As
indústrias de autopeças e de calçados pisaram no freio e ajudaram a
desacelerar o até então aquecido e quase desabastecido mercado de
elastômeros, incluindo os termoplásticos (TPEs). Isso para citar apenas
dois redutos do material. No último trimestre de 2008, quando os preços e
o fornecimento de insumos petroquímicos, entre os quais o butadieno e o
isopreno, apresentavam os primeiros sinais de estabilidade e abriam espaço
para a recuperação das vendas e margens das borrachas, a crise mundial deu
as caras e mudou a maré.
Para esse uso, indica os compostos formulados com borrachas hidrogenadas SEBS (estireno-etileno/butileno-estireno). Entre as vantagens, cita a ampla variedade de aplicações, excelente flexibilidade a baixas temperaturas e facilidade de pigmentação. “Permite a moldagem de peças complexas e a combinação de materiais rígidos e flexíveis, sempre com ótimo acabamento.” O desenvolvimento desse nicho de utilização está em fase avançada. “Quem sair na frente vai ter sucesso”, diz Bueno. A substituição da cortiça nas rolhas de vinho é outra aposta da Softer. Na Europa, essa aplicação ocorre em grande escala há mais de uma década. Por aqui, ainda não emplacou como poderia. Benefícios – A facilidade de processamento dos plásticos, a flexibilidade e a suavidade ao toque da borracha são apelos importantes, mas não os únicos. Recicláveis, os TPEs permitem o reaproveitamento de rebarbas e sobras do processo, consomem menos energia para o processamento em relação às borrachas termofixas, garantem design diferenciado às peças e melhoram as propriedades de impacto e elasticidade, entre outros parâmetros. Os TPEs mais consumidos e mais baratos são os copolímeros de blocos estirênicos, o SBC (copolímero-estireno-butadieno). Usados, entre outras aplicações, na fabricação de produtos médicos descartáveis, solados, mantas, embalagens de alimentos ou como selantes, adesivos, eles apresentam força tensora menor e alongamento superior ao SBR (estireno-butadieno) ou à borracha natural.
Enquanto conquistam novos mercados, os TPEs estão consolidados em muitos segmentos. Esse é o caso da indústria de calçados, que há alguns anos substituiu o SBR, e até mesmo do setor de modificação de asfalto. “Com soluções específicas e variada gama de aplicações, os elastômeros termoplásticos têm vasto campo para crescer”, diz Pereira. Oportunidades e nichos de mercado não faltam. Porém, produtos de consumo de maior valor agregado, como barbeadores, escovas de dente, canetas e demais itens que agregam TPEs em cabos e outras partes, ainda estão restritos a uma pequena parcela dos consumidores brasileiros. “Mas tendem a ser popularizados”, avalia. A evolução da demanda está relacionada diretamente ao poder de compra do consumidor. Tais aplicações, usadas há anos e em grande escala nos Estados Unidos e Europa, sustentam promissora demanda no país. “O segmento de elastômeros termoplásticos tem apresentado contínua e consistente evolução nos últimos anos. No Brasil, uma alta taxa de crescimento de dois dígitos pode ser encontrada em alguns mercados específicos que demandam produtos de alto desempenho e custos competitivos”, diz Pereira. Produção – Pioneira e maior produtora mundial de copolímeros em bloco de estireno, a Kraton possui seis bases industriais localizadas nos Estados Unidos, Brasil, França, Alemanha, Holanda e Japão, com produção total de 400 mil t/ano. A Kraton Polymers do Brasil opera planta industrial com capacidade para 30 mil toneladas/ano de borrachas de estireno-butadieno-estireno (SBS), estireno-isopreno-estireno (SIS) e os novos copolímeros estirênicos em bloco de isopreno/butadieno (SIBS), em Paulínia-SP. A unidade produz ainda 1.500 t/ano de látex de borracha de poli-isopreno (base seca), substituto sintético, atóxico e hipoalergênico do látex natural. Da planta de Belpre, estado de Ohio, nos Estados Unidos, importa as borrachas hidrogenadas do tipo estireno-etileno-butileno-estireno (SEBS) e estireno-etileno/propileno-estireno (SEPS). Com sua linha de produtos, a Kraton atende a aplicações diversas de quatro segmentos de mercado: calçados, adesivos, pavimentação e impermeabilização de asfalto e plásticos. “Aproximadamente 60% da produção brasileira fica no mercado local e o restante é exportado”, informa o gerente de vendas América Latina, Daniel Hamaoui. A produção local de SIBS começou há aproximadamente dois anos. Utilizado em conjunto com resinas, plastificantes e estabilizantes, o SIBS se destina à produção de adesivos hot melt, etiquetas, rótulos e também na área de não-tecidos.
à ausência de plastificantes na formulação. Hamaoui destaca ainda o uso em compostos de polipropileno (PP). “Em misturas a seco com poliolefinas, em diferentes proporções, os filmes alcançam diferentes níveis de desempenho.” |
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