Projetos para os lubrificantes – Os frascos de PEAD pós-uso desses óleos, contaminados com esses residuais (de acordo com a ABNT NBR 10.004 – Resíduos Sólidos – Classificação, essas embalagens plásticas com residuais são identificadas como classe I, perigosas), constituem outro problema ambiental: poluem a água e o solo, e sua destinação ainda busca uma solução concreta e efetiva, a exemplo da encontrada pela indústria dos agroquímicos. Medidas nesse sentido ganham corpo e um dos melhores resultados destaca o Rio Grande do Sul, onde há mão firme da legislação e forte atuação do Sindicato
Hoje, são 21 os fabricantes de óleo cadastrados: 14 possuem licença de operação em vigor, alguns estão em fase de regularização e outros desistiram de comercializar no Rio Grande do Sul. Dos autorizados, oito atuam com o Sindicom e seis possuem recolhimento próprio. Os vinculados ao Sindicom destinam as embalagens para quatro recicladoras autorizadas: Mauser, no Rio de Janeiro; Cimflex, em Maringá-PR; Bressan, em Canoas-RS; e Tamborsul, em Gravataí-RS. Os fabricantes que possuem recolhimento próprio endereçam os frascos pós-uso para a Winck Industrial de Embalagens, licenciada de Gravataí. Dutra contabiliza ainda 55 distribuidores cadastrados, trinta dos quais licenciados para recolher e devolver às centrais dos fabricantes as embalagens pós-uso. A MB Engenharia recebe os frascos dos fabricantes associados ao Sindicom e a Winck, de todos os outros. A primeira possui contrato com o Sindicom para a coleta, transporte e armazenagem temporária das embalagens, depois encaminhadas para disposição final nas recicladoras igualmente homologadas pelo sindicato. Empresa de reciclagem, a Winck revaloriza os frascos recolhidos e emprega o material na fabricação de novas embalagens para produtos sanitários, químicos e mesmo de óleo lubrificante.
De acordo com o engenheiro da Seamb/Fepam, o sistema é controlado por meio dos relatórios anuais solicitados nas licenças ambientais dos fabricantes e distribuidores, e também pelos comprovantes de recolhimento que os usuários finais (postos de combustíveis, indústrias, serviços) devem apresentar no seu licenciamento. As ações, porém, não alcançam ainda o comércio varejista de baixa escala, como lojas de acessórios, de peças e oficinas mecânicas. “Temos prováveis perdas também nos usuários da agricultura, mas o programa está chegando lá por meio das licenças das atividades rurais”, diz. Os relatórios encaminhados pela MB à Fepam informam a evolução da coleta mês a mês e ano a ano. Desde o início da coleta, em junho de 2005, até o final do ano passado, a empresa recolheu em torno de 1,7 milhão de toneladas. Em 2008, o volume atingiu quase 585 mil toneladas; contra cerca de 548 mil toneladas de 2007. Em quantidade de embalagens, a MB recolheu no período um total estimado em 30,23 milhões, ao peso médio de 55,5 gramas por unidade. Os números representam os fabricantes vinculados ao Sindicom. A MB possui depósitos de escorrimento (de óleo), prensagem e estocagem das embalagens em Canoas, sua central; em Caxias do Sul, em Passo Fundo e em Santa Maria, todos municípios do Rio Grande do Sul. O comparativo do volume de embalagens pós-uso de óleo lubrificante recicladas pela Winck em 2007 e em 2008 surpreende pelo avanço. A empresa recebeu e reprocessou 2.584 quilos em 2007 e mais que dobrou a quantidade no ano passado, quando transformou 5.740 quilos do material. A operação da Seamb/Fepam tem por meta aperfeiçoar o sistema ano a ano. “Tentamos identificar os pontos de estrangulamento nos relatórios dos próprios fornecedores e distribuidores. Planejamos fazer um balanço entre março e abril”, relata Dutra. Na visão dele, a regulamentação permite gerar quantidade estável de matéria-prima, motivação para atrair empresas interessadas na reciclagem. Outros estados – A iniciativa do Sindicom para coleta de frascos pós-uso de óleos lubrificantes também contemplou a cidade do Rio de Janeiro, com o programa Jogue Limpo, implantado em 2003. Os invólucros recolhidos aí seguiam para reciclagem na Mauser, que fechava o ciclo reutilizando o material na fabricação de novas embalagens para lubrificantes. Procurada, a empresa não atendeu a esta reportagem. O Sindicom é figura fundamental para amarrar o projeto do sistema de coleta e destinação correta das embalagens descartadas dos óleos lubrificantes em âmbito nacional e sustentar a sua decolagem, como ocorreu no Rio Grande do Sul. A política de logística reversa embute um alto custo, que dificulta a adoção do sistema, mas não é o único empecilho. A verdade é que algumas medidas só ganham impulso com uma legislação bem estruturada e direcionada, aliada a ações corretamente norteadas pelos segmentos envolvidos. Tal foi o caminho que conduziu à implantação do modelo bem-sucedido de logística reversa para destinação das embalagens pós-uso da indústria de agroquímicos e do processo adotado para as embalagens de óleos lubrificantes no estado do Rio Grande do Sul. Há indícios de que seja esse o trajeto que o Sindicom planeja traçar para outros estados. Pela falta de definições concretas, a entidade preferiu não se manifestar sobre o andamento do projeto. Sabe-se apenas que busca uma vertente única de atuação e de legislação. O Jogue Limpo foi implantado recentemente no Paraná, onde o programa envolveu o Sindicom, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência do Paraná (Sindicombustíveis), a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, e o Ministério Público Estadual. Ainda embrionário (foi lançado oficialmente no início de junho do ano passado), a última estatística, divulgada pela agência de notícias do governo do Paraná, data de outubro e contabiliza recolhimento mensal da ordem de 60 mil embalagens, equivalente a 12 toneladas de plástico, na Grande Curitiba e no Litoral. O programa envolve 600 pontos de coleta, com 18 postos, concessionárias e oficinas. Os frascos inutilizados recolhidos são encaminhados a uma central de reciclagem licenciada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
A ideia é expandir o projeto para toda a região e estender a coleta também para oficinas mecânicas e concessionárias, entre outros locais. ”Nossa projeção é de, ainda neste ano, recolher entre 600 e 800 toneladas mensais”, ambiciona o presidente da Wisewood, Vladimir Kudrjawzew.
Esse composto tem como destinação principal a fabricação de dormentes para estradas de ferro (daí a comparação com o carvalho, madeira mais usada nessa aplicação). Atualmente, a empresa usa sucata
vencer a cultura do uso da madeira”, comenta o presidente da empresa. O avanço do produto, porém, deve ir além do preconceito e esbarrar na crise econômica. “Os negócios das ferrovias estão deprimidos, com demissão de pessoas e faturamento em queda”, lastima.
– questão social dos centros urbanos, pois os resíduos estão nesses locais – e também da malha ferroviária, em relação às necessidades de volume para sua manutenção”, argumenta Kudrjawzew. A |
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