ELASTÔMEROS TERMOPLÁSTICOS



Segmentos de calçados e de autopeças reduzem ritmo e estimulam setor a
buscar novas frentes de atuação

Texto de Simone Ferro e fotos de Cuca Jorge

As indústrias de autopeças e de calçados pisaram no freio e ajudaram a desacelerar o até então aquecido e quase desabastecido mercado de elastômeros, incluindo os termoplásticos (TPEs). Isso para citar apenas dois redutos do material. No último trimestre de 2008, quando os preços e o fornecimento de insumos petroquímicos, entre os quais o butadieno e o isopreno, apresentavam os primeiros sinais de estabilidade e abriam espaço para a recuperação das vendas e margens das borrachas, a crise mundial deu as caras e mudou a maré.

Perspectivas revisadas, os fabricantes de TPEs e respectivos compostos esperam repetir os índices de vendas e faturamento do ano passado, mas não arriscam previsões conjunturais. Aliás, quem souber o 

que vai acontecer em 2009 corre o risco de ficar rico. Por isso, não espere essa resposta nas próximas linhas. O máximo que podemos oferecer é o perfil de um setor inovador, pronto para abrir novas portas, ou talvez frascos.

Isso é o que pretende a Softer Brasil, filial da indústria italiana com planta em Campo Bom-RS. Ao difundir o uso de TPEs em tampas e frascos, a empresa almeja avançar em um mercado pouco explorado. “Teremos novidades em breve”, afirma o diretor da Compostos, Nilton A. Bueno Jr., braço comercial da Softer, do Paraná para cima.

Na avaliação de Bueno, os TPEs têm grande potencial de uso no mercado de embalagens rígidas em substituição aos plásticos de engenharia e outras resinas. “Um dos alvos é a indústria de cosméticos, mas o potencial é imenso não apenas em razão das propriedades do material, mas também em relação ao custo”, afirma.


Bueno aposta no potencial dos TPEs no mercado de cosméticos

Para esse uso, indica os compostos formulados com borrachas hidrogenadas SEBS (estireno-etileno/butileno-estireno). Entre as vantagens, cita a ampla variedade de aplicações, excelente flexibilidade a baixas temperaturas e facilidade de pigmentação. “Permite a moldagem de peças complexas e a combinação de materiais rígidos e flexíveis, sempre com ótimo acabamento.”

O desenvolvimento desse nicho de utilização está em fase avançada. “Quem sair na frente vai ter sucesso”, diz Bueno. A substituição da cortiça nas rolhas de vinho é outra aposta da Softer. Na Europa, essa aplicação ocorre em grande escala há mais de uma década. Por aqui, ainda não emplacou como poderia.

Benefícios – A facilidade de processamento dos plásticos, a flexibilidade e a suavidade ao toque da borracha são apelos importantes, mas não os únicos. Recicláveis, os TPEs permitem o reaproveitamento de rebarbas e sobras do processo, consomem menos energia para o processamento em relação às borrachas termofixas, garantem design diferenciado às peças e melhoram as propriedades de impacto e elasticidade, entre outros parâmetros.

Os TPEs mais consumidos e mais baratos são os copolímeros de blocos estirênicos, o SBC (copolímero-estireno-butadieno). Usados, entre outras aplicações, na fabricação de produtos médicos descartáveis, solados, mantas, embalagens de alimentos ou como selantes, adesivos, eles apresentam força tensora menor e alongamento superior ao SBR (estireno-butadieno) ou à borracha natural.

O poliuretano termoplástico (TPU) foi o primeiro elastômero a ser processado como as resinas plásticas. A excelente resistência à abrasão garante o uso em amortecedores, cilindros, engrenagens, cabos etc. Entre os elastômeros mais antigos, estão ainda os copoliésteres (COPE) e os de olefinas termoplásticas (TPO). Classificados de acordo com os componentes da blenda, esses materiais estão em constante evolução, a fim de melhorar a resistência térmica e a fluidos, o desempenho à fadiga, entre outros parâmetros.

O uso de TPEs como aditivos de termoplásticos, na produção de embalagens rígidas e flexíveis, já é mais difundido. “Melhora as propriedades de impacto e elasticidade do produto final e evita quebras ou rasgos”, afirma o diretor-comercial e desenvolvimento de mercado da Kraton Polymers do Brasil, Ricardo A. O. Pereira.


Aditivação com elastômero torna peça mais resistente

Enquanto conquistam novos mercados, os TPEs estão consolidados em muitos segmentos. Esse é o caso da indústria de calçados, que há alguns anos substituiu o SBR, e até mesmo do setor de modificação de asfalto. “Com soluções específicas e variada gama de aplicações, os elastômeros termoplásticos têm vasto campo para crescer”, diz Pereira.

Oportunidades e nichos de mercado não faltam. Porém, produtos de consumo de maior valor agregado, como barbeadores, escovas de dente, canetas e demais itens que agregam TPEs em cabos e outras partes, ainda estão restritos a uma pequena parcela dos consumidores brasileiros. “Mas tendem a ser popularizados”, avalia. A evolução da demanda está relacionada diretamente ao poder de compra do consumidor.

Tais aplicações, usadas há anos e em grande escala nos Estados Unidos e Europa, sustentam promissora demanda no país. “O segmento de elastômeros termoplásticos tem apresentado contínua e consistente evolução nos últimos anos. No Brasil, uma alta taxa de crescimento de dois dígitos pode ser encontrada em alguns mercados específicos que demandam produtos de alto desempenho e custos competitivos”, diz Pereira.

Produção – Pioneira e maior produtora mundial de copolímeros em bloco de estireno, a Kraton possui seis bases industriais localizadas nos Estados Unidos, Brasil, França, Alemanha, Holanda e Japão, com produção total de 400 mil t/ano.

A Kraton Polymers do Brasil opera planta industrial com capacidade para 30 mil toneladas/ano de borrachas de estireno-butadieno-estireno (SBS), estireno-isopreno-estireno (SIS) e os novos copolímeros estirênicos em bloco de isopreno/butadieno (SIBS), em Paulínia-SP.

A unidade produz ainda 1.500 t/ano de látex de borracha de poli-isopreno (base seca), substituto sintético, atóxico e hipoalergênico do látex natural. Da planta de Belpre, estado de Ohio, nos Estados Unidos, importa as borrachas hidrogenadas do tipo estireno-etileno-butileno-estireno (SEBS) e estireno-etileno/propileno-estireno (SEPS).

Com sua linha de produtos, a Kraton atende a aplicações diversas de quatro segmentos de mercado: calçados, adesivos, pavimentação e impermeabilização de asfalto e plásticos. “Aproximadamente 60% da produção brasileira fica no mercado local e o restante é exportado”, informa o gerente de vendas América Latina, Daniel Hamaoui.

A produção local de SIBS começou há aproximadamente dois anos. Utilizado em conjunto com resinas, plastificantes e estabilizantes, o SIBS se destina à produção de adesivos hot melt, etiquetas, rótulos e também na área de não-tecidos.

De acordo com o fabricante, a composição elastomérica híbrida do bloco intermediário, com a distribuição de monômeros de isopreno e butadieno, influencia significativamente as propriedades físico-químicas do polímero, principalmente na temperatura de transição vítrea (Tg) e no parâmetro de solubilidade.

No campo das borrachas de SEBS, um dos destaques fica por conta da substituição do policloreto de vinila (PVC) na fabricação de embalagens para alimentos e de materiais de uso médico-hospitalar, como bolsas para soluções intravenosas, parenterais e para sangue. “Os segmentos que buscam soluções inovadoras são os que mais se beneficiam. Sob este ponto de vista, o mercado hospitalar tem apresentado boas perspectivas no Brasil”, diz Hamaoui.

Segundo ele, esses elastômeros garantem melhor processabilidade tanto em filmes extrusados como itens soprados, além de oferecer alto grau de resistência, flexibilidade e transparência. Mas uma das principais vantagens se refere


Para Hamaoui, borrachas de SEBS avançam em aplicações do PVC

à ausência de plastificantes na formulação. Hamaoui destaca ainda o uso em compostos de polipropileno (PP). “Em misturas a seco com poliolefinas, em diferentes proporções, os filmes alcançam diferentes níveis de desempenho.”

 

 

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