Estratégias de cada empresa à parte, todos da cadeia do plástico querem, pelo menos, uma fresta dos holofotes da maior feira do setor da América Latina. No entanto, os 78 mil m² disponíveis do Anhembi, como ocorre há anos, serão insuficientes para a demanda. A escassez de espaço está na pauta não é de hoje. No passado, aliás, cogitou-se a possibilidade de privatização do Anhembi, e assim ampliar a área da exposição. Mas Nascimento derrapa numa lama de boas intenções. Existe um projeto da iniciativa privada – previsto para 2007 – de aumentar a área, porém esse plano ainda continua no papel, sem previsão de efetivação. “De momento, fizemos o que estava ao nosso alcance, melhoramos a qualidade”, reforçou o diretor, em alusão às melhorias pleiteadas para o pavilhão. Para tentar otimizar o espaço, os eventos paralelos (até o fechamento desta edição ainda não havia definição sobre eles) acontecerão fora da área de exposição, ou seja, no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi ou no centro de convenções, ambos localizados ao lado do pavilhão.

Mote – Sem precipitação, Nascimento não destacou um foco principal para esta edição, mas sim três pilares importantes sobre os quais a Brasilplast deverá se escorar: a sustentabilidade do ambiente, a reciclagem e a informação sobre o plástico. “Não elegemos um único tema”, comentou. No entanto, por ser de caráter abrangente e atual, o evento seguirá as principais tendências do setor, promovendo ações voltadas para o uso ecológico da resina e do material transformado e estimulando a aproximação desses com o público. “Pretende-se mostrar o plástico na vida das pessoas, ou seja, sua aplicação nos diversos setores”, exemplificou.

A Brasilplast terá como missão ainda propor o diálogo entre os membros da indústria do plástico, com o objetivo de motivar novas transações comerciais. Com vocação para instigar o crescimento do setor, a exposição sinaliza o avanço tecnológico do mercado mundial do plástico e se pauta na realização de negócios. “Quem fala que a feira é institucional está completamente errado”, apontou Nascimento. Para ele, prova desse objetivo se vê nos próprios estandes, cada vez com mais técnicos e funcionários capacitados para efetivar as vendas. Prospectar os negócios a ser realizados seria leviano, mas ele enfatizou o interesse crescente do expositor de profissionalizar a sua participação neste tipo de mostra. “A feira está focada no negócio”, completou, ao se referir ao fato de o espaço para oba-oba e bate-papo informal estar cada vez mais restrito.

Panorama – Ao longo dessas doze edições, o evento evoluiu, acompanhando de perto o desenvolvimento do setor. Os números deste ano nada lembram 1987, ano de sua primeira edição oficial. Na época, o consumo per capita de plástico no Brasil era de quatro quilos, índice que saltou para 26,93 quilos por habitante/ano (dados da Abiplast). Hoje, de acordo com informações da Reed Exhibitions Alcantara Machado, o país está entre os maiores e ocupa a oitava posição no ranking mundial de consumo de plásticos. Para se ter uma ideia, a indústria brasileira fabrica cerca de 4,5 milhões de toneladas/ano de resinas, configurando-se como a nona produtora mundial de resinas plásticas.

Diante desse cenário, fica fácil entender o interesse dos estrangeiros em relação à mostra. Serão cerca de 30 países. Além dos estandes individuais, haverá pavilhões da Itália, China e Taiwan. Uma estreia se refere ao pavilhão da Argentina, onde estarão reunidas diversas empresas do país vizinho.

Quem é o visitante - Em relação ao perfil de quem vai à feira, poucas devem ser as mudanças se comparado ao da edição de 2007. Na época, entre os visitantes nacionais, a participação maciça foi do Sudeste (85,30%), sendo seguida pela do Sul, com 9,41%. O restante do público se dividiu entre o Nordeste (2,91%), o Norte (1,44%) e o Centro-Oeste (0,94%). No entanto, ele considera que o Brasil tem se expandido para além das regiões tradicionais em atividades industriais. “A visitação vai diluir um pouco, as diferenças serão menores”, constatou Nascimento. Entre os estrangeiros, a presença da América do Sul deverá continuar na liderança, como na 11ª Brasilplast.

Como acontece em todas as edições, mais da metade do espaço será ocupado pelo segmento de bens de capital. As dimensões do Anhembi favorecem a exposição de máquinas, em funcionamento: são 20 metros de pé-direito. “Alguns modelos só podem ser mostrados aqui e nas feiras de Chicago (NPE) e Dusseldorf (K). É fundamental colocá-los para funcionar, pois é como fazer uma compra com degustação”, explicou Nascimento. Além das máquinas, equipamentos e acessórios, a planta da mostra se divide entre os setores de moldes e ferramentaria; instrumentação, controle e automação; resinas sintéticas; produtos básicos e matérias-primas químicas em geral; transformadores de plástico; serviços e projetos técnicos; entidades e publicações técnicas.

Para conseguir essa abrangência, a organização não está sozinha, conta com o apoio de importantes referências do mercado, como Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), Siresp (Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas do Estado de São Paulo) e Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química).

Ah, se fosse a primeira crise! - Desde sua primeira edição em 1987, em meio ao Plano Bresser, o evento vem galgando posição de destaque no cenário mundial. Hoje, a Brasilplast é considerada uma das cinco maiores feiras do setor, ao lado da K (Alemanha), NPE (EUA), Plast (Itália) e China Plastic (China). Ao longo dessas doze edições, a mostra brasileira acumula a experiência de quem está calejada pelas crises, sejam elas políticas ou econômicas. A ideia de organizar uma feira para a cadeia do plástico começou nas entranhas de uma das mais tradicionais exposições de máquinas, equipamentos e acessórios: a Feira da Mecânica, da qual a Brasilplast se desmembrou, em 1986, época do Plano Cruzado. Antes disso, a então Alcantara Machado realizou duas edições do evento; no entanto, esses se restringiam a congressos, ou seja, não embutiam o gigantismo da feira dos dias atuais.

A primeira edição oficial, mais parecida com esta de 2009, reuniu 300 empresas. Com o tempo, esse número aumentou, de forma significativa: no ano seguinte, passou a 450 expositores. Já 1991 foi marcado pelo confisco dos ativos financeiros decretado pelo Plano Color I e, por conta disso, a feira derrapou um pouco, mas sem perder o seu brilho. A recuperação veio na edição seguinte, em 1993; mesmo com a renúncia presidencial um ano antes, a exposição surgiu revigorada e contou com grande participação de expositores estrangeiros.

Dois anos depois, seu caráter internacional se ratificaria. A Brasilplast´95 agrupou 712 expositores, dos quais mais de 60 eram estrangeiros. Em 1997, em meio à crise asiática, o evento recebeu 856 expositores, espalhados por mais de 400 estandes. Outro baque viria na sequência, em 1999, com as mudanças na política cambial. Apesar da desvalorização do câmbio, a exposição conseguiu apresentar mais de 900 expositores e cresceu em número de empresas, 10% a mais, em relação à edição anterior. As turbulências sofridas pela hermana indústria argentina e o estouro da chamada "Bolha da internet" – fenômeno de supervalorização das empresas pontocom e de suas ações – pouco afetaram a feira de 2001, que ocorreu em um ambiente relativamente estável no país. No entanto, em 2003, o Brasil foi acometido pelas incertezas políticas da época: era o primeiro ano do governo Lula. Apesar desse ineditismo, o evento seguiu firme e reuniu 1.200 expositores, interessados em mostrar o vigor da indústria nacional. A elevação dos juros e o dólar em queda frearam, em alguma medida, o crescimento da indústria em 2005, mesmo assim, em abril, a Brasilplast foi aberta com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, o que reforçou a fervura das exportações do setor.

A antecessora desta Brasilplast 2009 se deu em um clima mais tranquilo, os recordes da indústria automotiva, a manutenção das liberações de verbas governamentais para obras de infraestrutura e o aquecimento de certos segmentos consumidores de embalagens plásticas deram um tom mais eufórico à cadeia produtiva do plástico. A feira aconteceu em meio à visita do Papa Bento XVI ao Brasil, que aportou no Campo de Marte durante sua realização. Mas mesmo com a vinda do sumo pontífice, a 11ª Brasilplast atraiu 62.787 visitantes e reuniu 1.294 expositores, sendo 762 nacionais e 532 estrangeiros, de 30 países.

Nos bastidores - Referência no quesito feiras nacionais e internacionais, o Anhembi completa 39 anos em 2009. Para acomodar público de cerca de 60 mil pessoas, possui estacionamento para cerca de 7,5 mil veículos e capacidade rotativa de 13 mil veículos, ao dia. Localizado junto da Marginal do rio Tietê, o local dá acesso aos aeroportos de Congonhas e Cumbica, além de estar em frente ao Campo de Marte e próximo ao Terminal Rodoviário e ao metrô Tietê.

A Reed Exhibitions Alcantara Machado, a fim de facilitar o acesso ao pavilhão, colocará à disposição do visitante uma frota de ônibus para seu transporte gratuito do metrô Tietê até o local. O serviço funcionará uma hora antes da abertura da mostra, marcada para as 11 horas, e uma hora depois de seu encerramento, às 20 horas. “Mais ou menos 12 mil pessoas serão beneficiadas”, previu Nascimento. Para quem vem de fora da cidade, os organizadores realizaram uma parceria com a empresa de aviação TAM, que estipula um valor mais baixo das passagens. “Queremos motivar a vinda de pessoas de outros estados”, comentou o diretor.

Os aprimoramentos desta 12ª Brasilplast, em relação às anteriores, resultam, em parte, da nova configuração da empresa organizadora. Será a primeira edição da feira sob a organização e promoção da Reed Exhibitions Alcantara Machado, formada pela joint venture entre a Reed Exhibitions, empresa responsável por mais de 500 eventos, e a Alcantara Machado, fundada em 1956 e à frente da Brasilplast desde sua primeira edição.

Serviço:

Credenciamento on-line: www.brasilplast.com.br
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi
Endereço: Avenida Olavo Fontoura, 1.209 – São Paulo
Data: 4 a 8 de maio, das 11 às 20 horas
Entrada: mediante a apresentação de convite
Periodicidade: bienal
Observação: Proibida a entrada de menores de 16 anos, mesmo acompanhados.

 

 

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