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Evento discute a reciclagem do PVC

As alternativas tecnológicas de reciclagem do PVC flexível foram incluídas pela primeira vez na programação do “Seminário de Atualidades Tecnológicas: elastômeros, plásticos e adesivos”, realizado em Porto Alegre, de 2 a 3 de outubro, em sua décima terceira edição. O evento é organizado pelo Centro Tecnológico de Polímeros do Senai de São Leopoldo. Neste ano, reuniu 650 participantes no Centro de Exposições da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul.

No denominado Primeiro Encontro do PVC flexível, evento paralelo ao Seminário, o professor Hélio Wiebeck, do laboratório de matérias particuladas do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), relatou suas pesquisas com a recuperação de PVC iniciadas em 1995. Segundo ele, o PVC sempre foi reciclável, embora o processo exija equipamentos construídos com materiais especiais para evitar a corrosão pelo cloro. As superfícies expostas ao PVC precisam receber tratamento de nitretação de maneira que resistam ao ataque abrasivo e químico do cloro.

Fernando C. de Castro

Wiebeck: processo exige materiais imunes à corrosão pelo cloro

O reciclador precisa conhecer ainda a temperatura do processo para minimizar o efeito corrosivo e a temperatura de aquecimento, a qual deve variar entre 150ºC e 220°C. É freqüente a adição de plastificantes. Da reciclagem podem ser produzidos plásticos reforçados por meio de blendas. Dependendo da finalidade do PVC, devem ser acrescentados às linhas de reciclagem equipamentos tais como moinhos, uma extrusora e uma prensa. “Podemos concluir que o resíduo de PVC, de acordo com as características da resina e do processo de aditivação e de plastificação, pode propiciar uma gama muito grande de produtos de consumo”, sublinhou Wiebeck.

Da reciclagem do PVC flexível é possível produzir para a indústria automotiva painéis de porta, painéis de instrumentos, revestimentos de bancos, tapeçaria, cabos, perfis decorativos e protetores. Na construção civil, o PVC reciclado é reutilizável em algumas das aplicações da resina virgem, dentre as quais as conexões, tubulações, janelas, portas, fios, caixas para fusíveis, tomadas e telhas onduladas. Em bens de consumo, é compatível com a formulação de compostos empregados em solados para calçados, estruturas de barcos infláveis, cartões de crédito, mangueiras e bolsas.

Se passar por esterilização, pode ser empregado em bolsas de sangue, mangueiras cirúrgicas, blisters para medicamentos, frascos selantes, desinfetantes, entre outros. Na proteção do meio ambiente, em membranas impermeáveis, tubulações de esgoto e drenagem.

Já Isaac Inque, da Braskem, falou sobre o EVA, o qual também pode se constituir em alternativa ao PVC por oferecer propriedades semelhantes às das borrachas butadiênicas. A resina apresenta boa flexibilidade, elasticidade, polaridade alta proporcionada pela presença do acetato na formulação.

De acordo com o boletim estatístico anual da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), com base em levantamento promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o Brasil produziu 5,3 milhões de toneladas de resinas virgens em 2007. O consumo aparente foi de aproximadamente 4,8 milhões de toneladas nos doze meses do ano passado. Do total transformado, 48 mil toneladas (1%), corresponde ao EVA (copolímero de etileno e acetato de vinila).

O anuário da Abiplast revela ainda que 58% do EVA consumido no país é destinado à indústria de calçados; 23%, em filme (embalagens alimentícias); 2% para finalidades industriais; 4% em bens de consumo e 13% em outras aplicações não especificadas. No entanto, é reconhecido que volumes expressivos de EVA entram na composição do adesivo hot-melt e na manufatura total de calçados como as botas sete léguas, inteiramente injetadas. Neste volume estão incluídas aplicações como embalagens de absorventes higiênicos, material para encadernação, colagem de faróis, base de carpete e na plasticultura.

O EVA funciona bem ainda em embalagens complexas de embutidos e carnes que precisam dar formato exato de peça. Em sopro é convertido em assentos sanitários e na Inglaterra vem sendo testado como bolsas de soro. Uma das vantagens pontuadas por Inque do EVA em comparação com o PVC é a ausência de cloro. Tal propriedade permite empregar o EVA na produção de bolsas de sangue, alternativa atualmente em desenvolvimento na Europa.

Por outro lado, o EVA tem a desvantagem de produzir odor e pode se transformar em ácido acético. O cenário aponta para o crescimento do consumo da resina em co-extrusão e perda de fôlego em processos de sopro.

Pela Columbian, José de Azevedo, apresentou o CD 7031, um negro-de-fumo adaptado quimicamente para contato indireto com alimentos e direcionado a alguns tipos de embalagens. Foi testado no Brasil com PEAD. Usualmente, o resíduo é moído, aditivado em um misturador e enviado diretamente para uma extrusora ou injetora. Detém um bom nível de dispersão.

O CD 7031 é voltado às embalagens rígidas e flexíveis e segundo Azevedo, está em conformidade com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ou seja: seu teor de tolueno é inferior a 0,1% e a presença de benzopireno não chega a 0,25 miligramas ppm, numa carga máxima de 2,5% de negro-de-fumo na composição de uma embalagem. “Atende também às normas européias. Pode ser usado em polietileno, polipropileno, entre outras resinas”, enfatizou o representante da Columbian.

O grupo gaúcho SGS Polímeros, com ramificações no Paraná, apresentou uma nova linha de plastificantes de origem olefínica, marca comercial Olvex. Trata-se de uma série produzida com matérias-primas vegetais e renováveis.

Fernando C. de Castro

Azevedo divulgou negro-de-fumo com baixo teor de benzopireno

De acordo com as especificações do fabricante, o Olvex 50 substitui integralmente os plastificantes convencionais à base de ftalatos, os quais sofrem restrições em diversos mercados e produtos na industrialização de borrachas nitrílicas. Apresenta alta compatibilidade com elastômeros e desempenho comprovado, quando usado em sistema que contenha borracha sintética nitrílica (NBR), necessitando somente de uma pequena correção na utilização de enxofre. Caracteriza-se por não exudar em blendas NBR/PVC.

O Olvex 05 é uma alternativa de óleo extensor para compostos e substitui os óleos aromáticos e parafínicos, sendo compatível com os elastômeros de estireno butadieno (SBR) por apresentar propriedades físicas e de processo similares às obtidas com os óleos aromáticos e parafínicos. O Olvex 50 e 05 estão adequados às normas definidas pela European Tyre and Rubber Manufacturer’s Association (ETRMA).

O Olvex 51 é um plastificante primário, que substitui os plastificantes à base de ftalatos especialmente direcionados aos mercados de produtos alimentícios, brinquedos e artigos médico-hospitalares. Pode formar compostos com PVC, sendo indicado para a fabricação de mangueiras, perfis flexíveis, isolamento de fios, cabos elétricos, bem como extrusão e calandragem de filmes laminados semi-rígidos e flexíveis.

Fernando Cibelli de Castro

 

 

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