Polo Sul

Graças à sua alta qualidade em acabamento, a Tabone foi escolhida para fabricar pelo menos seis peças técnicas de um recente modelo de automóvel de luxo lançado no parque automotivo brasileiro. São componentes para revestimento do air-bag, frisos de portas e toda a parte integrada do painel do ar-condicionado.

Aumenta a inadimplência
– Os empresários do sul driblam a crise com criatividade, mas não vivem num mar de rosas. A paranaense Denise Dybas Dias revela o aumento da inadimplência entre seus clientes para 20%, de novembro a dezembro.

Para ela, formada em economia e há quatro anos na presidência da Dyplast Indústria e Comércio de Plásticos Ltda., na condição de herdeira da empresa deixada pelo pai, a dificuldade de pagamentos é

consequência da baixa demanda por embalagens ocasionada pela queda no consumo dos alimentos.

Menos otimista, a empresária considera o ambiente de negócios frustrante, porque no ano passado a sinalização era de crescimento.  Segundo Denise, muitos empresários investiram em maquinários e no momento aguardam melhores dias.
 

Ela vende em praticamente todo o Brasil, principalmente em Santa Catarina, Rondônia e São Paulo, além do próprio estado do Paraná, onde concentra sua atividade industrial e transforma


Denise: retração da indústria de alimentos gera inadimplência

 uma média de 150 toneladas por mês de filmes. Até janeiro, mantinha esse volume, mas para os próximos meses pensa em diminuir a produção. 

A saída encontrada por Denise foi diversificar produtos. Como caíram as exportações de madeira, essa indústria diminuiu os pedidos de embalagens de filmes multicamadas de alta resistência. A Dyplast aumentou a extrusão de sacos plásticos de lixo com polietileno reciclado. Denise reclama ainda dos altos tributos cobrados dos empresários e da responsabilidade atribuída a esses pelo aumento do desemprego.

Na mesma toada da empresária de Curitiba, o argentino radicado na serra gaúcha, Victor Oscar Borkoski, reconhece o crescimento da inadimplência por parte de clientes e reclama da demora no repasse da queda

do barril de petróleo para o preço final das resinas. Lembra que o óleo bruto baixou mais de 50% e as resinas sofreram queda entre 15% e 17%. Algumas até aumentaram.

Por conta dos atuais preços praticados dentro do Brasil, Borkoski passou a importar polietileno de alta densidade, o carro-chefe das resinas transformadas em suas sopradoras. Ele consome 120 toneladas por mês e vem trazendo a commodity na base de 50 toneladas por contêiner dos EUA, onde, de acordo com o empresário, as petroquímicas conseguem repassar a resina a US$ 850,00 por tonelada, incluindo frete e impostos. No Brasil, a tonelada do PEAD ainda está na casa dos US$ 1,5 mil. Uma segunda opção apontada por Borkoski é a China, onde, de acordo com ele, existe carga embarcada em navios pronta para o transporte.

A diferenciação de produto, atualmente, é uma segunda saída para enfrentar a competição. Por conta desse aspecto,


Borkoski importa PEAD a preço bem abaixo do praticado no país

Borkoski desenvolveu novas tampas de segurança direcionadas a produtos perigosos como as child proof, empregadas no lacre de recipientes com soda cáustica, que só podem ser abertas mediante instrumento cortante, como forma de proteger crianças do contato com a substância. Ao todo, são mais de 70 itens, desde garrafas de iogurte até invólucros para pólvora.

Sem crise - A instabilidade dos mercados não afetou o humor da equipe da Plasticoville, de Santa Catarina. Economista tarimbado, ex-secretário da Fazenda de Joinville, o diretor-presidente, Adelir Alves, garante tomar medidas no dia-a-dia da empresa com o objetivo de blindar o empreendimento contra as turbulências do mercado. Alves assegura continuar operando em três turnos, mesmo com a redução de alguns pedidos em outubro.

O empresário explica que apenas suspendeu temporariamente a atividade de sábado e domingo, mas já começa a normalizar o ritmo. No entendimento de Alves, em breve a Plasticoville estará à plena carga, porque os pedidos novos indicam uma regularização dos negócios até a virada do semestre. “Alguns clientes pararam, mas agora estão retomando as encomendas”, assegura o empresário.

Na opinião de Alves, a situação é desafiadora. “O país não quebra, o mundo não vai quebrar. A GM quebrou nos EUA e não quebrou ontem, já estava quebrada. Era uma empresa doente”, justifica. “Não pode colocar a culpa na crise. O avião velho não cai no dia, ele apresenta problemas há muito tempo”, filosofa o piloto da Plasticoville.

O planejamento da Plasticoville permanece inalterado até 2012, com plano de investimento de R$ 7 milhões e meta de faturamento sempre superior à média obtida de 2005 a 2007. Nesse aspecto, cada chefia na Plasticoville tem seus objetivos guardados numa pasta. Cada operador tem uma calculadora para contabilizar sua produtividade.


Alves: até a virada do semestre, os negócios estarão regularizados

A operação da fábrica observa ainda elementos de sustentabilidade. A água industrial provém de uma cisterna abastecida com água da chuva, equipada com reservatórios de 40 mil litros. A planta industrial foi concebida de tal forma que durante o dia toda a atividade ocorre com luz natural.

A Plasticoville processa de 150 a 200 toneladas de resinas por mês, com processos de injeção, sopro e extrusão de peças técnicas com termoplásticos de engenharia e alto desempenho, tais como reservatórios, contêineres de até 100 litros, tubos técnicos, de poliuretano, poliuretano termoplástico, PVC, rígido e flexível, além de poliamidas.

Como forma de conquistar e garantir clientes da linha branca, de motores automotivos e compressores, a Plasticoville está certificada com ISO 9001:2000 e partindo para a conquista da TS 16949, versão 2002. São processos exigidos pela indústria automobilística e que as empresas estão aderindo.

A Plasticoville opera com sistema Kanban. Dentro da fábrica, existe um sistema de sinalização com o qual as pessoas conseguem se entender, acompanhar e trabalhar com base em informações colocadas em murais nas paredes.

Com efeito, as máquinas não podem ter mais de cinco anos. Também são substituídos, periodicamente, periféricos como sistemas de água gelada, ar comprimido, secadores, moinhos e alimentadores. O lema na Plasticoville é manter os problemas sempre à vista de todos. Uma peça transformada refugada ou um componente de equipamento danificado não podem ir para o lixo. Vai para uma estante à vista de todos, pois é preciso apontar as causas do erro para não repeti-lo.


Sinplast tem nova direção,
mas os desafios são antigos

O Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast) tem novo comando. No final do ano passado, o empresário da área de extrusão de filmes Alfredo Schmidt assumiu a presidência da entidade no lugar de Jorge Cardoso, que renunciou ao cargo por motivações particulares.

Schmidt promete continuar a bater à porta dos gabinetes do governo estadual para obter o chamado diferimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Trata-se de corrigir uma distorção tributária por meio da qual transformadores de outros estados, por conta da política tributária em suas regiões, retiram a resina do polo petroquímico gaúcho por um preço final abaixo daquilo que é cobrado dos industriais da terceira geração com atividade no Rio Grande do Sul.

Há ainda a queda-de-braço com o governo federal por conta da solicitação de isonomia de impostos como IPI, pois os transformadores recebem as matérias-primas empregadas no processo à base de 5% em imposto federal. No repasse daquilo que produzem pagam 15%, sem receber os chamados créditos tributários, que seriam de 10%. Quanto à crise dos mercados, Schmidt compara: “Não é uma marolinha, mas não é um tsunami.” Ainda assim, as empresas terão de se preparar.


Schmidt se esforça para obter o chamado diferimento do ICMS

No entendimento de Schmidt, os transformadores com carteira de clientes na indústria automotiva se ressentiram mais quando começou a onda de férias coletivas, demissões e suspensão do processo produtivo dentro das fábricas de veículos, no país e no mercado global, porque boa parte dos fornecedores de autopeças exporta grande quantidade de sua produção.

Por outro lado, assinala o presidente do Sinplast, o governo liberou muito dinheiro para os bancos, mas esses não repassaram na integralidade na forma de créditos. Tal postura criou distorções no mercado, pois o sistema financeiro estocou dinheiro e o setor produtivo ficou sem condições de contrair financiamentos necessários a novos investimentos e formação de capital de giro. “Fizeram uma seleção muito forte de quem receberia créditos”, critica o presidente do Sinplast.

No caso específico do Rio Grande do Sul, Schmidt lembra que a única montadora do estado, a unidade da GM de Gravataí, chegou a anunciar suspensão da atividade, porém em 20 de janeiro cancelou as férias coletivas e retomou a montagem dos modelos Prisma e Celta. Na visão do presidente do Sinplast, a crise dos mercados assusta por um lado, mas por outro cria oportunidades de rever custos e favorece inovações.

Já do Paraná afloram as reclamações contundentes. O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico daquele estado (Simpep), Dirceu Galléas, critica o monopólio do beneficiamento da nafta mantido pela Petrobras. Para ele, trata-se de uma realidade perversa, pois o petróleo despencou no mercado internacional, o preço das resinas fora do país sofreu queda de 50%, porém os valores cobrados pela petroquímica nacional são os mesmos, conforme sua avaliação.

Dentro desse raciocínio, o monopólio da Petrobras impede as flutuações normais do livre mercado. “Existe uma fórmula que nós não entendemos. A Petrobras leva 30 dias para repassar a queda de preços no mercado interno”, acusa Galléas.

Em sua opinião, a consolidação da petroquímica não mudou preços porque ainda permanece a política de negociação antiga, com uma zona de conforto elástica para blindar a petroquímica nacional de dumping ou outras distorções do mercado. Galléas acusa a Petrobras de retornar ao setor petroquímico com força. A estatal do petróleo é minoritária na Braskem e na Quattor, pois detém uma média de 26% do controle acionário em cada uma das petroquímicas.

 

 

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