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Cuca Jorge
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ADITIVOS
Retomada dos negócios ancora
busca incessante do mercado
por fórmulas mais eficientes
Texto de José Paulo Sant'Anna
Fotos de Cuca Jorge
Os visitantes da Brasilplast
interessados em conhecer novidades no universo dos aditivos não tiveram
motivos para queixas. Participaram do evento os principais fornecedores do
mercado, tanto de produtos tidos como especialidades, alguns lançados
especialmente para a ocasião, quanto de commodities. A recíproca foi
verdadeira. Os expositores também se mostraram felizes com a presença de
público. Eles consideraram o evento uma excelente oportunidade para
dialogar com clientes tradicionais e travar novos contatos. Todos
exaltaram o gabarito dos visitantes, muitos com decisão de compra, e a
internacionalização da feira, em especial a grande presença de
representantes da indústria latino-americana.
O bom movimento reforçou o sentimento comum entre os expositores ligados
ao mundo dos aditivos. A opinião é unânime: a crise econômica, depois do
forte susto provocado no final do ano passado, passou pelo seu pior
momento. Em 2009, o primeiro trimestre foi fraco. Nesse período do ano, no
entanto, os |
negócios são tímidos mesmo nos
tempos de prosperidade. A partir de abril se iniciou uma animadora
recuperação dos negócios.
Existe a sensação geral de que este ano as vendas devam cair em relação às
realizadas em 2008. Mas não muito. Em alguns casos, podem até empatar com
o resultado do ano passado. Se as previsões se confirmarem, depois do
forte pânico ocorrido no auge da crise, serão motivos de comemoração.
Outra constatação, repetida sem exceção pelos executivos das
multinacionais especializadas em aditivos, é a situação do mercado
brasileiro, considerada bastante superior à dos países desenvolvidos.
Usando uma metáfora, eles comparam a crise brasileira com um resfriado (o
tradicional, não o provocado pelo vírus originário do México) e a dos
países avançados com uma pneumonia dupla.
As empresas químicas do ramo aproveitaram a Brasilplast para anunciar o
lançamento de produtos. Entre as novidades, algumas tendências merecem ser
mencionadas. A busca pela melhora dos aditivos é contínua. Um exemplo: em
tempos de busca desesperada pela redução de custos, tem grande chance de
alcançar sucesso comercial quem proporcionar a obtenção de peças plásticas
com paredes mais finas e desempenho similar ao de peças com paredes mais
espessas transformadas com a ajuda de aditivos menos sofisticados.
A ideia de maior eficiência, por meio do desenvolvimento de aditivos que
proporcionem qualidade às resinas com a adição de quantidades cada vez
menores, é outra obsessão. Quanto menor a concentração necessária no
polímero, menor a interferência nas características do material ao qual a
fórmula se destina. Também é incessante, em alguns casos, a pesquisa
voltada para o desenvolvimento de produtos não agressivos ao meio
ambiente. As novas fórmulas, se possível, contam com propriedades
múltiplas, substituem dois ou mais aditivos de gerações anteriores.
Lançados os aditivos mais sofisticados, seus fornecedores enfrentam novo
desafio. Obter fórmulas eficientes requer investimentos pesados em
pesquisas cujos resultados muitas vezes são demorados. Os preços desses
produtos são mais “salgados” e assustam compradores. Os fabricantes
precisam convencer os clientes das vantagens proporcionadas pela melhor
relação custo/benefício. O que nem sempre é tarefa fácil de ser
concretizada.
(Con)fusão e transição – Empresa bastante conhecida pelo amplo
leque de aditivos oferecidos ao mercado, a multinacional alemã Ciba foi
adquirida recentemente pela compatriota Basf. O atual momento é de
transição. Os produtos apresentados na Brasilplast mantiveram a assinatura
anterior, acompanhados de uma advertência. “Até junho os produtos mantêm a
marca Ciba, com a ressalva de que a empresa pertence ao grupo Basf”,
informa Francisco Lopes, gerente de novos negócios da Ciba. No segundo
semestre, deve ser adotada outra estratégia de marketing, ainda não
definida pelos administradores da Basf.
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Confusões normais em períodos de
transições à parte, a Ciba aproveitou o maior evento nacional do
plástico para divulgar as vantagens apresentadas por alguns aditivos
lançados recentemente no exterior e pouco conhecidos no Brasil. As
novidades abrangeram os mercados de elevado desempenho, e pertencem às
famílias de antioxidantes, estabilizantes e preparações pigmentárias.
Algumas fórmulas foram ressaltadas por Lopes. Entre elas, o
antioxidante Irgastab FS 042 e o antioxidante + estabilizante à luz
ultravioleta Irgastab RM 68. Os dois são destinados a aplicações em
polietileno de média densidade transformado por rotomoldagem. “A
rotomoldagem é um mercado muito interessante e está crescendo muito”,
informa o executivo.
De acordo com a empresa, as duas linhas permitem a redução do ciclo de
produção, com consequente redução do consumo de energia, o que no caso
particular desse processo de transformação é característica para lá de
desejada. “Em uma peça com ciclo aproximado de 20 minutos, o novo
aditivo |

Lopes aposta no aumento da demanda por produtos voltados à
rotomoldagem |
permite sua redução para de 14 a
15 minutos”, exemplifica. Essa redução se deve ao menor depósito de bolhas
de ar nas paredes da peça e significa redução considerável do gás usado
nas operações. “Essa característica também melhora as propriedades
mecânicas da resina”, emenda.
Outros produtos recentes da empresa foram citados por Lopes. “O agente
clarificante Irgaclear XT 386 é usado com dosagem até doze vezes menor do
que a dos produtos similares. Ele proporciona excelente transparência e
várias outras propriedades”, informa. O aditivo Irgasurf SR 100, indicado
para polipropileno/TPO, confere propriedades antirrisco e resistência
mecânica. “Ele pode ser dosado diretamente durante a fase de injeção da
peça”, explica.
Valor agregado – A Cytec, gigante multinacional de origem
norte-americana com várias plantas de especialidades químicas espalhadas
mundo afora, inclusive no Brasil e América Latina, atua com força no
mercado de aditivos. Neste nicho, a empresa fornece ao mercado fórmulas
antioxidantes, antiestáticas e de proteção à luz ultravioleta.
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Na feira, concentrou esforços
para fazer propaganda de sua recente e bem-sucedida estratégia. “Temos
procurado nos diferenciar dos concorrentes, sair do mercado de
commodities. Estamos lançando produtos especializados de última
geração, de custo/benefício superior e maior valor agregado”, informa
Cássio Martins, gerente de vendas de aditivos para plásticos. A tática
requer a união do conhecimento e da prestação de serviços. “Investimos
em pesquisa para oferecer aos clientes soluções de problemas”, resume.
Na feira, a Cytec priorizou a divulgação de lançamentos recentes. Um
desses produtos é o Cyasorb THT, voltado para estender a vida útil do
plástico. “Ele apresenta excelente custo/benefício em peças
|

Martins: foco é oferecer soluções |
transformadas por rotomoldagem,
extrusão, injeção ou sopro, caso de filmes agrícolas, peças para
automóveis e embalagens de produtos alimentícios”, garante Martins.
Outra linha mencionada foi a Cyasorb Cynergy Solutions, composta por
fórmulas que reúnem de maneira simultânea características de vários
aditivos. “Nos grãos desses produtos se encontram, ao mesmo tempo,
propriedades antioxidantes, estabilizantes e absorvedoras de luz. Com seu
uso, substituímos a adição de vários produtos por apenas um”, exalta o
gerente de vendas. A linha é indicada para vários tipos de resinas em
aplicações como produtos rotomoldados, tubos de polietileno, filmes
agrícolas e peças injetadas para a indústria automobilística.
Sensações – Um espaço no estande da Milliken Chemical, divisão
especializada em aditivos para plásticos da multinacional de produtos
químicos e têxteis Milliken & Company, foi batizada de “Sala das
Sensações”. Decorado com as mais variadas amostras de peças, ele
exemplificou as possibilidades de aplicação do polipropileno clarificado
com os produtos fornecidos pela empresa, em especial os voltados para o
segmento de embalagens. “Nesta sala foram realizadas mais de trinta
reuniões com clientes diretos e indiretos. Eles puderam vivenciar os
atributos proporcionados pela adição de nossos produtos nessa resina”,
informa Claudia Kaari Sevo, gerente de desenvolvimento de mercado da
empresa.
Entre as “sensações” oferecidas pela empresa, a mais comentada ficou por
conta da quarta geração dos clarificantes e maleantes Millad NX8000. O
produto permite evolução significativa na transparência das peças. “Com o
aditivo, a transparência já não se limita a paredes muito finas ou
altamente orientadas. Ela pode ser obtida em peças injetadas, extrudadas
ou sopradas”, ressalta. O produto também proporciona à resina baixa
densidade, bom balanço entre impacto e rigidez, resistência química e
térmica e barreira à umidade.
Outro produto da Milliken apontado por Claudia foi o agente hipernucleante
Hyperform, também indicado para o PP. “Ele gera economia para os
processadores”, garante a gerente. Entre as vantagens, ela cita redução
nos tempos de resfriamento dos moldes, redução de perdas, eliminação de
deformações, de afundamentos e vazios nas peças e estabilidade do processo
mesmo com a utilização de diferentes pigmentos.
Construção civil – Os visitantes da feira trouxeram otimismo. Mas
outro fator causa maior esperança para Hans Juergen Mitteldorf,
diretor-geral da Chemson.
Ele aposta no sucesso das medidas anunciadas pelo governo federal para
incentivar a retomada de negócios da construção civil. Não é à toa que ele
torce por isso. A empresa produz estabilizantes para PVC e estearatos
metálicos para PVC, polipropileno e polietileno, produtos bastante
consumidos por quem ergue casas e edifícios.
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