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Leite longa vida eleva consumo das pouches
Cresce no Brasil
o número de empresas dispostas a provar que as embalagens termoplásticas
em sachês multicamadas, também conhecidas como pouches, são a opção ideal
e mais econômica para acondicionar leites UHT (Ultra High Temperature),
aqueles esterilizados sob altas temperaturas (140ºC), por dois segundos, e
que podem ser consumidos em até 120 dias, depois de fabricados.
A constatação toma por base as informações apresentadas em seminário
internacional promovido pela Intermarketing Brasil, em 17 de junho último,
durante a Fispal Tecnologia 2009, realizada no pavilhão de exposições do
Anhembi, em São Paulo.
Com apresentações que giraram em torno do tema “O sucesso dos pouches com
alta barreira para leites longa vida no Brasil, e em mais de 70 países”,
executivos de vários grupos internacionais representados pela
Intermarketing Brasil argumentaram, para uma plateia composta por mais de
cem empresários e profissionais do setor, as vantagens das pouches
multicamadas sobre outros tipos de embalagem, como as monocamadas de PELBD
e as cartonadas.
Entre os presentes, grandes grupos como o Kuraray, produtor de resinas com
propriedade de barreira, o Mitsui Chemicals America, fabricante de
adesivos para sachês, e a Elecster, produtora de equipamentos para
processamento e esterilização UHT, bem como de sistemas de envase
asséptico. Produtores de leite que começam a aderir aos novos sistemas
também foram convidados a relatar suas experiências.
“As pouches representam as embalagens do futuro”, vaticinou o
diretor-presidente da Intermarketing Brasil, o engenheiro Chelomo Venezia.
O peso reduzido desse tipo de embalagem – 7 gramas, em média –, o
desempenho mecânico, a segurança, a total reciclabilidade e o custo bem
mais baixo, podendo representar desde 50% até 20% das embalagens
cartonadas, a depender dos volumes produzidos, foram alguns dos atrativos
apresentados para conquistar novos produtores e colher em futuro próximo a
expansão desse tipo de embalagem no mercado brasileiro de leites e de
outras bebidas lácteas, iogurtes, sucos naturais, molhos, bebidas à base
de soja e de frutas, sopas, vinhos, queijos pastosos, entre outros
alimentos importantes da dieta nutricional.
As embalagens pouches assépticas em multicamadas, além de assegurar a
conservação dos leites UHT, longa vida, por um período de 120 dias, sem
requerer refrigeração, também contam com custo de transporte até 50% mais
baixo, e oferecem às indústrias um dos aspectos mais enfatizados pelos
empresários que é a liberdade de escolha dos fornecedores de equipamentos,
matérias-primas e resinas, oferecendo-lhes a chance de optar por
fornecimentos locais.
Em fase de crescimento no mercado brasileiro, essa tendência em
embalagens, no entanto, já se manifestou em diversos graus em vários
países, liderando rankings de envase de leites em sachês termoplásticos em
multicamadas na Colômbia, onde mais de 80% da produção de leites longa
vida utiliza esse sistema.
Experiência bem-sucedida - Destacada entre os participantes do
seminário, a primeira empresa a adotar integralmente os sistemas propostos
pela Intermarketing no Brasil para a comercialização de leites longa vida
foi a Laticínios Languiru. Esta cooperativa, do município de Teotônio-RS,
formada por 1.300 produtores, adquiriu de uma das empresas representadas
pela Intermarketing Brasil, a Elecster, da Finlândia, tanto o sistema de
esterilização UHT, como o sistema de envase asséptico, em 2007, e firmou
parceria com a também gaúcha Plastrela Embalagens Flexíveis, para o
fornecimento de filmes em multicamadas.
“A Plastrela investiu cerca de R$ 12 milhões em sistemas de coextrusão
para produzir filmes multicamadas e de fácil reciclagem”, informou o
diretor Jack Shen, participante do seminário.
Já a Laticínios Languiru, com um único equipamento, já vem produzindo 2,5
milhões de litros de leite ao mês, com fornecimentos de destaque para
grandes redes de supermercados como Carrefour e Wall Mart. No entanto, com
a aquisição do segundo sistema já prevista, a empresa prevê dobrar a
produção para 5 milhões de litros de leite ao mês.
Os níveis de comercialização alcançados, considerados bem superiores aos
previstos inicialmente, surpreenderam até os diretores da Languiru e foram
atribuídos a algumas decisões acertadas. Entre elas, a empresa decidiu
introduzir os sachês em embalagens secundárias, ou seja, caixas de papelão
com boa impressão e fácil identificação da marca, que acondicionam seis
sachês de 1 litro cada, sendo apresentadas aos consumidores em gôndolas
secas.
Outra estratégia muito importante se refere ao posicionamento de preços
dos produtos, classificados em faixa considerada intermediária entre
aqueles acondicionados em embalagens monocamada de PELBD, com shelf life
de apenas três a quatro dias, e que precisam ficar acondicionados em
balcões refrigerados, e aqueles acondicionados em embalagens cartonadas
que propiciam longa vida e estão presentes nas gôndolas secas.
O sucesso nas vendas de leites UHT em sachês multicamadas, portanto, além
do preço mais acessível, também se deve a um aspecto muito valorizado
pelos consumidores de leites longa vida que é a praticidade para a compra
e transporte dos produtos para os domicílios em caixas de papelão, muitas
vezes acompanhadas de brindes fornecidos pelos produtores, como suportes
plásticos para a colocação de um único sachê, para permitir o consumo
dosado e facilitar a colocação dos produtos nos refrigeradores depois de
abertos.
Proteção comprovada - A tecnologia dos sachês de alta barreira, segundo o
diretor Venezia, já é reconhecida há mais de três décadas em todos os
continentes, principalmente por impor barreira à entrada de oxigênio nas
embalagens, impedindo a proliferação de bactérias e micro-organismos.
“Graças ao uso da resina termoplástica especial da Eval, empresa do grupo
Kuraray, o EVOH, copolímero de álcool polivinílico e etileno, utilizado em
nossos sistemas e que possui a maior barreira ao oxigênio conhecida até o
momento e também graças ao uso de resina adesiva especial para sachês
Admer, da Mitsui Chemicals, as empresas podem produzir em estruturas
coextrudadas de cinco ou sete camadas sachês para embalar da forma mais
perfeita possível leites UHT longa vida, sem refrigeração, com validade
até 120 dias e leites ultrapasteurizados com refrigeração, com validade
até 30 dias”, destacou o diretor Venezia.
As estruturas em cinco camadas são compostas na primeira camada externa
por PELBD e masterbatches brancos, adesivos Admer, na segunda camada, EVOH
da Eval, na terceira camada, adesivo Admer, novamente na quarta camada e,
finalmente, PELBD e masterbatches pretos, na última camada interna que
ficará em contato com o alimento. Já as estruturas em sete camadas contam
com uma primeira camada externa de PEBD, para maior proteção mecânica,
mais cinco camadas tais quais à da estrutura anterior, acrescidas ainda de
uma última camada, que seria a sétima camada interna de PE metaloceno, que
permite espessuras mais finas, com maior resistência mecânica e melhor
qualidade nas selagens.
Já os sistemas de esterilização UHT e de envase asséptico da Elecster –
empresa que conta com mais de mil linhas de envase instaladas no mundo –
permitem trabalhar com vários tamanhos de sachê, comportando produtos
desde 200 ml até 1,1 litro, que operam à velocidade de envase superior a 9
mil litros/hora, no caso de modelos que contam com três cabeçotes.
“Os sachês produzidos com essas resinas e sistemas contam com selo de
reciclagem concedido pela Society of Plastics Industry (SPI), dos Estados
Unidos, e são reconhecidos como 100% recicláveis”, destacou Venezia.
Consumo deve aumentar - Apesar de o brasileiro beber mais cerveja
(68 litros per capita/ano) do que leite (40 litros per capita/ano), as
projeções indicam que o consumo desse alimento, importante fonte de cálcio
e de outros nutrientes, deverá aumentar nos próximos anos, principalmente
por conta do maior consumo das classes sociais C, D e E, para as quais o
leite é um dos alimentos mais importantes, sob o ponto de vista das
necessidades nutricionais humanas.
“A produção brasileira de leite, certamente, está entre as dez maiores do
mundo, enquanto o consumo per capita/ano, considerando-se uma população de
mais de 180 milhões de habitantes, não alcança 400 ml ao dia, volume
mínimo a ser consumido por um ser humano, conforme recomenda a Organização
Mundial de Saúde (OMS)”, revelou Venezia.
Dados mais recentes, porém, são muito positivos e dão conta de que o
consumo de leite entre a população brasileira passou de 19 milhões de
litros em 2007, para 28 bilhões de litros em 2008, batendo o recorde de
todos os tempos. Outro dado animador divulgado para os participantes do
seminário da Intermarketing Brasil provém das pesquisas realizadas por
produtores informando que o consumo dos leites longa vida deverá contar
com curva ascendente nos próximos anos.
Rose de Moraes
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