BMC, são usadas fibras de 1/8 a 1
polegada. Por isso, as peças produzidas em SMC apresentam maior
resistência mecânica. Ambos são processos adequados à produção de grandes
volumes, a partir de 20 mil veículos por ano.
A laminação em molde fechado também pode ser realizada a frio pelo chamado
RTM. Neste processo, as mantas de fibras de vidro são previamente
posicionadas no molde e a conformagem ocorre pela injeção do polímero
assistida por vácuo. As resinas utilizadas no processo de RTM devem ter
baixa viscosidade, rápido ciclo de cura e baixa contração. O molde,
normalmente de aço ou alumínio, pode ser feito de compósitos, uma variante
do processo convencional denominada RTM light. Entre as principais
características do RTM estão a possibilidade de obtenção de superfície
lisa nos dois lados das peças, uniformidade de espessura, menor
desperdício, baixa emissão de estireno e melhores propriedades mecânicas
em relação aos
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processos de moldagem aberta. O RTM, em regra, atende
melhor a volumes de produção mais baixos, entre 5 e 10 mil
veículos/ano, mas tem a vantagem de ser mais barato: o custo com
energia elétrica é menor, e os moldes também custam menos.
O mercado local de transformação de termofixos conta com a presença
dos principais fornecedores mundiais, sendo abastecido por fábricas
nacionais, no caso dos produtos mais disseminados no mercado, e por
importações, nas hipóteses de matérias-primas mais especiais ou
recentes. Uma das líderes mundiais no fornecimento de resina poliéster
insaturada, a Reichhold, com fábricas em São Paulo e na Bahia, atua no
Brasil oferecendo resinas para todas as modalidades de moldagens
abertas e fechadas. As peças fabricadas com resinas de poliéster
insaturado vão desde refletores de faróis, obtidos por BMC, a spoilers,
capôs, compartimentos de tetos e capotas, produzidos em SMC. Entre as
peças mais comuns produzidas por RTM estão os parachoques, defletores
de ar, capôs e traseiras de ônibus. Segundo o supervisor de produto
Paulo de Tarso Mello de Sousa, as resinas termofixas, como poliéster,
epóxi e éster-vinílicas conferem aos produtos características de
resistência à tração, |

Sousa: resistência mecânica destaca termofixo

Revestimento de tampa de utilitário pelo
processo de SMC

BMC domina aplicação de carcaças de faróis |
flexão e impacto, além de autoextinguibilidade, estabilidade
dimensional, e resistência às intempéries, ao calor e a ambientes
agressivos.
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