|
|

Empresa desenvolve aço "ecológico"
O
preço baixo é atraente, mas nem sempre a melhor opção. Fazer as contas,
prestar atenção na relação custo/benefício, hábito pouco disseminado entre
os empresários brasileiros, pode trazer economia significativa.
A teoria vale para inúmeras operações industriais. Entre elas, a da escolha
da matéria-prima a ser utilizada nos moldes de injeção. Um aço que reúna
características como usinabilidade acima da média, acabamento de ótima
qualidade e elevada capacidade de condutividade térmica custa mais caro. Até
o final do projeto, no entanto, proporciona excelente retorno para as
ferramentarias.
A tese é defendida por Paulo Sergio Ribeiro, diretor de engenharia de
materiais da Açoespecial, no mercado há 23 anos como distribuidora de aços.
Desde o final do século, com a abertura do mercado, a empresa passou a
representar no Brasil marcas internacionais. Hoje, ela vende por aqui os
produtos da alemã Dillinger Hütte, da francesa Industeel e da italiana
Lucchini. Há seis anos, também patrocina estudos para o desenvolvimento de
fórmulas diferenciadas. O primeiro produto resultante das pesquisas feitas
pela empresa, um aço 1045 diferenciado, deve chegar ao mercado nesse segundo
semestre.
Ribeiro apresenta seus argumentos. Lembra de um problema hoje enfrentado
pelas indústrias nacionais do setor de plástico, a presença cada vez maior
dos moldes importados. “Imagine uma situação: com os mesmos equipamentos e o
mesmo time de funcionários, uma ferramentaria constrói quatro matrizes, em
vez de três. Quem consegue esse ganho de produtividade gera grande economia
e se torna competitivo perante os importados”, revela. Para ele, tal aumento
da produtividade não se trata de nenhum milagre. “Com versatilidade e
criatividade isso é possível, se forem usados os materiais com
características adequadas”, garante.
Em paralelo, Ribeiro aponta outra vantagem. Com a redução do tempo da
fabricação dos moldes, ocorre maior economia de energia. Os moldes equipados
com aços de maior capacidade de condução térmica permitem ciclos de injeção
menores, outra poupança de energia. Caso os aços contem com menor quantidade
de elementos químicos em suas formulações, podem ser reciclados com maior
facilidade. Em outras palavras, as matérias-primas diferenciadas são mais
amigáveis à natureza do que as tradicionais. Fator hoje nada desprezível
para quem procura o sucesso.
Novidades – A busca pela produtividade e proteção à natureza são
focos de atuação da Açoespecial. A empresa oferece os produtos tradicionais,
em especial nas famílias 1045 e P20, as mais usadas na fabricação de moldes.
Nos últimos anos tem procurado incentivar o uso de aços com propriedades
diferenciadas no mercado brasileiro. De quebra, registrou no ano passado as
marcas Açoecológico e Açoverde, que pretende ligar aos produtos a ser
lançados no mercado no futuro. “É uma iniciativa pioneira em todo o mundo,
até hoje os processos de fabricação do aço têm sido alvos de ações
ecológicas, mas não os processos de utilização dos aços nas demais etapas da
cadeia produtiva”, informa.
|
Dante Ribeiro, gerente de engenharia de materiais, fala sobre o primeiro aço
desenvolvido pela empresa a ganhar caráter comercial, cuja chegada ao
mercado está prevista para o segundo semestre. Trata-se de um aço 1045 com
resistência mecânica 20% superior aos similares no mercado e sem perda nas
propriedades de usinabilidade. “Os lingotes experimentais foram fundidos no
IPT [Instituto de Pesquisas Tecnológicas], apresentaram bons resultados e
até o final de junho devem ser submetidos aos testes finais”, informa.
Terminada essa etapa, o material será patenteado e produzido em escala
industrial por parceiros terceirizados. |
Cuca Jorge

Dante (esq.) e Paulo comemoram bons resultados dos testes de nova
fórmula |
Entre os importados, destaque para alguns aços diferenciados. “O SP300, um
P20 fabricado pela Industeel, possui várias vantagens para toda a cadeia
produtiva”, informa Dante. Lançado há um ano, o material permite desgaste do
flanco de corte de ferramenta em 41 minutos. “O P20 de melhor usinagem
fabricado no Brasil consegue desgaste do flanco de corte da ferramenta em 26
minutos”, lembra o gerente.
De acordo com Dante, essa característica do SP300 não prejudica o acabamento
superficial. “Ele atinge acabamentos altíssimos, aptos para espelhamentos
pela norma SPI A2 para materiais fabricados pelo processo ESR”, informa. A
soldabilidade do material também é ressaltada. “Ele é passível de reparos
praticamente imperceptíveis”, afirma. Além disso, o aço conta com outra
propriedade importante. “A condutividade térmica é em torno de 20% superior
à dos convencionais, o que implica em ganhos da ordem de 5% a 6% no ciclo
total de injeção”, emenda.
Também da família dos P20, Ribeiro ressalta a linha de chapas oferecidas
pela alemã Dillinger Hütte. “As chapas têm uma planicidade ímpar, permitem
às ferramentarias adquirir material com sobremetal em torno de até dois
milímetros de espessura, enquanto nos aços tradicionais a tolerância mínima
é de cinco milímetros. Quem compra paga por um peso menor e reduz a
necessidade de usinagem”, destaca. A qualidade dos produtos da Dillinger
Hütte é definida por uma frase pelo diretor: “Até hoje já fornecemos mais de
700 toneladas de aço alemão e o índice de reclamações de nossos clientes é
zero”, exalta.
José Paulo Sant’Anna
|
|