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Distribuição acelera o processo
de integração
e movimentos de
fusão ganham força no setor
Os novos episódios da
integração da indústria petroquímica brasileira
prometem adentrar, agora, na casa dos distribuidores – braços comerciais
dos fabricantes de resinas. O número de empresas oficiais (com bandeira) e
revendedores de commodities, acima de uma dúzia, presente nos corredores
da Brasilplast, destoava diante dos reduzidos fabricantes locais. A
concentração do setor de distribuição, porém, é inevitável e o desenho
atual deve ganhar novos contornos, modelados mais de acordo com o novo
mapa da segunda geração petroquímica.
Porta-voz da distribuição, o presidente da Associação Brasileira dos
Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast), Wilson Cataldi, admite
que o setor sofrerá um ajuste e encolherá. A entrada em vigor da nota
fiscal eletrônica, vigente desde 1º de abril deste ano, já deve promover
uma arrumação na cadeia. “Só sobreviverá quem tiver boa gestão”, decreta.
O prognóstico vale também para os transformadores. Na opinião dele, o
resultado desse rearranjo será muito positivo, pois tornará o setor
profissional e exigirá uma ética fiscal a qualquer prova.
Ainda deverá acontecer uma segunda seleção, dessa vez empreendida pelos
fabricantes de resinas. A integração dos distribuidores é uma certeza até
mesmo entre os próprios, que se movimentam para permanecer no rol dos
eleitos. “Para se sustentar dentro do novo modelo, o distribuidor
precisará ter massa crítica, da ordem de 5 mil toneladas mensais, e isso
deve se dar por aquisição ou associação”, opinou Cataldi, ressaltando que
sua empresa construiu o volume atual por meio de aquisições.
Com uma visão estratégica futura do mercado, ele deu o pontapé inicial no
redesenho da distribuição nacional ao iniciar, há nove anos, um processo
de reestruturação de sua própria empresa, a então Piramidal. A primeira
etapa consistiu na compra da Ruttino, em 1998. Depois, em 2004, os sócios
Cataldi e Amauri dos Santos criaram a Polimarketing. No ano passado, o
mercado recebeu a notícia do nascimento da nova Piramidal, fruto da fusão
entre a Piramidal, a Ruttino e a Polimarketing, com uma musculatura para
suportar 100 mil toneladas anuais e suprir 20% da distribuição oficial,
hoje em torno de 500 mil toneladas anuais. A ideia do empreendedor é
consolidar o modelo de negócio e retomar o crescimento a partir de 2010
(veja mais informações em PM 414, abril de 2009, pág. 46).
O saldo da primeira participação na feira como nova Piramidal foi muito
positivo, nas impressões de Cataldi. Segundo ele, o estande registrou
público bem superior ao esperado. “Acima de mil pessoas por dia!”,
comemorou. A avaliação geral da feira também superou as expectativas, na
opinião dele. A empresa distribui produtos da Braskem, Dow, Lanxess,
Bayer, Keptal, Formosa, Acrigel e Cromex.
Com a base de clientes mais voltada aos bens de consumo, a distribuição
sentiu um pouco menos os reflexos da crise econômica. A queda nos volumes
comercializados pelo setor atingiu apenas 1,6% no primeiro trimestre deste
ano, comparativamente ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados
levantados pela Adirplast. “Acredito que será possível ter um ano positivo
na distribuição de resinas.”
Consolidação a caminho – Nos bastidores da feira, os comentários tratavam
do encerramento das atividades da SPP Resinas, um braço distribuidor da
então Suzano Petroquímica (agora Quattor, controladora da Unipar
Comercial), da quase certa aquisição dos negócios de distribuição da
Fortymil pela Sasil, e de outras prováveis fusões entre empresas de
pequeno porte.
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O namoro iniciado há cerca de oito meses promete acabar em casamento muito
em breve. Fernando Caribé Filho, diretor-comercial da Sasil, com sede em
Salvador-BA, estima em cerca de um mês o prazo para a sua empresa e a
Fortymil, de Itatiba-SP, formalizarem (ou não) uma fusão. “A sinergia é
muito forte e a Braskem apoia o negócio”, admitiu Caribé. Segundo ele, há
grande probabilidade de a união resultar na criação de uma nova empresa e
marca. A área de resinas representa 43% do faturamento da Sasil, que
comercializa da ordem de 300 mil toneladas anuais de produtos químicos e
termoplásticos.
A concentração do mercado distribuidor é bem-vista pelo diretor da Sasil.
Submetido a margens muito baixas, o setor precisa ganhar escala de
operação. “Devem restar oito ou nove distribuidores nacionais, com escala
da ordem de seis mil toneladas mensais, por empresa”, arriscou um palpite.
A nota fiscal eletrônica também favorece o segmento, norteando-o para a
formalização. |

Caribé aponta grande
sinergia na negociação com a Fortymil |
Diretor da Fortymil, Ricardo Mason preferiu apenas admitir que existe a
negociação para uma união com a Sasil, sem mais comentários a respeito.
Por outro lado, ressaltou o interesse da Fortymil em reforçar os
investimentos na sua área dedicada à produção de compostos e substituir
materiais virgens por reciclados,
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com vistas a suprir indústrias
técnicas, de linha branca e até a automotiva. “Os rejeitos de origem
industrial representam 90% e os de pós-consumo são provenientes de
fornecedores homologados”, comentou Mason. A Fortymil pode processar até 2 mil
toneladas mensais de compostos, beneficia aparas e resíduos de PP, PE, PS
e ABS, e também presta serviços de micronização e tingimento.
Até então reticente a incorporações, a direção da Premix, distribuidora da
Quattor e da Videolar (poliestireno), reviu sua postura. O seu diretor de
marketing, Reinaldo Marques, admitiu que uma proposta para unir forças e
sinergia com outra empresa de maior porte seria bem-vinda. “É a saída para
ganhar musculatura”, justificou. Distribuidor das olefinas da Quattor e do
poliestireno da Videolar, ele se queixou da concorrência agressiva dos
produtos importados, reflexo da crise financeira global. |

Mason quer investir mais
nos compostos com resina reciclada |
Braço comercial dos polietilenos e polipropileno da Quattor, a Unipar
Comercial, de Mauá-SP, marcou presença institucional na feira. O seu
gerente-comercial, Jaime Utrera, reforçou o coro dos que acreditam em um
forte encolhimento do setor. “Até o final do ano, o mercado de varejo deve
se acomodar e restar um máximo de dez distribuidores oficiais”, prevê. A
distribuidora também supre o mercado de poliestireno, com a bandeira da
Innova, e de borrachas, como representante oficial da Evonik.
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Entre os distribuidores oficiais presentes na feira, o estande da Activas,
de 350 m², representava bem os ganhos de musculatura e expansão
necessários à sobrevivência no setor. Só o da Piramidal chegou perto. As
duas empresas conseguiram ocupar as maiores áreas de seu setor na feira.
“Crescemos cerca de 30% em volume no primeiro trimestre deste ano”,
comemorou o diretor da primeira, Laercio Gonçalves. De acordo com ele, a
Activas conseguiu equalizar os estoques e equilibrar os custos a partir de
janeiro.
Quanto à remodelagem da distribuição, ele endossou a opinião de seus
colegas: “A depressão nas margens nos últimos anos já afunilou o mercado,
mas ainda não está totalmente reconfigurado.” Além da participação
institucional e da divulgação da já conhecida carteira de produtos, a
Activas compareceu com novidades. Gonçalves informou ter fechado contrato
para distribuir o negro-de-fumo, da Cabot, para plásticos e compostos.
Além disso, iniciou uma linha de pré-marketing da Integrated Refinety &
Petrochemical |

Gonçalves comemora
crescimento no primeiro trimestre deste ano |
Complex Public Co., Ltd. (IRPC) e da Formosa Plastics,
respectivamente de ABS (coloridos) e poliacetais. No campo das
commodities, a Activas distribui para a Quattor e a Basf (poliestireno),
além de diversos outros polímeros e especialidades.
Animada pelo bom movimento da exposição, a diretora-comercial da Mais
Polímeros, Daniela Dias, aproveitou a oportunidade para consolidar a marca
e a sua parceria com a Quattor. “A feira foi excelente, muito melhor do
que se imaginava”, exultou no último dia da Brasilplast. No entender dela,
o processo de integração será benéfico para o setor. “A fatia de mercado
diminuiu e a redução no número de distribuidores será saudável”, acredita.
Entre as novidades, Daniela anunciou a abertura de uma nova filial em
Curitiba-PR e planos para inaugurar outra, em local ainda indefinido, até
o final deste ano.
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A diretora da Mais Polímeros sentiu pouco os efeitos da crise financeira.
Ela não enfrentou problemas de inadimplência, apenas recuo nos
investimentos por parte de seus clientes, afetados pela dificuldade na
obtenção de crédito. “Mas o segundo semestre será melhor.”
A nova marca foi o principal foco da participação da quantiQ (ex-Ipiranga
Química, ou IQ) na Brasilplast, mas a empresa também aproveitou a ocasião
para divulgar novos produtos e parcerias. Da já parceira ExxonMobil, a
quantiQ incorpora à distribuição nova família de elastômeros, a Vistamaxx,
lançada nos Estados Unidos e apresentada ao mercado na feira, em
primeira mão. São copolímeros com atributos |

Daniela sentiu pouco os
efeitos da crise e achou a feira ótima |
únicos de elasticidade, resistência,
flexibilidade e adesão a vários tipos de resina. A linha compõe grades
para filmes e injeção. “O produto tem processabilidade idêntica à do
polipropileno e é aprovado para contato com alimentos”, explicou o gerente
de unidade de negócios, Fabiano Bianchi.
A ideia é desenvolver duas aplicações: em filmes com maior requisito de
elasticidade e resistência, além de transparência; e como modificador de
impacto, em especial no mercado de injeção. No segmento de embalagens, o
produto pode ser misturado com o polipropileno, conferindo à blenda efeito
de memória e resistência. “O produto aceita qualquer proporção de
composição”, ressaltou o gerente da quantiQ.
Ele também informou que a distribuidora fechou acordo, no mês anterior à
feira, com a japonesa Mitsubishi para comercializar seus polímeros de
engenharia (poliamidas, policarbonato, polibutileno tereftalato e
poliacetais) no campo das especialidades.
A quantiQ sentiu menos nas vendas e mais nos resultados os reflexos da
crise de crédito globalizada. Graças à atuação mais vinculada ao mercado
de bens de consumo e carteira pulverizada de clientes, a empresa pouco foi
afetada em termos de volume e vendas. Mas como os preços despencaram e a
realização de estoques obedeceu aos novos patamares, a queda nas margens
foi significativa. Sobre o encolhimento do setor, Bianchi adere ao coro
geral: “É o caminho natural.”
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Braskem incorpora a Petroquímica Triunfo
e dá pontapé inicial ao biopolímero
Quando a Braskem deu o pontapé inicial para controlar os principais ativos
do Polo Petroquímico do Sul, localizado em Triunfo-RS, em 2007, o grupo
adquiriu por tabela uma das mais bem boladas obras da logística específica
para transporte e armazenamento de produtos petroquímicos do país.
Trata-se do terminal hidrofluvial “Santa Clara”. Por conta desse
importante ativo, a empresa terá condições de descarregar em solo gaúcho
470 mil litros de etanol/ano, o volume necessário ao abastecimento da
primeira planta do mundo voltada ao processo de polietileno linear e de
alta densidade, pela rota alcoolquímica, em fase inicial de construção.
A estratégia de transporte da matéria-prima foi antecipada pelo presidente
da Braskem, Bernardo Gradin, em maio, por ocasião do lançamento da pedra
fundamental do empreendimento. “Este investimento é parte da nossa
estratégia de crescimento com criação de valor agregado e alinhado ao
objetivo de tornar a companhia uma referência internacional no
desenvolvimento de polímeros verdes”, disse o presidente.
Gradin complementou ainda que a equação de abastecimento de etanol numa
região do país com clima inadequado para os padrões de plantio de
cana-de-açúcar e sem projetos consistentes de usinas de álcool está
resolvida. Entretanto, adiantou que a Braskem se dispõe a estimular
parcerias se a matriz de insumos químicos gaúcha sinalizar a possibilidade
de construir usinas, com capacidade operacional de atender à demanda. Para
Gradin, os aspectos ambientais funcionam como um estímulo adicional em
favor da implantação do polímero verde na matriz petroquímica, por
apresentar características de aplicação e propriedades idênticas às do
plástico tradicional. Tais propriedades permitem às indústrias de
transformação aproveitar todo o seu parque fabril atual para processar a
nova resina. O PE verde tem aplicação em todos os mercados do polímero
convencional, como o automobilístico, a indústria de brinquedos,
embalagens para alimentos e produtos de higiene, entre outros.
O CEO explicou que a Braskem vem estabelecendo, desde o ano passado, uma
série de parcerias com renomados clientes nacionais e internacionais,
principalmente da Europa, Estados Unidos e Japão, interessados em reforçar
a associação de suas marcas ao conceito de sustentabilidade. Cabe
ressaltar os acordos firmados com a Toyota Tsusho, trading company do
grupo Toyota, e com a Shiseido, reconhecida fabricante de cosméticos
voltados ao segmento de alto padrão. A demanda potencial já identificada
para o PE verde é ao redor de 600 mil toneladas/ano, três vezes acima da
capacidade da nova planta.
Na opinião de Gradin, a relevância do projeto tem sido reconhecida
internacionalmente e citou como exemplo o Prêmio de Gestão Ambiental da
Conferência Ambiental do Plástico, realizada nos Estados Unidos no início
deste ano. A Braskem já prevê a construção de uma segunda unidade de
polietileno via rota etanol para o polo petroquímico de Camaçari, na
Bahia. A corporação prossegue as pesquisas para a obtenção do chamado
polipropileno verde, que se difere do polietileno quanto ao processo,
exigindo reações mais complexas por meio de reatores de fermentação.
A partida da planta de eteno rota etanol está prevista para o quarto
trimestre de 2010 e o início da operação comercial para o começo de 2011.
No total, a Braskem responde por aproximadamente três milhões de toneladas
por ano de petroquímicos de primeira geração em Triunfo. O investimento
total da nova fábrica é estimado pela Braskem em cerca de R$ 500 milhões.
O projeto prevê a construção de reatores para a obtenção de eteno e
engloba, ainda, uma unidade de segunda geração para produzir 200 mil
toneladas/ano dos biopolietilenos.
Triunfo incorporada – Gradin também comentou a respeito da incorporação
definitiva da Petroquímica Triunfo pela Braskem. Segundo ele, quando da
aquisição dos mais importantes ativos do polo, já havia o acordo com a
Petrobras, controladora da empresa, para que a Braskem absorvesse a
unidade de segunda geração, responsável pela produção de polietileno de
baixa densidade e de EVA. “Uma planta de EVA certamente criará novas
possibilidades de compósitos e de formulações em sinergia com os materiais
já produzidos no complexo Braskem”, finalizou.
A assembleia geral que definiu a passagem do controle acionário da
Petrobras para a Braskem, em Porto Alegre, ocorreu em meio a um ambiente
tumultuado. A Brigada Militar (como é denominada a PM do Rio Grande do
Sul) precisou intervir para que a reunião fosse concluída, na manhã da
terça-feira, cinco de maio.
Como forma de garantir a realização da reunião, a Petrobras teve de
levantar várias medidas judiciais — liminares e cautelares — impetradas
pela sócia minoritária da Triunfo, a Petroplastic, do empresário Boris
Gorentzvaig. A Triunfo era controlada pela Petroquisa, que detinha 85% do
capital total. Com a incorporação à Braskem, terá Gorentzvaig como sócio,
com uma pequena fatia do capital. Ele chegou a oferecer um valor de R$ 350
milhões para adquirir o controle da Triunfo, mas sua proposta não foi
aceita, talvez porque, no passado, por conta de suas constantes brigas com
outros sócios, a empresa chegou a ficar com duas diretorias paralelas, que
viviam às turras e obrigaram a Petroquisa a intervir no processo como
forma de manter os negócios em operação.
Fernando Cibelli de Castro
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