A fusão privilegia a integração das especialidades das duas companhias. “Graças à experiência da Wittmann na fabricação de automação para injetoras de ciclos rápidos e de todos os periféricos para esta aplicação, a Wittmann Battenfeld tornou-se a primeira fabricante a fornecer a célula completa, ou seja, máquina, periféricos e molde de um único fornecedor.”

Desde março de 2008, o grupo Demag Plastics foi incorporado à Sumitomo Heavy Industries, empresa central do grupo japonês de mesmo nome, fundada em 1888. “A união das empresas gerou uma companhia globalmente atuante no setor de injetoras, com presença em todos os continentes”, afirma o gerente geral da filial brasileira da Sumitomo Demag, Christoph D. Rieker.

A estratégia garantiu à companhia importante papel no mercado europeu, principalmente em injetoras elétricas. “Em 2007, as fábricas da Alemanha faturaram 600 milhões de euros.” Atualmente, o grupo é formado por 37 empresas juridicamente autônomas. A Sumitomo Demag conta com seis pontos de produção na Alemanha, Estados Unidos, Japão e China, e com mais de 3 mil colaboradores.

A empresa desenvolve e produz variada gama de máquinas injetoras completamente elétricas, híbridas e hidráulicas desde 25 t até 2.000 toneladas de força de fechamento. “Oferecemos soluções completas para demandas específicas que vão muito além de máquinas injetoras. Tal atuação tem início em financiamentos, passa pela tecnologia e pelo desenvolvimento de processos, inclui sistemas completos de automação e abrange até conceitos de serviços personalizados”, diz Rieker.


Rieker enfatiza a oferta de soluções completas
e específicas

Desde a década de 90, a Sumitomo se concentrou no desenvolvimento e na produção de máquinas injetoras elétricas. “Pode ser considerada hoje, sem sombra de dúvida, uma das líderes de tecnologia nesse setor. No mercado japonês, a cada quatro injetoras elétricas vendidas uma é Sumitomo.”

Mercado – Há alguns anos, Battenfeld e Husky figuravam entre os principais fornecedores desse segmento, ao lado da Engel, Krauss Maffei, Sumitomo-Demag e Sandretto, entre outros players mundiais. Mais recentemente, a disputa ganhou concorrentes de peso com o aprimoramento tecnológico e o avanço internacional de marcas vindas da Ásia.

A concorrência asiática, extremamente acentuada no mercado de injetoras menores há alguns anos, já chegou às máquinas maiores, como se previa. Boa parte da demanda da indústria nacional de televisores foi abastecida por essas marcas. O mesmo ocorre no segmento de autopeças.

Dentre os fabricantes com presença no mercado brasileiro podem ser citados a Toyota Tsusho, HWA Chin, Asian Plastic, Tsong Cherng e FCS, entre outras. O dólar desvalorizado em relação ao real deu uma forcinha para as importações. “Os fabricantes asiáticos vêm melhorando a qualidade de seus produtos e a diferença tecnológica diminuiu. Existem transformadores da indústria automobilística, entre outros segmentos, que já usam essas máquinas com bons resultados”, afirma Seabra. A concorrência com os asiáticos ficou ainda mais acirrada em virtude da crise econômica mundial, agravada no final do ano passado. “A demanda caiu nos mercados de origem, forçando-os a desovar o excedente em outros países. O dólar baixo complica muito a vida do fabricante nacional.”

Na avaliação de Cardenal, a indústria nacional de transformação possui um dos parques fabris mais diversificados do mundo. “Tem injetoras supersofisticadas e outras igualmente ultrapassadas. É possível encontrar até ‘mula manca’ em operação”, afirma, referindo-se às antigas máquinas de funcionamento totalmente manual.

Dentre os inibidores dos investimentos, Cardenal cita a falta de financiamento a custos razoáveis para equipamentos de ponta. “Isso leva os transformadores a optar por injetoras de baixo custo.” A retomada, esperada para o segundo trimestre, não ocorreu. Mas as expectativas são boas para o segundo semestre, de acordo com os fabricantes do setor. Na avaliação de Cardenal, o mercado de injetoras registrou recordes de vendas em 2006, 2007 e no primeiro semestre de 2008. “Após

outubro do ano passado, a queda foi drástica e a recuperação tem sido lenta. Acreditamos que os transformadores estão retardando ao máximo os investimentos, até o ponto em que tiverem urgência na aquisição.”

Preparando-se para esse momento, a Wittmann Battenfeld está reforçando o estoque local de máquinas. “Acreditamos que a demanda deve melhorar em breve, e quando isso acontecer o transformador vai querer injetoras para ontem”, defende Cardenal. Opinião compartilhada por Lago, da Romi. “Houve, como em todos os setores da economia, um forte impacto, com retração de negócios por ação preventiva dos empresários. Neste momento, o cenário está mais claro e as decisões de investimento voltam a acontecer.”


Para Lago, os transformadores já mostram disposição para comprar

Nas contas do gerente-industrial da Tsong Cherng, Newton Tien, atuam no Brasil mais de 30 marcas de injetoras de plásticos, desde os equipamentos considerados “top” de linha às máquinas de média a alta qualidade, média a baixa qualidade e as de baixo custo. “As injetoras mais avançadas chegam a custar de três a cinco vezes mais em relação às de baixo custo. Porém as diferenças tecnológicas são evidentes.”

Avalia ainda que, dependendo do perfil dos transformadores, muitos optam pelo custo mais baixo porque, em alguns casos, a máquina atende às necessidades do produto e da produção. “Independentemente das opções e escolhas, todos visam o melhor custo/benefício.”

Por isso, é importante atentar para alguns detalhes antes de bater o martelo. Dentre os principais requisitos, Tien cita a robustez e precisão da máquina. “A injetora tem de ser muito bem projetada para atender à necessidade do cliente. Em equipamentos de grande porte qualquer modificação posterior é mais complicada e com custo mais alto.”

A linha padrão de injetoras da Tsong Cherng vai desde 120 t a 2.300 t. Complementam a série, projetos com capacidades inferiores a


Precisão e robustez são itens imprescindíveis,
aponta Tien

120 t (35 t , 75 t e 95 t) e as maiores desde 2.300 t até 3.800 t. “Nosso equipamento tem estrutura fundida e usinada em Taiwan. Todos os componentes utilizados no processo de montagem, realizado no Brasil, são europeus, vindos principalmente da Alemanha e Itália.”

Tien conta que o diretor-fundador nasceu em Taiwan, mas vive há quarenta anos no Brasil. “A empresa é brasileira com tecnologia de Taiwan. Temos em torno de 1.800 injetoras instaladas no Brasil em diversos segmentos.”

Tecnologia – Com demanda restrita, concorrência acirrada e exigências tecnológicas elevadas, não é tarefa fácil manter-se competitivo no mercado de injetoras de grande porte. Além de eficientes estratégias de operação, os fabricantes precisam investir muito em novos desenvolvimentos, focando a redução do consumo de energia elétrica e de gastos com manutenção, além de melhorias na produtividade e desempenho de forma geral.

Para tanto, as tecnologias de acionamento estão sempre na mira. De acordo com os fabricantes, existe a tendência de eletrificar cada vez mais os equipamentos, buscando sempre a redução do consumo energético e melhorias no desempenho. “O desenvolvimento de motores elétricos na plastificação tem apresentado evolução constante. Mas ainda teremos alguns anos pela frente até chegarmos ao ponto de equilíbrio. A partir de certas capacidades, o acionamento hidráulico ainda é mais econômico”, avalia Seabra.

Dentro desse contexto, Löhken confirma a tendência de substituição da hidráulica comum por servomotores. “Bombas de vazão variável aumentam entre 25% e 30% a eficiência energética.” Segundo ele, essa alteração está ocorrendo gradativamente em toda a linha da Engel.

Outra inovação importante, mas que ainda não tem demanda no Brasil, são as injetoras que trabalham com dois conjuntos de injeção e, consequentemente, dois moldes. O segundo conjunto se movimenta com a placa móvel. O sistema garante produção dobrada. “Na Europa, já é bastante utilizado”, diz Löhken. Outra vantagem fica por conta da redução do espaço ocupado.

A automação é outra questão importante na redução do ciclo. “Como as peças são de grande porte, o robô é praticamente obrigatório”, diz Cardenal. Tanto a Wittmann Battenfeld quanto a Engel fabricam os robôs que trabalham sincronizados com suas máquinas.

São muitos os critérios que definem a compra de uma injetora, além do preço final. Löhken cita a durabilidade e o desempenho do equipamento, além da confiança no fabricante. “Toda aquisição deve ser muito bem planejada, porém em se tratando de uma injetora de grande porte os riscos aumentam. É mais fácil instalar e retirar uma injetora pequena da fábrica. Os altos custos de transporte, montagem e, eventualmente, de remoção exigem que o equipamento garanta confiabilidade a longo prazo.”

Ao avaliar o perfil de venda no mercado nacional de injetoras, Lago observa que o fator preço influencia mais em máquinas de pequeno porte. “Nas maiores, a decisão prioriza as características do equipamento. Isso mostra que há importante e decisiva análise técnica por parte do empresário.” De acordo com Lago, dado o porte e o custo das peças típicas injetadas neste tipo de injetora, o transformador trabalha sem estoque. Por isso, precisa de uma máquina confiável para que possa prestar ao seu cliente um fornecimento garantido.

Além da qualidade da injetora, levando-se em consideração a estrutura e componentes utilizados, os transformadores avaliam como imprescindível a garantia do equipamento e os serviços de pré e pós-venda. “O fabricante precisa garantir estoque de peças de reposição e técnicos capacitados e qualificados para prestar assistência eficiente, além de suporte de engenharia para auxiliar na definição do processo”, afirma Tien, da Tsong Cherng.

 

 

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