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Cuca Jorge

Produtores aguardam feira com
esperança de melhores negócios
José Paulo Sant’Anna |
A
crise econômica está mais para marola ou tsunami? Por enquanto, a pergunta
não tem resposta, dizem os fornecedores de injetoras. Não dá para negar
que as vendas, com desempenho muito bom até o último trimestre do ano
passado, sofreram retração com a chegada da crise. Em 2009, os negócios
começaram a se recuperar em março, mas ainda de maneira desigual. Alguns
fornecedores parecem mais otimistas que outros. Não se sabe em qual
patamar eles se estabilizarão.
A única certeza reside no fato de o desempenho do setor ser bastante
dependente das brisas sopradas pela economia. A constatação não chega a
ser novidade para ninguém. O setor de bens de capital sempre reflete forte
influência dos rumos tomados pelo mercado. Em caso de retração do PIB é um
dos primeiros a sofrer as consequências e um dos últimos a se recuperar.
Nesse cenário, a realização da Brasilplast é para lá de bem-vinda. A feira
é conhecida pela sua capacidade de gerar negócios e não poderia ocorrer em
momento mais propício.
Não existem estatísticas oficiais. Estima-se que o número de injetoras
vendidas no Brasil gire entre 2,5 mil e 3 mil unidades por ano e o evento
deve ajudar a turbinar esse número em 2009. São comercializadas no Brasil
máquinas dos mais distintos modelos. A diversidade complica a análise
deste mercado. Entre as nacionais, existem equipamentos com variadas
tecnologias, adquiridos para atender aos diferentes pedidos de peças
plásticas, desde aquelas com dimensões menos precisas até as com
exigências de medidas bastante rigorosas. As importadas englobam dos
sofisticados equipamentos europeus, procurados por transformadores
interessados em tecnologia de ponta, às máquinas orientais, de preço
convidativo e qualidade sempre posta em dúvida pelos concorrentes
brasileiros.
Como a crise não atingiu de forma uniforme os diferentes segmentos da
economia, o desempenho das empresas varia de acordo com o perfil de
atuação da clientela. O setor de bens duráveis, em especial a indústria
automobilística, foi um dos que mais sentiram dificuldades no início da
crise. O sofrimento foi amenizado com a redução do IPI dos automóveis
promovida pelo governo federal. A partir do último trimestre de 2008, a
indústria de autopeças pisou forte no freio dos investimentos. Quem vende
equipamentos para o setor sentiu por tabela a retração. Ninguém arrisca
palpite sobre como ficará o ritmo de vendas de veículos nos próximos
meses, porém os negócios parecem mais promissores com os excelentes
resultados registrados pelas montadoras no primeiro trimestre deste ano,
com quase 700 mil carros comercializados.
Já o segmento de bens não-duráveis, caso dos alimentos e dos cosméticos,
foi afetado de forma mais suave. Os fabricantes de embalagens para esses
produtos mantiveram as encomendas de máquinas em bom ritmo.
O cenário influencia as estratégias de marketing a ser adotadas na
Brasilplast. Os expositores vão divulgar, de forma preferencial,
equipamentos voltados para os setores menos atingidos pela crise. Os
visitantes encontrarão nos estandes vários modelos projetados para
funcionar com ciclos rápidos, dirigidos aos mercados de embalagens. A
grande esperança depositada nos resultados gerados pela feira, no entanto,
a torna bastante abrangente. Quem percorrer seus corredores também poderá
obter informações sobre injetoras dos mais diversos tipos. Entre elas as
elétricas, bastante precisas e ainda pouco procuradas no Brasil, por conta
de seus preços, considerados “salgados”.
Nacionais versus importadas – Um dos aspectos interessantes a ser
observados pelos visitantes da exposição será o do confronto entre as
injetoras nacionais e as estrangeiras. A concorrência é mais acirrada
entre os modelos menos sofisticados, mercado estimado em 80% das unidades
vendidas por aqui. Neste nicho, as brasileiras sofrem, nos últimos anos,
com a invasão das asiáticas, em especial as chinesas.
A guerra tem a temperatura inflada pelos baixos preços praticados pelos
importadores, considerados incompatíveis com a realidade. Contra a atração
gerada pelo menor desembolso de recursos para a aquisição dos
equipamentos, os argumentos sempre usados pelos fabricantes nacionais
recaem na “qualidade duvidosa” dos modelos orientais e na falta de
estrutura adequada para prestação de assistência técnica.
No ano de 2007 e até setembro de 2008, o aquecimento da demanda provocado
pelo bom momento econômico arrefeceu a ameaça vinda da Ásia. O aumento das
encomendas beneficiou a todos. Mas o período de bonança parece ter se
encerrado. A retração do mercado nos últimos meses promete apimentar de
novo o cenário. Um novo tempero no imbróglio surgiu nos últimos meses: a
desvalorização do real. A forte queda do real tem favorecido os
fabricantes brasileiros. Mas é bom não comemorar muito. Há meses antes da
crise, quando as chinesas já incomodavam bastante, o dólar estava em
patamar mais elevado do que hoje. Engana-se quem acha que as importadas
não têm preços competitivos.
Estima-se que no mercado nacional devam ser vendidas entre 400 e 500
unidades por ano de injetoras mais sofisticadas, voltadas para a obtenção
de peças de grande precisão ou para grandes volumes de produção. Em termos
de faturamento, no entanto, a receita obtida por essas vendas responde por
percentual mais significativo, graças ao maior valor agregado desses
equipamentos.
Nesse segmento, a disputa dos brasileiros é com as empresas dos países
avançados. Conforme a necessidade dos transformadores, trata-se de luta
inglória. A tecnologia oferecida por algumas marcas, em especial as
europeias, supera a dos modelos nacionais. Nesses casos, os importadores
de diferentes marcas competem entre si. A valorização do dólar não ajuda
os fabricantes locais. A insegurança gerada pelas fortes oscilações da
moeda, no entanto, atrapalha os transformadores. O descontrole do câmbio
provoca entre os compradores de máquinas o temor de enfrentar uma dívida
que pode aumentar de forma significativa de um momento para outro.
Ainda no nicho das sofisticadas, quem for até a feira terá a oportunidade
de acompanhar algumas atrações. No ano passado, em busca de fortalecer
suas posições internacionais, três grupos respeitados do ramo de injetoras
saíram às compras. Para os brasileiros, o negócio mais comentado foi o da
aquisição da italiana Sandretto pela Romi. A iniciativa teve como objetivo
fazer com que a empresa brasileira fincasse o pé no mercado global. Vale
lembrar que a Sandretto do Brasil não se envolveu no negócio. A marca por
aqui pertence ao grupo nacional Nardini.
Duas outras aquisições de porte anunciadas chamaram a atenção do mercado
internacional em 2008. O grupo japonês fabricante de injetoras Sumitomo
comprou a alemã Demag. O austríaco Wittmann, especializado em equipamentos
para automação de linhas de injeção de plástico, concretizou no início de
abril a compra da alemã Battenfeld. Representantes de todas as marcas
envolvidas nessas negociações prometem mostrar na exposição lançamentos
resultantes de suas novas fases.
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Padrão europeu – “A Brasilplast vai ser bastante importante para
nossos negócios”, resume Fabio Seabra, diretor de comercialização para
máquinas plásticas da Romi, líder do mercado nacional de injetoras.
Para o executivo, o evento deve ajudar a concretizar vendas no
decorrer deste ano. O que, é lógico, será muito positivo. Ainda mais
depois de resultados pouco promissores ocorridos nos últimos meses.
“No ano passado nossa receita cresceu 10% em relação a 2007, mas as
vendas teriam sido muito melhores se não houvesse a retração ocorrida
no último trimestre”, informa.
Em 2009, a retomada das vendas da empresa está ocorrendo em ritmo mais
lento do que o |
Cuca Jorge

Seabra espera melhorar resultados dos últimos meses após a Brasilplast |
esperado. No início do ano
a redução da demanda é normal, mas a retração tem superado as expectativas
provocadas pelo efeito sazonal. “Nesse ritmo, é provável que a arrecadação
da empresa com a venda de injetoras volte ao patamar de 2007”, lamenta o
executivo. Apesar dos pesares, ele ainda guarda uma dose de otimismo.
“Poucos negócios foram cancelados, muitos suspensos. Acho que os clientes,
apesar de cautelosos, não deixaram de pensar em investimentos”, ressalta.
A aquisição da italiana Sandretto pela Romi, no ano passado, permitiu a
inclusão de vários aperfeiçoamentos nas linhas de máquinas comercializadas
no Brasil. Fundada em 1946, a Sandretto vendeu mais de 30 mil máquinas em
todo o mundo, em sua história. Sua linha é composta por injetoras de
plástico com capacidade de 75 a 5.500 toneladas de força de fechamento.
“Nossa ideia é a de produzir máquinas mundiais, as fabricadas aqui agora
têm recursos similares às de muitos fabricantes na Europa”, garante o
diretor. O que muda é o perfil do mercado. Por aqui, as máquinas elétricas
ainda não são vendidas em quantidades animadoras. Lá, a procura por esses
equipamentos é maior. “No Brasil estamos percebendo um crescente interesse
pelas híbridas, que apresentam melhor desempenho e economia do que as
hidráulicas”, conta.
Em tempo: a operação da Romi, na Europa, vai muito bem, garante o
executivo. A marca Sandretto foi mantida para as vendas no exterior. “Ela
é bastante reconhecida em muitos países”, justifica. E as vendas por lá
começam a mostrar recuperação. “Na Itália e na Inglaterra elas estão em
alta. Os mercados da França e Espanha são mais difíceis, mas vejo com
bastante ânimo nosso desempenho”, diz.
Muitas novidades serão mostradas no estande da empresa na Brasilplast, que
contará com área de 500 metros quadrados. Na feira, a Romi vai dar enfoque
especial na sustentabilidade, uma das demandas atuais do mercado. “As
máquinas a ser mostradas consomem menos energia do que os modelos
tradicionais. No estande, fabricaremos peças com resinas biodegradáveis”,
revela.
Entre os equipamentos expostos, o destaque será o modelo elétrico
Eletramax 150, indicado para peças de alta precisão. A máquina conta com o
novo painel de comando e-ONE com tela de 15 polegadas, lançado de forma
simultânea com a Romi Itália. Com conceito de célula de produção que
transforma do granulado à peça embalada, o equipamento pode economizar até
80% de energia em relação aos modelos tradicionais.
Outra atração será a máquina híbrida Primax 300H, cujo principal
diferencial é a redução do tempo de ciclo de produção de até 15% em
relação às máquinas com sistema de plastificação hidráulico. Também será
mostrado um modelo Prática 170, que traz o novo painel de comando
Controlmaster 8 Plus. O painel é colorido, oferece o recurso touch screen
e pode ser monitorado de maneira remota de qualquer microcomputador.
Sob nova direção – A marca Sandretto no Brasil nada tem a ver com a
Romi. Para refrescar a memória: a Sandretto iniciou suas atividades no
Brasil como filial da empresa italiana em 1999, logo depois da Semeraro,
fabricante de injetoras nacional com a qual mantinha parceria, sucumbir às
sucessivas crises econômicas. Depois de enfrentar sérias dificuldades, a
empresa italiana passou a ser gerida por aqui pelo grupo norte-americano
Taylor em 1995, sendo transferida, logo depois, para o grupo HPM. Em abril
de 2007, a filial brasileira foi adquirida pelo grupo Nardini, um dos
principais fabricantes de tornos mecânicos da América Latina.
Na Brasilplast, a empresa quer mostrar que voltou a participar do mercado
com força. Em um estande de 500 metros quadrados vai exibir cinco modelos
escolhidos entre os oferecidos ao mercado. A Sandretto Brasil comercializa
a linha Lógica, com modelos entre 70 toneladas e 480 toneladas de força de
fechamento, e a Nove HP, com versões de 90 toneladas a 480 toneladas. “Nós
estamos nos preparando para lançar injetoras de maior porte dentro de
algum tempo”, revela Antonio Lopes, diretor-comercial da Sandretto Brasil.
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