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Plástico recuperado vira papel Uma nova alternativa para minimizar o impacto ambiental causado pelos descartes plásticos começa a ganhar contornos industriais nos próximos meses. Em etapa final de testes, um papel sintético obtido de plástico reciclado de resíduos urbanos chegará ao mercado convertido em fitas adesivas, papel de impressão e rótulos. Resultado de uma parceria tríplice, o produto comprova que a união de forças entre cientistas e empresários na busca de desenvolvimentos para agregar valor à sociedade quase sempre acerta o alvo. O projeto demandou vários anos de estudos e ganhou corpo nos últimos três. Em abril de
De acordo com a mentora da pesquisa, a ideia surgiu com o objetivo de buscar alternativas para minimizar o impacto ambiental causado pelo material plástico descartado com produtos de maior valor
Na Vitopel, o novo material utiliza a tecnologia dos filmes de polipropileno biorientado (BOPP), resultando num material resistente, com aspecto diferenciado e similar ao do papel cuchê. “O produto requer extrusão mais sofisticada e biorientação”, comentou José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Vitopel, maior produtora de filmes flexíveis biorientados da América Latina e a terceira maior do ramo no mundo.
A empresa tem capacidade instalada para produzir um total de 150 mil toneladas anuais de filmes flexíveis. Num primeiro estágio, seriam convertidas 10 mil toneladas do novo material que, a propósito, pode ser reincorporado ao processo produtivo. Esse volume pode facilmente ser elevado para 50 mil toneladas anuais, de acordo com a demanda do mercado e desde que a empresa tenha condições de estabelecer um sistema de coleta contínua, fundamental para manter constante a produção. Da sua própria fábrica, a Vitopel poderá reabsorver 250 toneladas mensais de aparas. A empresa já tem potenciais fornecedores: algumas cooperativas de reciclagem com as quais mantém relacionamento. O presidente da Vitopel comemora o fato de o produto ter despertado interesse internacional. “Se não estiver no raio de alcance de exportação, os três parceiros – Vitopel, UFSCar e Fapesp – podem licenciar a tecnologia”, declarou Roriz. A docente do DEMa/UFSCar está envolvida com o projeto de caracterização de poliolefinas provenientes de resíduos urbanos para a fabricação de papel sintético desde 1996. Várias pesquisas abordaram o reaproveitamento de embalagens pós-consumo e em 2002 ganhou impulso o estudo que resultou no produto agora em vias de comercialização. Maria A. de Sino Reto |
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