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Calçados atraem plásticos para a
Fimec
Consagrada
como uma das mais tradicionais feiras da cadeia produtiva do couro, a
Fimec-2009 (Feira Internacional de Couros Químicos, Componentes e
Equipamentos para Calçados e Curtumes), realizada de 24 a 27 de março, em
Novo Hamburgo-RS, registrou dez mil visitantes a menos na comparação com
2008. Deixou um ou outro expositor contrariado, mas foi festejada por seus
organizadores.
Apesar da queda de 20% no público, os líderes do setor coureiro-calçadista
minimizaram os efeitos da crise e a colisão de data com a maior feira do
setor no mundo, realizada na China. De acordo com o presidente do evento,
Ricardo Michaelsen, todas as expectativas foram superadas.
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Com
isso, a Fimec 2009 recebeu atenção especial da área de desenvolvimento
de polímeros para peças técnicas aplicadas nos calçados. A unidade de
poliuretanos da Basf participou da Fimec apresentando sistemas de PU e
TPU, que podem ser utilizados no segmento calçadista, em todas as
partes do calçado.
Para tanto, o grupo alemão desenvolveu o Pure 1.0, calçado conceitual
confeccionado com Elastollan e Elastopan, um poliuretano termoplástico
desenvolvido na Europa em menos de um ano, numa parceria entre várias
empresas da área petroquímica, de design e de transformação de
termoplásticos, com foco na indústria de calçados. De acordo com Marco
Antonio Cunha, da área de vendas técnicas, o projeto tem como objetivo
mostrar que um calçado pode ser confeccionado 100% de poliuretano, sem
qualquer blenda ou resina adicional. A Basf apresentou ainda uma
versão de bota de PU projetada pela Fujiwara, uma empresa de origem
japonesa.
Outro peso pesado da química global com fortes investimentos em
poliuretanos para calçados é a Rhodia. Um dos destaques |
Fernando C. de Castro

Cunha: foco é mostrar a viabilidade de compor um calçado todo de PU |
é o denominado PUBD,
poliuretano de baixa densidade. A Rhodia passou a reforçar ainda sua
participação no segmento de borrachas sintéticas. Com efeito, em 2009
lança uma nova linha de sílicas com nome comercial Zeosil 185 GR. A
empresa anuncia que esses produtos reduzem o tempo de processo na obtenção
de borrachas, principalmente de artefatos técnicos empregados em calçados
desportivos.
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No
segmento de calçados, as sílicas funcionam como reforço da borracha e
conferem propriedades de resistência mecânica e maior durabilidade. A
Rhodia investe 3% de seu faturamento anual em pesquisas com sílicas,
direcionadas também para a indústria de pneus. As sílicas de última
geração vêm sendo empregadas nos chamados pneus verdes, que contribuem
para a diminuição das emissões de CO2.
A Artecola, de Novo Hamburgo, promoveu, nos últimos anos, fortíssima
expansão no mercado mundial, por meio de fusões, aquisições e outras
formas de parceria, e agora investiu no desenvolvimento de compósitos
de polímeros |
Fernando C. de Castro

Peça conceitual moldada com poliuretano termoplástico |
com fibras naturais, novos
adesivos com a incorporação de nanotecnologia e produção de adesivos à
base de água. A ideia é acelerar a substituição dos solventes aromáticos.
Um lançamento em primeira mão da Artecola foi o Ecofibra Utility, uma
blenda de PP com fibras naturais para uso em diversos processos de
transformação, tais como prensagem, injeção e termomoldagem. Segundo o
gerente de aplicações laminadas da Artecola, Marcos Henrique Wendt, o
Ecofibra Utility tem bom apelo ecológico por se constituir numa blenda de
fibras vegetais com polipropileno. O produto também pode ser empregado em
chapas de paredes e laminados por extrusão ou prensa.
Para componentes de calçados, dentro da linha Ecofibra, a Artecola criou
um poliuretano termoplástico obtido de fonte renovável, produzido na
unidade de Tatuí, em São Paulo. Segundo Wendt, a linha Ecofibra para
calçados não usa polipropileno porque esse tipo de artefato precisa de
memória térmica e de formato consistente, mesmo diante de variações de
temperatura.
Como explica Wendt, a série provém de uma rota bioquímica e não
petroquímica. O princípio ativo é fornecido pelo fabricante europeu e foi
certificado no Brasil pela mesma empresa que examinou e aprovou os
polietilenos da Braskem, provenientes da rota etanol. “A Artecola garante
por testes de biomassa que apontam 82% da resina proveniente de material
não fóssil e 18% de conteúdo fóssil. Só que no mercado calçadista,
tradicionalmente, os insumos são fabricados somente com produtos de fonte
fóssil”, disse Wendt.
De acordo com ele, a Artecola realizou eventos com clientes e a partir de
agora começa a comercializar o produto. A linha Ecofibra é vendida em
chapas para a produção de couraças e contraforte de calçados. Na versão
laminada, pode passar por prensagem para a confecção de paredes e
divisórias e placas para a montagem de móveis. “É um WPC. Em injeção,
serve à confecção de peças técnicas e utilidades domésticas, revestimento
interno de construção civil e interiores de automóveis. Não tem
pigmentação nem masterbatches de cores. Preserva a cor natural”,
complementou Wendt.
Outra novidade da Artecola foram as novas famílias de adesivos sem
isocianato, que não necessitam de reticulação. Conforme o gerente de
mercados e serviços para adesivos, Luís Carlos Pasa, a empresa fornece
produtos de acabamento para empresas que exportam calçados, até mesmo para
a África, e esses adesivos precisam resistir às altas temperaturas dos
desertos da África Subsaariana e do Oriente Médio. Na linha de adesivos,
lançou ainda um sistema one way, que permite a colagem com a adição do
adesivo em apenas uma das superfícies. Serve para unir peças de PVC, EVA,
TR, SBR, sem ter de colocar o adesivo em duas superfícies.
O Arteclean LS limpa PVC e TPU e promove adesão sem catalisador. Somente
numa peça, normalmente no cabedal – porque é mais fácil. Não gera efluente
e, por conta dessa especificação, se enquadra na categoria de produtos
voltados a processos industriais mais limpos.
Dentro da linha da Artecola há ainda a linha Prymerless para adesão sem
primer em borracha termoplástica – TR e SBR. Esta linha é oferecida em
versões com base solvente e em solução aquosa, esta última com
incorporação de nanoemulsões. “Nosso objetivo é atender às necessidades de
produção mais limpa de nossos clientes”, reforçou o sócio-diretor da
Artecola, Evandro Kunst.
Igualmente voltado às linhas de adesivos, o grupo Amazonas apresentou uma
linha diversificada de produtos já consagrados por sua tecnologia,
inovação e design de componentes para calçados de SBR, poliuretano,
borracha termoplástica e EVA, notadamente placas, palmilhas e adesivos. No
foco da empresa está a redução dos compostos organicamente voláteis – VOC
do sistema produtivo. Os adesivos Amazonas atendem ainda as indústrias
moveleira, automotiva e gráfica.
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Equipamentos – A feira de Novo Hamburgo serviu para oficializar o
ingresso do grupo gaúcho Sulpol no mercado de injetoras horizontais
para transformação de termoplásticos. O gerente-comercial, Leandro
Abel, revela que a Sulpol decidiu montar suas máquinas na China por
razões de competitividade e acredita no êxito da experiência.
A firma está localizada em Canoas, cidade da região metropolitana de
Porto Alegre, a 20 quilômetros do centro da capital gaúcha. Até então,
a empresa estava direcionada à fabricação de injetoras verticais e
específicas para o segmento de poliuretanos. Segundo Abel, montar as
máquinas no país não seria viável comercialmente. Para ele, o
importante é que |
Fernando C. de Castro

Abel terceirizou fabricante chinês de injetora para ser
competitivo |
houve uma intervenção da
Sulpol dentro do fabricante terceirizado e o projeto original da empresa
gaúcha foi respeitado. Todo o comando hidráulico e a parte elétrica são
produzidos com peças e componentes das principais marcas encontradas nas
empresas de assistência técnica do parque industrial brasileiro.
A Sulpol trouxe ao Brasil a primeira injetora em agosto do ano passado, a
título de experiência. Desde aquele mês, forneceu 16 equipamentos e fechou
mais cinco negócios na Fimec 2009. “A primeira venda ocorreu em São
Paulo”, detalhou Abel, sobre o negócio inicial fechado ainda em 2008. De
acordo com o executivo, o equipamento chama a atenção pela produtividade e
por emitir baixos níveis de ruído.
As injetoras Sulpol são oferecidas desde 50 toneladas de força de
fechamento até 3.300 toneladas. Os preços variam de R$ 100 mil até R$ 1
milhão. Existem versões para entrega imediata. Na encomenda, o
transformador pode solicitar máquinas com bombas variáveis, servomotor e
interface robótica. De acordo com Abel, o pessoal se interessou bastante
e, ao final da feira, a empresa computou a venda de cinco máquinas. A
Sulpol tem vinte anos de mercado e levou dois anos para concretizar seu
projeto de entrar no campo de injetoras horizontais.
A ideia da Sulpol é atender todo o mercado de transformação, desde a
fabricação de utilidades domésticas até peças técnicas. Antes de fechar a
parceria, testaram o equipamento durante um ano e meio. As máquinas mais
requisitadas têm de 170 toneladas de força de fechamento até 300
toneladas.
A Sulpol pisou pela primeira vez na Fimec em 2001, ao lançar injetoras de
termoplásticos monocolor, bicolor, carrossel e vertical, com licenciamento
obtido de uma empresa italiana. O carro-chefe de suas vendas eram essas
máquinas para poliuretanos. Abel explicou que existem máquinas
desenvolvidas para atender ainda os setores moveleiro, automotivo, de
isolamentos acústico e térmico, ortopédico, e muitos outros.
As máquinas da Sulpol foram testadas por técnicos em poliuretano da
Organização das Nações Unidas. Como operam sob baixa pressão e seus
sistemas de limpeza ocorrem com água quente, a empresa é considerada
ecologicamente amigável. Além disso, as injetoras para PU são projetadas
para processar espuma isenta de clorofluorados. O grupo Sulpol mantém
ainda a Fratec, empresa de suporte e know-how para equipamentos importados
empregados na transformação de PUs. Algumas das tecnologias testadas pela
Fratec acabam incorporadas às injetoras da marca.
Fernando Cibelli de Castro
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