Empresa distribui resinas recicladas

Na carona da reciclagem surgem novos nichos de negócios. Esse é o caso da empresa Ambiental, criada em Joinville, cidade ao norte de Santa Catarina, e um dos principais polos de transformação de resinas termoplásticas do Brasil. A firma entrou em operação há um ano e responde pela movimentação de até 60 toneladas por mês de material recuperado. Atende uma carteira diversificada de clientes, que vai do extremo-sul do país até o nordeste.

A Ambiental surgiu da iniciativa do técnico em processamento de plásticos Adriano Cereja e mais dois sócios. Ex-empregados de uma distribuidora de resinas virgens, eles resolveram concretizar o plano de montar a distribuidora ao perceberem que havia uma demanda reprimida de resinas recicladas no mercado. Ele garante operar com critério porque há muito calote e resinas de baixa qualidade. “Nós separamos o joio do trigo e repassamos o trigo”, garante Cereja.

Para o empresário, a Ambiental, até segunda ordem, é a única empresa do país especializada em distribuir exclusivamente resinas recicladas, embora ele já tenha colocado em seus planos abrir uma recicladora completa com equipamentos de segregação, limpeza, moagem e extrusão: “Esse é um projeto para mais tarde”, despista Cereja.

No momento, a distribuidora opera basicamente com polietilenos, ABS, poliestireno, polipropileno e alguns volumes de PVC. Conta com uma carteira de recicladoras com as quais garante o fornecimento de resinas. A filosofia da empresa é encontrar no mercado a encomenda certa para o cliente correto, sem impor limitações logísticas.

Por conta de sua versatilidade, a Ambiental conquistou a confiança de cinco recicladoras da região de Joinville, comprometidas em garantir à Ambiental o suporte necessário para manter a freguesia em alta. Com isso, o galpão da distribuidora está pronto para abastecer qualquer transformador do país em volumes a partir de 25 quilos até 200 quilos na pronta entrega. Como assinala Cereja, o mercado começa a romper o preconceito com o reciclado, naquelas áreas onde a legislação permite o uso de material pós-consumo.

Ele acabou de fechar a venda de oito toneladas e meia de PVC pós-uso, que voltou à indústria para ser transformado novamente em tubos e conexões. Segundo Cereja, em boa parte desses processos, a própria Ambiental faz o estudo e especifica em que condições e em quais produtos as resinas recicladas podem ser empregadas em 100%, e ainda se há necessidade de misturá-las a resinas virgens ou reforços, dentro das porcentagens corretas.

Fernando C. de Castro

Cereja: setor começa a se abrir para uso do material pós-consumo

É fundamental conhecer e saber onde aplicar cada resina. Toda resina reciclada contempla perda de propriedade. É preciso garantir padrão e cor e, em certas ocasiões, reforçar e alterar quimicamente o material. Resina reciclada exige desenvolvimento constante de tecnologia.

As principais aplicações dos polietilenos são sacos de lixo e mangueiras. Neste caso, a mistura irá variar entre 20% e 50% de resina reciclada. O ABS e outros plásticos de engenharia retornam à indústria de solados de calçados. O polipropileno é empregado em injeção de luminárias.

Na maioria das vezes, o comprador de material reciclado conhece a mistura certa, mas se precisar a Ambiental entra com o suporte técnico necessário. Para embalagens de defensivos agrícolas, o material reciclado dispensa maiores especificações técnicas, desde que não esteja contaminado com substâncias deletérias ou com as propriedades físico-químicas comprometidas, assim como os sacos de lixo.

Há novos produtos em desenvolvimento, fruto da parceria da Ambiental com transformadores. Em Sergipe, um empresário local desenvolveu chapas de polipropileno, que no futuro deverão substituir a madeira usada na produção de fôrmas para concreto armado na construção civil. De acordo com Cereja, o material é injetado e as peças se encaixam como um quebra-cabeça. O artefato foi aprovado pelo Instituto Falcão Bauer, de São Paulo, segundo informa Cereja.

Além disso, a Ambiental criou uma estratégia para se aproximar dos transformadores. No seu primeiro ano de atividade, participou da Interplast 2008. Outra iniciativa foi se associar ao Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado de Santa Catarina (Simpesc). “É um sindicato patronal e você tem o nome lá, o que ajuda a atrair clientes”, acredita Cereja.

Técnico em plástico formado em 1995, pela Escola Tupi, também de Joinville, e uma das mais renomadas do país na formação de profissionais para a indústria de transformação de plásticos, Cereja explica que boa parte das empresas usuárias de resinas recicladas se encontra em fase de desenvolvimento e nesse momento estão um pouco retraídas com as turbulências da economia. “O mercado está instável”, completa. Em sua opinião, apenas 10% do material de uma cidade é realmente separado corretamente para a reciclagem, o restante tem nos aterros sanitários o destino final.

F. C. C.

 

 

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