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Novos mercados
de peças de grande porte alimentam investimentos
em máquinas
Texto de Simone Ferro e fotos de Cuca Jorge |
Nem só de autopeças e linha branca vivem
os fabricantes de injetoras de grande porte. Embora as indústrias de
automóveis e de eletrodomésticos sejam reconhecidamente as maiores
usuárias, novos nichos de aplicação começam a despontar como boas
oportunidades de negócios no Brasil. Dentre eles, destacam-se as partes
frontais e demais componentes para os televisores de tela plana (plasma e
LCD), contêineres de lixo, caixarias e móveis de bares e jardins, entre
outros.
O consultor especializado no mercado de injetoras, Fabio Seabra, ressalta
também o avanço do mercado de paletes, em virtude do apelo ambiental,
assim como os segmentos de iluminação viária e de produtos promocionais –
aplicações consolidadas na Europa e nos Estados Unidos e que começaram a
atrair mais investimentos por aqui.
Segundo o diretor da Engel do Brasil, Udo Löhken, a indústria de
televisores está entre as que mais investiram nos últimos anos, sendo
responsável por boa parte da demanda internacional de injetoras desde 600
t até 3.200 t de força de fechamento. “A substituição dos modelos
tubulares pelas telas planas de maior porte, em torno de 50 polegadas,
impulsionou as vendas.”
Segundo o diretor, a Engel teve grande e expressiva participação nesse
mercado nos últimos cinco anos, principalmente na Europa e na Ásia. No
Brasil, a demanda cresceu entre os transformadores de Manaus, principal
polo industrial de eletroeletrônicos, mas ainda tem muito campo para
avançar, visto que os televisores menores e tubulares ainda dominam o
mercado.
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Os contêineres de lixo, muito usados na Europa, também
começaram a ser introduzidos no Brasil. “Fechamos negócios importantes
para esse mercado”, diz Löhken, sem revelar o cliente. Em Caxias do
Sul-RS é possível encontrar contêineres onde a população deposita os
sacos de lixo, facilitando a coleta e melhorando as condições de
higiene. “É uma tendência. Vejo um potencial muito grande nesse
campo.”
A Engel possui cinco fábricas, com operações distintas para as
diversas capacidades. As pequenas e médias injetoras, até 400
toneladas de força de fechamento, são fabricadas na Áustria, Coreia e
China. Capacidades a partir de 450 t são produzidas na Áustria, China
e Estados Unidos. A linha vai até 5.500 t. |

Löhken comemora oportunidades na fabricação de contêineres |
As novidades do setor, no entanto, não se restringem à demanda e aos
usuários de injetoras, mas também aos fabricantes das máquinas. Novas
estratégias de atuação de players mundiais, a fusão e aquisição de
empresas e a própria crise econômica acirraram ainda mais a disputa pela
preferência do transformador nacional.
Novas estratégias – Dentre os principais acontecimentos, destaque
para a saída da Husky e da Wittmann Battenfeld, esta temporariamente, do
mercado de máquinas maiores. Outra ação importante se refere à aquisição
dos ativos da italiana Sandretto pela brasileira Romi, de Santa Bárbara d’Oeste-SP;
e a aquisição da alemã Demag pelo grupo japonês Sumitomo, além da retomada
da produção da série Mega, pela Sandretto do Brasil.
Vale esclarecer que a Sandretto do Brasil não tem nenhum vínculo com a
indústria italiana adquirida pela Romi. No Brasil, a marca pertence ao
grupo Nardini, desde abril de 2007, que fabrica localmente os modelos das
séries Lógica e Nove, desde 70 t até 1.100 t de força de fechamento, além
de capacidades especiais, de acordo com as necessidades dos clientes.
A principal novidade da Sandretto do Brasil é a retomada da produção da
série Mega, com fechamentos de 600 t, 800 t e 1.000 t, que havia sido
interrompida na fase de reestruturação da marca no país. O anúncio foi
feito durante a Brasilplast 2009, de 4 a 8 de maio, no Pavilhão de
Exposições do Anhembi, em São Paulo.
A reformulação das linhas está ocorrendo gradativamente. Começou por
revisões técnicas das máquinas da série Lógica, seguidas pelas injetoras
HP e HP fast (para ciclo rápido), até alcançar a série Mega, que ganhou
novo projeto hidráulico, mais moderno e avançado, priorizando os ganhos
relativos à precisão e repetibilidade.
A Romi, que já possui modelos desde 40 t até 5.500 t em sua linha, ficou
numa situação bastante competitiva tanto no Brasil quanto no exterior, com
a comercialização das máquinas da Sandretto de 75 t a 5.500 t de força de
fechamento. A aquisição contempla o processo de internacionalização da
Romi.
De acordo com o diretor de comercialização de máquinas, Hermes Lago, a
série Primax DP (placa dupla) é a primeira e única de grande porte
fabricada no Brasil. “Possui sistema de travamento criado, desenvolvido e
patenteado pela Romi, e atende às necessidades do mercado de injeção de
1.300 a 5.500 toneladas de força de fechamento.” A série DP apresenta
também, nos modelos de 1.300 e 1.500 t de fechamento, máquinas para
multicomponentes, equipadas com mais de um cilindro de injeção
independente para outros tipos de materiais.
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Husky adota nova estratégia
Desde 2008, a Husky não fabrica máquinas acima de 1.000
toneladas de força de fechamento. “A decisão da empresa tem
caráter global e visa a intensificar o foco nos segmentos em que a
linha oferece melhor relação custo/benefício e maior produtividade
por capital empregado”, explica o diretor da Husky do Brasil,
Evandro Cazzaro. A Husky está presente no Brasil há dezessete
anos, e há dez inaugurou o Centro Tecnológico localizado na cidade
de Jundiaí, em São Paulo.
A linha de injetoras híbridas com plastificação elétrica,
denominada Hylectric, vai desde 90 até 1.000 toneladas, e se
destina à injeção de ciclo rápido. “São utilizadas tipicamente
pelos segmentos de embalagens, tampas e peças técnicas,
automotivas e médicas. Por se tratar da linha de máquinas com
menor ciclo seco do mercado, são largamente empregadas em
aplicações de ciclos rápidos”, afirma. Cazzaro cita ainda a linha
de sistemas completos para pré-formas de PET.
De acordo com ele, as expectativas são boas para 2009. “A maioria
dos segmentos em que atuamos apresenta crescimento na demanda,
tais como o de bebidas carbonatadas, água mineral e óleos
comestíveis, além de cosméticos e higiene pessoal.”
Para a Husky do Brasil, 2008 representou o melhor período de
vendas dos últimos doze anos. “Isso se deu em razão do crescimento
dos mercados em que atuamos, tais como o de pré-formas de PET,
tampas e embalagens”, diz Cazzaro. Neste período, a empresa
auxiliou seus clientes na modernização do parque fabril, aliando
novas tecnologias às tendências de redução de pesos das embalagens
e de aumento da produtividade. “Investimos fortemente na
manufatura de câmaras quentes no centro tecnológico, na montagem
local das máquinas Hylectric, bem como nos serviços prestados de
reformas e conversões dos moldes de pré-formas de PET.” |
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Conforme Lago, as normas de segurança (NBR 13.536, ANSI/SPI
B151.1/2007) definem como máquinas de grande porte, nos aspectos
relacionados à segurança, aquelas que têm distância entre colunas a partir
de 1.200 mm . “A Romi considera de grande porte os modelos com força de
fechamento acima de 1.100 t.”
A primeira unidade com características de máquina pesada fabricada pela
empresa chegou ao mercado em 1988. “Desde então, já são mais de 150
máquinas acima de 1.100 t.” Mais da metade delas opera nos segmentos de
autopeças e linha branca. “As demais, nas indústrias de móveis,
eletroeletrônicos, caixas e contêineres e utilidades domésticas, entre
outros”, afirma Lago.
A série Mega da Sandretto tem modelos horizontais de 610 a 1.500 t de
fechamento para diversas aplicações. A linha é composta por injetora com
motor elétrico na plastificação (Electric Screw), máquina para a injeção
de ciclo rápido e peças de parede fina e modelo de duas placas, entre
outros.
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Ausência temporária – Já a estratégia da
Wittmann Battenfeld ocorreu em razão da mudança da fábrica, após a
aquisição da Battenfeld pela Wittmann, e também por questões
tecnológicas. “Nas injetoras de grande porte, a Battenfeld adota
sistema de fechamento exclusivo, em que os tirantes acompanham a placa
móvel. Este modelo possui vantagens em relação aos concorrentes, porém
é mais caro”, afirma o engenheiro de vendas, Marcos Cardenal.
Essa avaliação foi determinante para que a Wittmann Battenfeld optasse
por desenvolver outro modelo, com novas tecnologias e custo mais
atrativo. A novidade será apresentada na feira K |

Cardenal anuncia novos projetos de tecnologia e custos atrativos |
2010, em Dusseldorf, na Alemanha, passando a integrar a linha de
máquinas da companhia. Já a injetora com tirantes retráteis será produzida
sob encomenda.
De acordo com Cardenal, existem dois protótipos em teste, porém os
detalhes sobre o equipamento ainda não foram divulgados. “O projeto
prioriza a redução do consumo de energia, com custo bastante competitivo”,
afirma. As capacidades também não foram divulgadas. “A linha de injetoras
com tirantes retráteis vai até 4.000 t. Também foi produzida sob encomenda
uma injetora de 8.200 t.”
Segundo Cardenal, a empresa tem cerca de 20 injetoras na faixa de 2.000 t
instaladas no Brasil, principalmente no segmento automotivo. A linha da
Wittmann Battenfeld é composta por modelos de acionamento hidráulico até
650 t de força de fechamento, fechamento mecânico (joelhos) até 500 t,
acionamento elétrico até 300 t, injetoras verticais até 270 t e processos
especiais sob encomenda, como injetoras de multimaterial, microinjeção e
injeção auxiliada por gás, água etc.
A primeira mudança após a fusão, que deu origem à Wittmann Battenfeld, foi
a introdução da linha TM Express, apresentada na Brasilplast 2009, em São
Paulo. “Trata-se de uma linha voltada para embalagens, principalmente para
in mold label.”
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