MOLDES



Fabricantes de porta-moldes e componentes marcam presença e ganham destaque


Texto de José Paulo Sant'anna. Fotos de Cuca Jorge

As empresas fabricantes de moldes de injeção não comparecem em grande número na Brasilplast. Essa é uma característica histórica e tem explicação simples. O setor no Brasil é bastante pulverizado e a grande maioria dessas empresas tem pequeno porte. Em outras palavras, elas têm pouco fôlego para investir na compra de espaços na feira. Os ferramenteiros presentes no Anhembi na condição de visitantes, no entanto, tiveram oportunidade de encontrar estandes de seus principais fornecedores, de fabricantes de porta-moldes aos fornecedores de matérias-primas. Neles, foram divulgadas as linhas tradicionais e os lançamentos dessas empresas.

Por trás das novidades, a preocupação constante de disseminar a padronização entre os fabricantes de moldes nacionais. Para muitos, ainda existe a sensação de que os projetistas de moldes brasileiros recorrem muito à improvisação. É inegável, o uso de porta-moldes cresceu muito nas últimas duas décadas, hoje eles devem estar presentes em cerca de 70% das ferramentas fabricadas. Na hora de desenhar alguns componentes das matrizes, no entanto, nem sempre os projetistas se lembram da existência dos produtos disponíveis nas prateleiras dos fornecedores, capazes de suprir às necessidades a custos mais competitivos.

Quando o assunto recaiu para a economia, os expositores não apresentaram discurso afinado. Alguns representantes desse nicho de mercado se mostraram um tanto desanimados com o volume de negócios dos últimos meses. Para eles, a crise econômica está prejudicando o número de encomendas desde o final de 2008. Os responsáveis por outras empresas, por sua vez, vêem o mercado com maior otimismo. Eles comemoram a retomada das vendas depois dos dias incertos ocorridos no auge da crise.

Ferramentarias – Os diferenciais oferecidos pelas ferramentarias são equipamentos de usinagem de última geração instalados em suas fábricas, competência e experiência de seus técnicos. São atributos difíceis de serem mostrados numa feira. Os moldes mais sofisticados, projetados com tecnologia complexa, raras vezes se encontram à disposição para serem exibidos. Sobram algumas peças feitas por essas matrizes e o entusiasmo dos expositores para convencer os visitantes da excelência do serviço prestado.

Os negócios para os fabricantes de moldes não se encontram em momento muito favorável, mas a presença de visitantes na Brasilplast foi avaliada como positiva pelos representantes do setor. Em momentos de vacas magras, a feira surge como injeção de alento em busca da recuperação. O otimismo variou de acordo com o nicho de atuação dos expositores. Para a Moltec, o cenário se mostra mais favorável. A empresa produz ferramentas para injeção e sopro voltadas para o mercado de embalagens, entre elas as de PET. Foi um segmento que sofreu menos com a crise e apresenta expressivo potencial de crescimento.

“Tivemos queda nas vendas em dezembro e janeiro, de fevereiro para cá a procura voltou ao normal. Hoje, os negócios estão próximos aos do ano passado”, explicou Eduardo Cunha, diretor da Moltec. De acordo com o executivo, a recuperação se deve ao estilo de trabalho da empresa. “Nós nos dedicamos aos clientes, procuramos sempre melhorar os processos de transformação utilizados por eles”, justificou.

Essa melhora pode ser traduzida como a obtenção de peças com menor peso e desempenho superior ou o desenvolvimento de projetos de matrizes que permitam ciclos de transformação mais curtos. Quando a tecnologia se reverte em economia para os transformadores, a chance de retorno financeiro dos ferramenteiros aumenta bastante. “Não adianta só levar em consideração o preço da ferramenta, há uma conscientização dos compradores da importância da relação custo/benefício”, avaliou Cunha.

Nem otimista, nem pessimista. Carlos Alberto Rossi, diretor da Cobrirel, preferiu não arriscar sobre o desempenho da empresa este ano. A economia não tem ajudado muito desde o segundo semestre do ano passado, mas existe a perspectiva de que o pior momento já se foi. “A Brasilplast nos forneceu bons contatos, estou esperançoso na volta do aquecimento das vendas”, revelou. A empresa paulistana está no mercado há 35 anos, conta com 80 funcionários, entre os quais 15 ferramenteiros, e é especializada em moldes com elevada tecnologia. Entre seus clientes, encontram-se a indústria automobilística e a de eletrônicos.

A Cobrirel aproveitou a Brasilplast para divulgar ao mercado a aquisição de novos equipamentos para seu parque fabril. “Compramos novo centro de usinagem, nova máquina de eletroerosão e softwares de modelação. Também contratamos pessoal técnico, entre eles um projetista com experiência em equipamentos de última geração”, revelou. Para Rossi, as empresas do ramo no qual atua necessitam de constantes investimentos para se manterem competitivas.

Edson Hertenstein, diretor-comercial da Herten, concorda. “Precisamos investir o tempo todo no treinamento de pessoal, na modernização de equipamentos e na compra de softwares e hardwares”, disse. Para o dirigente, essa necessidade não combina muito com o momento atual, nada propício para realizar aportes em tecnologia e no time de colaboradores. “Houve queda grande no índice de novos negócios”, queixou-se.

A Herten está há 28 anos no mercado, conta com 58 funcionários e é especializada na produção de moldes de injeção de plástico e alumínio com até 40 toneladas. “Os principais segmentos atendidos por nós são os de construção civil, embalagens e indústria automobilística”, informou. Localizada em Joinville-SC, a empresa volta sua atenção para o mercado de moldes com elevada tecnologia. “Nosso ponto forte é a qualidade e o cumprimento de prazo”, resumiu o diretor sem qualquer falsa modéstia. A feira, para o dirigente, foi uma oportunidade para gerar contatos. “O que mais me chamou a atenção foi o reduzido número de ferramentarias estrangeiras na feira, em especial as de Portugal, Itália e Espanha”, avaliou.

Portuguesas - Há anos Portugal é reconhecido como uma ilha de excelência na fabricação de moldes. O sucesso das empresas lusitanas do ramo abriu os olhos dos transformadores nacionais interessados em soluções de tecnologia de ponta. Muitos moldes foram importados de lá nos últimos anos e os negócios devem continuar a ser realizados no futuro.

A oportunidade de negócios também trouxe para cá uma filial da Moldit, tradicional ferramentaria portuguesa que conta com fábrica no município de Camaçari-BA desde 2004. A iniciativa de montar uma ferramentaria na Bahia ganhou força naquela época com a instalação na região de uma fábrica da Ford.

José Costa, diretor-geral da Moldit, se diz satisfeito com a experiência no Brasil, apesar dos problemas da economia terem atrapalhado os negócios nos últimos meses. “A situação no Brasil piorou com a crise mundial, mas está superior à do mercado europeu”, revelou. Ele destacou a excelência dos serviços prestados pela filial. “Somos a maior ferramentaria das regiões Norte e Nordeste. A equipe montada no Brasil está capacitada a desenvolver qualquer projeto”, ressaltou. Hoje, além da Ford, a empresa fornece moldes para transformadores instalados em todo o país.

A Moldit tem bastante experiência na fabricação de matrizes de grande porte, com até 50 toneladas. “Mas também trabalhamos em projetos de menor porte. Nossa especialidade são os projetos com muita complexidade tecnológica”, informou Antônio Oliveira, diretor-geral da filial nacional. Além do processo de injeção tradicional, a empresa trabalha com diferentes tecnologias, como injeção a gás, injeção sobre tecidos, bi-injeção e matrizes de compressão.

A portuguesa Moldes RP não tem filial no Brasil. Mas resolveu intensificar sua presença por aqui. Há um ano é representada no país pela Pamatech. As duas empresas deram o ar da graça em um estande no evento. “Somos especializados em moldes pequenos e médios, até oito toneladas, que trabalham em regime de alta precisão”, informou Rui Pinho, gerente da empresa além-mar. Ele destaca a experiência da equipe da RP, formada por 50 ferramenteiros, além da preocupação com os materiais empregados nas ferramentas e da qualidade das máquinas de usinagem utilizadas.
Pantuffi: serviços de pós-venda ajudam portuguesa Moldes RP

Eduardo Conrado Pantuffi, diretor da Pamatech, ressaltou a agilidade e os bons serviços pós-venda prestados por aqui. “Temos excelente estrutura para a realização da manutenção dos moldes. Respondemos às necessidades dos clientes em 24 horas”, garantiu. Pinho e Pantuffi reconhecem as dificuldades atuais do mercado. “O momento não está ajudando, mas estamos observando muitas solicitações de orçamento. O mercado brasileiro tem futuro promissor, é muito interessante”, analisou Pinho.

 

 
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