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A Evonik também oferece poliamidas da marca Vestamid, que inclui diversas
PAs 12. O destaque da linha de produtos para a feira foi uma aplicação
recentemente desenvolvida: as tubulações de gás. A maior parte das malhas
principais de gás, segundo o chefe de produto, Haroldo Paganini Rodrigues,
é constituída por tubos de aço, e os pequenos ramais que acessam as
residências, por tubos de polietileno. Por ser esse muito barato, é
impraticável enfrentá-lo com PAs 12, mais caras, mas a competição é viável
com o aço dos troncos centrais. Além da questão de preços relativos, o
processo de transformação da PA 12 em tubos não era possível, pois os
grades disponíveis colapsavam na extrusão, dado que tubulações para gás
possuem diâmetros elevados. Uma nova PA 12 dotada de modificações no
tamanho de cadeia e na viscosidade contornam o problema.
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Rodrigues: Evonik tem a única PA microcristalina do mercado. Empresa
também lançou ABS não-transparente |
A empresa também destacou as
poliamidas transparentes da linha Trogramid, com foco especial na myCX,
criada há apenas dois meses e, segundo Rodrigues, a única poliamida
microcristalina transparente do mercado mundial. O plástico é formado por
porções de microcristais envoltos em uma cadeia alifática, combinando as
propriedades de materiais semicristalinos e resinas amorfas, enquanto as
poliamidas transparentes, em geral, são amorfas. Para manter a
transparência, é imprescindível que os cristais estejam na escala micro,
ponto fundamental para o desenvolvimento do produto. Suas características
conferem às lentes de óculos maior durabilidade e leveza, decorrentes de
propriedades mecânicas mais acentuadas sem a perda da transmitância.
A Evonik sentiu que, além das poliamidas 12, precisava de plásticos
posicionados mais próximos do pico da famosa pirâmide de polímeros, com
propriedades superiores, e o resultado desse esforço é a linha de
poliftalamidas (PPA) e poliéter-éter-cetonas (PEEK) Vestamid HT Plus. A
PPA está sendo apresentada como uma alternativa ao aço, em aplicações
corriqueiras do metal, com as vantagens tradicionais que esse tipo de
substituição traz, como a maior facilidade de processamento da
matéria-prima.
O mercado do PEEK também é muito parecido com o do aço, com a
peculiaridade de que, no caso desse polímero, a oferta da matéria-prima
também é feita na forma de semiacabados, como tarugos, para posterior
usinagem. Para este segmento, há uma novidade: a introdução de um grade em
pó, para aplicação em revestimentos de tubulações industriais sujeitas a
altas temperaturas. Rodrigues afirmou que o PEEK é conhecido no Brasil,
mas conta com poucas aplicações. “Ainda há resistência no mercado para
trabalhar com o material”, disse. O polímero atende de modo pleno aos
requisitos de algumas peças de válvulas e bombas, mas a intimidade com o
metal, desde sempre empregado nessas aplicações, freia os clientes
potenciais.
Dentre as várias unidades de negócios da Lanxess com produtos para o
mercado de plásticos, a de produtos semicristalinos (Semi-Crystaline
Products) centrou sua participação na feira em produtos da família
Durethan, formada por copolímeros e compostos de PA 6 e 66. Segundo as
informações do representante técnico de vendas, Alexandre Keith Tamura, um
dos destaques na Brasilplast foi uma copoliamida da linha Durethan C,
própria para a produção de filmes coextrudados com PE, empregados
principalmente na fabricação de embalagens de alimentos com barreira a
oxigênio, caso de embalagens de carnes, de cremes e poupas de frutas. O
plástico é novo e foi introduzido no mercado brasileiro na feira, embora
já seja utilizado em outros países da América Latina, onde a Lanxess já
conquistou aplicações. Nesses mercados, explicou Tamura, não há a presença
ostensiva dos grandes competidores, como ocorre no Brasil, dificultando a
introdução do material, o que não impediu que a Lanxess criasse um
planejamento estratégico para desenvolver vendas do produto também por
aqui.
Alto fluxo – As outras novidades da unidade de negócios de
semicristalinos da empresa foram as versões de alta fluidez dos polímeros
da linha Durethan e da linha Pocan (baseada em PBTs). Para os produtos
Easy Flow e Xtreme Flow em relação aos grades convencionais, são
vislumbradas aplicações em peças de grandes dimensões com caminhos de
fluxo (relativos ao preenchimento dos moldes) mais extensos que a média,
ou em artigos cuja moldagem requer grande número de canais de injeção.
Neste último caso, a troca pelo material de alta fluidez permite a
diminuição da quantidade de canais; e, nos dois apresentados, é possível a
redução de custos pela adoção de temperaturas menores de processamento.
Além disso, um
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grade Easy
Flow ou Xtreme Flow possibilita a elevação do teor de carga da peça –
Tamura fala em sair de 30% de fibra de vidro para 60% –, mantendo a
processabilidade. A decorrente melhoria das propriedades mecânicas
pode ensejar paredes mais finas e a economia de matéria-prima. O
percentual maior de fibra de vidro modifica, conforme Tamura, o
comportamento da peça quanto à condução de calor, tornando menores o
resfriamento e o ciclo de injeção como um todo. Os exemplos que se
encaixam no perfil são peças integrantes da estrutura de bagageiros,
grades de caminhões e partes de tratores. Porém, os novos polímeros de
alta fluidez foram apresentados no mercado nacional durante a
Brasilplast, e as aplicações que a Lanxess mostra como exemplos são
casos de sucesso, por enquanto, na Europa. |

Novo Pocan de alto fluxo para peças de grande dimensão |
A empresa, de maneira mais
discreta, também anunciou grades Durethan e Pocan com retardantes à chama
não-halogenados. O mercado de plásticos antichamas nacional não decola por
conta da legislação omissa, mas o representante técnico citou empresas
multinacionais cujas exportações, principalmente na
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área de
eletroeletrônicos, criam demanda crescente para esse tipo de polímero.
No entanto, é um mercado abordado com enfoque no longo prazo, amparado
nas vendas para o exterior.
No estande do grupo Radici, mais conhecido no mercado pela produção e
venda de náilon 6 e 66, a maior novidade foi a confirmação do início
da produção local de compostos de PBT, uma tecnologia dominada pelo
grupo na Europa, mas que até então não estava disponível na fábrica de
Araçariguama, em São Paulo. Segundo a diretora-comercial da Radici
Plastics Ltda., Jane Ramos, com a compra de novos equipamentos, a
linha de produção no interior paulista será dividida por segmentos de
produtos, gerando uma capacidade inicial de compostos de PBT modesta,
não superior a mil toneladas anuais, mais destinada a complementar a
oferta de materiais da Radici aos clientes. |

Jane confirma início da produção de PBT na fábrica de Araçariguama |
Apesar da predominância do
segmento automotivo nas vendas da empresa, com fatia de 35%, a filial
brasileira possui clientes também nos segmentos elétrico, eletroeletrônico
e de alimentos, entre outros e, no caso do PBT, Jane informou que a
produção será voltada principalmente ao segmento elétrico, para peças como
conectores e condutores.
Comemorando os noventa anos de sua chegada ao Brasil, a Rhodia reservou a
ocasião da Brasilplast para diversos lançamentos de sua área de
polímeros de engenharia, com maior destaque para um novo grade da
tradicional família Technyl de PAs 6, 66 e compostos da empresa. O Technyl
A 188 V33 LP foi criado para a aplicação em bicos de injeção eletrônica de
combustível utilizados em automóveis. O produto foi
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empregado em
substituição ao revestimento metálico da peça, resultando em redução
de 30% do peso dos bicos. A Rhodia alega que a novidade gera ganhos
ambientais, pois veículos equipados com tal bico de injeção
registraram diminuição de suas emissões de carbono em 18%. Outra
característica do material, apropriada para a indústria
automobilística, é a capacidade de sofrer marcação a laser, importante
para o rastreamento das peças. Essa habilidade se deve a aditivos
especialmente criados para não influir nas propriedades mecânicas nos
produtos finais.
Inicialmente criado na cor preta, o novo grade contou com esforços da
equipe brasileira para desenvolvimentos posteriores do produto, tanto
na obtenção de variações coloridas quanto na adequação do polímero
para as necessidades do mercado brasileiro. |

Rhodia lança PA 66 aprovada para o contato
com a água |
A Rhodia também apresentou o
Technyl A 218W V30, um polímero adequado para o contato com água potável.
Essa PA 6.6 reforçada com 30% de fibra de vidro, dotada de alta
resistência à hidrólise, bom acabamento superficial e superior desempenho
mecânico, recebeu a certificação W270, concedida pelo Technologiezentrum
Wasser (Centro de Tecnologia em Água), da Alemanha, dedicado a pesquisas
aplicadas em água, e referência em análise biológica de água. As
aplicações na mira da empresa são sistemas de aquecimento, bombas e
válvulas elétricas, bem como aplicações afins.
A multinacional francesa ainda destacou dois produtos lançados há pouco
menos de dois anos, o Technyl Heat Performance e o Technyl Star AFX, que
reforçam o enfoque da empresa em substituição de metais. O primeiro,
composto por PAs 66, mantém suas propriedades em uma faixa de temperatura
próxima aos 200ºC, que não pode ser atendida por PAs 6 convencionais. O
material é um forte candidato para aplicações sob o capô, próximas ao
motor do veículo. O segundo segue uma tendência marcante na atual edição
da Brasilplast: a de plásticos que fluem com maior facilidade. O Technyl
Star AFX, outra PA 66, pode ser utilizado em compostos carregados com
níveis muito altos de fibra de vidro, perto de 60%, o mais alto nesse
segmento de produto, segundo a Rhodia. Além das aplicações automotivas, os
predicados dessa poliamida a indicam para diversas aplicações em produtos
de consumo e bens industriais.
A Sabic Innovative Plastics apostou em uma exposição repleta de aplicações
que demonstram as possibilidades de seu amplo leque de plásticos, como os
para-choques e os para-lamas termoformados com blendas de polióxido de
fenileno (PPO) com PP do Stark, um veículo off-road brasileiro produzido
em Santa Catarina – estas peças normalmente são feitas de fibra de vidro.
Os exemplos iam de um polímero de acrilonitrila-butadieno-estireno (ASA)
com maior resistência às intempéries, passando por uma poliamida reforçada
com fibra de curauá, plásticos condutores capazes de blindar a radiação
eletromagnética e ondas de radiofrequência, ou com cargas que podem
deixá-los tão pesados quanto mercúrio e filmes de policarbonato (PC)
compatíveis com tecnologias de segurança, como holografia, gravação a
laser, antenas e chips.
Plástico contra falsificação – A área de segurança, por sinal, teve
um dos lançamentos da empresa na feira, as “Secure Resins”, PCs e blendas
com acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS), que contêm pigmentos
invisíveis ao olho nu, mas que modificam sua cor sob luz UV. Esse
pigmento, uma espécie de traçador, permite a identificação do material
facilmente e pode ser utilizado em peças opacas ou coloridas, auxiliando
no combate à falsificação.
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Uma forte
tendência notada na exposição da companhia foi a substituição de
metais, exemplificada na Gocycle, uma bicicleta elétrica lançada há
poucos meses na Inglaterra contendo várias peças técnicas, com grande
solicitação mecânica, nas quais resinas da Sabic substituíram peças de
metal. Partes como a coroa e uma sobremoldagem de alumínio, além de
outras, ilustravam o uso de plásticos LNP Verton (especificamente,
neste caso, uma PA 6/66 com 60% de fibra de vidro longa) como forma de
redução de peso e aumento da autonomia de um veículo elétrico para uso
urbano. |

Secure Resins mudam de cor sob luz UV (esq.) |
A empresa do Oriente Médio
também introduziu um novo polímero de engenharia com apelo ambiental (o
PBT e PBT/PC Valox iQ*) e um novo anglicismo (o upcycling) ao mercado
brasileiro. O conceito, criado no início da década por um químico alemão e
um arquiteto estadunidense, se refere, entre outras coisas, à reciclagem
do lixo pós-consumo, porém resultando em bens com valor maior que os
resíduos originais.
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