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Cuca Jorge
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PLÁSTICOS DE
ENGENHARIA
Expositores apresentam plásticos
de alto desempenho com ênfase
em processabilidade e menor custo
Texto de Márcio Azevedo
Fotos de Cuca Jorge
Mais uma vez,
a Brasilplast foi o palco de
importantes lançamentos de matérias-primas, entre elas diversos plásticos
de engenharia inovadores, e deu sinais de que um material, em particular,
desperta o interesse do mercado nacional. Trata-se do PBT, mostrado como
destaque nas exposições de vários fornecedores presentes ao encontro,
talvez como reflexo de sua utilização em muitas aplicações
eletroeletrônicas. Também ficou clara uma consequência da competição
acirrada no mercado local: muitos produtores de plásticos de engenharia
lançaram versões com viscosidades mais baixas ou, como eles preferem
dizer, com alta fluidez, um movimento quase sincronizado entre vários
expositores, e sintonizado com a necessidade incontornável da redução de
custos de fabricação dos transformadores. |
Muito popular por diversos
produtos de consumo, a 3M também está por trás da linha de fluorpolímeros
termoplásticos fabricados pela Dyneon, uma das empresas do grupo
multinacional. Essa linha de plásticos está dividida em grades diferentes
com graus variáveis de transparência e flexibilidade para aplicações
específicas. O foco da Dyneon está no mercado automotivo, pois no de
petróleo e gás, outro filão para o flúor, muitas peças ainda são
importadas. “A maioria das peças no mercado de óleo e gás vem pronta do
exterior, principalmente nos termoplásticos. Por isso, o enfoque maior
recai sobre a indústria automotiva e o setor de fios e cabos”, afirmou a
coordenadora de marketing, Kellen Cristina Busiol. Ela comentou sobre um
desenvolvimento novo relacionado com a entrada em vigor, em 2010, no
Brasil, de uma nova legislação (já em prática na Europa) sobre a emissão
de voláteis.
Dentro do tanque de combustível automotivo há uma mangueira imersa que
normalmente permite a evaporação de voláteis para o meio ambiente. A nova
legislação reduz e limita essa quantidade de voláteis.
Os materiais disponíveis no mercado, segundo Kellen, não atendem ao
requerimento vindouro, mas um dos fluortermoplásticos da Dyneon, o THV
(copolímero de tetrafluoretileno, hexaflúor propileno e vinilideno
fluorado), quando presente em uma das camadas que compõem a mangueira,
reduz sensivelmente a emissão das substâncias indesejadas, por suas
características de alta flexibilidade e impermeabilidade. Kellen diz que o
THV é um produto exclusivo da 3M, sem oferta na concorrência, e com a
flexibilidade adequada para a aplicação.
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Na família
dos termoplásticos, a Dyneon tem priorizado no país o FEP (copolímero
de tetrafluoretileno e hexafluorpropileno), aplicado na produção de
fios e cabos. Nesse mercado, é necessária resistência à alta
temperatura conjugada à capacidade de não-propagação de chamas. Os
fluorpolímeros possuem propriedades inerentes de resistência à
propagação de chamas, altamente desejáveis nessa aplicação. A Dyneon
importa a maior parte de seus grades da Europa. Da linha oferecida no
Brasil, apenas as borrachas fluoradas contam com produção local.
O processamento dos fluorpolímeros exige temperaturas um pouco mais
elevadas que os plásticos comuns, como commodities, porém são bastante
fáceis de processar, embora possam requerer máquinas de transformação
específicas. Além disso, a moldagem desses plásticos libera alguma
quantidade de gás fluorídrico, o que exige cuidados com os operadores
e o processo de manuseio, mas não demanda tratamento superficial
especial para as máquinas.
O consumo local de fluorpolímeros está em fase de crescimento, segundo
Kellen, e a Dyneon desenvolve muitas oportunidades novas na área de
termoplásticos fluorados no Brasil. São aplicações consagradas no
exterior, mas que ainda engatinham no país. |

Flexibilidade é um dos trunfos de fluorpolímeros para mangueiras |
É uma situação semelhante à que
enfrenta a francesa Arkema. “O mercado brasileiro é muito limitado na
aceitação de novas tecnologias em razão do custo, e uma referência prévia
do mercado exterior facilita bastante a penetração no Brasil”, atestou
Fábio L. F. Paganini, gerente de unidade de negócios da divisão de
comércio internacional de polímeros de engenharia da Arkema Química. Mas
Paganini ressaltou que o processo de desenvolvimento de aplicações locais
sempre revela oportunidades diferenciadas de negócios,
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como no caso
de amidas transparentes obtidas de óleo de mamona, introduzidas na
Europa há menos de dois anos. A PA 11 transparente da Arkema, além de
ter base no óleo vegetal, é derivada de um óleo não-comestível, sem
fins alimentícios – os materiais concorrentes são derivados de
petróleo ou de óleos com importante papel na cadeia alimentar, como os
de milho ou soja. A produção dessas poliamidas gera 40% menos CO2 e
requer 30% menos energia que a síntese de PAs fósseis. Elas possuem
transmitância semelhante à de poliestireno, alta resistência à fadiga
dinâmica e são muito leves, características adequadas a diversas
aplicações: mangueiras, correias industriais, calçados, visores
automotivos, copos de filtros automotivos e tubulações automotivas. |

Paganini: PA 11 transparente não utiliza óleos comestíveis |
A Arkema lançou na Brasilplast
um produto criado depois da última K, quando foram apresentadas as
poliamidas transparentes. O último rebento é um plástico destinado a altas
temperaturas, uma poliftalamida (PPA) para uso contínuo a 150ºC, com picos
de 200ºC, desenvolvida para substituir pinos metálicos de carros. A PPA
costuma ter uma absorção de umidade um pouco elevada, e os grades do
mercado se destinam à injeção. Já o material da Arkema pode ser
transformado por extrusão, servindo à produção de tubos e perfis, e
absorve menos água.
Sai EPDM e entra PA – Segundo Paganini, ocorre um movimento de
substituição de borracha de etileno-propileno-dieno (EPDM) por poliamida
no capô do motor. Nessa substituição também ocorre a troca das braçadeiras
por conectores plásticos, que em alguns casos podem ocasionar vazamentos
de fluidos. Para garantir em 100% a estanqueidade dessas peças, Paganini
afirmou que a tecnologia de soldagem está se modificando também, sendo
substituída a inserção mecânica pelo spin welding (ou soldagem
rotacional), uma espécie de soldagem por atrito. O PPA convencional não
suporta o spin welding, mas o Rilsan PPA, da Arkema, sim, seu grande
diferencial para aplicações futuras nesse campo.
A Arkema também funcionalizou seu fluoreto de polivinilideno (PVDF), da
marca Kynar, criando uma nova versão que permite a coextrusão direta, sem
a necessidade de primers, como é feito normalmente, ou adesivos, já que,
como outros materiais fluorados, o PVDF é bastante antiaderente. O
polímero confere resistência excepcional a intempéries em painéis
arquitetônicos e também pode ser usado na coextrusão com PVC de
mangueiras. Ele é adequado para aplicações até 150ºC, nas quais é
necessária resistência química, e seu processamento não demanda proteção
especial contra corrosão, mesmo sendo um material halogenado. Segundo
Paganini, a capacidade deste PVDF de aderir diretamente a alguns
substratos não existia, até então.
Em um estande concebido para demonstrar soluções para os variados
segmentos em que atua, a Basf destacou diversos plásticos de engenharia de
sua ampla linha, entre eles o já conhecido polibutileno tereftalato (PBT)
de alta fluidez Ultradur High Speed.
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O PBT pode
ser utilizado em várias aplicações em que ocorrem problemas de
fluidez, como moldes complexos (um exemplo foi a cadeira conceitual
Myto, exposta na feira) ou peças de pequenas dimensões e paredes
finas. O grade High Speed é um produto adicional na linha tradicional
de PBTs da Basf, direcionado às peças em que tipos convencionais
apresentam problemas com a fluidez. O polímero encerra nanopartículas
que mantêm as propriedades mecânicas, mas melhoram a fluidez do
material. Em moldes complexos, nos quais materiais muito viscosos
resistem em preencher, o Ultradur High Speed preenche a cavidade sem |

Cadeira de PBT high speed evita juntas frias e falhas |
falhas, mantendo as propriedades
mecânicas. As nanopartículas entram na composição desse plástico
especificamente para melhorar a fluidez. Segundo o gerente de negócio,
José Carlos Belluco, atualmente, quando se necessita de um material mais
fluido, a tática mais utilizada é modificar seu peso molecular, o que
afeta a viscosidade do polímero, mas também, e negativamente, as
propriedades mecânicas. “A grande vantagem do High Speed é sua maior
fluidez, obtida sem modificação das propriedades mecânicas”, destacou
Belluco.
A cadeira exposta na feira, diz Belluco, é um bom exemplo da fluidez do
material nanoparticulado, pois seu design encerra várias possibilidades de
“junta fria”, que poderiam reduzir as propriedades mecânicas da peça, e
isso não acontece com o PBT de alto fluxo.
Um dos grandes focos de aplicação do material são os conectores dos
chicotes elétricos de automóveis: peças pequenas, com paredes bastante
finas e que oferecem dificuldades à moldagem com materiais tradicionais.
A Evonik, pela primeira vez na feira com seu nome atual, também reservou
novidades para o evento. Na linha de polímeros acrílicos, o destaque foi o
lançamento do Acrylite Plus NTA, uma resina de polimetacrilato de metila (PMMA)
não-transparente, diferente da grande parte dos materiais acrílicos, cuja
principal característica é exatamente a transparência.
Sem tinta – Mas qual é o sentido no desenvolvimento de um acrílico
não transparente? Segundo Ana Paula Nakajato, responsável pela linha de
polímeros de acrílicos da Evonik no Brasil, o material resguarda as outras
propriedades reconhecidas dos acrílicos, como a resistência a intempéries.
O PMMA resiste naturalmente aos raios ultravioleta (UV) e não amarela sob
o sol, mesmo sem aditivos. “Já fizemos testes de vinte, trinta anos e não
se percebe diferença nas propriedades do material”, disse Ana Paula.
Os acrílicos também são apreciados por características como o alto brilho,
a facilidade de polimento e de processamento. Com essas habilidades, um
acrílico não-transparente se torna adequado para aplicação em peças
automobilísticas, tendo em vista a eliminação da etapa de pintura (que
aconteceria, se as peças fossem transparentes) e a redução de custo. O
material pode ser utilizado em colunas do carro, nas carcaças de espelhos
retrovisores e em molduras de tetos solares, e deve entrar em competição
com materiais já usados nessas peças, como PP e ABS. O NTA está passando
por processos de homologação em montadoras, e Ana Paula afirmou que
projetos de novos carros poderão utilizar o polímero na substituição de
peças pintadas feitas com o sucedâneo convencional.
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