ELASTÔMEROS TERMOPLÁSTICOS

O avanço sobre tradicionais redutos do PVC também tem sido observado pela Softer Brasil. “É o candidato natural nos segmentos que necessitam de produtos atóxicos, como médico-hospitalar, utilidades domésticas e de puericultura”, diz Bueno. Ressalta ainda vantagens relativas ao processamento e à preservação dos moldes. “O transformador recebe a formulação pronta. É só colocar na injetora e processar e, ao contrário do PVC, o material não degrada a ferramenta.”

TPV – A planta da Softer Brasil tem capacidade total para 25 mil t/ano. Dividida em quatro famílias de produtos, a linha engloba compostos de PP modificados; variada gama de TPEs, como os formulados à base de SEBS e SBS; e os termoplásticos vulcanizados (TPV), borracha vulcanizada dispersa em base olefínica fundida. Em 2008, iniciou a distribuição de TPU da americana Huntsman. “O acordo abriu as portas para outros mercados de atuação.”

Os TPEs e TPVs representam o maior volume de vendas da empresa no Brasil. O mercado de autopeças absorve 50% da produção, seguido pelo segmento médico-hospitalar (20%), esporte e lazer (10%), utilidades domésticas (10%), eletroeletrônicos (4%), fios e cabos (3%), rodas e rodízios (2%) e outros (1%). “Aproximadamente 80% do volume vendido segue para a Região Sudeste.”

De acordo com Bueno, a demanda de TPV cresce em substituição ao EPDM convencional. A facilidade de processamento está entre as principais vantagens, pois se trata de uma mistura de poliolefina com EPDM reticulado. “Em geral, o custo nominal é maior, porém a peça pronta fica em torno de 20% mais barata, além de garantir propriedades semelhantes à da borracha.”

A linha de compostos de PP começou a ser produzida no Brasil em 2007. “Entramos nesse ramo para suprir os volumes menores, demanda que os três grandes produtores do setor não atendem.” De acordo com Bueno, a consolidação do PP na indústria de autopeças é o principal motor desse mercado, assim como as aplicações na construção civil e equipamentos elétricos. “Podem ser moldados por injeção, extrusão e sopro.”

A quantiQ (ex-Ipiranga Química) distribui com exclusividade os elastômeros termoplásticos vulcanizados da ExxonMobil Chemical. “Destinam-se à fabricação de qualquer peça elastomérica onde redução de peso e aderência a outros materiais são importantes”, explica o gerente de unidade de negócios – polímeros, Fabiano Bianchi, citando o uso na indústria de autopeças (dutos de ar, perfis, juntas, gaxetas e alto-falantes), em eletrodomésticos como lava-roupas, secadoras, aspiradores, em mangueiras e peças internas e utensílios domésticos; e em juntas de vedação, fios e cabos, diafragmas e outras em geral.

De acordo com Bianchi, o produto, ao longo de seus vinte anos de mercado, vem agregando vantagens técnicas importantes às peças onde é utilizado, tais como redução do peso final, integração entre materiais rígidos e flexíveis, melhoria no processo de manufatura, com eliminação de etapas de montagem, além de ser totalmente reciclável, favorecendo a redução de custos na produção das peças. “Com isto, usualmente, um elastômero termoplástico encontra espaço em aplicações onde os elastômeros comumente conhecidos não oferecem satisfatoriamente as características mencionadas.”

Disponíveis nas durezas de 35 shore A a 50 shore D e nas cores natural e preto, podem ser pigmentados nas mais variadas cores com o uso de masterbatches de polipropileno, facilitando aos engenheiros de desenvolvimento e transformação a seleção do tipo ideal para a substituição de diversas borrachas termofixas.

A ExxonMobil Chemical está lançando mundialmente nova linha de elastômeros termoplásticos para modificação de propriedades, como impacto, cristalinidade e elasticidade e adesão de várias poliolefinas e plásticos de engenharia.

De acordo com Bianchi, o segmento de borracha, incluindo peças técnicas e pneumáticos, é um dos principais nichos de atuação da Divisão de Químicos da quantiQ, que vende ainda variada linha de especialidades químicas, tais como antioxidantes; agentes de crosslink; aceleradores; plastificantes minerais parafínicos, naftênicos e aromáticos; formulações de plastificantes minerais voltados ao atendimento de solicitações específicas de cada cliente; e a linha de solventes sintéticos, hidrocarbônicos e ecológicos.

Mercado – A quantiQ prevê um crescimento de 19% em receita para 2009, baseado em estratégias específicas para segmentos de mercado-alvo, além da consolidação da área de Lifescience. “Nossa expectativa é de um ano satisfatório, apesar de um primeiro trimestre com menor nível de produção, comparativamente ao ano anterior.”

Segundo Bianchi, janeiro apresentou um comportamento diferente em cada segmento de mercado. “Como grande cadeia produtiva, a indústria automotiva apresentou situação mais difícil, com níveis de produção bastante baixos.” Segmentos ligados ao consumo geral apresentaram níveis de produção considerados bons para a atual conjuntura. Na avaliação de Bianchi, o mercado caiu entre 5% e 20% no comparativo com o ano anterior, dependendo do setor industrial analisado.


Para Bianchi, ano deverá ser satisfatório

Nas contas da Petropol, de Mauá-SP, 2008 fechou com crescimento de 22%, tanto em volume como em faturamento, impulsionado principalmente pelas vendas dos plásticos de engenharia reforçados com fibra de vidro. Especializada na distribuição e revenda de plásticos de engenharia e borrachas, a Petropol também tem linha própria de compostos e blendas. No segmento de elastômeros, atua desde 1993.

Em razão da crise mundial, estima-se que em janeiro o mercado ficou 40% abaixo da média registrada no ano passado. A recuperação começou em fevereiro, quando a demanda alcançou em torno de 80% do volume médio anterior. “A expectativa é de trabalhar com 80% da capacidade no primeiro trimestre de 2009, e já no segundo trimestre atingir os mesmos índices de 2008”, diz o diretor-comercial, Rogério Tadiotto.

Com a desvalorização do real perante o dólar, Tadiotto ressalta a tendência de os produtos importados perderem mercado para os nacionais, compensando a queda de mercado pelo desaquecimento da economia. Segundo ele, a maior parcela das importações tem origem na Espanha (TPU) e nos Estados Unidos (TPEs).


Tadiotto prevê recuperação das vendas já no segundo trimestre

Fazem parte do portfólio da Petropol: os elastômeros termoplásticos compostos à base de polímeros de blocos estirênicos; TPU aditivado; borrachas termoplásticas vulcanizadas e olefínicas; blendas de ligas elastoméricas, incluindo misturas com plásticos de engenharia, como poliacetal, poliéster e polipropilenos de altíssimo impacto; entre outros materiais. “A capacidade produtiva alcança 250 t/mês de TPEs, sejam vulcanizados ou olefínicos”, afirma Tadiotto.

Da DuPont, a Petropol importa e revende poliéster elastomérico. Da Basf, distribui linha de TPU para todo o Brasil, excluindo a Região Sul. “Com produção local e várias séries, pigmentadas, aditivadas e reforçadas, atendem a diversas aplicações das indústrias de sopro, injeção ou extrusão.”

Nos demais produtos, as vendas da empresa abrangem todo o país. As unidades fabris estão instaladas em São Paulo e no Paraná. “Temos representantes no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.” As exportações, ainda modestas, seguem para a Venezuela e Colômbia. O principal mercado de atuação é a indústria


Produto mistura materiais de alto impacto

automobilística. “Mas setores como o de agronegócio, calçados, industrial-mecânico, médico-hospitalar e ortodontia representam boa parcela das vendas.”

Nesses nichos também se concretizaram boas oportunidades para a substituição de termofixas. Tadiotto cita as partes de vedação de portas e vidros da indústria automotiva e as coifas de proteção ao pó nos equipamentos agrários que passaram a ser fabricadas com borrachas termoplásticas.

 

 

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